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segunda-feira, 5 de junho de 2017
Parque Estadual do Cocó: uma vitória do movimento ambientalista, mas ainda falta
MOVIMENTO SOS COCÓ
No dia 4 de junho de 2017 foi formalizada a criação do Parque do Cocó,
enquanto Unidade de Conservação (UC), através de Decreto Estadual. Trata-se
de um momento histórico para o(a)s ambientalistas, pois resultado de uma longa
e extensa luta já com cerca de 40 anos.
As lutas pela preservação da bacia do Rio Cocó iniciaram no final dos anos
1970: em 1977, aconteceu a primeira manifestação do(a)s ambientalistas pela
preservação da planície do rio realizada pela Sociedade Cearense de Defesa do
Meio Ambiente e Cultura do Estado do Ceará – SOCEMA, de cuja mobilização
subsequente resultou a criação do Parque Adahil Barreto pela Prefeitura de
Fortaleza. Na sequência, já por mais de três décadas, teve a atuação
permanente do “Movimento SOS Cocó”. Foram incontáveis idas e vindas,
avanços e retrocessos, decretos vazios, obstruções da especulação imobiliária,
fóruns diversos, estudos acadêmicos e trabalhos técnicos, reportagens e
denúncias, dentre outros. Mais recentemente, ocorreram discussões em torno
do “Fórum Cocó”, criado a partir de proposta da Procuradoria Geral da
República no Ceará, o qual reuniu representantes de movimentos e entidades
ambientalistas, universidades, instituições públicas e segmentos empresariais.
Todo esse longo processo tem o seu ápice no momento atual, com a
formalização da criação do Parque a partir do qual se espera uma proteção
efetiva de, pelo menos, 1.571,29 ha da bacia do rio Cocó
Esse Decreto, o quarto editado pelo Governo do Estado sobre esse assunto,
vem, portanto, inaugurar uma nova etapa do longo processo de lutas pela
preservação do Cocó.
Outras iniciativas institucionais relevantes - concretizadas por meio de ações
adotadas pelo Governo do Estado do Ceará, além da Prefeitura e Câmara
Municipal de Fortaleza - tiveram lugar ao longo desses 40 anos. Tais iniciativas
compreendem, principalmente, decretos estaduais ou leis municipais que
instituíram áreas de interesse social para fins de desapropriação e a criação de
algumas UCS de menor dimensão, como “Áreas de Proteção Ambiental - APAs”
e a “Área de Relevante Interesse Ecológico - ARIE - Dunas do Cocó”. Com o
incremento destas e de outras medidas, sempre decorrentes de intensos
processos de lutas, fomos paulatinamente conseguindo assegurar a existência
de espaços verdes em meio ao concreto, impedindo uma maior devastação da
bacia do rio e do seu vale.
Sem embargo do aspecto positivo atinente à consolidação formal - ainda que
parcial - de mais essa importantíssima reivindicação histórica do movimento
ambientalista, observamos a existência de situações que exigem a urgente
mobilização da sociedade. A propósito, cerca de 400 hectares de áreas verdes
localizadas no entorno do vale do rio ficaram fora da nova poligonal (delimitação)
do Parque. Essa área é formada sobretudo por dunas, parte fundamental do
ecossistema, que garantem a alimentação freática do rio, além de abrigarem
importante parcela de biodiversidade nativa. Duna é APP (Área de Preservação
Permanente), mas, mesmo assim, tem sua preservação constantemente
ameaçada por parte de atividades de especulação imobiliária e até de órgãos
governamentais, através, por exemplo, da realização de operações
consorciadas.
Ademais, existem dentro dos limites da poligonal do Parque comunidades
tradicionais que retiram o sustento da planície do rio de forma sustentável, as
quais poderão ficar sujeitas a injustas restrições quanto ao uso dos recursos
naturais, podendo até serem expulsas. Quanto a isso, o Governo do Estado tem
anunciado a realização de estudos visando definir o perfil das comunidades
tradicionais e sua eventual permanência, sem, contudo, divulgar com clareza
como ocorrerão os trabalhos.
Vislumbramos, ainda, que existem propostas de usos de espaços do parque e
de suas áreas limítrofes por parte dos governos estadual e municipal que não
estão evidentes, o que pode significar abertura de áreas preservadas para a
construção de empreendimentos privados potencialmente degradadores, algo
incompatível com a dimensão pública e de conservação da UC criada.
Por fim, importa destacar, o rio encontra-se bastante poluído, o que implica em
danos para a biodiversidade e a saúde pública, bem como para a dinâmica
hídrica e o equilíbrio sedimentológico do canal fluvial e da zona costeira
adjacente. Portanto, faz-se necessário o desenvolvimento de urgentes
intervenções dos órgãos públicos responsáveis pelo saneamento ambiental e a
promoção de ações de despoluição.
Assim, conclamamos toda a sociedade interessada na efetiva e definitiva
preservação dos ecossistemas reunidos na bacia do rio Cocó a ficar atenta e
participar das lutas socioambientais – as quais certamente não cessarão – tendo
em vista a ampliação, o quanto antes, do espaço compreendido na poligonal do
novo Decreto, de modo a garantir a adequada conservação de todo o vale do rio
Cocó, com sua riquíssima biodiversidade e seus ambientes ecologicamente
relevantes, além da manutenção de todas as comunidades tradicionais que ali
residem e/ou trabalham de modo sustentável.
Nossa luta continuara, agora com ainda mais força!
Viva o Cocó e as boas lutas do povo de Fortaleza!
Fortaleza/CE, 5 de junho (Dia Internacional do Ambiente) de 2017.
MOVIMENTO SOS COCÓ
segunda-feira, 7 de outubro de 2013
Acyoladas
Por Valdemar Menezes
As cenas de repressão, vistas no Parque do Cocó durante a expulsão dos defensores do meio ambiente pelas forças policiais, trazem de volta imagens perdidas no tempo, há exatamente 100 anos, quando a oligarquia Acioly mandava e desmandava no Ceará. Na época, a população muitas vezes tentou enfrentar o autoritarismo. Numa delas, foi organizada uma passeata de crianças, na suposição de que os algozes teriam escrúpulo de usar os métodos brutais habituais. A manifestação terminou desbaratada à pata de cavalo, durante as cargas impiedosas da cavalaria policial. E várias crianças morreram pisoteadas. Foi precisamente no dia 21 de janeiro de 1912, um domingo. Na última sexta feira, uma horda fardada (cujos integrantes não portavam distintivos de identificação) espalhava, com a mesma gana truculenta, tiros de borracha, granadas de gases e cassetetes contra um punhado de cidadãos altruístas (já que não defendiam interesse próprio) cujo maior crime era o de defender o resto de patrimônio natural ainda não devorado de todo pela especulação imobiliária. A mesma que o vem comendo pelas beiradas e que agora busca sufocá-lo por meio de viadutos e pontes estaiadas. Qualquer semelhança de eras, não é pura ficção.
HISTÓRIA - A incrível decisão de um membro da Justiça Federal em favor do projeto de construção de viadutos que prejudicarão o Parque do Cocó não surpreendeu ninguém, diante do enorme poder (não só político, mas também econômico) das forças que a patrocinaram. Interpretação por interpretação, é preferível ficar com os operadores do Direito que viram a questão de modo diferente. É na interpretação que o juiz se revela, deixando entrever a que tipos de valores e a que laços de pertença de classe está interligado, depois de tê-los incorporado durante todo o processo de sua formação cultural e humana. A neutralidade na observação ou na avaliação de um fato, como se sabe, inexiste num ser inserido na História – o máximo alcançável é a isenção.
CONSEQUÊNCIAS - A verdade é que a derrota momentânea dos defensores do lado certo da História (no caso do Cocó), não significa a vitória moral e política dos que estão empurrando pela goela abaixo da Cidade (para a alegria das empreiteiras) esse tipo de obra. Essa é a convicção de observadores calejados da cena política local. Não custa esperar – segunda esse entendimento – os desdobramentos no futuro próximo, para o bem e para o mal. Fica a certeza, no entanto, de que os atuais defensores do Cocó serão motivo de orgulho para seus descendentes quando, no futuro, se olhar para atrás e se focar estes momentos. É improvável que aconteça o mesmo com os que terão tido ascendentes perfilados do outro lado da trama histórica.
DESGASTES - O desgaste do governo estadual e seu grupo já era inegável antes da guerra do Cocó. Na entrevista do governador Cid Gomes ao programa “Roda Viva”, ele não conseguiu ser convincente (embora pudesse sê-lo nos quesitos do voo da sogra e no bufê). Foi incrível a tentativa de passar uma imagem de simpático à democracia direta, quando o alvo principal das críticas à atual administração estadual - e à municipal - é justamente a centralização e impermeabilidade do processo decisório (herança da matriz tassista). No atual estágio de consciência política da cidadania cearense, decisões governamentais impactantes precisam ser compartilhadas com a sociedade. Não bastasse a questão das grandes obras – sempre decididas em pétit comité -, o governo descuidou-se do seu entorno. Basta ver o mais recente desastre político ao permitir que prosperasse na Assembleia Legislativa a emenda constitucional que diminuiu o número de integrantes do Ministério Público de Compras, e que será alvo de ação de inconstitucionalidade nas instâncias superiores da Justiça.
CONSTITUIÇÃO - A Constituição Federal completou 25 anos, neste sábado, em meio a uma saraivada de iniciativas destinadas a podá-la de seus artigos mais avançados. Os ruralistas, além de promoverem um retrocesso na área ambiental, querem agora reduzir os direitos dos índios, outorgando ao Congresso Nacional a demarcação das terras indígenas. Apesar de ser a mais avançada das constituições brasileiras, poderia tê-lo sido ainda mais, se fruto de uma Constituinte Exclusiva e não de um Congresso Constituinte, como impuseram as elites. Mesmo aprovada, a democracia participativa continua a ter sua regulamentação obstruída, com graves prejuízos ao aperfeiçoamento político e institucional do País.
DESVIRTUAMENTO - Uma das coisas que mais horrorizaram os fortalezenses foi a recusa da Câmara Municipal em permitir que os elaboradores de várias propostas alternativas aos viadutos do Cocó pudessem apresentá-los aos componentes da Casa para, ao menos, serem conhecidas pelos representantes dos moradores de Fortaleza. Se as sugestões oferecidas pelos próprios cidadãos para a resolução de um grave problema da Cidade não encontram espaço nem sequer para serem apresentadas a quem recebeu um mandato justamente para prestar esse serviço em nome deles (que são os verdadeiros donos dos mandatos), para que serve, então, a instituição? Para representar outro tipo de ator?
http://www.opovo.com.br/app/colunas/valdemarmenezes/2013/10/05/noticiasvaldemarmenezes,3141749/acyoladas.shtml
As cenas de repressão, vistas no Parque do Cocó durante a expulsão dos defensores do meio ambiente pelas forças policiais, trazem de volta imagens perdidas no tempo, há exatamente 100 anos, quando a oligarquia Acioly mandava e desmandava no Ceará. Na época, a população muitas vezes tentou enfrentar o autoritarismo. Numa delas, foi organizada uma passeata de crianças, na suposição de que os algozes teriam escrúpulo de usar os métodos brutais habituais. A manifestação terminou desbaratada à pata de cavalo, durante as cargas impiedosas da cavalaria policial. E várias crianças morreram pisoteadas. Foi precisamente no dia 21 de janeiro de 1912, um domingo. Na última sexta feira, uma horda fardada (cujos integrantes não portavam distintivos de identificação) espalhava, com a mesma gana truculenta, tiros de borracha, granadas de gases e cassetetes contra um punhado de cidadãos altruístas (já que não defendiam interesse próprio) cujo maior crime era o de defender o resto de patrimônio natural ainda não devorado de todo pela especulação imobiliária. A mesma que o vem comendo pelas beiradas e que agora busca sufocá-lo por meio de viadutos e pontes estaiadas. Qualquer semelhança de eras, não é pura ficção.
HISTÓRIA - A incrível decisão de um membro da Justiça Federal em favor do projeto de construção de viadutos que prejudicarão o Parque do Cocó não surpreendeu ninguém, diante do enorme poder (não só político, mas também econômico) das forças que a patrocinaram. Interpretação por interpretação, é preferível ficar com os operadores do Direito que viram a questão de modo diferente. É na interpretação que o juiz se revela, deixando entrever a que tipos de valores e a que laços de pertença de classe está interligado, depois de tê-los incorporado durante todo o processo de sua formação cultural e humana. A neutralidade na observação ou na avaliação de um fato, como se sabe, inexiste num ser inserido na História – o máximo alcançável é a isenção.
CONSEQUÊNCIAS - A verdade é que a derrota momentânea dos defensores do lado certo da História (no caso do Cocó), não significa a vitória moral e política dos que estão empurrando pela goela abaixo da Cidade (para a alegria das empreiteiras) esse tipo de obra. Essa é a convicção de observadores calejados da cena política local. Não custa esperar – segunda esse entendimento – os desdobramentos no futuro próximo, para o bem e para o mal. Fica a certeza, no entanto, de que os atuais defensores do Cocó serão motivo de orgulho para seus descendentes quando, no futuro, se olhar para atrás e se focar estes momentos. É improvável que aconteça o mesmo com os que terão tido ascendentes perfilados do outro lado da trama histórica.
DESGASTES - O desgaste do governo estadual e seu grupo já era inegável antes da guerra do Cocó. Na entrevista do governador Cid Gomes ao programa “Roda Viva”, ele não conseguiu ser convincente (embora pudesse sê-lo nos quesitos do voo da sogra e no bufê). Foi incrível a tentativa de passar uma imagem de simpático à democracia direta, quando o alvo principal das críticas à atual administração estadual - e à municipal - é justamente a centralização e impermeabilidade do processo decisório (herança da matriz tassista). No atual estágio de consciência política da cidadania cearense, decisões governamentais impactantes precisam ser compartilhadas com a sociedade. Não bastasse a questão das grandes obras – sempre decididas em pétit comité -, o governo descuidou-se do seu entorno. Basta ver o mais recente desastre político ao permitir que prosperasse na Assembleia Legislativa a emenda constitucional que diminuiu o número de integrantes do Ministério Público de Compras, e que será alvo de ação de inconstitucionalidade nas instâncias superiores da Justiça.
CONSTITUIÇÃO - A Constituição Federal completou 25 anos, neste sábado, em meio a uma saraivada de iniciativas destinadas a podá-la de seus artigos mais avançados. Os ruralistas, além de promoverem um retrocesso na área ambiental, querem agora reduzir os direitos dos índios, outorgando ao Congresso Nacional a demarcação das terras indígenas. Apesar de ser a mais avançada das constituições brasileiras, poderia tê-lo sido ainda mais, se fruto de uma Constituinte Exclusiva e não de um Congresso Constituinte, como impuseram as elites. Mesmo aprovada, a democracia participativa continua a ter sua regulamentação obstruída, com graves prejuízos ao aperfeiçoamento político e institucional do País.
DESVIRTUAMENTO - Uma das coisas que mais horrorizaram os fortalezenses foi a recusa da Câmara Municipal em permitir que os elaboradores de várias propostas alternativas aos viadutos do Cocó pudessem apresentá-los aos componentes da Casa para, ao menos, serem conhecidas pelos representantes dos moradores de Fortaleza. Se as sugestões oferecidas pelos próprios cidadãos para a resolução de um grave problema da Cidade não encontram espaço nem sequer para serem apresentadas a quem recebeu um mandato justamente para prestar esse serviço em nome deles (que são os verdadeiros donos dos mandatos), para que serve, então, a instituição? Para representar outro tipo de ator?
http://www.opovo.com.br/app/colunas/valdemarmenezes/2013/10/05/noticiasvaldemarmenezes,3141749/acyoladas.shtml
terça-feira, 6 de agosto de 2013
1 Imagem, 4 matérias
Por Marcus Vinicius
nos "caminhos" abaixo as matérias do o POVO:
http://www.opovo.com.br/app/politica/2013/08/06/noticiaspoliticas,3105808/cid-gomes-diz-que-visita-foi-superestimada-e-debate-projetos.shtml
http://www.opovo.com.br/app/politica/2013/08/06/noticiaspoliticas,3105810/cid-faz-proposta-a-manifestantes-para-liberarem-obra-dos-viadutos.shtml
http://www.opovo.com.br/app/politica/2013/08/06/noticiaspoliticas,3105809/cid-gomes-bate-boca-com-joao-alfredo-durante-visita-ao-parque-do-coco.shtml
http://diariodonordeste.globo.com/noticia.asp?codigo=364228
Excelente foto de Francisco Fontenele de O POVO.
nos "caminhos" abaixo as matérias do o POVO:
http://www.opovo.com.br/app/politica/2013/08/06/noticiaspoliticas,3105808/cid-gomes-diz-que-visita-foi-superestimada-e-debate-projetos.shtml
http://www.opovo.com.br/app/politica/2013/08/06/noticiaspoliticas,3105810/cid-faz-proposta-a-manifestantes-para-liberarem-obra-dos-viadutos.shtml
http://www.opovo.com.br/app/politica/2013/08/06/noticiaspoliticas,3105809/cid-gomes-bate-boca-com-joao-alfredo-durante-visita-ao-parque-do-coco.shtml
http://diariodonordeste.globo.com/noticia.asp?codigo=364228
quarta-feira, 12 de junho de 2013
Legalização do Parque do Cocó já!
por Arnaldo Fernandes
A propósito da relevância do mês em que se comemora o Dia Mundial do Meio Ambiente, importante evidenciar a necessidade de preservação dos ecossistemas responsáveis pela reprodução e manutenção das condições de vida de toda a biodiversidade (fauna e flora) existente no planeta, como os oceanos, as florestas, os manguezais, as dunas etc.
Assim, devemos voltar nossa atenção ao cuidado com a natureza, que, no espaço urbano, se encontra, sobretudo, nas chamadas áreas verdes formadas por espaços arborizados compostos por recursos hídricos e/ou outros atributos ambientais.
Em Fortaleza, na bacia hidrográfica do rio Cocó, que alcança cerca de 2/3 do território da cidade, está nosso maior patrimônio ambiental.
Apesar disso, o rio Cocó e todos os ecossistemas (mangue, dunas etc) ao qual se encontra interligado, vêm, ao longo de várias décadas, sofrendo com a voracidade da especulação imobiliária e com pesadas obras (estradas, pontes etc) levadas a efeito pelo poder público, as quais abrem ensejo ao aumento do fluxo de automóveis e proporciona ainda mais ‘fôlego’ à especulação imobiliária, devido à valorização dos terrenos decorrente da construção dessas obras infraestrutura urbana em áreas ambientalmente sensíveis.
Há quase 30 anos o povo de Fortaleza luta pela garantia de preservação do Cocó. De lá para cá, o processo de criação do Parque do Cocó nunca foi concluído. Em 2008, um estudo coordenado pelo Conpam (órgão responsável pela Política Ambiental do Estado) definiu que a área ideal para a criação do Parque do Cocó, como Unidade de Conservação de Proteção Integral, é de 1.312,30 hectares.
Essa área é defendida pelo Movimento Ambientalista e também pelo Ministério Público Federal (MPF), que ajuizou uma Ação Civil Pública pedindo que seja garantida a preservação dessa área.
Com o propósito de apoiar a excelente iniciativa do MPF acima mencionada e mobilizar a população para pressionar o Governo do Estado do Ceará a resolver definitivamente a situação de criação legal do Parque do Cocó, o SOS Cocó, grupo ambientalista que existe desde 1985, lançou a campanha ‘Legalização do Parque do Cocó Já!’, que, dentre outras iniciativas, tem uma petição online publicada no famoso sítio eletrônico Avaaz, a qual pode ser acessada pelo endereço http://bit.ly/18oeQXM
A participação de todos é fundamental para conseguirmos garantir a preservação definitiva do Cocó, mais importante área verde da cidade e patrimônio ambiental do povo de Fortaleza.
Juntos somos fortes!
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| Parque do Cocó |
A propósito da relevância do mês em que se comemora o Dia Mundial do Meio Ambiente, importante evidenciar a necessidade de preservação dos ecossistemas responsáveis pela reprodução e manutenção das condições de vida de toda a biodiversidade (fauna e flora) existente no planeta, como os oceanos, as florestas, os manguezais, as dunas etc.
Assim, devemos voltar nossa atenção ao cuidado com a natureza, que, no espaço urbano, se encontra, sobretudo, nas chamadas áreas verdes formadas por espaços arborizados compostos por recursos hídricos e/ou outros atributos ambientais.
Em Fortaleza, na bacia hidrográfica do rio Cocó, que alcança cerca de 2/3 do território da cidade, está nosso maior patrimônio ambiental.
Apesar disso, o rio Cocó e todos os ecossistemas (mangue, dunas etc) ao qual se encontra interligado, vêm, ao longo de várias décadas, sofrendo com a voracidade da especulação imobiliária e com pesadas obras (estradas, pontes etc) levadas a efeito pelo poder público, as quais abrem ensejo ao aumento do fluxo de automóveis e proporciona ainda mais ‘fôlego’ à especulação imobiliária, devido à valorização dos terrenos decorrente da construção dessas obras infraestrutura urbana em áreas ambientalmente sensíveis.
Há quase 30 anos o povo de Fortaleza luta pela garantia de preservação do Cocó. De lá para cá, o processo de criação do Parque do Cocó nunca foi concluído. Em 2008, um estudo coordenado pelo Conpam (órgão responsável pela Política Ambiental do Estado) definiu que a área ideal para a criação do Parque do Cocó, como Unidade de Conservação de Proteção Integral, é de 1.312,30 hectares.
Essa área é defendida pelo Movimento Ambientalista e também pelo Ministério Público Federal (MPF), que ajuizou uma Ação Civil Pública pedindo que seja garantida a preservação dessa área.
Com o propósito de apoiar a excelente iniciativa do MPF acima mencionada e mobilizar a população para pressionar o Governo do Estado do Ceará a resolver definitivamente a situação de criação legal do Parque do Cocó, o SOS Cocó, grupo ambientalista que existe desde 1985, lançou a campanha ‘Legalização do Parque do Cocó Já!’, que, dentre outras iniciativas, tem uma petição online publicada no famoso sítio eletrônico Avaaz, a qual pode ser acessada pelo endereço http://bit.ly/18oeQXM
A participação de todos é fundamental para conseguirmos garantir a preservação definitiva do Cocó, mais importante área verde da cidade e patrimônio ambiental do povo de Fortaleza.
Juntos somos fortes!
quinta-feira, 30 de maio de 2013
Ponte sobre o parque do Cocó
por Isadora de Lima Branco*
"O projeto da ponte estaiada, lançado na Assembleia Legislativa do Ceará
no dia 3 de abril de 2013, consiste em uma tentativa inadequada de expandir a
malha viária da cidade de Fortaleza. Pois, apesar de encantar a vista, o
projeto representa, disfarçadamente, a grande vitória da especulação
imobiliária sobre a nossa consciência ambiental.
A ponte seria construída sobre uma região relevante do Parque do Cocó e
ligaria a Cidade 2000 ao Centro de Eventos do Ceará. De forma que traria um
grande prejuízo ao ecossistema do Cocó, única área verde representativa da
nossa cidade, pois cerca de 9 hectares dessa área seriam prejudicados.
Visto que, no momento, o Estado do Ceará deveria ter outras prioridades
como a amenização do problema da seca, o gasto de, no mínimo, 380 milhões de
reais com esse projeto revela-se incoerente para a população local.
Clamemos pela preservação do que ainda resta da nossa cultura, da nossa
história, do nosso verde. Os jovens precisam ser ouvidos e a natureza também."
* discurso da estudante Isadora de Lima Branco, na audiência pública sobre a "Ponte sobre o rio Cocó", realizada na Assembleia Legislativa do Ceará por iniciativa da Deputada Eliane Novais..
terça-feira, 21 de maio de 2013
Ponte estaiada: faltou debate
Editorial O POVO
Audiência Pública realizada na Assembleia Legislativa, na sexta-feira última, teve como tema a ponte estaiada sobre o rio Cocó, projeto do governo do Estado, que tem o apoio da Prefeitura de Fortaleza, tendo a Câmara Municipal já aprovado o projeto de lei complementar que permite a sua construção.
Durante a audiência, o projeto recebeu críticas de representantes de entidades ligadas ao urbanismo, ao meio ambiente e à engenharia de tráfego. O principal argumento utilizado para justificar a obra – o desafogamento da avenida Washington Soares e adjacências – foi contestado por profissionais e entidades representativas do pensamento urbanístico, ambiental e de tráfego, dentre os quais o Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB-CE) e o Departamento de Engenharia de Trânsito da UFC, além de parlamentares.
Na ocasião, eles apontaram outras possibilidades - mais eficazes e mais baratas - sem comprometer ainda mais o ecossistema do Cocó. Para os urbanistas, existem alternativas como a construção de vias paralelas à Washington Soares, com o prolongamento da avenida coronel Miguel Dias, ou ligações entre as avenidas Atilano de Moura e Pontes Vieira/Virgílio Távora e entre a José Leon e Edilson Brasil Soares, de resultados que, segundo eles, seriam mais eficazes para a melhoria do tráfego.
Esses especialistas ainda lamentaram que a decisão tenha sido tomada sem que um debate mais amplo tivesse sido realizado com os vários atores sociais, atentando para a necessidade de se pensar a cidade a longo prazo, de modo a combinar as necessidades do presente com a previsão do que acontecerá em futuro próximo ou mais distante, pois tem de se pensar no usufruto urbano de agora, aliado ao bem-estar das gerações futuras.
Em situação dessa natureza, a Câmara Municipal deveria ter tido mais sensibilidade, de modo a cumprir o papel para o qual foi eleita, qual seja, o de servir de caixa de ressonância para as opiniões de fermentam na sociedade. Assim, o mínimo a se esperar do Legislativo Municipal seriam a promoção de audiências públicas, como fez a Assembleia Legislativa, e que fomentasse o debate, de modo que tanto aqueles que defendem o projeto como os que o criticam pudessem expor seus argumentos livremente, e em igualdade de condições.
domingo, 30 de dezembro de 2012
Referendo irá decidir sobre construções no parque
Por Geimison Maia
Pela primeira vez na história de Fortaleza, a população será consultada em referendo para aprovação ou não de uma lei na Capital. Ontem, a Prefeitura encaminhou um projeto de veto popular à Câmara Municipal.
De autoria de moradores do bairro Cocó, o documento proíbe a construção de obras públicas - salvo quando de utilidade pública ou interesse social - e privadas na área do Parque do Cocó que cruza os limites do bairro. Para que a proteção valesse para todo o parque, seria necessário recolher assinaturas nos bairros que abrangem sua extensão dele.
Segundo o presidente da Câmara, Acrísio Sena (PT), a casa legislativa terá 30 dias para analisar o projeto. Depois disso, haverá o prazo de até um ano para realizar o referendo. “Geralmente, plebiscitos e referendos acompanham os processos eleitorais, até pelos custos (que geram)”, explica.
“O projeto nasceu da nossa vontade de proteger algumas áreas nas imediações do Cocó que estão suscetíveis à especulação imobiliária”, afirma Volia Barreira, moradora do Cocó e uma das organizadoras da iniciativa. Para que fosse encaminhado à Câmara, o grupo teve de recolher a assinatura de, no mínimo, 5% dos moradores do bairro, o que totalizou 750 pessoas. “Esse é um momento histórico para a cidade e para essa comunidade, que se organizou. (Espero) que isso sirva de exemplo para outras comunidades que queiram preservar o patrimônio ambiental”, enfatiza a prefeita Luizianne Lins (PT).
Para definir a área a ser protegida, o Movimento Veto Popular em Defesa do Cocó utilizou como base as delimitações do parque (poligonal) estabelecidas em um estudo feito pelo Conselho de Políticas e Gestão do Meio Ambiente (Conpam) em 2008.
De acordo com o presidente do Conpam, Paulo Henrique Lustosa, “essa poligonal é um estudo que não é conclusivo”. O Governo do Estado também analisa propostas feitas pelo Instituto de Desenvolvimento Agrário do Ceará (Idace) e pela Secretaria da Infraestrutura (Seinfra). Atualmente, são levadas em conta as poligonais desenhadas em 1989 e 1993, nos decretos de criação do parque.
Brecha na lei?
O projeto possibilita a construção de obras públicas, desde que tenham “utilidade pública ou interesse social”. Segundo Antônio Pinheiro Cavalcante, morador do Cocó, caberá à Secretaria Municipal do Meio Ambiente e Controle Urbano (Semam) definir se as futuras intervenções na área protegida se enquadram nesses aspectos.
O titular da Semam, Adalberto Alencar, explica que essa ressalva está prevista na legislação ambiental federal e uma lei municipal não poderia excluí-la. O economista e ambientalista João Saraiva, integrante do Movimento SOS Cocó, pondera que “o dispositivo abre possibilidades para que, em nome do social, faça aterros e desmatamentos”. Porém, ressalta que a maior parte da área do parque é composta de Áreas de Proteção Permanente (APPs) e, por isso, construções só devem ser realizadas se não houver alternativas.
O Parque do Cocó ainda não é reconhecido como Unidade de Conservação, pois os decretos de criação já expiraram e as desapropriações de terrenos privados não foram realizadas. O Governo do Estado debate a regularização do parque e espera concluir o processo até o final de 2014. “O que garantimos, como Estado, é que, na área original, não autorizamos edificação. Nem vamos autorizar”, enfatiza Paulo Henrique Lustosa.
ENTENDA A NOTÍCIA
Plebiscito e referendo são consultas previstas na Constituição Federal. A principal distinção entre eles é a de que o plebiscito é convocado previamente à criação do ato legislativo ou administrativo. Já o referendo é convocado posteriormente, cabendo ao povo ratificar ou rejeitar a proposta.
Pela primeira vez na história de Fortaleza, a população será consultada em referendo para aprovação ou não de uma lei na Capital. Ontem, a Prefeitura encaminhou um projeto de veto popular à Câmara Municipal.
| Foto: Sara Maia |
Segundo o presidente da Câmara, Acrísio Sena (PT), a casa legislativa terá 30 dias para analisar o projeto. Depois disso, haverá o prazo de até um ano para realizar o referendo. “Geralmente, plebiscitos e referendos acompanham os processos eleitorais, até pelos custos (que geram)”, explica.
“O projeto nasceu da nossa vontade de proteger algumas áreas nas imediações do Cocó que estão suscetíveis à especulação imobiliária”, afirma Volia Barreira, moradora do Cocó e uma das organizadoras da iniciativa. Para que fosse encaminhado à Câmara, o grupo teve de recolher a assinatura de, no mínimo, 5% dos moradores do bairro, o que totalizou 750 pessoas. “Esse é um momento histórico para a cidade e para essa comunidade, que se organizou. (Espero) que isso sirva de exemplo para outras comunidades que queiram preservar o patrimônio ambiental”, enfatiza a prefeita Luizianne Lins (PT).
Para definir a área a ser protegida, o Movimento Veto Popular em Defesa do Cocó utilizou como base as delimitações do parque (poligonal) estabelecidas em um estudo feito pelo Conselho de Políticas e Gestão do Meio Ambiente (Conpam) em 2008.
De acordo com o presidente do Conpam, Paulo Henrique Lustosa, “essa poligonal é um estudo que não é conclusivo”. O Governo do Estado também analisa propostas feitas pelo Instituto de Desenvolvimento Agrário do Ceará (Idace) e pela Secretaria da Infraestrutura (Seinfra). Atualmente, são levadas em conta as poligonais desenhadas em 1989 e 1993, nos decretos de criação do parque.
Brecha na lei?
O projeto possibilita a construção de obras públicas, desde que tenham “utilidade pública ou interesse social”. Segundo Antônio Pinheiro Cavalcante, morador do Cocó, caberá à Secretaria Municipal do Meio Ambiente e Controle Urbano (Semam) definir se as futuras intervenções na área protegida se enquadram nesses aspectos.
O titular da Semam, Adalberto Alencar, explica que essa ressalva está prevista na legislação ambiental federal e uma lei municipal não poderia excluí-la. O economista e ambientalista João Saraiva, integrante do Movimento SOS Cocó, pondera que “o dispositivo abre possibilidades para que, em nome do social, faça aterros e desmatamentos”. Porém, ressalta que a maior parte da área do parque é composta de Áreas de Proteção Permanente (APPs) e, por isso, construções só devem ser realizadas se não houver alternativas.
O Parque do Cocó ainda não é reconhecido como Unidade de Conservação, pois os decretos de criação já expiraram e as desapropriações de terrenos privados não foram realizadas. O Governo do Estado debate a regularização do parque e espera concluir o processo até o final de 2014. “O que garantimos, como Estado, é que, na área original, não autorizamos edificação. Nem vamos autorizar”, enfatiza Paulo Henrique Lustosa.
ENTENDA A NOTÍCIA
Plebiscito e referendo são consultas previstas na Constituição Federal. A principal distinção entre eles é a de que o plebiscito é convocado previamente à criação do ato legislativo ou administrativo. Já o referendo é convocado posteriormente, cabendo ao povo ratificar ou rejeitar a proposta.
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