Quem sou eu

Minha foto
Agrônomo, com interesses em música e política
Mostrando postagens com marcador Beth Carvalho. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Beth Carvalho. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Pixinguinha - 23 de abril de 1897

Mundo Melhor (Pixinguinha e Vinicius de Moraes) com Beth de Carvalho.



Mundo Melhor (Pixinguinha e Vinicius de Moraes)

Você que está me escutando
É mesmo com você que estou falando agora
Você que pensa que é bem
Não pensar em ninguém
E que o amor tem hora
Preste atenção, meu ouvinte
O negócio é o seguinte
A coisa não demora
E se você se retrai
Você vai entrar bem, ora se vai

Conto com você, um mais um é sempre dois
E depois, mesmo, bom mesmo, é amar e cantar junto
Você deve ter muito amor pra oferecer
Então pra que não dar o que é melhor em você?
Venha e me dê sua mão
Porque sou seu irmão na vida e na poesia
Deixa a reserva de lado
Eu não estou interessado em sua guerra fria
Nós ainda havemos de ver
Uma aurora nascer
Um mundo em harmonia
Onde é que está a sua fé
Com amor é melhor, ora se é

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Porque hoje é sexta...

Camarim, de Cartola com Beth Carvalho


Camarim (Cartola)

No camarim as rosas vão murchando
E o contra-regra dá o último sinal
As luzes da platéia vão se amortecendo
E a orquestra ataca o acorde inicial
No camarim nem sempre há euforia
Artista de mim mesmo nem posso fracassar
Releio os bilhetes pregados no espelho
Me pedem que jamais eu deixe de cantar

Caminho lentamente e entro em contra-luz
E a garganta acende um verso sedutor
O corpo se agita e chove pelos olhos
E um aplauso escorre em cada refletor
Pisando esta ribalta, cantando pra vocês
De nada sinto falta, sou eu mais uma vez
As rosas vão murchar, mas outras nascerão
Cigarras sempre cantam, seja ou não verão

domingo, 27 de novembro de 2011

Beth Carvalho: "A CIA quer acabar com o samba"

por Valmir Moratelli, iG Rio de Janeiro
Fotos - Geoege Magaraia



Ao abrir o elevador, ainda no hall de entrada do apartamento, um quadro com a foto de Che Guevara. Não há dúvidas. Ali é o andar de Beth Carvalho. Ela surge na sala, amparada por duas muletas, que logo deixa de lado para posar para as fotos. “Nunca vi coisa para cair mais do que muletas. Estas meninas caem toda hora”, diz, bem-humorada.
Ainda se recuperando de uma fissura no sacro (osso do final da coluna), aos 65 anos, Beth anda com dificuldades. Ficou dois anos sem pôr os pés no chão. “Estou ótima, salva! Os médicos comentaram com minha filha que eu poderia não andar mais. Mas não me abati. Foi um processo menos doloroso por perceber a prova de amor dos amigos e da família”, relata.
Após quinze anos, a sambista lança o CD de inéditas “Nosso samba tá na rua”, dedicado a dona Ivone Lara, com canções sobre a negritude, o amor e o feminismo. Uma das letras, “Arrasta a sandália”, é de autoria de sua filha, Luana Carvalho. Cercada de quadros de Cartola e Nelson Cavaquinho, entre almofadas verdes e rosas (cores de sua escola de samba Mangueira), perante uma estante com dezenas de troféus e outra com bonecos de Che, Fidel Castro e orixás, Beth concede a entrevista a seguir ao iG.
No fundo da janela, o mar de São Conrado, bairro vizinho à favela da Rocinha. “A CIA quer acabar com o samba. É uma luta contra a cultura brasileira. Os Estados Unidos querem dominar o mundo através da cultura”, diz a cantora, presidente de honra do PDT. Entre os fartos risos, também não faltaram palavras ríspidas para defender seu ponto de vista.
iG: Qual foi a sensação ao voltar a andar?
BETH CARVALHO: A pior da minha vida. Quando pus os pés pela primeira vez no chão, achei que nunca ia andar de novo. Parecia que não tinha mais pernas, sem força muscular. Depois, com a fisioterapia, a recuperação foi rápida. Precisei colocar dois parafusos de 15 cm cada um, só isso me fez voltar a andar. Agora sou interplanetária e biônica (risos).
iG: Em seu novo CD, a letra “Chega” é visivelmente feminista. Por que é raro o samba dar voz a mulheres?
BETH CARVALHO: 
O mundo, não só o samba, é machista. Melhorou bastante devido à luta das mulheres, mas a cada cinco minutos uma mulher apanha no Brasil. É um absurdo. Parece que está tudo bem, mas não é bem assim. Sempre fui ligada a movimentos libertários.
iG: De que forma o samba é machista?
BETH CARVALHO:
 A maioria dos sambistas é homem. Depois de mim, Clara Nunes e Alcione, as coisas melhoraram. O samba é machista, mas o papel da mulher é forte. O samba é matriarcal, na medida que dona Vicentina, dona Neuma, dona Zica comandam os bastidores da história. Eu, por exemplo, sou madrinha de muitos homens (risos).
iG: A senhora é vizinha da favela da Rocinha. Como vê o processo de pacificação?
BETH CARVALHO: Faltou, por muitos anos, a força do estado nestas comunidades. Agora estão fazendo isso de maneira brutal e, de certa forma, necessária. Mas se não tiver o lado social junto, dando a posse de terreno para quem mora lá há tanto tempo, as pessoas vão continuar inseguras. E os morros virarão uma especulação imobiliária.
iG: Alguns culpam o governo Leonel Brizola (1983-1987/1991-1994) pelo fortalecimento do tráfico nos morros. A senhora, que era amiga do ex-governador, concorda?
BETH CARVALHO: 
Isso é muito injusto. É absurdo (diz em tom áspero). Se tivessem respeitado os Cieps, a atual geração não seria de viciados em crack, mas de pessoas bem informadas. Brizola discutia por que não metem o pé na porta nos condomínios da Avenida Viera Souto (em Ipanema) como metem nos barracos. Ele não podia fazer milagre.
iG: Defende a permanência de Carlos Lupi no Ministério do Trabalho?
BETH CARVALHO:
 Olha, sou presidente de honra do PDT porque é um título carinhoso que Brizola me deu, mas não sou filiada ao PDT. Não tenho uma opinião formada sobre isso, porque não sei detalhes. Existe uma grande rigidez a partidos de esquerda. Fizeram isso com o PC do B do Orlando Silva, e agora fazem com o PDT. O que conheço do Lupi é uma pessoa muito correta. Eles deveriam ser menos perseguidos pela mídia.
iG: Aqui na sua casa há várias imagens de Che Guevara e de Fidel Castro. Acredita no modelo socialista?
BETH CARVALHO
: Eu só acredito no modelo socialista, é o único que pode salvar a humanidade. Não tem outro (fala de forma enfática). Cuba diz ‘me deixem em paz’. Os Estados Unidos, com o bloqueio econômico, fazem sacanagem com um país pobre que só tem cana de açúcar e tabaco.
iG: Mas e a falta de liberdade de expressão em Cuba?
BETH CARVALHO: 
Eu não me sinto com liberdade de expressão no Brasil.
iG: Por quê?
BETH CARVALHO:
 Porque existe uma ditadura civil no Brasil. Você não pode falar mal de muita coisa.
iG: Como quais?
BETH CARVALHO:
 Não falo. Tem uma mídia aí que acaba com você. Existe uma censura. Não tem quase nenhum programa de TV ao vivo que nos permita ir lá falar o que pensamos. São todos gravados. Você não sabe que vai sair o que você falou, tudo tem edição. A censura está no ar.
iG: Mas em países como Cuba a censura é institucionalizada, não?
BETH CARVALHO:
 Não existe isso que você está falando, para começo de conversa. Cuba não precisa ter mais que um partido. É um partido contra todo o imperialismo dos Estados Unidos. Aqui a gente está acostumada a ter vários partidos e acha que isso é democracia.
iG: Este não seria um pensamento ultrapassado?
BETH CARVALHO: Meu Deus do céu! Estados Unidos têm ódio mortal da derrota para oito homens, incluindo Fidel e Che, que expulsaram os americanos usando apenas o idealismo cubano. Os americanos dormem e acordam pensando o dia inteiro em como acabar com Cuba. É muito difícil ter outro Fidel, outro Brizola, outro Lula. A cada cem anos você tem um Pixinguinha, um Cartola, um Vinicius de Moraes... A mesma coisa na liderança política. Não é questão de ditadura, é dificuldade de encontrar outro melhor para ocupar o cargo. É difícil encontrar outro Hugo Chávez.
iG: Chávez é acusado por muitos de ter acabado com a democracia na Venezuela.
BETH CARVALHO: 
Acabou com o quê? Com o quê? (indaga com voz alta)
iG: Com a democracia...
BETH CARVALHO
: Chávez é um grande líder, é uma maravilha aquele homem. Ele acabou com a exploração dos Estados Unidos. Onde tem petróleo estão os Estados Unidos. Chávez acabou com o analfabetismo na Venezuela, que é o foco dos Estados Unidos porque surgiu um líder eleito pelo povo. Houve uma tentativa de golpe dos americanos apoiada por uma rede de TV.
iG: A emissora que fazia oposição ao governo e que foi tirada do ar por Chávez... 
BETH CARVALHO: 
Não tirou do ar (fala em tom áspero). Não deu mais a concessão. É diferente. Aqui no Brasil o governo pode fazer a mesma coisa, televisão aberta é concessão pública. Por que vou dar concessão a quem deu um golpe sujo em mim? Tem todo direito de não dar.
iG: A senhora defende que o governo brasileiro deveria cassar TV que faz oposição?
BETH CARVALHO:
 Acho que se estiver devendo, deve cassar sim. Tem que ser o bonzinho eternamente? Isso não é liberdade de expressão, é falta de respeito com o presidente da República. Quem cassava direitos era a ditadura militar, é de direito não dar concessão. Isso eu apoio.
 
iG: Por ser oriundo dos morros, o samba foi conivente com o poder paralelo dos traficantes?
BETH CARVALHO: Não, o samba teve prejuízo enorme. Hoje dificilmente se consegue senhoras para a ala das baianas nas escolas de samba. Elas estão nas igrejas evangélicas, proibidas de sambar. Não se vê mais garoto com tamborim na mão, vê com fuzil. O samba perdeu espaço para o funk.
iG: Quem é o culpado?
BETH CARVALHO
: Isso tem tudo a ver com a CIA (Agência Central de Inteligência dos EUA), que quer acabar com o samba. É uma luta contra a cultura brasileira. Os Estados Unidos querem dominar o mundo através da cultura. Estas armas dos morros vêm de onde? Vem tudo de fora. Os Estados Unidos colocam armas aqui dentro para acabar com a cultura dos morros, nos fazendo achar que é paranoia da esquerda. Mas não é, não.
iG: O samba vai resistir a esta “guerra” que a senhora diz existir?
BETH CARVALHO: 
Samba é resistência. Meu disco é uma resistência, não deixa de ser uma passeata: “Nosso samba tá na rua”.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Faz um 12 Brizola - Na Globo em 2000

Por Eduardo Goldenberg





No dia da final do Festival da Música da TV Globo, 16 de setembro de 2000, em São Paulo, para vingar a Beth Carvalho, cortada pela direção da TV Globo porque havia gravado o jingle do Brizola para a campanha pela Prefeitura do Rio fui lá, ao vivo, e gritei o nome do grande e saudoso Leonel Brizola!!!!!


http://butecodoedu.wordpress.com/2011/04/05/faz-um-12-brizola/

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Clara ( Francis Hime e Geraldo Carneiro)

Por Alfredo Pessoa


Esta é uma belíssima homenagem de Geraldo Carneiro a Clara Nunes, musicada por Francis Hime. Paulo César Pinheiro, seu marido, já havia feito "Um Ser de Luz" juntamente com Mauro Duarte e João Nogueira. PC Pinheiro confessa que fez a letra ouviu a música, depois de pronta, e nunca quis ouvir. É Clara guerreira, é Clara, "Mineira", outra homenagem de João Nogueira. Salve Clara Francisca Gonçalves Pinheiro, e lá se foram 28 anos sem Clara.

Registro: A EMI Music lançou em 2004 box com 18 cds de Clara + bônus.
Vale a pena também conferir a gravação de "Clara" na voz de Beth Carvalho: obra "Francis Hime - Albúm Musical (1997)" - Biscoito Fino.


Clara (Francis Hime-Geraldo Carneiro)

Am4/7                    A4/7(b9)
Luz, uma luz que se ascendeu
Am4/7                A4/7(9) A7/9-
Fogo era o fogo de xangô
Dm7/9            G7/9 C7+/9
Estrela que um dia despencou
C7/9                    F#m5-/7 B7/9- Bm5-/7 E7/9-
Das Estrelas lá do céu e caiu na minha vi da
Am4/7               A4/7(b9)
Não, era uma constelação
Am4/7         A4/7(9) A7/9-
Era paixão de clarear
Dm7/9           G7/9 C7+/9
A Clara magia de de viver
C7/9             F#m5-/7 B7/9- Bm5-/7 E7/9-
Diz o mar Ilê-Ayê, tantas coisas diz o mar
B7/9- E7/9- Am7 Am4/7 A4/7(9) A7/9- Dm7/9
É Cla____ra sereia que navega noutro mar, vagueia
Dm7 G4/7(9) G7/9 Fm6/C C7+
Pela noite pelo ar me incendeia
F7+ F#m5-/7 B7/9- F7/9 E7/9-
Porque o fogo de cantar não se apaga
B7/9- E7/9- Am7 Am4\7 A4/7(9) A7/9- Dm7/9
É Cla____ra princesa no país da escuridão, acesa
Dm7 G4/7(9) G7/9 Fm6/C C7+
Feito luz de incendiar da certeza
F7+ F#m5-/7 B7/9- F7/9 E7/9- E4/7(b9) A4/7(9)
Que a mania de sonhar não, não vai se acabar
A7/9 Dm7/9 D#ºAm7/E F7+/9 B7/9- E7/9- E4/7(b9) A4/7(9)
É Cla___ra, a estre____la, rebrilha no ar
A7/9 Dm7/9 D#º Am7/E F7+/9 B7/9- E7/9- E4/7(b9) A4/7(9)
A estre__la de Cla_____ra, não vai se apagar

quarta-feira, 13 de julho de 2011

As Músicas

Por Moacyr Luz


Às vezes recebo por esses correios da vida, pombos chipados em docs ou mpegs, a ansiedade de novos autores e seus repertórios anônimos, dificuldades de uma vida autoral.
Fiz com o meu querido Sereno a música “Vida de Minha Via” em 2006. Nosso mestre Zeca Pagodinho a incluiu no disco lançado em setembro de 2010.


Conheci nossa madrinha Beth Carvalho em 1984. Nosso convívio tornou-se diário, idas ao Cacique de Ramos, festas glamorosas em Mangueira e inúmeras amizades especiais construídas por esse tempo.


Enfim, meu primeiro registro entre seus discos só aconteceu em 1989, com “Saudades da Guanabara”.
Minha parceria com Aldir Blanc é um marco na minha vida pessoal e profissional. Pelas contas do site Memória Musical, tenho umas oitenta músicas da dupla, gravadas.


A grande maioria, nunca ouvi no rádio, num assovio de rua, num batuque de butiquim. São momentos de grande ansiedade, sim.


“Feito o Mar” é uma canção gravada lindamente pela madrinha no LP Intérprete, 1990.
“Instante Eterno”, do trio Moa, Aldir & Ivan Lins, foi tema da novela Porto dos Milagres, 2005.
A maravilhosa Fátima Guedes em seu disco de 1993, interpretou “Restos de um Naufrágio”, uma das minhas canções favoritas.


Posso incluir pra explicar depois, “Queimada” gravação Cristina Santos, “Mandingueiro” por Leni Andrade, “A Cereja e o Vermute”, Nana Caymmi, entre dezenas de arranjos belíssimos, vozes únicas, mas perdidas no silêncio do rádio, no tubo, no plasma, desconectadas.


Se existe uma justificativa. 
Compor é um privilégio. Quem escuta primeiro é a sua alma.
Isso já basta.


Pra fechar. Em 1990, parceria a pleno vapor, fizemos “Remanso”: - Que Maravilha! Pensamos alto.
O riso escancarado só foi acontecer em 2009. Vinte anos depois, nossa diva Maria Bethânia inclui a toada no CD “TUA”.


Como diria o poeta do morro de São Carlos, “…é a vida e é bonita, é bonita, é bonita…”

http://youpode.com.br/blog/blogdomoa/