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terça-feira, 23 de maio de 2017

ZYGMUNT BAUMAN E A PREVIDÊNCIA SOCIAL

POR JORGE FÉLIX
A  morte de Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, surpreendeu por sua imensa força viral no ambiente das redes sociais. No entanto, como destacado por rara parte da imprensa, o pensamento de Bauman pode ser vítima de sua própria teoria marcada pelo conceito do “líquido” nas relações sociais da sociedade contemporânea. Para ele, o capitalismo dos nossos dias, mais do que “flexível”, é forjador de uma incapacidade brutal de cristalizar laços sociais no que quer que seja. No que diz respeito ao conhecimento, na “modernidade líquida” é difícil as pessoas adquirirem um entendimento profundo sobre um tema. Toda a busca de conhecimento passa a ser funcional e torna-se superficial. Foi assim com sua obra também. O conceito do “líquido” ganhou as rodas de conversas em universidades, bares, festas e poucos passaram dos títulos dos inúmeros livros do autor.
 Neste momento social e político do Brasil e do mundo, porém, ler Bauman com mais atenção pode nos ajudar a compreender melhor os acontecimentos e, por suas fendas, ir em direção a soluções para os desafios do século XXI. Não que ele tivesse a pretensão de oferecer respostas definitivas aos problemas sociais que abordou, mas Bauman era um excelente sistematizador da dinâmica social e conseguiu, assim, prover a sociologia de ferramentas de análise e categorias promissoras para compreendermos as causas. E é esse ponto que nos interessa mais aqui. Para Bauman, o início de qualquer possibilidade social depende do resgate de algum significado para a Seguridade Social. Em outras palavras, é o momento de pensarmos na Previdência Social, na Saúde e na Assistência Social fora das planilhas, sem números e colocarmos ênfase em seu sentido de instrumento para a coesão social.
A crise das prisões, as epidemias, a corrupção na política, a desvirtude das instituições entre outras anomalias contemporâneas, na visão de Bauman, têm sua semente na destruição dos sistemas de seguridade social. O Estado do Bem-Estar Social, no pós 2.ª Guerra Mundial, foi pensado, ele lembra em diversos livros, como um direito universal e condição imprescindível para a manutenção dos laços sociais. Depois de anos de liberalismo econômico e de políticas focadas em segmentos ou de caráter individual, a Europa se viu em frangalhos e, nesse ambiente pós-guerra, formou-se o consenso de que só uma seguridade social forte garantiria um “seguro coletivo” para a paz. O sistema, assim, reduz o estigma daqueles que dependem do Estado por pobreza, doença ou velhice. É por meio da Seguridade Social que o Estado aprumaria minimamente as oportunidades e reduziria a tendência à ampliação da desigualdade social. Tudo isso é o alicerce do pensamento de Bauman.
A partir do fim do século XX, precisamente no término dos anos 1970, passou-se a acreditar, destaca ele, que há alguma chance em encontrarmos “soluções individuais para problemas socialmente construídos”. Pura ilusão. Um dos símbolos dessa ilusão é a previdência privada em contas individuais. A biopolítica da financeirização da vida alimenta o sonho de que garantindo uma renda – em detrimento de milhões de outros, que vivem no mesmo território ou em outro, jamais a garantirão – asseguraria a paz e o provimento para a velhice. Bauman se esforçava assim para resgatar o sentido, o significado, o propósito de um sistema de seguridade social e convidava a pensar além das lentes fiscalistas. A destruição desses sistemas, vemos hoje, resultou também no desmoronamento das possibilidades de vivermos juntos. O Chile é o melhor exemplo, pois privatizou seu sistema, e hoje é o segundo país mais desigual da OCDE. A Grã-Bretanha caminhou para a desagregação com o mundo e internamente. A França e a Espanha estão sob a mesma ameaça.
Quanto aos Estados Unidos, o melhor alerta a confirmar as preocupações de Bauman é o estudo do prêmio Nobel de Economia Angus Deaton e da professora Anne Case sobre o aumento dos suicídios no país no segmento de homens brancos, não-hispânicos entre 45 e 54 anos entre 1999 e 2013. A pesquisa foi amplamente divulgada no mundo (e até no Brasil), com traduções de entrevistas de Deaton. Todavia os jornalistas omitiram de seus textos a principal conclusão do estudo (por incompetência ou não). Deaton e Case atribuem o aumento do suicídio na faixa estudada ao desmonte da seguridade social nos Estados Unidos. Eles dizem que o fato de o país ter “se direcionado para o sistema de contribuição definida em associação com o risco do mercado de ações, enquanto, na Europa, o sistema de benefício definido ainda é a norma” alimentou a insegurança financeira dos trabalhadores de meia idade em relação ao futuro.
“Se eles percebem um risco maior no mercado de ações ou se eles contribuíram inadequadamente para o plano de contribuição definida”, aumenta o sentimento de insegurança e fracasso, destacam os economistas. Essa situação de permanente insegurança e de uma suspeita de que será impossível replicar o mesmo padrão de vida da geração de seus pais, que desfrutaram do sistema de seguridade social por repartição, deságua no desespero. É o preço pela quebra do pacto intergeracional. Os Estados Unidos ocupam o 12º lugar entre os países da OCDE com maior número de suicídios. Está acima da média dos 45 integrantes do grupo. Não é considerada uma situação confortável para o país mais rico do planeta. Outras sociedades que sempre servem de exemplo no debate público brasileiro quando o assunto é envelhecimento, educação, trabalho ou aposentadoria, como Coréia do Sul e Japão ocupam, respectivamente, o primeiro e o terceiro lugar em número de suicídios no grupo da OCDE.
É preciso lembrar ao leitor que longe de abordar o suicídio aqui para espetacularizar a questão ou provocar alarme, estou preso a critérios sociológicos. O suicídio está na origem das Ciências Sociais, com o estudo clássico de Émile Durkheim, e é considerado tecnicamente um importante indicador da coesão social, das condições de saúde de uma sociedade, por isso a aferição desse dado pelas organizações multilaterais. No ano passado, a Fiocruz alertou para o número de suicídios no Brasil e chegou a iluminar seu prédio de amarelo em uma campanha por apoio às pessoas em risco. Pouco – ou nenhum – destaque foi dado pela imprensa a essa iniciativa. Apesar de 32 registros de morte por suicídio por dia no país, o tema ainda é tabu. E poucas pesquisas exploram sua relação com a previdência ou com a perspectiva de futuro no Brasil com essa anomalia social. A Brasileiros abordou a questão em matéria de outubro de 2015, “Quando a vida está por um fio, falar é a melhor solução”.
A Constituição de 1988, não à toa, incluiu a Seguridade Social no capítulo da Ordem Social. Isto é, da paz.  Ou do “seguro coletivo” da sociedade, nas palavras de Bauman. No debate atual sobre a reforma da previdência, a tendência é o confinamento da discussão no âmbito fiscal, sem pesar as consequências em relação à coesão social. É por isso que essa interpretação meramente fiscalista, no meu entendimento, dificilmente resolverá o problema de sustentabilidade da Previdência Social no futuro, como prometem seus defensores. A tendência será uma deterioração ainda maior pelo fato de as novas regras criarem uma legião de não aposentados, ampliarem a desigualdade de gênero e desmoralizarem o sistema público ampliando o êxodo para a ilusão da solução  individual, isto é, da previdência privada (VGBLs e PGBLs). O mesmo filme da desmoralização do sistema público, que contagia os jovens, principalmente, já passou no Chile na década de 1980.  Deu no que deu
O sonho de que todos podem ser empreendedores sempre alimentou o capitalismo. No entanto, a despeito de o sistema oferecer, de fato, chances, não faz do pequeno empreendedor livre das amarras ao grande capital. Ele continua pendurado por um frágil fio na vontade das grandes corporações que determinarão sua produção, seu fluxo de caixa, seu tempo e, principalmente, seu destino. Dito de outro modo, as chances de aferir poupança para a velhice continuam coletivas – do ponto de vista da produção – mas o esforço é individualizado, isentando justamente aquele que afere a maior parte do excedente produzido ou do lucro. Aqui vale o lugar comum: o indivíduo é entregue à própria sorte. Num capitalismo instável por essência, o desemprego (ou a falta de “cliente”) o assombra durante toda a sua vida laboral. O mais grave é que o vinculo empregatício formal, agora, é rompido muito cedo. Em média, aos 45 anos, o trabalhador é considerado pelas empresas como caro ou velho. O mercado de trabalho é cada vez mais exigente em relação às habilidades mutantes demandadas pela economia informacional. Forma-se o paradoxo: como se aposentar mais tarde se a demissão chega mais cedo?
Todos esses temas fazem parte do conceito “líquido” de Bauman. Ele foi um grande crítico à propagação ou idealização dessa sociedade do “eu me garanto”. Sua morte viral, porém, é oposta ao entendimento e aceitação de suas ideias por grande parte dos internautas do planeta. Eles são Bauman no virtual e como eleitores são seu inverso. São adeptos e fomentadores do mal-estar da globalização. Uma das causas, principalmente em relação ao desprezo das novas gerações por aderir ao pacto intergeracional dos sistemas de previdência por repartição, é a ausência da sociologia durante tanto tempo do currículo escolar. Isso limitou a compreensão da sociedade pelas pessoas. Sem a sociologia – e a filosofia – é impossível ensinar porque as coisas são como são. O termo “laço social” inexiste para essa geração e, principalmente, para a imprensa – que deveria ser a famosa mediadora, mas atua como combustível da visão meramente fiscalista da seguridade social, interessada sobretudo no bolo publicitário do setor privado.
O resultado, também amplamente apontado e analisado por Bauman, é a militarização como resposta às questões sociais, a criminalização daqueles que reivindicam mudança ou ensaiam resistência e, quanto aos deixados para trás, a prisão. A redução da seguridade social caminha parelha no mundo à ampliação da população carcerária. O crime organizado ou as organizações terroristas substituem o seguro coletivo e o pertencimento espoliado. Dispensável aqui se alongar nas consequências em meio a atual crise prisional ou onda terrorista. Ou ainda na imigração vulcânica dos que vão em busca de uma seguridade social onde existir ela possa, uma vez que, no país deles, ela nunca encontrou solo fértil. Uma crise planetária. Uma calamidade que custará caro aos Estados. Tudo o que pouparam na seguridade serão obrigados a gastar em presídios, armas ou equipamentos de segurança. Desviarão da saúde e da educação, cujos orçamentos foram encolhidos para garantir a prosperidade. Alguns se salvaram dessa lógica. Conseguiram acumular mais de 50% da riqueza do que sobrou de Nação. Mas o problema é que eles, como sabemos, não chegam a 1%. Foi isso que Bauman viveu para nos dizer e precisa ser viralizado.
* Jorge Félix é professor convidado da Universidade de São Paulo (Escola de Artes, Ciências e Humanidades), mestre em Economia Política (PUC-SP) e jornalista.

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Incisivo e preciso

por Marcelo Pinheiro

Consolidado no início da década de 1980, o rap – sigla para Rhythm and Poetry, ritmo e poesia – surgiu como um dos quatro elementos do hip-hop, também composto por MC’s, cantores e mestres de cerimônia; DJs, que provêm as bases para as rimas; grafiteiros; e B-boys, como são chamados os dançarinos. Desde os primórdios, quando foi “sintetizado” pelo DJ Kool Herc, em 1973, e ganhou projeção com o sucesso Planet Rock, de Afrika Bambaataa, no fim da década, o rap tornou-se uma das mais democráticas expressões culturais dos jovens negros americanos. E foi justamente essa vocação de ser porta-voz das mazelas sociais e do cotidiano sofrido de jovens que vivem à margem das grandes cidades que fez do rap linguagem universal.

Simultaneamente, nos idos de 1982, o gênero começou a ser difundido pelo Brasil, partindo de São Paulo. Em 1988, a coletânea Hip-Hop, Cultura de Rua abriu caminho para uma produção genuinamente brasileira. Mesmo valendo-se de colagens de bases musicais americanas (sobretudo de soul e de funk), os artistas reunidos no disco lançado pelo selo Eldorado, entre eles Thaide e DJ Hum, Código 13 e Mc Jack, versavam sobre a difícil realidade nas periferias paulistanas. Mas foi com o encontro de quatro rapazes vindos dos extremos sul e norte da capital que o Brasil viu surgir, em 1990 com o álbum de estreia Holocausto Urbano, o maior expoente do gênero no País, os Racionais MC’s.

Formado pelos MC’s Mano Brown, Edi Rock, Ice Blue e o DJ Kl Jay, os Racionais ganharam projeção nacional, no verão de 1993, com o segundo álbum Raio-X Brasil, o estrondoso sucesso de Domingo no Parque, e a epopeia trágica de O Homem na Estrada. Quatro anos mais tarde, o grupo emplacou façanha sem precedentes. Em tempos de mercado fonográfico em queda livre de vendas, com o álbum Sobrevivendo no Inferno, o grupo lançou seu próprio selo independente, Cosa Nostra, e atingiu a impressionante marca de 1,5 milhão de cópias vendidas. Não bastasse, Sobrevivendo no Inferno foi considerado um dos mais importantes títulos brasileiros da década.

O mais recente álbum dos Racionais MC’s, o duplo Nada Como um Dia após o Outro Dia, foi lançado em 2002. O longo hiato de mais de dez anos, lógico, tem deixado os fãs do grupo atônitos. Mas um ótimo atenuante chegou às lojas. Respeitado na mesma proporção que o carismático, e também sisudo, Mano Brown, Edi Rock acaba de lançar seu segundo álbum solo e ameniza a ansiedade dos fãs. Autor de clássicos dos Racionais, como Beco sem Saída, Juri Racional e Mágico de Oz, Edi estreou solo, em 1999, com o álbum Rapaz Comum II. Depois de seis anos de produção, necessários para negociar direitos autorais dos samples utilizados nas bases, ele acaba de lançar, aos 42 anos, o consistente Contra Nós Ninguém Será.

Repleto de convidados e parcerias musicais – Emicida, Dexter, Marina de La Riva, Flora Matos, Rael da Rima e o veterano Ndee Naldinho entre eles –, o novo álbum, até mesmo por sua extensão, exige audição minuciosa e gradativa, para desfrutar das nuances musicais e temáticas presentes nele. MC imponente, de voz personalíssima e rima precisa, Edi Rock mostra que continua em grande forma. Os Racionais prometem novo álbum para 2014. Até lá, os fãs podem se fartar com o ritmo e a poesia desse grande sujeito.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Os(as) maiores chatos(as) do Brasil


Da Revista Brasileiros - edição de novembro 2011

Para homenagear os chatos, a Brasileiros lança o prêmio Os Chatos do Ano
da Redação

Eles estão em toda a parte: na televisão, na política, na música, no jornalismo, na internet - e talvez a seu lado. Por conta disso, a Brasileiros quis saber de seus leitores quais são as personalidades mais monótonas do momento. Luana Piovani, Carolina Dieckmann, Galvão Bueno e Rafinha Bastos são os que dispararam nos comentários mais hilários dos leitores. Mas há os chatos de sempre - Paulo Maluf, João Dória Jr., Roberto Justus... - que, embora pouco lembrados, foram classificados com o devido respeito. Já houve um tempo em que o chato, quando era chato mesmo, só podia ser um chato de galochas! De 50 anos para cá, a população do mundo e do Brasil aumentou e, consequentemente, também a população e a biodiversidade dos chatos. Não nos restringimos ao inseto incômodo, mas às figuras planas, rasas, desérticas, monótonas. Dada a expansão dos meios de comunicação, que multiplicaram a quantidade e a qualidade dos chatos, tornou-se urgente a tarefa de estudar e classificar as novas gerações de chatos que pululam alhures. Para homenagear os chatos do momento e os chatos históricos, os chatos óbvios e os chatos ainda não reconhecidos, a Brasileiros lança o prêmio Os Chatos do Ano. Democraticamente. Vale inclusive para nós - se você começa a achar essa conversinha aqui um porre. A seguir, quem é quem desta premiação, com uma pequena ressalva: não é nada pessoal...



O CHATO SEM GRAÇA
Rafinha Bastos até fez a gente dar risada com suas piadas. Pisou na bola e virou vítima de seu próprio veneno. Sua arrogância impediu que sacasse a lei de ouro dos super-humoristas tipo Groucho Marx e Woody Allen: humorista de verdade sabe rir de si mesmo. A maior chatice de Rafinha é se levar a sério. 


O CHATO APRENDIZ
Roberto Justus é um chato--aprendiz. Ele já migrou da publicidade para os programas de auditório e sonha em migrar para as paradas de sucesso. Sem perder a pose de galã de churrascaria. Sua capacidade de ser chato abrange vários setores da comunicação. Sua agência, não por acaso, criou os comerciais mais chatos da televisão brasileira: os da Casas Bahia.


O CHATO COM HELICÓPTERO
Nada mais chato do que um moralista apontando defeitos dos outros em rede nacional de televisão. José Luiz Datena diz que não gosta, mas faz isso melhor (ou pior?!) que ninguém. Esculhamba bandidos ou políticos salivando de prazer. Dá lição de moral em pivete. Propõe solucionar a violência com mais repressão. Põe o corrupto no seu devido lugar. Ensina o que é justo e o correto. Leva helicóptero pra lá e pra cá. Depende do contrato...


O CHATO INSONE
Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. O sujeito é competente, ótimo economista, fez isso e aquilo, discursou na ONU, fez mais isso e aquilo, tudo bem. Acabou com o cigarro. Aplausos. Mas acordar subordinado às 3 da manhã para cobrar alguma tarefa é um ato que alça imediatamente o ex-governador José Serra à condição de chato. Só porque ele tem insônia os outros também têm de ter? Na verdade, Serra quis propositalmente fazer da chatice uma virtude política. Fez escola. Para Serra, governar é proibir, é aporrinhar os governados.


A CHATA GOSTOSA
Carolina Dieckmann já era chata - chato nasce chato -, mas se tornou mais chata ainda: proibiu a Rede TV! de citar o seu nome depois de ser espiada pela grua do Vesgo. Gostosa, mas chata. Muito chata.

"Nossa, que mulher chata. Ela se acha a melhor atriz do mundo, mas é a atriz mais chata e arrogante do mundo (não, não estou confundindo a persona com a personagem. Ela sempre foi chata mesmo)."Leila Perez, 27 anos, de São Paulo (SP) 

"Ela se acha demais."
Rose Dezeniski, 37 anos, de Penápolis, São Paulo (SP) 

"Não há ninguém mais insuportável que a Carolina Dieckmann. Essa mulher se acha, diz que não deixa os filhos assistirem à TV aberta e o que está fazendo lá? Muito nojenta e péssima atriz."
Lucineia Gois, 33 anos, de Sorocaba (SP)


O CHATO EXALTAÇÃO
Em São Paulo, Galvão Bueno é nome de rua. No Brasil, é o nome de um grande chato. Como todo chato de sucesso - e a chatice não exclui o sucesso -, ele se acha o tal e até foi morar em uma monarquia de príncipes. Deve estar perto de se aposentar. Melhor para a Globo, pois até crianças já desligam o som da tevê durante as partidas do Brasil. Ninguém aguenta mais sua extrema euforia patrioteira. É um chato exaltado. E exibido. Em uma entrevista, um repórter daVejaperguntou se ele ganhava bem. Sou o maior salário da Globo, respondeu ele, sem necessidade. E ainda explicou que o que Faustão ganha a mais é merchandising.

"Ele ganha na categoria individual. Mas a Globo é o maior centro de gente chata do Brasil."Daniel Mourão, 33 anos, de São Paulo (SP)

"O nome já diz por si próprio. Chato, irritante, preconceituoso, racista, conservador, falso moralista... Precisa mais?"Roberto Muniz Barretto, 51 anos, de Brasília (DF)

"Já vi Galvão Bueno dando chilique em hotel porque se achava estrela. Meu voto vai pra ele."Valeska Dias, 40 anos, de Brasília (DF)


O CHATO VENEZIANO
Durante muitos chatos anos, Diogo Mainardiescreveu na Vejacom um propósito declarado por ele próprio: derrubar Lula. Hoje, ele não está mais nas páginas da Veja, enquanto Lula percorre o mundo recebendo láureas e homenagens. Refugiado em Veneza, até hoje aguarda-se o livro, cuja redação foi o motivo por ele alegado para sua coluna semanal virar quinzenal. (E depois virar pó.) "Não preciso nem explicar muito sobre esse sujeito, que se considera somente um 'colunista'. Ainda bem que não se considera um jornalista. Como a revista onde trabalha permite que ele fale aquelas barbaridades? Não estou falando em relação aos políticos. Falo em relação ao Brasil. Ele fica denegrindo o nosso País com as seguintes frases: 'O Brasil é o país do futuro. A gente não vai melhorar, são os outros que vão piorar'. Meu Deus, como pode uma pessoa dessa se achar um formador de opinião."Ivan Silva Gonçalves, 21 anos, do Macapá (AP)


O BIG CHATO
Se o cidadão passa uns três meses por ano, há mais de uma década, apresentando o programa mais chato da televisão brasileira - o que o obriga a manter alguns dos diálogos mais chatos da história universal da TV com algumas das pessoas mais chatas do planeta -, o que ele é? Não adianta o Pedro Bial dirigir filmes-cabeça entre um Big Brothere outro para se livrar do rótulo de chato.


CHATO BEST-SELLER
Ao contrário de seu benfeitor, conhecido como Picolé de Chuchu, é um rapaz muito expressivo, que fala mais que a boca, faz palestras sobre qualquer assunto, conversa diretamente com Deus, escreve dois livros por dia, canta, dança e costuma estar em vários lugares ao mesmo tempo. Tem dias que nem ele mesmo, Gabriel Chalita, se aguenta. Se conseguir se eleger sucessor do Kassab, pode criar uma nova tendência na Prefeitura de São Paulo, depois das mulheres do PT e dos herdeiros do Maluf.


A CHATA CURVILÍNEA
Tudo se perdoa à mulher bonita. Menos a chatice.Luana Piovani até pode ser o sonho de uma noite de verão de muitos brasileiros inebriados com sua forma física e sorriso de frescor. Mas depois daquela sentença judicial, em que ela proibiu um ex-namorado - outro chato - de se aproximar dela, disparou na pole positiondos leitores no nosso campeonatinho de chatos. Ela faz tudo para merecer essa honrosa distinção.

"Luana Piovani é a campeã, pois se acha demais, faz comentários ridículos, sempre se acha a dona da verdade. Estrelismo ao extremo! Um porre de ser humano, de mulher e de atriz, aliás péssima atriz."Karine Fagundes Diniz, por e-mail
"Ela é grosseira com jornalistas, arruma confusão com todos os ex-namorados e tem ataques de estrelismos. Além disso, é egocêntrica, se acha dona da verdade. Como atriz, é insignificante e se acha a maior gostosa. Prepotente, adora ter seguidores em rede social."Ricardo, por e-mail
"Apesar de não ter talento como atriz, a ponto de ser obrigada a produzir as próprias peças de teatro, ela tira a maior onda de 'diva'. Sempre acha que sua opinião é a certa. A ponto de ser grosseira com quem discorde dela."Denise Fernandes, por e-mail
"Arrogante, soberba, mal educada e insensata."Marcela Carla Lopes do Valle Soares, por e-mail
"Chata porque se acha a última bolacha do pacote."Eloisa, por e-mail
"Não sei se é a mais chata, pois o Brasil é campeão em 'personalidades' chatas. Contudo, o título, a meu ver, deve ser entregue a Luana Piovani. Posso enumerar diversos adjetivos negativos, mas ficarei somente no arrogante. Aliás, arrogância e Luana Piovani deveriam ser sinônimos."Rodrigo Lucas, 28 anos, do Rio de Janeiro (RJ)
"Ela se sente a mais gostosa, a mais feliz, a mais talentosa, a mais competente, a mais bonita. Mas, na verdade, ela só é a mais chata."Neusa, 34 anos, de São Paulo (SP), e Marcela Santos Gonçalves, 25 anos, de São Paulo (SP)


O CHATO NO DIVÃ
Arnaldo Jabor é um chato que acha que os outros é que são chatos. Antes de virar um chato jornalista foi um chato cineasta (vide Pindorama). Contratado por algum outro chato - pois só um chato contrata outro chato -, ele se especializou em esculhambar "a esquerda e os petistas" nas páginas do "companheiro Roberto Marinho", em um estilo rocambolesco-retrô. Ah, também usa o mesmo espaço como se fosse o seu divã particular.
"Ele se acha no direito de falar sobre tudo. Discorre sobre guerra no Azerbaijão, até chegar às receitas de Dona Benta (que, desconfio, se viva estivesse, faria um doce de abacaxi com abobrinhas em sua homenagem). Jabor é um chato de marca maior. Daqueles de quem não é possível ouvir meia dúzia de frases sem ficar entediada. Conseguiu tornar-se símbolo da maior chatice porque, toda vez que algum chato quer tocar em um assunto, cita algum texto ou frase dele. Para os chatos, Jabor é o maior gênio da atualidade. Coisa mais chata não tem. Nem mesmo a minha crítica chata - que é certa e chata para fazer jus ao chato escolhido."Maraíza, 25 anos, de Macaé (RJ)


A CHATA CATASTRÓFICA

Os conhecimentos sobre economia de Miriam Leitão têm dividido a atenção com o seu corte de cabelo desde que ela entrou para a TV. Por mais desastrosa que seja, nenhuma notícia é tão catastrófica quanto a cara que ela faz ao contá-la.
"Ela acha que entende muito de economia, mas, na verdade, só reproduz o que sopram no ouvido dela e, ainda assim, entrevista como se soubesse muito mais do que o entrevistado."Davi, 25 anos, de Mogi Mirim (SP)


O CHATO COMANDATUBA
Aquele colarinho de pontas separadas basta para definir João Dória Jr. como um chato. No caso, um chato Comandatuba. É para onde ele transporta dezenas de chatos (e respectivas) que participam de jogos de esconde-esconde e amarelinha, comandados por ele.


O CHATO MEMORIOL

Um chato se reconhece pelos óculos e pelo tom de voz. Há mais de 40 anos, as frases em tom metálico e anasalado avisam que acaba de chegar o inoportuno Paulo Maluf . Ele é capaz de se lembrar do nome e da vida de qualquer correligionário ou jornalista, mas até hoje não se recorda de ter aberto nenhuma conta no exterior, embora a Interpol insista em dizer o contrário. Sua frase padrão é: "Para quem achar alguma conta minha na Suíça, eu passo uma procuração para ficar com todo o saldo". Quando um repórter pergunta o que ele não quer ouvir, ele responde qualquer coisa, menos o que o repórter perguntou. Por contágio, eleitor de Maluf tende a ser chato, muito chato.


CHATO IMORTAL
Este é seu maior problema: o homem dos tijolaços de O Globoagora é imortal. Nunca vamos ficar livres dele. Merval Pereira foi eleito para a Academia Brasileira de Letras pelo conjunto da obra, ou melhor, por uma única obra: a coletânea de tijolaços chamada O Lulismo no Poder, no qual desanca o ex-presidente da primeira à última página. Tem obsessão por Lula. É o único colunista político até hoje incapaz de passar um único dia sem falar mal dele. É a versão masculina de Miriam Leitão com os cabelos mais alinhados. Também conhecido como a voz do dono, ataca no jornal, no rádio e na televisão.


O CHATO EM PÂNICO

Dificilmente alguém supera, em chatice, tanto na TV quanto fora dela, um certo Repórter Vesgo . E a concorrência não é pequena. Inclusive no programa - se o nome for esse - em que atua. Ele é aquele aluno que senta na última carteira para soltar pum. E pagam para ele fazer isso. Ele é o chefe da patota que se diverte levantando a blusa das meninas ou pedindo um selinho. Ou dizendo para quem é gordo: "Você é gordo". Alugou uma grua, certa vez, para espionar a casa de Carolina Dieckmann. Chato gosta de espionar chata. O sindicato dos jornalistas deveria processá-lo por usar a palavra "repórter". E os vesgos, pelo "Vesgo".


O CHATO MAKTUB
Paulo Coelho é um feiticeiro. Faz coisas surpreendentes, miraculosas, fora do normal. Como já vendeu mais de 100 milhões de livros no Brasil e pelo mundo afora (cálculo da revista The New Yorker, que não é nem um pouquinho chata), ninguém aguenta mais: o sucesso alheio é sempre uma coisa muito chata.


O CHATO DA RENDA MÍNIMA

Quando ele assume o microfone do Senado Federal, de duas uma: ou vai cantar Blowing in the Windou falar sobre renda mínima. Mesmo os seus correligionários e até aliados, como Lula, o comparam à porta pantográfica. (Mantenha distância.) Além de cantor e economista visionário, tem a sua porção inspetor Clouseau. Já foi a Nova York à procura da testemunha de um crime que já estava morta. É um chato assumidíssimo: na postura, no modo de falar, no ritmo, nos assuntos, no timing. Seus discursos gravados têm sido recomendados por médicos como o melhor sonífero natural do mundo. Desnecessário declinar seu nome.


CHATA DE GABINETE
Pode ser rabugenta, arrogante, nariz empinado, mas é sempre fina. Até o sorriso dela é de grife. Não se sabe se Marta Suplicy ficou assim por causa do ex-marido ou se o ex-marido ficou assim por causa dela.


O CHATO DE UMA NOTA SÓ
Um cara que não abre a porta para a Elba Ramalho entrar com um baralho trazido a seu pedido. Um cara que marca hora para te telefonar e, se você não atender, ele não liga nunca mais. Um cara que canta com aquela vozinha "O pato vinha cantando alegremente quem-quem..." ou "Eis aqui esse sambinha, feito de uma nota só...", pode ser gênio, pode ser inventor da Bossa Nova, pode ser o que for, mas que João Gilberto é um grande chato, lá isso ele é.
http://revistabrasileiros.com.br/edicoes/52/textos/1831/