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sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Poesia Jovem - anos 70 (4)

Seleção de Marcus Vinicius 
da Seleção de Heloísa Buarque de Holanda e Carlos Alberto Messeder Pereira, em Literatura Comentada (Abril Educação)


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não discuto
com o destino


o que pintar
eu assino
                                     Paulo Leminski (PR)


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esse jeito
de meia-armador
(cerebral
distante)


é pra disfarçar
a vontade
de ser


goleador
poeta
centroavante

                      Regis Bonvicino (SP)

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e com Vocês a Modernidade

Meu verso é profundamente romântico.
Choram cavaquinhos luares se derramam e vai
por aí a longa sombra de rumores e ciganos 

Aí que saudades que tenho dos meus negros verdes
anos !

                                                          Cacaso (RJ) 

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Recuperação da adolescência


 é sempre mais difícil
 ancorar um navio no espaço

                                                 Ana Cristina César (RJ)


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De Leve





feminista sábado domingo segunda terça quarta quinta e na sexta
                                      lobiswoman

Ledusha (RJ)


 

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Poesia Jovem - anos 70 (3)

Seleção de Marcus Vinicius da
Seleção de Heloísa Buarque de Holanda e Carlos Alberto Messeder Pereira, em Literatura Comentada (Abril Educação)


     Formandos: 1976

Debaixo do oiti centenário
sob um céu nebuloso e frios ventos
ele
disse de si para si:

hoje, somos uma geração amargurada, pagando
presatações de uma dívida que não fizemos.
         André Andries (MG)
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Manual do Tempo n 5

Nos dias cinzentos
espantar
os pássaros agourentos
                                  do coração
cantando uma velha canção
                                 dos Beatles
depois esquecer o abrigo
      reprimido o corpo
e correr perigo todo solto
saltando os muros mentais
feito um canguru maluco
brincando de saltos ornamentais. 
Touché (SP)
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Vitalidade

a palavra na ponta da língua
o sonho de penélope
numa piscada safada
mato a pulga atrás da orelha.
destraço o desenho espelhado
alcanço de leve o som
a sombra de cada sílaba
repiso o caminho do sol
desperdiçando emoção
no susto de cada esquina
desfaço o nó da garganta
calço sandálias-bebete
digo eu não sou de ferro
& caio matando. 
Ledusha(RJ)

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Poesia Jovem - Anos 70 (2)

Seleção de Marcus Vinicius da
Seleção de Heloísa Buarque de Holanda e Carlos AlBerto Messeder Pereira, em Literatura Comentada (Abril Educação)


Coroas para Torquato
um dia as fórmulas fracassam
a atração dos corpos cessou
as almas não combinam
esferas se rebelam contgra a lei das
   superfícies
quadrados se abrem
dos eixos
sai a perfeição das coisas feitas nas coxas
abaixo o senso das proporções
pertenço ao número
dos que viveram uma época excessiva 

                                                       Paulo Leminski (PR)
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 Tentativa de Suigídio


 Foi ao toalete
e cortou os sonhos,
a gilete.
          
                          Leila Miccolis (RJ)
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todos os vícios e um mau poema
todos os vácuos e um bom poema
todos os silêncios e um problema

todas as reticências não valem um ponto final

                                                                                           Marcus Vinicius de Faria (MG)
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 en la lucha de classes
todas las armas son buenas
piedras
noches
poemas
Paulo Leminski (PR)                       
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 Ten Years After
Os insetos voejam no entra-e-sai pela janela 
Já nãos caço mais
Joguei fora todas as minhas armas
Já não sei mais o que caço
Ten years after
Já não sei mais o que faço
João Carlos Pádua (RJ)
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uma incerta dor
na ansiedade de ocupar
com a palavra certa
os espaços que vão aparecendo
Guilherme Mandaro (RJ)
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Poesia jovem - Anos 70

Seleção de Marcus Vinicius da
Seleção de Heloísa Buarque de Holanda e Carlos AlBerto Messeder Pereira, em Literatura Comentada (Abril Educação)

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Cidade 

Poesia -
espinha dorsal
Não te quero
fezes
nem flores
Quero-te aberta
para o que der
e vier
              Francisco Alvim (RJ)

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Compre o meu poema
Tenho uma dívida
grande com a vida 

                 Sérgio Santeiro (RJ)

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dizer não
tantas vezes
até formar um nome
                              Alice Ruiz (PR)
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Cogito

eu sou como eu sou
pronome
pessoal intransferível
do homem que iniciei
na medida do impossível

eu sou como eu sou
agora
sem grandes segredos dantes
sem novos secretos dentes
nesta hora

eu sou como eu sou
presente
desferrolhado indecente
feito um pedaço de mim

eu sou como eu sou
vidente
e vivo tranquilamente
todas as horas sem fim. 
 
                         Torquato Neto (RJ)