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quarta-feira, 12 de setembro de 2012

SÃO QUATRO, PODERIAM SER MAIS

Por Marcus Vinicius

O texto abaixo foi escrito em 2006. 
"São quatro mulheres vitoriosas. 
Maria Luísa, Luíza Erundina, Luizianne Lins e Heloísa Helena.

 Todas de esquerda, todas lutadoras. Todas tornaram-se referências em seus partidos a despeito do patriarcado existente neles. Todas enfrentaram toda carga de preconceitos inerente a uma sociedade machista e porque não dizer misógina.

Ser mulher, ser de esquerda, ousar e enfrentar homens em partidos de esquerda e além disso sair vitoriosas não é pouca coisa.

Maria Luisa
Vamos de Maria. 
Em 1985, disputando as eleições para prefeitura de Fortaleza, conseguiu vencer de uma só vez Paes de Andrade e Lucio Alcântara (não existia segundo turno). Se as agressões e desqualificações já estavam presentes na campanha imagina depois de eleita. De louca varrida a devassa, irresponsável, estérica, ameaça a sagrada família, além de ser des(des)casada. E, máximo de ousadia, colocar como seus colaboradores dois ex-maridos. Foi a primeira Prefeita eleita pelo PT. Governou tendo como oposição sistemática e violenta o maior grupo de comunicação do Ceará. 

Luísa Erundina
Luísa Erundina, também enfrentou agressões e desqualificações, preconceitos. Como uma nordestina, poderia ser eleita para governar a maior cidade da América do Sul, São Paulo. Como no meio dos "quatrocentões conservadores e reacionários" a "tia" Paraibana poderia governar. Governou. No campo da moral, nem se fala, a tradicional família paulistana, foi pra cima com tudo.

Luizianne Lins
Mais de uma década se passou e novamente uma mulher, livre, ousada, desafiou a burocracia do partido e saiu vitoriosa na indicação do PT para a prefeitura de Fortaleza. Tempos difíceis, grande parte dos(as) filiados(as) do partido, que perdeu a convenção (por pouco, mas perdeu) resolveu apoiar outro candidato numa explícita violação das regras do jogo. 
Mas naquele tempo, os princípios e regras deixaram de fazer parte do ideário de muitos(as). 
Luizianne Lins enfrentou a campanha eleitoral, outra vez com ataques e agressões no campo moral. (Objetivamente os ataques no campo moral só se fez e se faz contra mulheres). Misóginia.
Do campo comportamental ao político as agressões se repetem-  louca, irresponsável, destruidora de lares(sic), aventureira - e muito mais.
Mas, a loura teve garra, foi ao segundo turno e venceu as eleições derrotando de uma só vez - Inácio Arruda, Patricia Gomes, Cambraia e Moroni. Até então quatro valorosos quadros. 

Heloísa Helena
Agora a bola da vez é Heloísa Helena. Esta senadora por Alagoas, explusa do PT, funda um partido o PSOL, nascido de base parlamentar oriunda do PT,  e sai candidata à presidência da República. 
Ousa ser a primeira mulher a disputar de verdade a Presidência ( e aqui, enciclopedistas de plantão, não vale lembrar que outra já disputou. O campo a que me refiro é outro).
De novo as agressões e desqualificações se repetem - "aquela louca varrida", "estérica", a que usa farda branca, irresponsável, a que dormiu com o inimigo - sempre no campo pessoal e da velha moral. A novidade é que, agora escuto agressões de pessoas que outrora se incomodavam e com razão com às agressões sofridas pela Luizianne.

O que os representantes da moral burguesa (incluindo a esquerda) ficam putos e incomodados é que estas mulheres romperam o cerco, enfrentaram a "dona moral", derrotaram máquinas burocráticas, são vitoriosas e estão além das cotas (necessárias e nem sempre cumpridas pelos partidos, inclusive os de esquerda) pois cada uma vale mais do que os 30% do que burocraticamente os partidos aplicam. 

Eles estiveram e estão no olho do furacão, fazendo o bom embate.

São mulheres vitoriosas pessoal e politícamente. Isso irrita, mas como irrita,  principalmente aos(as) que perderam o bonde da história."

Fortaleza, agosto de 2006

PS - Hoje Maria Luisa milita no Movimento Crítica Radical, Erundina é Deputada Federal pelo PSB de São Paulo, Luizianne é Prefeita de Fortaleza e Heloísa Helena é vereadora de Maceió, Alagoas