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quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

O olhar de banda

Por Pedro Rocha
Pedro Rocha


(reflexão diletante sobre o ato de documentar as manifestações.)



O Olhar de Banda / Enviesado

Da banda de cá. Ou do lado de lá da polícia. Ser todo olhos, impossível nas manifestações. O corpo como a impossibilidade de ocupar duas bandas ao mesmo tempo; a experiência como a impossibilidade de extirpar uma das bandas.

De viés, portanto. Pra incidir no ponto cego do discurso. No ponto superexposto. Quem disse que o olhar paira confundiu-o com um espectro luminoso, ou helicóptero. Na ausência do olho que tudo vê, o olhar de banda.

obs: evitar o rabo de olho: o olho que quase olha já quase mira.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Carícias e gemidos


Por Pedro Rocha
 
“Ó essa cuíca!”, grita vez por outra Mônica Andrade, 46, lá de dentro. “Ai meus ouvidos!”. A decoradora arrelia-se com o gemido agudo que vem do quintal. O marido, Geraldo Rodrigues Filho, o Júnior da Cuíca, todos os dias pega o instrumento e põe-se a viçar na vareta de bambu ali por dentro do corpo metálico. A danada se contorce toda em gaiatices com os agrados dele. “De vez em quando eu dou uns carão”, conta Mônica. Ela reclama, mas acha bom. Quando o conheceu, ele já rodava por tudo que era samba da cidade. Não mudou nada de lá pra cá – pelo contrário, o coro aumentou.
No quintal do casal, na rua João Cordeiro, 556, há dois anos reuni-se o auspicioso Clube da Cuíca, criado pelo clamor dos homens e mulheres amantes do instrumento e organizado pelo próprio Júnior. O lugar colorido, decorado com espelhos e outros caprichos da dona da casa, é velho conhecido do samba. Ali nasceu há 29 anos o bloco carnavalesco Que Merda é Essa?, que desfilará mais uma vez no sábado, a partir das 20 horas, dedicado aos frevos, marchinhas e sambas das antigas.

“Aqui tem até piscina. Clube não tem que ter piscina, né?”, brinca Júnior.

Às terça e quintas, e nas tardes de sábado, os sócios se encontram no dito endereço para conversar, tomar uma cervejinha e tocar cuíca, evidentemente. Hoje já são 46 inscritos no Cadastro de Cuiqueiros do Ceará, a grande maioria espalhados pelas alas dedicadas exclusivamente ao instrumento em blocos de Pré-Carnaval. Na bateria do Baqueta, por exemplo, desfilaram no último sábado 18 cuícas, incluindo a do Júnior. A ala da Unidos da Cachorra saiu com meia dúzia, entre elas, a de outro membro do clube, o historiador Renato Freire, 26.

Caçula do grupo, Renato chega ao quintal com o instrumento a tira-colo, que comprou há dois anos no Rio de Janeiro, quando ainda não sabia o que fazer com o pau e o couro. Não obstante as aulas de piano e violão da adolescência, a percussão demorou um pouco mais para entrar na sua vida, o que aconteceu depois de assistir a um cortejo da Cachorra. O caminho da caixa de guerra para a cuíca fez em um ano. Hoje é um dos instrutores da ala do instrumento na bateria.

“Eu já achava a cuíca impressionante”, confessa Renato.

Novos artistas
A sabedoria popular comenta que a cuíca tem a mania de conquistar o sambista – ou a sambista, já que o número de cuiqueiras, dizem, cresceu absurdamente no último par de anos – aos poucos, de forma lenta e irrevogável. O sujeito começa pelo pandeiro ou tamborim, ensaia uns chamegos com o surdo, o rebolo, quiçá o repique de mão (existem relatos de homens perdidamente apaixonados por um reco-reco), mas por fim descansa nos braços da sua querida. A relação normalmente influi, para o bem ou para o mal, nas relações conjugais.

Renato é um caso à parte. O jovem afirma sem titubear: “Não tenho problema com mulher”. Já Phasconite Franklin, 37, não pode dizer o mesmo, apesar de o fazer sorrindo. O percussionista, que começou menino batucando em um tamborim, faz dois carnavais que inventou de aprender a tocar cuíca e convocou os ciúmes da esposa. “A mulher tem raiva, porque acha que eu gosto mais da cuíca do que dela”, conta. O caso promete repercussão: o filhos Davi, de apenas 6 anos, ganhou uma mini-cuíca e não quer saber de outra coisa na vida.

“É uma onda, porque minha mulher é evangélica e tenta evitar”, revela Phascoal, achando graça. “Eu também tento, vou pra igreja, mas quando chega esse período carnavalesco complica”. Não bastasse, a esposa quer levá-lo para um retiro espiritual este ano, o que deve dividir o Carnaval do dono de oficina mecânica ao meio – a cisão milenar entre o sagrado e o profano. “É osso”, conclui.

O exemplo vem de casa
Na conversa sobre o Clube da Cuíca, Mônica se derrete em elogios ao marido e o inclui entre os três melhores cuiqueiros do Brasil, ao lado do paulista Oswaldinho da Cuíca e de Arsênio da Cuíca, este último mestre da ala de cuícas da Portela, que em abril do ano passado participou do 1º Encontro do Clube da Cuíca de Fortaleza. A esposa ressalta também os dotes do marino no manejo com o instrumento.

- O Júnior faz a manutenção dessas cuícas todinhas. Ele pela o couro, bota o couro no caldo, tira os pelos, bota o cambito... Muito difícil de botar esse pau ai no meio, eu quero é que você veja. Pra acertar esse meio... Eu já vi muita coisa feia, pau bem aqui de lado. Ele bota bem direitinho – explica Mônica.

- Olha ai, o negócio é esculhambado... – ri Júnior.

- Ele bota beeeem direitinho!

Quem quiser, pois, consertar o seu instrumento ou aprender a tocá-lo, pode procurar o Júnior para se associar ao Clube da Cuíca. Durante o Carnaval, os encontros sofrem as intermitências naturais do período, mas, a partir de março, quem passar às terça, quintas e sábados pela rua João Cordeiro, 556, poderá ouvir os gemidos de satisfação.



 http://www.2011.opovo.com.br/app/opovo/vidaearte/2012/01/18/noticiavidaeartejornal,2375388/caricias-e-gemidos.shtml

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Para cantar o carnaval

Por Pedro Rocha

Ao contrário dos últimos dois anos, em que a Secretaria de Cultura de Fortaleza (Seculfor) homenageou dois compositores cearenses consagrados na música popular brasileira (Fausto Nilo e Evaldo Gouveia) lançando CDs com releituras de suas obras, este ano é a vez de gravar músicas autorais de blocos de Pré-Carnaval e agremiações carnavalescas da Cidade. O edital de seleção das composições foi lançado na última segunda-feira e tem suas inscrições abertas até o próximo dia 23.

Serão produzidos dois CDs, cada qual com 12 faixas: um dedicado aos blocos de Pré-Carnaval e outro às agremiações carnavalescas, tais como maracatus, afoxés, escolas de samba, cordões e blocos – em ambos os casos, é necessário se estar cadastrado na Prefeitura. Outro critério é a exigência de que compositor e letrista sejam cearenses.

As músicas ainda devem “prever a utilização, em seu arranjo para o disco, de banda de sopro e metais, charanga e/ou bateria fundamentada em ritmos de raiz, de acordo com as características do Pré-Carnaval, bem como tambores, triângulos e outros instrumentos percussivos característicos das músicas do Carnaval”, assim como está escrito no edital.

O resultado será divulgado no próximo dia 6 de fevereiro. Já as gravações ao vivo estão previstas para os dois fins de semana após o Carnaval, o que deve estender ainda mais a festa que começa oficialmente no próximo sábado.







Compositores

Raimundo Praxedes, 63, presidente do Maracatu Nação Baobá, afirma que a iniciativa já era uma demanda da Associação Cultural das Entidades Carnavalescas do Estado do Ceará (ACECCE). “É um registro importante para marcar, para as pessoas de fora conhecerem a batida de cada maracatu”, considera ele, desde 1973 envolvido com o Carnaval da Cidade. A loa do desfile deste ano, intitulada Festa de Boiadeiro no Ceará e composta por Calé Alencar, deve concorrer.

O músico Mateus Perdigão, integrante do Bloco Luxo da Aldeia, também saúda a iniciativa e afirma que o bloco inscreverá no edital seu hino e outra composição própria que será apresentada no Pré-Carnaval deste ano – cada bloco ou agremiação pode inscrever até duas composições, mas apenas uma pode ser selecionada.

“Eu acho importantíssimo, é um registro histórico, é um movimento na Cidade que está acontecendo, que é real, que é forte”, opina Mateus. Dedicado às composições carnavalescas de cearenses, o Luxo encontra dificuldades na pesquisa deste repertório, principalmente as composições antigas. “Das músicas mais recentes, você não tem muita dificuldade, não, porque tem gravação em vinis e CDs, mas as músicas mais antigas, sim. Tem música da década de 1940 que a gente não conseguiu colocar no repertório, porque só tem a partitura ou é difícil de entender a letra”, exemplifica.

O compositor e carnavalesco Dílson Pinheiro também chama a atenção para a necessidade de registro. “Deveria se começar não pelas atuais, mas, sim, resgatando o que já foi feito”. Ele lembra, por exemplo, as várias músicas compostas para o extinto bloco Quem é de bem fica, como a escrita por Stélio Valle, falecido em 2008. “Eu tenho certeza que essa do Stélio se perdeu”, conta.

Dílson deve inscrever no edital algumas de suas várias composições, que atualmente integram o repertório do bloco Num Ispaia Sinão Ienchi. Procura dor é uma dessas músicas, inspirada no procurador que entrou com uma liminar para impedir o repasse da Prefeitura para o bloco. Os versos finais cantam: “O nosso bloco é massa / Por ruas e praças / Espalhando o amor / Com tanta gente / Que procura alegria pra cantar / Só um procurador pra atrapalhar”.

SERVIÇO

Carnaval 2012
O quê: Edital para a gravação de composições de blocos de Pré-Carnaval e agremiações carnavalescasInscrições abertas até o dia 23 de janeiro
O edital está disponível no site da Secultfor:
http://www.fortaleza.ce.gov.br/cultura/ 


http://www.2011.opovo.com.br/app/opovo/vidaearte/2012/01/11/noticiavidaeartejornal,2371654/para-cantar-o-carnaval.shtml

domingo, 9 de outubro de 2011

Serestas do Benfica

Por Pedro Rocha

Foto Iana Soares
Ao longo da segunda metade do século passado, juntou-se à tradição residencial do Benfica, outras características não menos importantes. A intelectualidade e a agitação cultural, alimentadas pelo estabelecimento da Universidade Federal do Ceará, transformaram-se em marcas do bairro. Marcas sintetizadas na vocação boêmia que se consolidou através de seus inúmeros bares. Estudantes, professores, intelectuais, artistas e boêmios de uma forma geral juntaram-se aos amantes do futebol.

Na noite de uma sexta-feira, a frequência dos bares não desmente a assertiva. No Pitombeiras, na rua que leva o nome do grande poeta romântico Juvenal Galeno, no quarteirão entre a Senador Pompeu e a Marechal Deodoro, estudantes universitários e secundaristas lotam as dezenas de mesas. Toda sexta-feira o burburinho se repete. Não por acaso, surgiu o Goiabeiras bem ao lado.

O Cantinho Acadêmico, no cruzamento da Avenida 13 de Maio com a rua Waldery Uchoa, está igualmente apinhado. Descendo a Waldery Uchoa, um quarteirão antes de outro bar, o Feitosa, a impressão é de que algum acidente aconteceu por ali. Pessoas no meio da rua praticamente fecham a passagem. Uma viatura do Ronda contempla o cenário.

Segue-se o périplo, dobrando na rua Adolfo Herbster, mais um quarteirão, até o cruzamento com a rua João Gentil, está o Assis, bar acolhedor. Quem passa em frente hoje pode ver a massa de ar compactada sobre as cabeças dos frequentadores – é a condensação de pequenas conversas ricocheteando nas paredes do bar. Às quintas, é nele que se encontram alguns escritores locais.

“A turma da gente se reúne geralmente no Assis. É uma turma muito grande, que a se reúne, conversa e bebe, bota as fofocas em dia É o Clube Social da Intelectualidade mais pobre, porque o escritor rico vai pro Ideal (Clube), o escritor classe média baixa vem pra cá”, brinca Pedro Salgueiro, escritor e cronista do O POVO.

Subindo a João Gentil, o caminho leva ao Chaguinha, o mais antigo do bairro em atividade, que toda sexta recebe sem falta uma roda de samba, ou melhor, a seresta, dedicado aos clássicos do samba-canção brasileiro. O bar pequeno já está lotado, obviamente. Mas ainda pode-se tentar o Bar do Marcão, o Buraco da Lúcia, o Bar do Manelzinho, o Bar do Nonato, sem falar nas mercearias que viram pouso de boêmios ao cair da noite. Cada qual com seu perfil. Bares como o do Manelzinho, por exemplo, na rua Paulino Rocha, quase esquina com João Gentil, respiram futebol. “Para você conversar sobre futebol, para você mexer com alguém, brincar, é o bar do Manel. Você pode até conseguir conversar outros assuntos lá, mas é meio difícil. A televisão é direto ligada em algum jogo”, fala Cristiano Santos, 63.

Cristiano nasceu e foi criado no Benfica. Bom de bola na juventude, viveu a época em que o bairro abrigava a sede de times como o Gentilândia, Maguari, Nacional e Fortaleza. Depois de uma temporada fora do Ceará, em cidades como Rio de Janeiro, Salvador e Teresina, foi para lá que ele voltou no final da década de 1980. Hoje, o corretor de imóveis é um freqüentador assíduo dos bares da vizinhança. “Eu deixei de beber, mas eu continuo fazendo uma Via Sacra”, revela.
Para o bem ou para o mal, Cristiano é absoluto em uma certeza: “Do Benfica, eu só saio para ser enterrado em algum lugar. Nós temos um amor por esse bairro aqui que a gente não sabe explicar”. E conta: “Quando eu morei no Rio de Janeiro, eu tive uns amigos na época de solteiro, que todos os anos organizam umas excursões pra Argentina, Uruguai, Chile... Eu sempre me preparava pra ir, mas preferia a Gentilândia”, diz.

Benfica de tantos encantos

Por Pedro Rocha

http://www.opovo.com.br/app/opovo/vidaearte/2011/10/08/noticiavidaeartejornal,2312335/salve-benfica.shtml

sábado, 29 de janeiro de 2011

Concentra mas não sai * Pré-Carnaval 2011 (5)

Matéria de Pedro Rocha no O POVo de hoje 29/01/2011, caderno Vida e Arte


Banco de Dados - O POVO

A história do maior bloco de Pré-Carnaval de Fortaleza ilustra bem como a folia de véspera cresceu nos últimos anos. O grupo de amigos que se reuniam em uma praça do bairro Papicu sob a alcunha e o pretexto de um bloco que prefere a inércia ao movimento, hoje reúne cerca de 20 mil pessoas na praça mais representativa da Capital. “Hoje o Concentra é um bloco da cidade de Fortaleza”, conclui Marcus Vinícius, 54, agrônomo e um dos fundadores do bloco.

Depois de dois anos no bairro residencial, mais uma passagem de três anos pela Praia de Iracema, no Mercado dos Pinhões, quando o bloco aumentou seu público em progressão geométrica, o Concentra Mas Não Sai chegou à Praça do Ferreira. As noites solitárias dos sábados no Centro, desde então, e já se vão quatro anos, transformaram-se na maior festa popular nos meses que antecedem o Carnaval.

“Muita gente jovem, que conhecia o Iguatemi mas não conhecia a Praça do Ferreira, começou a conhecer a praça. Você tem muita gente dos bairros vindo também. Então, deu uma nova dinâmica a partir do momento que a gente foi pra lá”, fala Marcus. O carnavalesco ressalta a movimentação no Centro em comparação a outros polos de blocos de Pré-Carnaval, como o Benfica e a Praia de Iracema, desde há muito redutos de boemia.

O primeiro, que já abrigou o saudoso Quem é de Bem Fica, hoje recebe na rua Padre Francisco Pinto, em frente ao tradicional Bar do Chaguinha, um dos mais originais blocos de Pré-Carnaval da cidade. O Luxo da Aldeia há quatro anos traz para o bairro um público fiel ao seu repertório, todo formado por composições carnavalescas de cearenses como Petrúcio Maia e Fausto Nilo.

“A gente escolheu o Benfica primeiro pelo caráter cultural do bairro, segundo porque todo mundo que faz parte do bloco tem uma relação com o bairro. Eu morei lá 13 anos, depois continuei fazendo faculdade, estudando no conservatório, comecei a frequentar os bares”, fala Mateus Perdigão, músico e um dos fundadores.

Já na Praia de Iracema, um dos principais pontos turísticos e culturais da Cidade, concentra hoje quase duas dezenas de blocos, numa profusão de agremiações que tem o Aterrinho como o ponto de encontro dos foliões. Mas nem sempre foi assim, conta Waldemir Lima, 71. “A gente achava a Praia de Iracema muito monótona, sem alegria”, lembra o fundador do bloco Cheiro, o terceiro mais antigo do Pré-Carnaval da cidade.

Criado há 18 anos, o bloco transforma todos os anos a rotina dos moradores das ruas próximas ao cruzamento da João Cordeiro com Padre Justino, de onde o bloco sai a partir do primeiro sábado após o Réveillon, encerrando as atividades, como este ano, apenas no sábado de cinzas. “É animação total”, garante Waldemir.

CACHORRA!

Tchau, Benfica!
Criado em 1997, a bateria Unidos da Cachorra esquenta os tamborins este fim de semana e solta o gogó no cortejo de hoje, na Praia de Iracema, integrando o bloco De Quem é Esse Jegue?. Às sextas, o bloco deixa a Marechal Deodoro, no Benfica, e passa este ano a se apresentar na Praça do Ferreira.

CHEIRO DE FESTA

Pioneiro da folia
O bloco é um dos mais longevos do Pré-Carnaval e, sem dúvida, o mais assíduo. Desde o dia 1º de janeiro, o Cheiro ganhou as ruas da Praia de Iracema e só dá cabo dos festejos no sábado posterior à quarta-feira de cinzas.

CRIANÇADA

Festa em família
Saindo da rua Antônio Augusto, 373, na Praia de Iracema, às 18 horas, o bloco Amantes de Iracema é animação garantida com toda a família.

Pedro Rocha
pedrorocha@opovo.com.br