Por Marcus Vinicius
Mostrando postagens com marcador Sarah Luiza Moreira. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Sarah Luiza Moreira. Mostrar todas as postagens
sexta-feira, 25 de janeiro de 2013
terça-feira, 13 de novembro de 2012
Nota da Marcha Mundial de Mulheres
Via Sarah Luiza
Pela descriminalização e legalização do aborto
Hoje, 11 de novembro de 2012, nós, militantes feministas da Marcha Mundial das Mulheres do Ceará, fomos ao aterrinho da Praia de Iracema, em Fortaleza-CE, para mostrarmos a sociedade que também somos a favor da vida. Para mostrarmos nossa indignação à criminalização das mulheres que recorreram à prática do aborto.
Não acreditamos que o aborto é questão de polícia, mas de saúde pública. Ao tratar o aborto como crime, acabamos por contribuir para que milhares de mulheres, em sua maioria negra e pobre, morram.
Tratá-lo como um ato clandestino, preferindo negar a realidade da falta de uma política pública integral de saúde sexual e reprodutiva, tem trazido problemas de saúde física e psicológica para as mulheres, além de risco de morte.
A prática do aborto clandestino é a quinta maior causa de internação hospitalar de mulheres no SUS, responde por 9% das mortes maternas e 25% das causas de esterilidade por problemas tubários. Cerca de 60% dos leitos de ginecologia no Brasil são ocupados por mulheres com seqüelas de aborto.
Tratar as mulheres que por algum motivo acabaram por recorrer à prática do aborto como criminosas não resolverá o problema, pois ao negá-lo continuaremos vendo mulheres sangrando nos corredores dos hospitais sem atendimento, além de serem maltratadas no serviço de saúde pela simples suspeita de terem provocado um aborto.
Não podemos deixar de considerar que na sociedade machista em que vivemos grande parte as mulheres ainda têm pouco autonomia sobre seus corpos, sobre a decisão no uso dos contraceptivos e frente ao desejo da maternidade. Ainda assim são elas que sofrem a acusação de criminosas. Por isso perguntamos “Cadê o homem que engravidou? Porque o crime é da mulher que abortou?”.
Não nos cabe julgar os motivos que fizeram uma mulher buscar o abortamento, nem acreditamos que a questão deva ser tratada a partir de uma perspectiva religiosa. Vivemos em um estado laico que não deve permitir que as religiões definam as leis e se imponham sobre a vida de todas as pessoas.
Precisamos acabar com essa hipocrisia! Muitas mulheres estão morrendo! Defender a vida é defender a legalização do aborto com assistência garantida no Sistema Único de Saúde.
Educação sexual para decidir, contraceptivos para não abortar, aborto seguro para não morrer!
Pela descriminalização e legalização do aborto
Hoje, 11 de novembro de 2012, nós, militantes feministas da Marcha Mundial das Mulheres do Ceará, fomos ao aterrinho da Praia de Iracema, em Fortaleza-CE, para mostrarmos a sociedade que também somos a favor da vida. Para mostrarmos nossa indignação à criminalização das mulheres que recorreram à prática do aborto.
Não acreditamos que o aborto é questão de polícia, mas de saúde pública. Ao tratar o aborto como crime, acabamos por contribuir para que milhares de mulheres, em sua maioria negra e pobre, morram.
Essa hipocrisia dá hemorragia
Tratá-lo como um ato clandestino, preferindo negar a realidade da falta de uma política pública integral de saúde sexual e reprodutiva, tem trazido problemas de saúde física e psicológica para as mulheres, além de risco de morte.
A prática do aborto clandestino é a quinta maior causa de internação hospitalar de mulheres no SUS, responde por 9% das mortes maternas e 25% das causas de esterilidade por problemas tubários. Cerca de 60% dos leitos de ginecologia no Brasil são ocupados por mulheres com seqüelas de aborto.
Tratar as mulheres que por algum motivo acabaram por recorrer à prática do aborto como criminosas não resolverá o problema, pois ao negá-lo continuaremos vendo mulheres sangrando nos corredores dos hospitais sem atendimento, além de serem maltratadas no serviço de saúde pela simples suspeita de terem provocado um aborto.
Não podemos deixar de considerar que na sociedade machista em que vivemos grande parte as mulheres ainda têm pouco autonomia sobre seus corpos, sobre a decisão no uso dos contraceptivos e frente ao desejo da maternidade. Ainda assim são elas que sofrem a acusação de criminosas. Por isso perguntamos “Cadê o homem que engravidou? Porque o crime é da mulher que abortou?”.
Não nos cabe julgar os motivos que fizeram uma mulher buscar o abortamento, nem acreditamos que a questão deva ser tratada a partir de uma perspectiva religiosa. Vivemos em um estado laico que não deve permitir que as religiões definam as leis e se imponham sobre a vida de todas as pessoas.
Precisamos acabar com essa hipocrisia! Muitas mulheres estão morrendo! Defender a vida é defender a legalização do aborto com assistência garantida no Sistema Único de Saúde.
Educação sexual para decidir, contraceptivos para não abortar, aborto seguro para não morrer!
Fortaleza, 11 de novembro de 2012.
Marcha Mundial das Mulheres - Ceará
Marcha Mundial das Mulheres - Ceará
terça-feira, 23 de outubro de 2012
Diálogos das vaginas
Por Sarah Luiza Souza Moreira
Prefiro diálogos a monólogos. Pensar e falar sozinha sempre me pareceu mais difícil. Mas conheci um diálogo que falou com muitas, com várias, de todas: “Os Monólogos da Vagina”, de Eve Ensler.
Quando li pela primeira vez o título do livro, o primeiro pensamento que me veio à cabeça, devo admitir, foi: pra que nos expor dessa forma? Ao lê-lo, entendi: expor exatamente para não esconder, para mostrar que ela (a vagina, isso mesmo) existe, que ela é importante, para não mais fingir que ela não existe. Mas preciso explicar como cheguei a essa conclusão.
Já no prefácio de Glória Steinem, onde ela se remete a uma geração do “lá embaixo”, me perguntei: será que essa geração já passou? Será que ainda não é assim que tratamos no cotidiano as partes íntimas das mulheres? Como vejo nossos órgãos sendo tratados? E as próprias questões foram me dando indícios das respostas: sempre temos uma forma indireta, discreta, sutil para falar do corpo, da vagina das mulheres.
Lembrei-me, então, de momentos que tive com alguns grupos de agricultoras rurais no Semiárido do Ceará, em 2012, onde conversávamos sobre violência contra as mulheres. As participantes tinham desde 25 até 60 anos, filhas, mães, avós. É sintomático perceber como que, através do tema, acabávamos por falar de sexo. O objetivo nem era tratarmos sobre sexo, mas ao falarmos sobre a importância do desejo mútuo para que a relação sexual fosse prazerosa, parecia que estávamos dizendo algo absurdo, algo muito distante do real. Algumas até perguntavam, para entender do que eu estava falando, “e você é casada?”, “Não pode ser...”, pensavam.
A ideia – que parece simples para algumas de nós – da necessidade do consentimento das mulheres ou da vontade do casal para uma relação saudável e prazerosa parecia estranha. Muitas comentaram: “Quando eu digo que não quero, que estou com dor de cabeça, ele vai logo dizendo que eu tenho outro”. E elas acabam “cedendo” para agradar aos maridos e não gerar conflitos. Ver o quanto a violência sexual, o estupro, é parte do cotidiano das mulheres, dentro de suas casas, é algo chocante, impactante. Não podemos nos calar.
Não poderia, no entanto, deixar de lembrar que paralelo aos estupros domésticos, ainda vimos, nesse ano, casos absurdos de estupros coletivos, como das jovens que foram estupradas e até mortas pelos próprios “amigos”, como presente de aniversário na Paraíba, e de estupros “corretivos”, que tratam as lésbicas como mulheres que precisam “saber o que é um homem” para se regenerarem. Assustador!
Desejo e prazer, para muitas delas, pareciam palavras ainda sem significado real ou algo que não dizia ou deveria dizer respeito a elas, como algo “que não é coisa de mulher”. Para outras, admitir que gostam de sexo é algo vergonhoso de se admitir, como se isso fosse algo para mulheres vulgares. Isso ficou muito explícito em comentários onde algumas afirmavam, como que em segredo: “Mas tem mulheres que gosta... Absurdo!”, em um posicionamento explicitamente de cunho religioso, onde o sexo ainda é considerado como pecado. Mas expresso também em piadas onde algumas eram citadas, apontadas como “aquele que gosta daquilo”, tornando-se chacota, piada para as demais.
Esses comentários me trouxeram a lembrança de um livro de Mary Del Priori, onde ela se refere ao Brasil colonial como um período do ideal do amor domesticado. Deu-me a sensação de que ainda vivemos um retrato desse ideal, onde não o amor e o sexo ainda são tratados como algo que precisa ser contido, reservado, um serviço. E mais do que isso, algo que legitima o desejo e o prazer apenas para os homens.
“Tal como o Historiador Edward Shorter para a Europa do Antigo Regime, os casados desenvolviam, de maneira geral, tarefas específicas. Cada qual tinha um papel a desempenhar perante o outro. Os maridos deviam mostrar-se dominadores, voluntariosos no exercício da vontade patriarcal, insensíveis e egoístas. As mulheres, por sua vez, apresentavam-se, como fiéis, submissas, recolhidas. Sua tarefa mais importante era a procriação. É provável que os homens tratassem suas mulheres como máquinas de fazer filhos, submetidas às relações sexuais mecânicas e despidas de expressões de afeto. Basta pensar na facilidade com que eram infectadas por doenças venéreas, nos múltiplos partos, na vida arriscada de reprodutoras. A obediência da esposa era lei” (PRIORI. Mary Del, 2006, pg.37)
Falar sobre o sexo e o corpo das mulheres ainda gera incômodo, ainda é, em pleno sexo XXI, algo constrangedor. A vergonha se expressa pelo fato de pouco se falar sobre o assunto e, portanto, ser ainda um mistério para muitas. Como nos relatos das mulheres em 1953, no livro “Monólogos da vagina”, ainda hoje, muitas dessas mulheres não conhecem seu próprio corpo, poucas se tocam, se sentem. Falar na vagina, por exemplo, é algo que ainda causa desconforto, estranhamento e até mesmo nojo, como se estivéssemos falando de algo sujo ou que devesse continuar escondido. As risadinhas desconcertadas e os olhares desconfiados pareciam perguntar: Como ela pode falar desse jeito? Será que ela falou mesmo esse nome?
É claro que existe uma diferença entre o olhar das jovens, das adultas casadas e das idosas: para as idosas o sexo remete a dor, a sofrimento. Elas lembravam e comentavam, quanto às relações sexuais, que foram forçadas, por obrigação, para servir ao marido. Para as adultas casadas, o sexo é visto como uma necessidade para se conservar o casamento, para que os homens não busquem mulheres “lá fora”. Para as jovens solteiras, ainda há a vergonha de admitir o desejo, de se falar das vontades, são cheias de dúvidas, mas também de razões e certezas de que querem ter direito a sentir prazer.
Falamos sim de muitos avanços, de diversas conquistas que as mulheres têm tido nas últimas décadas no campo dos direitos, ampliando sua participação no mercado de trabalho e na política. Mas ouvir essas mulheres falando sobre sua vida pessoal, íntima, me deixou os seguintes questionamentos: quando teremos de fato autonomia sobre nosso corpo? Quando conseguiremos realmente ter prazer e não precisar ter vergonha disso? Quando não mais trará constrangimento falarmos da nossa vagina? Pois é, companheiras, a luta continua. Continuemos em marcha!
Prefiro diálogos a monólogos. Pensar e falar sozinha sempre me pareceu mais difícil. Mas conheci um diálogo que falou com muitas, com várias, de todas: “Os Monólogos da Vagina”, de Eve Ensler.
Quando li pela primeira vez o título do livro, o primeiro pensamento que me veio à cabeça, devo admitir, foi: pra que nos expor dessa forma? Ao lê-lo, entendi: expor exatamente para não esconder, para mostrar que ela (a vagina, isso mesmo) existe, que ela é importante, para não mais fingir que ela não existe. Mas preciso explicar como cheguei a essa conclusão.
Já no prefácio de Glória Steinem, onde ela se remete a uma geração do “lá embaixo”, me perguntei: será que essa geração já passou? Será que ainda não é assim que tratamos no cotidiano as partes íntimas das mulheres? Como vejo nossos órgãos sendo tratados? E as próprias questões foram me dando indícios das respostas: sempre temos uma forma indireta, discreta, sutil para falar do corpo, da vagina das mulheres.
Lembrei-me, então, de momentos que tive com alguns grupos de agricultoras rurais no Semiárido do Ceará, em 2012, onde conversávamos sobre violência contra as mulheres. As participantes tinham desde 25 até 60 anos, filhas, mães, avós. É sintomático perceber como que, através do tema, acabávamos por falar de sexo. O objetivo nem era tratarmos sobre sexo, mas ao falarmos sobre a importância do desejo mútuo para que a relação sexual fosse prazerosa, parecia que estávamos dizendo algo absurdo, algo muito distante do real. Algumas até perguntavam, para entender do que eu estava falando, “e você é casada?”, “Não pode ser...”, pensavam.
A ideia – que parece simples para algumas de nós – da necessidade do consentimento das mulheres ou da vontade do casal para uma relação saudável e prazerosa parecia estranha. Muitas comentaram: “Quando eu digo que não quero, que estou com dor de cabeça, ele vai logo dizendo que eu tenho outro”. E elas acabam “cedendo” para agradar aos maridos e não gerar conflitos. Ver o quanto a violência sexual, o estupro, é parte do cotidiano das mulheres, dentro de suas casas, é algo chocante, impactante. Não podemos nos calar.
Não poderia, no entanto, deixar de lembrar que paralelo aos estupros domésticos, ainda vimos, nesse ano, casos absurdos de estupros coletivos, como das jovens que foram estupradas e até mortas pelos próprios “amigos”, como presente de aniversário na Paraíba, e de estupros “corretivos”, que tratam as lésbicas como mulheres que precisam “saber o que é um homem” para se regenerarem. Assustador!
Desejo e prazer, para muitas delas, pareciam palavras ainda sem significado real ou algo que não dizia ou deveria dizer respeito a elas, como algo “que não é coisa de mulher”. Para outras, admitir que gostam de sexo é algo vergonhoso de se admitir, como se isso fosse algo para mulheres vulgares. Isso ficou muito explícito em comentários onde algumas afirmavam, como que em segredo: “Mas tem mulheres que gosta... Absurdo!”, em um posicionamento explicitamente de cunho religioso, onde o sexo ainda é considerado como pecado. Mas expresso também em piadas onde algumas eram citadas, apontadas como “aquele que gosta daquilo”, tornando-se chacota, piada para as demais.
Esses comentários me trouxeram a lembrança de um livro de Mary Del Priori, onde ela se refere ao Brasil colonial como um período do ideal do amor domesticado. Deu-me a sensação de que ainda vivemos um retrato desse ideal, onde não o amor e o sexo ainda são tratados como algo que precisa ser contido, reservado, um serviço. E mais do que isso, algo que legitima o desejo e o prazer apenas para os homens.
“Tal como o Historiador Edward Shorter para a Europa do Antigo Regime, os casados desenvolviam, de maneira geral, tarefas específicas. Cada qual tinha um papel a desempenhar perante o outro. Os maridos deviam mostrar-se dominadores, voluntariosos no exercício da vontade patriarcal, insensíveis e egoístas. As mulheres, por sua vez, apresentavam-se, como fiéis, submissas, recolhidas. Sua tarefa mais importante era a procriação. É provável que os homens tratassem suas mulheres como máquinas de fazer filhos, submetidas às relações sexuais mecânicas e despidas de expressões de afeto. Basta pensar na facilidade com que eram infectadas por doenças venéreas, nos múltiplos partos, na vida arriscada de reprodutoras. A obediência da esposa era lei” (PRIORI. Mary Del, 2006, pg.37)
Falar sobre o sexo e o corpo das mulheres ainda gera incômodo, ainda é, em pleno sexo XXI, algo constrangedor. A vergonha se expressa pelo fato de pouco se falar sobre o assunto e, portanto, ser ainda um mistério para muitas. Como nos relatos das mulheres em 1953, no livro “Monólogos da vagina”, ainda hoje, muitas dessas mulheres não conhecem seu próprio corpo, poucas se tocam, se sentem. Falar na vagina, por exemplo, é algo que ainda causa desconforto, estranhamento e até mesmo nojo, como se estivéssemos falando de algo sujo ou que devesse continuar escondido. As risadinhas desconcertadas e os olhares desconfiados pareciam perguntar: Como ela pode falar desse jeito? Será que ela falou mesmo esse nome?
É claro que existe uma diferença entre o olhar das jovens, das adultas casadas e das idosas: para as idosas o sexo remete a dor, a sofrimento. Elas lembravam e comentavam, quanto às relações sexuais, que foram forçadas, por obrigação, para servir ao marido. Para as adultas casadas, o sexo é visto como uma necessidade para se conservar o casamento, para que os homens não busquem mulheres “lá fora”. Para as jovens solteiras, ainda há a vergonha de admitir o desejo, de se falar das vontades, são cheias de dúvidas, mas também de razões e certezas de que querem ter direito a sentir prazer.
Falamos sim de muitos avanços, de diversas conquistas que as mulheres têm tido nas últimas décadas no campo dos direitos, ampliando sua participação no mercado de trabalho e na política. Mas ouvir essas mulheres falando sobre sua vida pessoal, íntima, me deixou os seguintes questionamentos: quando teremos de fato autonomia sobre nosso corpo? Quando conseguiremos realmente ter prazer e não precisar ter vergonha disso? Quando não mais trará constrangimento falarmos da nossa vagina? Pois é, companheiras, a luta continua. Continuemos em marcha!
terça-feira, 4 de setembro de 2012
Crise econômica pode ampliar desigualdades...
Por Bia Barbosa, via Sarah Luiza
SÃO PAULO - Historicamente, as relações desiguais entre homens e mulheres na sociedade foram sustentadas pela separação e hierarquização do trabalho através do sexo. O trabalho de homens e mulheres é separado entre produtivo e reprodutivo, e é hierarquizado de tal forma que o trabalho produtivo, considerado "masculino", tem maior valor econômico que o reprodutivo, considerado "feminino". Historicamente, também foram relegados às mulheres o trabalho doméstico e de cuidados, não remunerados e excluídos do que se compreende hoje por economia.Romper com a divisão sexual do trabalho sempre foi uma luta do movimento feminista. Porém, num cenário de crise capitalista como o atual, colocar este tema no centro do debate é estratégico para combater as desigualdades entre homens e mulheres. Reunidas esta semana num seminário internacional em São Paulo, especialistas do campo da economia feminista de diferentes partes do mundo afirmaram: é urgente construir uma nova dinâmica de relações sociais e desenhar um novo paradigma de sustentabilidade da vida humana.
"A divisão sexual dos trabalhos profissional e doméstico entre homens e mulheres não é resultado de uma conciliação harmônica entre papéis, mas de relações sociais contraditórias e antagônicas. É reflexo de relações de exploração, opressão e dominação dos homens sobre as mulheres", afirma Helena Hirata, socióloga e pesquisadora do Centro Nacional de Pesquisas Científicas (CNRS) da França. "Daí a importância de reconceitualizar o trabalho da maneira mais ampliada possível, de ter uma visão ampla de trabalho: profissional e doméstico, remunerado ou não, formal ou não formal. Se excluímos o trabalho doméstico da economia, tornamos invisível grande parte do trabalho das mulheres", explica.
O tema não é novidade. Apesar do ascenso das mulheres no mercado de trabalho nos últimos 45 anos - incluindo a ultrapassagem dos homens no campo da escolaridade em quase todas as áreas - os trabalhos domésticos e de cuidados permanecem a cargo das mulheres. Na França, por exemplo, uma mulher casada com filhos dedica ao trabalho doméstico 4,36 horas por dia, enquanto os homens destinam apenas 2 horas aos serviços da casa e da família. No Japão, a desigualdade é brutal: mais de 4 horas por dia para as mulheres contra 20 minutos dos homens. No Brasil, a última pesquisa do IBGE mostrou que, em 2009, as brasileiras dedicavam 20 horas semanais ao trabalho doméstico contra 9,5 dos homens.
Segundo as pesquisas, a desigualdade também persiste no mercado de trabalho convencional. Com o aprofudamento da globalização, a precarização do trabalho atingiu mais as mulheres do que os homens do ponto de vista do emprego. "Os empregos femininos criados são vulneráveis, com condições de trabalho precarizado. Lutamos muito para haver trabalho profissional para as mulheres, mas isso reforçou toda uma lógica de trabalho precarizado", disse Helena Hirata. "E as mulheres que saíram de casa para trabalhar o fizeram com o que chamamos de externalização do trabalho doméstico, via delegação das tarefas de cuidar das roupas, da casa e das crianças para outras mulheres. Esta delegação é incrivelmente desenvolvida no Brasil. Em 2010 eram quase 7 milhões de mulheres diaristas", acrescenta.
Para a equatoriana Magdalena Leon, da Rede Latino-americana Mulheres Transformando a Economia (REMTE), o próprio modelo capitalista se encarregou de tornar as mulheres visíveis e de instrumentalizá-las para sua sustentação, com a multiplicação de trabalhos. "Durante o ajuste neoliberal, por exemplo, quando o que estava em jogo era a mercantilização da vida, as mulheres desenvolveram estratégias de sobrevivência, afirmando nosso papel como permanentes geradoras de meios de vida e condições de subsistência, que vão além do dinheiro", relata. "Nós, feministas, recuperamos princípios de uma outra economia: a reciprocidade, solidariedade e complementariedade, em vez da concorrência e eliminação do outro", conta.
Agora, num novo cenário de crise capitalista, o risco de ampliação da desigualdade entre homens e mulheres crescer no mundo do trabalho é enorme, avaliam as feministas. Seja porque as mulheres já ocupam os trabalhos mais precarizados, que tendem a se ampliar; seja porque a retirada do Estado de serviços essenciais redundará em mais trabalho para as mulheres.
"O objetivo é reduzir o que se considera necessário para garantir as condições de vida dos trabalhadores, que custam muito. Então o Estado transfere e privatiza serviços públicos", critica Antonella Picchio, da Universidade de Módena, na Itália. Para ela, o tempo e o trabalho das mulheres são utilizados como se fossem recursos inesgotáveis para sustentar o atual modelo econômico da sociedade.
"O problema do trabalho não pago é central para as mulheres. Ele é usado para fazer com que os recursos monetários distribuídos com o trabalho pago bastem para sustentar a casa, porque outros - no caso as mulheres - trabalham sem receber. É um problema claro. O sistema descarrega nas famílias uma tensão grande acerca dos recursos necessários para a vida e usa as mulheres para o trabalho doméstico e de cuidados", explica Antonella, para quem o trabalho não pago está no centro do conflito da questão produtiva, distributiva e política contemporânea.
Estado cuidador
Para enfrentar as desigualdades entre homens e mulheres no mundo do trabalho, é necessário, na avaliação das especialistas presentes ao seminário, transformar a atual divisão sexual do trabalho no que diz respeito ao trabalho doméstico e cobrar o Estado sua responsabilidade com o trabalho de cuidados. "O cuidado não é uma atitude de preocupação e solicitude com o outro, mas é também um trabalho concreto, material", afirma Helena Hirata. "Temos que construir um Estado que é cuidador, responsável e participativo. Não podemos pensar no bem estar como algo que se dará natualmente", acrescenta Antonella Picchio.
Na agenda política de alguns países, o trabalho de cuidados já em sendo redefinido como um fluxo de ações com resultados materiais substantivos para a vida. A CEPAL (Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe), órgão das Nações Unidas, já afirma em seus documentos que o cuidado de pessoas dependentes deve ser compartilhado entre o Estado e as famílias. "É uma agenda que aos poucos começa a ser consenso entre líderes políticos da região. Estamos em momento de inflexões, de reflexões e redefinições de relações", analisa Magdalena Leon. "Mas esta crise está andando em grande velocidade e é uma das maiores. E se as mulheres não lutarem por outra política, serão sacrificadas", conclui Antonella.
http://www.cartamaior.com.br/
quarta-feira, 23 de maio de 2012
O Bar Ideal
Por Rogério Lama
Sob um olhar minimalista, como seria
o bar ideal?
Já se perguntou que essência move a
pessoa a sair de casa (ou não voltar pra ela) pra se manter num lugar cheio de desconhecidos,
imerso em azulada fumaça de cigarros e investindo seus parcos sono e dinheiro?
Não serei cínico e advogar pelos
caseiros. Amo os bares, assim como a maior parte daqueles que se interessaram
pelo título do texto e decidiram prosseguir com ele.
Passamos pela vida perseguindo o
amor, o emprego... e o bar ideal.
O bar ideal segue uma única premissa:
todos têm de se sentir bem. Não é tão simples quanto parece. O bem estar não
pode estar restrito ao ébrio falastrão com dedo em riste a pedir e mentir.
O
garçom tem de se sentir honrado no sacro exercício de manter aceso o elo entre
o freezer e o copo. E tem também que molhar o bico, caso isso lhe fizer bem.
Aliás, alguns anseios do ébrio só podem ser decodificados por outro em
semelhante status.
O vizinho do bar ideal também tem de querer
essa vizinhança. Deve aguardar ansiosamente pelas 19:03:57hs*, que é quando o
bar abre as portas. Cantarola, molhando o braço do sofá com o suor do copo,
aquele samba que há tempos não se toca.
O dono do bar também tem de se sentir
bem. Não por minar o dinheiro dos bêbados. Tem de estar realizado por ser dono
de um lugar cheio de gente feliz, que não pensou noutro lugar para estar que
não no seu bar. E o dono também tem que beber. Só a leveza da embriaguez
permite o orquestrar de tantos fatores que mantêm ideal o bar ideal.
Acontece que, de tanto buscar o bar ideal, foi
ele que me encontrou. Entre prédios e ventilado pela brisa de
Copacabana numa minúscula rua sem saída, acabei sucumbindo ao alçapão do Bip
Bip.
O Bip Bip é o bar ideal e atestar
isso não tarda mais que alguns minutos. Lá, todos se sentem bem e integrados. O
lugar é minúsculo e só cabem cinco mesas, onde quatro delas são de exclusivo
uso dos músicos, que se revezam nas cadeiras. Lá conheci um chileno que esperou
paciente a sua vez de sentar à mesa e desfilar magistralmente quase todos os
Afro-Sambas de Baden/Vinícius acompanhado por um pandeirista fantasiado de anjo
de minissaia. Sambas antigos e nunca gravados também ecoam nas estreitas
paredes do Bip Bip, e quem não conhece a letra espera a hora do “Laiá Laiá”. Um
outro violonista, de cabelo prateado, dorme de pinho na mão até ser carregado
pelo filho pra casa.
Ainda que pessoas felizes sejam
espaçosas, no Bip Bip só se canta baixinho. Palmas? Só estalando os dedos,
afinal, os clientes que não cabem no bar estão nos apartamentos que se
acotovelam no seu entorno, e as vezes, adormecem antes que o bar.
Garçom não existe no Bip Bip. Quem
quiser que se sirva, bastando apenas informar ao dono do bar. Ele anota tudo
num calhamaço de folhas presas sob sua taça de vinho, que é abastecida pelos clientes
que dividem com ele a quinta e última mesa do bar, que conta ainda com vasilhas
empilhadas e uma caixa de garrafa de uísque para moedas, além de um pedaço
grande de pão.
Alfredinho rege esse espaço há quatro décadas e é tão querido
que suas grosserias acabam entrando para o folclore do bairro. Quando o bar não
vai bem, os clientes arregaçam as mangas e não medem esforços para levantá-lo.
Todo aquele que vai lá, acaba carregando um pouquinho da responsabilidade de mantê-lo.
Esse bar quarentão precisou até de um
livro para guardar uma parcela de suas incríveis histórias. Desde como foi
adquirido até as histórias de João Pinel, o louco de estimação do bar. Tudo
contado pelos clientes.
Saí de lá com medo de não voltar mais
ao bar ideal. O Rio é longe e o Alfredinho pode em breve querer descansar da
nossa cara.
Dedico, " O bar Ideal" aos
meus companheiros Damasceno, Dedé, Deysa, Falcão, Marcus Feitosa,
Marvioli, Sarah e Wagner, que fazem da mesa de bar, meu divã.
domingo, 22 de abril de 2012
quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012
A BAGACEIRA - SIBA
VIA SARAH LUÍZA
A bagaceira
(Siba)
Dei uma pirueta
Pulei do portão pra fora
Depois soltei meu grito
Orvaiô rachou se tora
Na rua eu faço passo
Da canela fazer nó
Se o pé formar um calo
Pulo de uma perna só
E avise ao pessoal
Que eu não estou normal
Pode acabar-se o mundo
que eu vou brincar carnaval
Não quero fantasia
Vou me vestir como der
Num dia eu melo a cara
Num outro eu vou de mulher
Pra enganar a fome
Não quero espeto da praça
Dou um chupão no Gellys
E o tira-gosto é cachaça
E eu não fico legal
Com água mineral
Pode acabar-se o mundo
que eu vou brincar meu carnaval
Já no primeiro gole
Vou ficando carrancudo
Viro um bebo valente
Que não aguenta cascudo
Chama'ro um camburão
Pra acabar com a brincadeira
Porém, só não adianta
Me prender na quarta-feira
Senhor policial,
Reserve um chá de pau
Pode acabar-se o mundo
que eu vou brincar carnaval
No fim da bagaceira
Minha vista escureceu
Se alguém souber meu nome
Diga pra mim, quem sou eu
Vou dormir na calçada
Abraçado a um cachorro
Pra uma alma cebosa
Me levar carteira e gorro
E ainda se dar mal
Pois não tenho um real
Pode acabar-se o mundo
que eu vou brincar carnaval
A bagaceira
(Siba)
Dei uma pirueta
Pulei do portão pra fora
Depois soltei meu grito
Orvaiô rachou se tora
Na rua eu faço passo
Da canela fazer nó
Se o pé formar um calo
Pulo de uma perna só
E avise ao pessoal
Que eu não estou normal
Pode acabar-se o mundo
que eu vou brincar carnaval
Não quero fantasia
Vou me vestir como der
Num dia eu melo a cara
Num outro eu vou de mulher
Pra enganar a fome
Não quero espeto da praça
Dou um chupão no Gellys
E o tira-gosto é cachaça
E eu não fico legal
Com água mineral
Pode acabar-se o mundo
que eu vou brincar meu carnaval
Já no primeiro gole
Vou ficando carrancudo
Viro um bebo valente
Que não aguenta cascudo
Chama'ro um camburão
Pra acabar com a brincadeira
Porém, só não adianta
Me prender na quarta-feira
Senhor policial,
Reserve um chá de pau
Pode acabar-se o mundo
que eu vou brincar carnaval
No fim da bagaceira
Minha vista escureceu
Se alguém souber meu nome
Diga pra mim, quem sou eu
Vou dormir na calçada
Abraçado a um cachorro
Pra uma alma cebosa
Me levar carteira e gorro
E ainda se dar mal
Pois não tenho um real
Pode acabar-se o mundo
que eu vou brincar carnaval
quinta-feira, 8 de setembro de 2011
Marchando como Margaridas
Por Sarah Luiza Moreira
Tive a oportunidade de participar da Marcha das Margaridas 2011,a maior
ação de massa das trabalhadoras rurais, do campo e da floresta,que
aconteceu em Brasília entre os dias 16 e 17 de agosto, com o lema
“2011
razões para marchar por Desenvolvimento Sustentável com Justiça,
Autonomia, Igualdade e Liberdade”.
Éramos
cerca de 70.000 mulheres, vindas de todos os
27 estados do Brasil. Brancas, negras, jovens, idosas, rurais, mas
também urbanas, índias, quilombolas. A diversidade de caras,
formas, cores é, sem dúvida, uma das características mais
interessantes desse movimento que se propõe a mobilizar, articular e
propor políticas públicas não apenas para as agricultoras, mas
para uma sociedade brasileira sem pobreza, sem fome, sem
preconceito, sem violência.
A
plataforma de reivindicações debatidas pelas mulheres e norteadora
da pauta entregue ao governo federal teve como eixos: biodiversidade
e democratização dos recursos naturais; terra, água e
agroecologia; soberania e segurança alimentar e nutricional;
autonomia econômica, trabalho, emprego e renda; saúde pública e
direitos reprodutivos; educação não-sexista, sexualidade e
violência; democracia, poder e participação política.
Foram
dois dias intensos:na primeira manhã, oficinas e painéis onde
esses eixos foram debatidos, assim como o lançamento da Campanha
contra os Agrotóxicos, com a apresentação do Documentário “O
veneno está na mesa”, de Silvio Tender. Na tarde do primeiro dia
aconteceu a abertura oficial da Marcha das Margaridas 2011 com a
presença de representantes da Contag – Confederação Nacional dos
Trabalhadores na Agricultura - e dez organizações parceiras, com
uma emocionante homenagem à Elizabeth Teixeira, 82 anos, líder
camponesa que sofreu, com sua família (é viúva de João Pedro
Teixeira, dirigente da Liga Camponesa de Sapé/PB) muitas ameaças e
perseguições de latifundiários. Durante todo o encontro tivemos a
diversa e representativa Mostra Nacional da Produção das Margaridas
de todo o Brasil, além de exibições de filmes.
Mas
o momento alto foi a marcha do Parque da Cidade até a Esplanada dos
Ministérios, 6 quilômetros mostrando para o Brasil as
reivindicações das mulheres, em toda sua diversidade e
irreverência, com tantas cores, sons e muita alegria. Muitas se
emocionaram ao ver tanta gente unida por uma mesma causa, marchando
por igualdade, justiça e liberdade; ao ver tantas mulheres deixando
suas famílias, suas casas, suas trabalhos por acreditar na
importância de lutarmos por uma outra sociedade. Ao fim da marcha,
em frente ao congresso, foi realizado um ato público, onde a Contag
e as várias organizações parceiras falaram sobre as reivindicações
que nos levaram até lá. O encerramento da Marcha das Margaridas
2011 teve a presença da presidenta Dilma, que entregou a Carmen
Foro, secretária de mulheres da Contag, o caderno de resposta do
governo federal à pauta entregue pela organização.
Depois
do retorno e do descanso, sentimos a necessidade de avaliar os
resultados dessa ação.
Com
relação às políticas públicas conquistadas após negociações
com o governo federal e apresentadas em um caderno de resposta
entregue pela presidenta Dilma na cerimônia de encerramento da
Marcha das margaridas considero alguns temas como a violência e a
saúde das mulheres não receberam a atenção mereciam: as propostas
foram poucas e pontuais como a implantação de 10 centros de
referência da/o trabalhador/a; de 10 unidades móveis para
atendimento a situações de violência; 16 unidades básicas de saúde fluviais.
As
medidas anunciadas mais significativas estão relacionadas com a
assistência técnica, crédito, comercialização: ampliação do
limite de comercialização de cada agricultor/a com o PNAE –
Programa Nacional de Alimentação Escolar (de R$9,6 mil para R$20
mil); ampliação do Crédito Apoio Mulher de R$2,4mil para R$3 mil
com desembolso não mais em duas, mas em apenas uma parcela; garantia
de 30% dos recursos do PRONAF– Programa de Fortalecimento da
Agricultura Familiar disponibilizados para as mulheres. Tivemos ainda
a ampliação da titulação conjunta da terra também no Programa
Nacional de Crédito Fundiário, que ainda era apenas no nome do
homem.
Várias
propostas de ações me pareceram vagas, mas é verdade que o caderno
de pautas, mesmo com uma interessante reflexão política, também
apresentou reivindicações pouco objetivas. Ainda assim, acho que o
fato de este movimento ter aberto um canal de negociações com o
governo foi importante, tanto para rever pontos onde a proposta
apresentada não foram as esperadas quanto para acompanhar a
construção de campanhas, diagnósticos ou grupos de trabalhos
previstos.
De
forma geral, considero que as medidas apresentadas pelo governo em
resposta a essa ação ficaram aquém das expectativas frente ao
tamanho do movimento e a quantidade de pessoas envolvidas,
considerando que éramos cerca de 70 mil mulheres nas ruas, mas com
uma quantidade muito maior de pessoas envolvidas e participantes na
organização e na construção coletiva das pautas. Foi importante a
abertura do governo ao diálogo, mas ele ainda precisa mostrar com
ações mais substantivas e estruturantes o que os discursos
prometeram, numa perspectiva de um modelo de desenvolvimento de fato
sustentável.
Para
além da questão das políticas públicas, a Marcha das Margaridas
representou para mim uma ação onde as mulheres saem da sua
cansativa rotina, de suas casas, das suas ainda consideradas
obrigações para pensarem sobre suas vidas, sobre a vida das
mulheres em suas comunidades, em suas cidades, em seu pais, e até
mesmo no mundo, e concluírem que esse não é o mundo que elas
querem.
Ouvi
relatos de mulheres que me emocionaram ao contarem dolorosas
histórias de suas vidas (algumas nunca antes contadas); mas que
afirmaram que não seriam as mesmas depois da Marcha, pois de alguma
forma se libertaram de maridos violentos, de medos, de vergonhas, de
imposições.
Todas
nós saímos de lá como margaridas. E o que significa se sentir como
uma Margarida? Significa se colocar na pele das mulheres rurais,
desejar que não apenas elas, mas todas tenhamos uma realidade de
fato justa, onde não sejamos violentadas e oprimidas por conta do
nosso sexo. Significa não aceitar mais injustiças e desigualdades e
lutar em cada recanto de onde viemos e para onde voltamos por
igualdade, liberdade, autonomia, conceitos amplos, mas claramente
ausentes em nossos cotidianos. É, independente de camisa e de
bandeira, ser feministas.
Assinar:
Postagens (Atom)



