Quem sou eu

Minha foto
Agrônomo, com interesses em música e política
Mostrando postagens com marcador Haroldo Guimarães. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Haroldo Guimarães. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Pela primeira vez, a Prefeitura de Fortaleza formaliza com empresas privadas o patrocínio para realização do Pré-Carnaval. Com o apoio privado, o evento corre o risco de ser privatizado? O não.

Não, por Haroldo Guimarães - Mestre em Direito Constitucional e cantor do bloco Unidos da Cachorra

Vale um exemplo: os chamados grandes carnavais do Brasil são patrocinados pela iniciativa privada, o que interferiu minimamente no modo que se desenvolveram. É de se admitir que no Rio a ingerência dos meios de comunicação – que podem ser chamados de patrocinadores - influiu no andamento do samba ou na verticalização das alegorias, mas, por hora, não se vê nenhum perigo de que, em Fortaleza, nossas representações carnavalescas mudem seu modo de ser pela força do vil metal.

A cobrança de ingressos e abadás em Salvador foi fruto do arrojo (e, talvez, da cara-de-pau) do empresariado baiano, e não só do fato de haver patrocínio privado.

Embora não tenha conseguido evitar os camarotes no Galo da Madrugada – e talvez não seja necessário fazê-lo -, Olinda e Recife resistem bravamente às raras (mas insistentes) tentativas de apropriação particular do carnaval pernambucano.

Assim, no respeitante ao modo de acesso à folia – se pago ou gratuito -, penso que questões outras são determinantes, e não o patrocínio privado.

Nada mais ao encontro da lei que os recursos públicos sejam especialmente focados em áreas prioritárias como saúde e educação. Sabemos que lazer é direito fundamental (art. 6º CF/88), e há quem diga que, como no futebol, dentre as coisas menos importantes que existem, a mais importante é o Carnaval. Faz todo o sentido. Mas, dentre outras coisas, o princípio da impessoalidade dificulta aportes financeiros públicos para ocasiões precipuamente particulares, ou de gênese particular.

Nessa esteira as parcerias público-privadas ou o modelo de cooperação estabelecido para o Carnaval se colocam como ótima e moderna forma de administrar.
Vale dizer que a subvenção pública é até desejável: mas, nesse período, com relação ao Pré-Carnaval, ordenação e segurança são bens públicos mais caros ao fortalezense, folião ou não, do que dinheiro.

"Parcerias público-privadas e o modelo de cooperação são modernas formas de administrar"

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Gildo, o carnavalesco da Unidos da Cachorra

Por Naara Vale
Gildo da Unidos da Cachorra ( Foto André Salgado)
    Quem um dia ousou cantar que “todo Carnaval tem seu fim” nunca entrou na casa de um carnavalesco nato. Sim, ali as quartas-feiras de cinzas também se vão, mas a essência que move os carnavais nunca larga a morada de seu fazedor. Na casa 374 da rua Marechal Deodoro, pelo menos, é assim. Desde que assumiu a presidência da bateria Unidos da Cachorra, em 2003, Gildo não se despediu mais do Carnaval.
    A casa que há 30 anos foi morar com a sua Odilva, no bairro Benfica, passou a ser também a sede da agremiação. Desde então, a alegria do verde e laranja que estampa o estandarte da Cachorra enfeita o seu quintal o ano inteiro e toma seu tempo com a confecção e consertos de instrumentos de percussão para a bateria. “Isso aqui pra mim é uma vida, é o meu terceiro amor. Primeiro, minha esposa, meu filho, depois vem a Cachorra”, anuncia. 
    Nascido em 14 de abril de 1954, em uma localidade de Quixadá, no Sertão Central do Ceará, Gildo foi registrado Hermenegildo, o nome do avô, mas depois que a mãe perdeu sua certidão de nascimento e foi procurar a segunda via, descobriu que o nome do menino tinha sido oficializado José de Castro Moreira. Assim ficou nos documentos, mas foi o apelido que pegou e é o que vale até hoje. Carregando a alcunha dada pelo avô, Gildo chegou a Fortaleza para estudar ainda meninote. “Vim chorando como se estivesse indo pra prisão. Foi um baque pra mim porque eu adorava o sertão, aquela liberdade, vivia sem medo de ser feliz”, lembra Gildo, hoje engenheiro mecânico formado pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE).
    Logo se casou e mudou-se para a rua Marechal Deodoro, então conhecida como rua da Cachorra Magra. Diz-se que o nome surgiu por conta de uma cadela faminta que andava por ali, caçando os bichos que passavam pela rua a caminho de um matadouro das proximidades. Se é verdade, ninguém sabe, mas o apelido ficou e deu nome à troça criada, em 1988, por um magote de festeiros que todo Carnaval tinha vontade de se juntar aos blocos que desfilavam pela avenida Domingos Olímpio. No Carnaval daquele ano, pela primeira vez desceu pela Marechal Deodoro, ao som de instrumentos de sopro e percussão, o bloco da Cachorra Magra.
    Gildo, que até então não se dizia um carnavalesco, viu a movimentação puxada pelos vizinhos Amauri, Joãozinho Barry White e Paulo Brasil virar Carnaval. Ele, no entanto, ficou de fora, só acompanhando o repertório de marchinhas e frevos. Em 1998, o bloco montou sua própria bateria de escola de samba, bem aos moldes do Carnaval carioca. Na falta de gente para tocar, foi o jeito Gildo juntar-se aos vizinhos e cair no samba também, se arriscando em um surdo de terceira. Nascia aí a bateria Porra da Cachorra. O nome nada familiar acabou sendo trocado por Unidos da Cachorra, para manter a ligação com o berço.
    Depois da saída do então presidente Paulo Brasil, já nos anos 2000, o bloco passou dois anos sem desfilar. Gildo, nesses tempos já um amante assumido do Carnaval, para não deixar o samba morrer, se propôs a comandar a agremiação. A esposa, antes cabreira, passou a abrir a casa para os ritmistas e oferecer o caldinho da sustança pra quem estava nas últimas. “O samba foi um acaso na minha vida. Apareceu na frente da nossa casa e foi o jeito a gente aceitar”, conta, rindo. 
     ************************************************************************
    No próximo sábado, 7, a Cachorra lança o clipe oficial do samba enredo Balança Cachorra!, de autoria de Haroldo Guimarães, Leandro Rodrigues e Felipe Splinter. 
    A música foi a ganhadora de um concurso promovido pelo bloco para escolher o samba de 2012. A exibição acontece a partir das 15 horas, durante o último ensaio da bateria, na Quadra da Unidos da Cachorra (Rua Dragão do Mar quase esquina com  Almirante Jaceguai). 
    Neste ano, os desfiles do bloco acontecem nos dias 14, 21 e 28 de janeiro e 4 e 11 de fevereiro, a partir das 16 horas, com concentração em frente ao Clube 20, na Praia de Iracema.
    Vídeo do Samba enredo da Unidos da Cachorra 2012