Por Luiz Henrique Campos
É interessante como a nossa sociedade se compadece às vezes do que julga ser o lado mais fraco sem levar em conta os deveres e os direitos de cada um.
Esta semana, ganhou as redes sociais vídeo no qual um agente da Autarquia Municipal de Trânsito (AMC) se envolve em briga de rua com um motorista que acabara de ser multado.
A veiculação das imagens gerou verdadeira horda virtual em solidariedade ao multado, execrando publicamente o servidor público, como se fosse um inconsequente a exorbitar da função para a qual é pago pela sociedade.
Ontem, em matéria publicada aqui no O POVO, o estudante não só afirmou ter estacionado em local proibido, como também disse ter atirado ovos no agente da AMC. Nada disso, porém, o fez admitir o erro, pois, segundo ele, isso se deu em virtude de o servidor público não ter aceito as suas justificativas.
Ora, caro leitor, quer dizer que a pessoa para em lugar proibido e ainda quer complacência para com a infração? Já imaginou se todos nos achássemos merecedores dessa distinção? E pior, em não sendo, pudéssemos agredir qualquer agente público?
Naquele dia o jovem infrator saiu do local onde discutia com o agente da AMC para comprar ovos e jogar em seguida no funcionário municipal. Já imaginou se tivesse, por exemplo, com uma arma naquele instante? O mais grave ainda no episódio é que o rapaz é estudante de Direito e a infração foi cometida às portas da faculdade. Ou seja, dentro do prédio da instituição, a filosofia do
Direito; fora dele, o jeitinho como norma.
Não sei como são as notas desse rapaz na faculdade, mas seria bom que o episódio pudesse ser discutido por seus colegas e professores até para que no futuro não corram o risco de perceberem que todo o tempo dispensado ao aprendizado foi em vão.
http://www.opovo.com.br/app/opovo/opiniao/2011/12/17/noticiaopiniaojornal,2359403/o-exemplo-do-estudante-de-direito.shtml
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domingo, 18 de dezembro de 2011
sábado, 16 de abril de 2011
O inferno são os outros
Essa vem do blog Talabarte - http://talabarte.blogspot.com/ do músico, zitolibador e jornalista Felipe Araújo.
"Dirigir em Fortaleza é um verbo intransitivo. Eu dirijo e ponto. Eu sigo lento na faixa esquerda, eu paro em faixa dupla, eu faço conversões proibidas, eu fecho cruzamentos. Eu posso. Eu, eu, eu. E o restante dos motoristas que se dane. O inferno são os outros. Ao volante, o fortalezense perde o registro da alteridade e revela sua face mais sórdida, sua vocação para a tirania e para a grosseira. Leso ou tosco, a Cidade tem o pior motorista do Brasil. Uma cidade de formação despudoramente patrimonialista, tocada por uma elitezinha escrota, incivilizada e acéfala, que emporcalha as ruas pelo vidro da Hilux e quer politizar engarrafamentos e buracos, não podia gerar outro tipo de trânsito. Ai de ti, Fortaleza - essa falsa holandesa que se deslumbrou com seu rosto refletido numa imensa poça de lama na Aldeota e mal sabe dar na Dom Manuel. Agroboys e playboys de todas as classes sociais saúdam tuas distâncias. E estupram tua delicadeza."
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