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terça-feira, 17 de maio de 2011

Comida, Bebida e Música - 1

O Diumtudo "está fazendo" uma enquete com amigos(as) que gostam de bebida, comida e música. São quatro categorias:

  • Bar, Botequim 
  • Local de boa Comida
  • Local para beber, comer nas altas horas
  • Local com boa música


A primeira a fazer as indicações:
EVA CALDAS - professora universitária e boêmia (pero no mucho).
  • Bar - Bar do Ciço
  • Comida - Sabor e Tom 
  • Altas horas - sem indicação
  • Boa Música - Sabor e Tom
Serviço:
Bar do Ciço -  Rua Padre Quinderé, 165, Fortaleza - CE - Brasil.
Sabor e Tom - R. Almeida Prado, 1013 - Cocó  Fortaleza - CE, 60176-080
Inspiração - http://diumtudo-marvioli.blogspot.com/2011/05/comida-bebida-e-musica.html

JOÃO DA BAIANA - (João Machado Guedes) 17 de maio de 1887.

Fabricar pretextos


Editorial do GRANMA

A Revolução cubana foi alvo de centenas de campanhas de desinformação, geralmente orquestradas pelo governo norte-americano, com a cumplicidade de aliados europeus e o concurso das poderosas forças e interesses que controlam os empórios da mídia, mas nada conseguiu desviar os cubanos de seus ideais de independência e socialismo, nem confundir os povos do planeta que, apesar de tudo, com sua sabedoria e instinto, descobrem qual a verdade.

São campanhas sem limite político nem ético, que chocam com a força moral de Cuba e somente maculam seus autores.

A manobra mais recente, procedente de seus "várias vezes premiados" informantes, se desfez em 72 horas. Os políticos mentirosos, os meios de imprensa que caluniaram por interesse político e os jornalistas que noticiaram um fato que não existiu, sem tentar fazer uma mínima confirmação, não deveriam ficar impunes. Pelo menos, deveriam confessar o erro e pedir desculpas à família, cujo funeral desrespeitaram.

Curiosamente, todos elem mantêm silêncio sobre o milhão de mortos civis no Iraque e no Afeganistão, que definem como "danos colaterais" e sobre as execuções extrajudiciais com aviões não tripulados em países soberanos.

Mantêm silêncio sobre o uso da tortura, ocultam a existência de cárceres secretos norte-americanos na Europa, dificultam a investigação dos crimes cometidos em Abu Ghraib e na base naval de Guantánamo, usurpada a Cuba, e dos vôos secretos da CIA com pessoas sequestradas em outros Estados.

Também não se comovem ante a forma brutal em que os governos na Europa descarregam as consequências da crise econômica nos mais pobres e nos imigrantes.

Olham para outro lado quando os desempregados e os estudantes são reprimidos com inusitada violência nessas sociedades opulentas.
Contudo, andam à caça de pretextos para atacar Cuba. E como não os encontram, então os fabricam.

Com grande desvergonha, batalharam por converter uma pancreatite em um assassinato político; uma justificada detenção policial de menos de três horas por alteração da ordem, sem o uso da força, em uma surra mortal; uma pessoa com cadastro policial, condenada a dois anos de prisão por delito comum, num dissidente político, vítima de longa condenação.

O povo compartilha o protesto da família pela campanha fabricada e a indignação dos médicos, praticamente acusados de cumplicidade num homicídio.

O mundo tem exemplos suficientes da vocação humanística dos nossos médicos que, sem pouparem energias e pondo em risco suas vidas, prestam seus serviços em todos os continentes.

O legislador David Rivera, célebre por corrupção eleitoral e por suas campanhas extremistas para eliminar o direito dos cubanos emigrados a viajarem a seu país, que há só umas semanas acusou o presidente Carter de ser "um agente cubano", afirmou sob juramento, no Congresso dos Estados Unidos, que o falecido "foi assassinado a pancadas e cacetadas no parque Vidal de Villa Clara, no domingo passado".

Nem sequer se incomodou em verificar que o homem esteve no parque, antes e depois da breve detenção, quinta-feira, 5 de maio, e não domingo, quando já estava hospitalizado. Não surpreende que minta, mas sim que o faça de maneira tão estúpida.

Um tal Salafranca, parlamentar europeu do Partido Popular, de muitos méritos anticubanos e pró-ianque, que diz que os relatórios sobre os vôos secretos da CIA não oferecem dados adicionais, e fecha os olhos para se abster ante qualquer condenação, afirmou no Parlamento Europeu que a pessoa "morreu depois de sua detenção e surra por parte da polícia cubana".

O jornal El País, da Espanha do Grupo Prisa e as confabulações do PP, publicou um artigo intitulado "Dissidente cubano morre depois de receber uma surra da polícia". O ABC, historicamente a serviço das piores causas, noticiou "Opositor cubano morre após uma surra da polícia castrista". Não lhes interessa confirmar a verdade dos supostos fatos e nem sequer se incomodam em dissimular o conluio com títulos diferentes.

Insolitamente, até o presidente Barack Obama, em Miami e ante uma pergunta da tendenciosa rede Univisón, embora dissesse que faltavam por precisar alguns detalhes, se pronunciou sobre os fatos do parque Vidal que jamais ocorreram.
É curioso que Obama, sempre tão ocupado, possa lembrar o caso de uma pessoa detida num parque cubano, que depois de algum tempo retornou ao lugar.

Contudo, ele não disse coisa alguma e possivelmente nem se lembre do rosto angustiado ou do relato da menina iraquiana Samar Hassan, publicado no jornal The New York Times, em 7 de maio passado, enquanto contava a terrível experiência do assassinato de seus pais por uma patrulha norte-americana, quando retornavam do hospital, após sarar as feridas de seu irmão.

Mas, no caso de Cuba, a pior falta não são as burdas mentiras que dia após dia se fabricam e reproduzem. O imperdoável é que se censurem as grandes verdades e a história dum povo heróico e bloqueado, capaz de atingir o que para a grande maioria da Humanidade ainda é um sonho.

No passado, tentaram isolar a Cuba ou provocar desordens internas para que se produzisse uma intervenção norte-americana. O que pretendem com estas campanhas? Somente denegrir ou algo pior? Será que os que mexem os fios e a seus empreiteiros internos lhes gostaria invocar a "proteção de civis" para bombardear Havana?

Nosso povo não se deixará confundir pelos contrarrevolucionários internos que buscam o pretexto da mídia, com o objetivo de promover um conflito com os Estados Unidos e saberá responder com serenidade e firmeza ante as ações destes mercenários.

Os argumentos da Revolução cubana não se fabricam como as mentiras dos nossos inimigos, se constroem com a dignidade e integridade do nosso povo que aprendeu que a verdade é a arma mais limpa dos homens. 
 

Mulheres Invisíveis



Vídeo documentário produzido pela Sempreviva Organização Feminista (SOF), com apoio da Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM) abordando o tema das mulheres e o mercado de trabalho.

Mais informações: http://www.sof.org.br/

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Direitos Autorais

Do site do IDEC - http://www.idec.org.br/

DIREITOS DO CONSUMIDOR

Brasil está entre os países com as piores leis de direitos autorais

Ranking da Consumers International mostra que Brasil está atrás apenas da Tailândia, Chile e Reino Unido* quanto às leis que mais restringem direitos do consumidor no acesso a serviços e produtos culturais. O levantamento foi feito com contribuição do Idec

Ao lado de países como Tailândia, Chile e Reino Unido, o Brasil tem um dos piores regimes de direitos autorais do mundo. A conclusão é da IP Watchlist 2011, um levantamento sobre direito autoral e propriedade intelectual feita pela Consumers Internacional (CI) - federação que congrega entidades de defesa do consumidor em todo o mundo, incluindo o Idec.

A iniciativa analisa o grau de liberdade dos países em relação à propriedade intelectual. O Idec participou do trabalho fazendo o relatório sobre a situação no Brasil. O trabalho leva em conta questões como as possibilidades trazidas pela legislação autoral para o acesso dos consumidores a serviços e produtos culturais, exceções e limitações para usos educacionais das obras, preservação do patrimônio cultural, acessibilidade, adaptação da lei aos novos modelos digitais e utilização privada dos bens culturais.

A lista dos cinco países pior colocados neste ano tem a Tailândia em primeiro lugar, como o país com as piores leis, seguido pelo Chile, Reino Unido, Brasil - na quarta posição - e Bielorrússia. Em 11 diferentes áreas analisadas, como uso educacional, uso literário e liberdade para compartilhar e transferir informações, nenhum dos 24 países analisados alcançaram a nota máxima. Mais de dois terços deles receberam a pontuação mais baixa em pelo menos uma dessas áreas.

O relatório da CI destaca que os países em desenvolvimento são os que possuem as leis mais prejudiciais ao consumidor. Uma das críticas feitas é a punição excessiva prevista aos consumidores considerados infratores da lei quando realizam tarefas cotidianas como, por exemplo, transferir arquivos de um equipamento para o outro, para uso pessoal. Por outro lado, não há qualquer punição prevista aos fornecedores que cerceiam os direitos do consumidor.

"Que tipo de punição recebe o proprietário dos direitos autorais que interfere nos direitos do consumidor a ponto de impedi-lo de fazer uma cópia para backup ou para estudo? A resposta é que em todos os países observados, não há qualquer sanção ao proprietário dos direitos autorais", aponta o relatório. O levantamento cita ainda que as reformas planejadas para a Lei de Direitos Autorais no Brasil pode ser uma das primeiras a prever uma solução real para os consumidores, cujos direitos são obstruídos pelos fornecedores. A proposta é coibir qualquer prática que impeça o exercício dos direitos do usuário.

O advogado do Idec, Guilherme Varella, que contribuiu com o levantamento, lembra que o Brasil havia ficado na sétima posição no estudo de 2010, caindo agora para a quarta, o que demonstra um retrocesso no processo de democratização dos direitos autorais. Isso teria ocorrido após o governo dar manifestações claras de que não vai mais rever sua lei de direito autoral (Lei 9.610/98).

"A LDA passou por processo de reforma no ano passado, com consulta pública aberta à participação popular, depois de seis anos de debate intenso, conduzido pelo Ministério da Cultura. O anteprojeto de lei que reforma a LDA iria para o Congresso Nacional com um texto muito avançado, que equilibrava a proteção dos autores com o interesse público de acesso à cultura", afirmou Varella. "Nesse novo governo, o Ministério da Cultura recuou da reforma e não se mostra favorável à flexibilização da lei".

A LDA ainda permite o DRM (digital rights management), um sistema de gerenciamento digital que restringe a utilização de produtos que o consumidor adquire legitimamente no mercado. Pela lei, as empresas podem colocar essa "trava tecnológica" em um CD ou DVD e este tocar apenas em um aparelho de som e não em outro. O DRM também restringe o número de cópias privadas. A lei, assim, vai contra princípios básicos do Código de Defesa do Consumidor, que protege direitos como a liberdade de escolha do consumidor e a lealdade nas relações de consumo.

Educação
O Brasil se mantém entre os países com a pior nota no quesito possibilidades educacionais. Isso se dá pelo fato da lei autoral não permitir a cópia para uso educacional ou científico. Os livros científicos brasileiros são extremamente caros. Muitas vezes, seus autores já receberam pelas obras, através de bolsas e salários, como ocorre com as universidades públicas, e mesmo assim os estudantes não têm direito de tirar uma cópia desses livros para fins unicamente de estudo, sem finalidade comercial.

Além disso, segundo o advogado do Idec, há uma ação ostensiva da indústria reprográfica no Brasil contra copiadoras de livros. "Pela lei, as copiadoras podem tirar cópias de "pequenos trechos" de obras, ainda que não se especifique o que são pequenos trechos. Algumas organizações têm intimidado proprietários de copiadoras e coagido seus funcionários a não tirar cópias nem de pequenos trechos, infringindo direitos dos alunos e desses profissionais", apontou Varella.

No mais, ainda na questão educativa, a LDA não permite nem a digitalização de obras. Assim, livros raros, não mais editados, podem apodrecer em estantes de bibliotecas sem que nada possa ser feito. O mesmo vale para as cinematecas. Filmes antigos, livros importantes que compõem o patrimônio cultural e educacional brasileiro, podem se perder por inconsistência dessa lei.

LDA e Internet
Foi reaberta no Congresso a discussão do Projeto de Lei 84/99, a chamada Lei Azeredo. O PL prevê o monitoramento dos usuários pelos provedores de internet e a permissão para que cortem sua conexão em caso de conduta suspeita de violação de direitos autorais. A linha é a mesma das leis da França e Espanha, prevendo a intervenção direta na esfera individual dos consumidores. Por aqui, o movimento de cultura digital batizou o PL de AI-5 Digital, em referência ao famigerado ato institucional da ditadura militar, que cassou direitos civis e políticos, em 1968.

*Informações atualizadas em 02/05/11 às 17h09. Os países citados anteriormente como os primeiros colocados no ranking da CI referiam-se à pesquisa de 2010.

http://a2knetwork.org/sites/default/files/IPWatchlist-2011-ENG.pdf



segunda-feira, 9 de maio de 2011

Dois bombons e uma rosa



Dois bombons e uma rosa  (AldirBlanc)

Faço votos de feliz casamento,
parabéns pra você,
prevaleceu seu bom-senso.
Reconheço que era chato
ser a outra eternamente
com encontros marcados
por coisas do tipo eu subo na frente?.
Finalmente teu garoto
vai ter um pai de primeira,
você mais segurança
e um pingüim na geladeira.
Na cabeceira um relógio,
a hora mais luminosa,
churrascaria aos domingos:
dois bombons e uma rosa.
Apenas quero fazer
a necessária ressalva:
jamais comente o passado,
lembre o conselho de Dalva.
Não há xampu, não há creme
que apague ou que desmarque
da tua pele o meu beijo
fedendo a conhaque.


Rosas de maio e de sangue

Por Aldir Blanc

Sabe aquele pessoal que toma a saideira no Sopão, da Pereira Nunes, não consegue dormir, e parte pra rondar o Momo, de manhã cedo? Já fui da turma. Soube que, no assassinato de Osama bin Laden, pintou uma certa confusão. É natural. A rapaziada ainda estava meio zonza, não havia tomado a vitamina de ovo e caracu, nem pingado fogo paulista — tem mel — na média, etc., etc.

A moçada estava lavando a serpentina quando espocaram as primeiras notícias:

Osama explodiu Osaka!

Obama matou o Obina!

Obina nasceu no Alabama!

Obama atacou a Brahma!

Osama de tanga em Copacabana!

O vice do Obama vai ser o Carvana!

Um bonobo traçou a Madonna!

Mourinho que vá pra Bafana-Bafana!

Até que um limão da casa e algumas Originais deixaram tudo claro-turvo: O Obama conseguira matar o Osama. Ufa!



Incrível. A Casa Branca não consegue tramar, durante 10 anos, um assassinato sem se contradizer. Primeira versão: “Obama estava armado e reagiu.” No dia seguinte: “Obama estava desarmado e levou, ao reagir (cuspindo?), um tiro no peito e um no rosto.”

Por que Osama não foi preso? Seria julgado e as promessas de campanha de seu quase xará pareceriam mais verdadeiras. Queimaram o arquivo Obama para que ele não falasse sobre a corrupção entre o governo Baby Bush e a família Bin Laden. O jornalista Willian J. Dobson, do “Washington Post”, escreveu: “Se ex-funcionários do alto escalão egípcio fossem obrigados a se defender durante um tribunal internacional, qual seria a probabilidade de manterem em segredo informações (sobre) o mandante dos crimes, principalmente em se tratando daqueles cometidos para atender aos interesses americanos?” Ou seja, Mubarak corre o risco de aparecer “suicidado”. Foi prática comum em nossa ignóbil ditadura.

Os levantes continuam na Síria. Assad, que é um aloíta (seita dentro da xiita), pode massacrar, usando tanques, insurgentes desarmados em várias cidades. A pergunta que não quer calar é: por que a capital de Assad, Damasco, não é bombardeada como Trípoli? A pergunta envolve a maior encrenca. O Hezbollah está, coberto pela Síria, no Líbano, atacando Israel, que, por sua vez, tem como líder um notório corrupto chamado Bibi...

Sobre o Bahrein, declarou Noam Chomsky à revista “Caros Amigos”: “Em relação ao Bahrein o que preocupa (...) é a Arábia Saudita. Teme-se que um levante xiita — que são maioria da população — se estenda ao leste da Arábia Saudita. Portanto nada pode acontecer lá.” Resumindo: insurgentes no Bahrein e na Arábia Saudita? Pau neles, com total consentimento dos Estados Unidos.

Hillária Clinton, secretária de Estado interessante, proclamou que na operação contra Bin Laden viveu os 38 minutos mais intensos de sua vida, muito melhores de que toda a atividade sexual com Bill.

Kadafi pode ser um “louco assassino”. Como devemos chamar os que incineraram seus três netos? O problema é que o Ocidente usa ditadores a seu bel-prazer, com um incrível cinismo, e os descarta quando não são mais úteis.

Patética a lamúria de Kadafi: “Cadê o meu amigo Berlusconi?” Ora, Kadafi, que pergunta idiota! Berlusca já mandou ampliar a casa de praia para receber as refugiadas menores de idade. Serão muito bem tratadas e a única obrigação delas será participar, com a presença de Ronaldinho Gaúcho, da folclórica dança do Bunga-Bunga. A filha do ítalo-bandido, namorada do jogador Pato, já o proibiu defrequentar o pagode:

— O ganso desse Pato é da minha marreca e galinha nenhuma tasca!

Sábio mesmo foi o sujeito que disse:

— Tinha medo de Osama e tenho medo de quem o matou.

Na verdade, o fim de Osama bin Laden é puro Nelson Rodrigues, sem gelo: mais cedo ou mais tarde, todo mundo é traído.

Inclusive nós, os que acreditamos. Num discurso, Obama foi aclamado ao proferir as palavras “os Estados Unidos não torturam”. Seu diretor da CIA e futuro secretário de Defesa, Leon Panetta, vulgo “Panettone”, admitiu que informações valiosas foram obtidas por métodos reforçados de interrogatório, o eufemismo americano para tortura.

Gore Vidal nos preveniu: não vai mudar nada. O governo do negro Obama passaria em brancas nuvens, não fosse o sangue vermelho de um terrorista.

ALDIR BLANC é compositor.

http://www.itamaraty.gov.br/sala-de-imprensa/selecao-diaria-de-noticias/midias-nacionais/brasil/o-globo/2011/05/08/rosas-de-maio-e-de-sangue-artigo-aldir-blanc

O museu dos contos


As botas de um gato.
Uma maça envenenada.
O fuso em que uma princesa espetou o dedo.
Um machado que cortava sozinho.
A panela onde caiu o ratão
doido pra comer feijão.
Uma janela de casinha de doces.
Dois dos três fios do cabelo do diabo.

Aí estão.
Entra. Olha pra eles.
Mas cuidado. Não pode tocar
que eles se transformam em pó,
em bolhas azuis,
num punhado daquela tristeza que os sonhos deixam
quando se acabam.

ANTONIO  ORLANDO  RODRIGUEZ
(Tradução : Luiz Raul Machado

sábado, 7 de maio de 2011

Comida, Bebida e Música


Comida e Bebida
(Zé Miguel Wisnik/Zé Celso Martinez Correa)

Só duas coisas têm valor na vida:
comida e bebida
comida e bebida
comida é terra
deusa terra
dê-me terra
tua velha conhecida
que você chama
pelo nome que te apraz
pois com comida sólida
ela dá de mamar
ela dá de mamar
ela dá de mamar
aos mortais

agora soma para multiplicar bebida
que o filho de sêmele trouxe divino
do fruto molhado da vinha
embebedando os mortais
e liquidando os seus ais
trazendo o sonho o apagamento
dos endividamentos de cada dia

um deus que aos deuses se dá
um deus que se põe ao dispor
não há melhor drogaria pra dor
a ele que se deve o que se dá e se recebe
o bem que se tem e que se detém
um messias que se bebe

O ASSASSINATO DE OSAMA BIN LADEN


Por Fidel Castro

 Os que se encarregam desses temas sabem que, em 11 de setembro de 2001, nosso povo ficou solidário com o dos Estados Unidos e ofereceu a modesta cooperação que no campo da saúde podíamos oferecer às vítimas do brutal atentado às Torres Gêmeas de Nova Iorque.

Também oferecemos de imediato as pistas aéreas do nosso país para os aviões norte-americanos que não tivessem onde aterrar, por causa do caos reinante nas primeiras horas após aquele golpe.

É conhecida a posição histórica da Revolução Cubana que sempre se opôs às ações que colocassem em perigo a vida de civis.

Partidários decididos da luta armada contra a tirania de Batista; éramos, no entanto, opostos por princípios a todo ato terrorista que ocasionasse a morte de pessoas inocentes. Tal conduta, mantida ao longo de mais de meio século, outorga-nos o direito de expressar um ponto de vista sobre o delicado tema.

Em um ato público maciço realizado na Cidade Esportiva expressei naquele dia a convicção de que o terrorismo internacional jamais seria resolvido mediante a violência e a guerra.
Na verdade, ele foi durante anos amigo dos Estados Unidos que o treinou militarmente, e foi adversário da URSS e do socialismo, mas quaisquer que fossem os atos atribuídos a Bin Laden, o assassinato de um ser humano desarmado e rodeado de familiares constitui um fato aborrecível. Aparentemente foi isso o que fez o governo da nação mais poderosa que jamais existiu.

O discurso elaborado com esmero por Obama para anunciar a morte de Bin Laden afirma: “…sabemos que as piores imagens são aquelas que foram invisíveis para o mundo. O assento vazio na mesa. As crianças que foram forçadas a crescerem sem sua mãe ou seu pai. Os pais que nunca voltarão a sentir o abraço de um filho. Cerca de 3 000 cidadãos marcharam longe de nós, deixando um enorme buraco em nossos corações”.

Esse parágrafo encerra uma dramática verdade, mas não pode impedir que as pessoas honestas se lembrem das guerras injustas desatadas pelos Estados Unidos no Iraque e no Afeganistão, das centenas de milhares de crianças que foram obrigadas a crescerem sem sua mãe ou seu pai, e aos pais que nunca voltariam a sentir o abraço de um filho.

Milhões de cidadãos marcharam longe de seus povos no Iraque, no Afeganistão, no Vietnã, Laos, no Camboja, Cuba e noutros muitos países do mundo.

Da mente de centenas de milhões de pessoas também não se apagaram as horríveis imagens de seres humanos que em Guantánamo, território ocupado de Cuba, desfilam silenciosamente submetidos durante meses e inclusive anos a insofríveis e enlouquecedoras torturas; são pessoas seqüestradas e transportadas a cárceres secretos com a cumplicidade hipócrita de sociedades supostamente civilizadas.

Obama não tem forma de ocultar que Osama foi executado na presença dos seus filos e esposas, agora em poder das autoridades do Paquistão, um país muçulmano de quase 200 milhões de habitantes, cujas leis têm sido violadas, sua dignidade nacional ofendida, e suas tradições religiosas ultrajadas.

Como impedirá agora que as mulheres e os filhos da pessoa executada sem Lei nem julgamento expliquem o acontecido, e as imagens sejam transmitidas ao mundo?

Em 28 de janeiro de 2002, o jornalista da CBS Dan Rather, difundiu por essa emissora de televisão que a 10 de setembro de 2001, um dia antes dos atentados ao World Trade Center e ao Pentágono, Osama Bin Laden foi submetido a uma diálise do rim em um hospital militar do Paquistão. 
Não estava em condições de ocultar-se e proteger-se em profundas cavernas.
Assassiná-lo e enviá-lo às profundezas do mar demonstra temor e insegurança, tornam-no em uma personagem muito mais perigosa.

A própria opinião pública dos Estados Unidos, após a euforia inicial, terminará criticando os métodos que, em vez de proteger os cidadãos, terminam multiplicando os sentimentos de ódio e vingança contra eles.

Fidel Castro Ruz
4 de maio de 2011
20h34.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Tem branca no samba

São poucas as compositoras na música brasileira. São Chiquinha, Dolores, Maysa, Sueli, Ana, Joyce, Fátima, Marisa, Vanessa. Existem outras, mas o número é pequeno quando comparado ao dos compositores. 
No mundo do samba então, o universo é essencialmente masculino. Mas, temos Ivone, Lecy e Teresa. 




E é nesse universo que aparece Adriana Calcanhoto com um disco só com sambas. E isso mesmo, uma branca no samba. Adriana já tinha incursionado pelo samba e com sucesso - Marisa Monte tinha gravado 'Vai saber?' e Teresa Cristina 'Beijo sem'. 
Agora lança um disco Micróbio do Samba.Produzido por Daniel Carvalho,tem ainda Adriana na voz, violão, piano, guitarra, caixa de fósforo, cuíca e bandeja de chá; Alberto Continentino no contrabaixo e Domenicco Lancelloti na bateria e percussão. Conta com o auxílio luxuoso de Davi Moraes, Rodrigo Amarante, Moreno Veloso, Nando Duarte. O tom feminino das letras faz a diferença.
É um feliz encontro de Adriana e o samba.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Código Florestal

PONTOS CRÍTICOS DO RELATÓRIO DO DEPUTADO ALDO RABELO APRESENTADO EM 02 DE MAIO DE 2011


1)      Considera como consolidados desmatamentos ilegais ocorridos até julho de 2008 (Art. 3o III). Entre junho de 96 a julho de 2006 foram + de 35 milhões de hectares desmatados ilegalmente no Cerrado e na Amazônia (12,5 GtCO2).

2)
     Permite consolidação de uso em áreas de preservação permanente de rios de até 10 m de largura (representam mais de 50% da rede de drenagem segundo a SBPC), reduzindo-as na prática de 30 para 15m irrestritamente (art. 36), para pequenas, médias e grandes propriedades.

3)
     Permite autorização de desmatamento por órgãos municipais (art. 27). Teremos 5.564 municípios autorizando desmatamento.

4)
     Permite exploração de espécie florestal em extinção, p. ex. a Araucária, hoje vetada por decisão judicial e por regulação (art. 22).

5)
     Dispensa a averbação da Reserva Legal no cartório de imóveis, substituindo essa medida por um cadastro rural que pode ser "Municipal" mediante a declaração de uma única coordenada geográfica (art. 19).

6)
     Cria a figura do manejo "agrosilvopastoril" de RL. Na prática significa aceitar pastoreio de gado em RL (par. 1o do art. 18) e também em morros.

7)
     Ignora a evidente diferença entre agricultor familiar e pequeno proprietário rural estendendo a este flexibilidades no máximo cabíveis àquele (como por exemplo, anistia de recomposição de reserva legal).

8)
     Retira 4 Módulos Fiscais da base de cálculo de todas as propriedades rurais do País (inclusive médias e grandes) para definição do % de RL. Isso significa, dezenas de milhões de hectares que deixam de ser RL  estarão vulneráveis ao desmatamento ou deixarão de ser recompostos.

9)
     Permite pecuária extensiva em topos de morros, montanhas, serras, bordas de tabuleiros, chapadas e acima de1800m (art. 10).

10)
 Retira do CONAMA poder de regulamentar APPs, e consequentemente revoga todas as resoluções em vigor.  Com isso retirou, por exemplo, a proteção direta aos nossos manguezais, dunas, refúgios de aves migratórias, locais de nidificação e reprodução de fauna silvestre dentre outras. Casos de utilidade pública e interesse social deixam de ser debatidos com sociedade no CONAMA e poderão ser aprovados por decretos (federal, estadual e municipal) sem transparência e debate público.

11)
 Abre para decreto federal, estadual e municipal (sem debate técnico e público) a definição do rol de atividades "de baixo impacto" para permitir novas ocupações em área de preservação permanente (art. 3o, XVII, h).

12)
 Define de interesse social qualquer produção de alimentos (ex. monocultura extensiva de cana ou soja, ou pecuária extensiva) p/ desmatamento em APP (art. 3o, IV, g). Isso permite desmatamento em todo tipo de APP em todo País.

13)
 Suspende indefinidamente a aplicação dos instrumentos de controle ambiental (multas, embargos e outras sanções) por desmatamento ilegal ocorridos até julho de 2008, até que poder público desenvolva e implante Plano de Recuperação Ambiental (PRA) cujo prazo deixou de ser exigido nessa versão do PL (Art. 30).

14)
 Subverte o conceito de reserva legal que passa a ser prioritariamente econômico (exploração) em detrimento do seu valor de conservação e serviço ambiental (Art. 3º XII).

15)
 Suprime APP de pequenos lagos (superfície inferior a um hectare) (art. 3º §4º).

16)
 Incentiva novos desmatamentos em todo País ao criar flexibilidade para a regularização de desmatamentos ocorridos após julho de 2008, inclusive após a entrada em vigor da nova lei, com plantio de espécies exóticas e compensação em outros Estados.


terça-feira, 3 de maio de 2011

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Apoteose do Samba - Silas de Oliveira e Mano Décio da Viola


Por Alfredo Pessoa



Esta música, pela letra, não poderia ter outro título. Vários já gravaram este poema de plurais e ode ao samba combinado com uma bela harmonia: Paulinho da Viola, Marcos Sacramento, Djavan entre outros. De Silas de Oliveira (1916-1972) só se ouve elogios: frequentou as tias baianas, foi da Império Serrano, parceiro de Dona Ivone Lara e é autor de Aquarela Brasileira, Meu Drama e Heróis da Liberdade,gravada também por Maria Rita. Sérgio Cabral, inspirado em Mano Décio da Viola (1909-1984), apelidou Paulo César Batista de Faria de Paulinho da Viola,se o Império tinha um da viola a Portela também tinha que ter o seu. Em 2010 a Império Serrano e a ABI-RJ homenagearam o centenário de Mano Décio. Mano é baiano de Santo Amaro da Purificação, terra de Dona Canô, 102 anos, mas lúcida para corrigir as deselegâncias do filho.

Apoteose do Samba (Silas de Oliveira/Mano Décio de Oliveira)
E7+/9                                                  Gº
Samba, quando vens aos meus ouvidos 
         F#m7   F#m6          E7+/9   
Embriagas meus sentidos, traz inspiração 
Bm7  E7/9             A7+             D7/9           G#7(13) G#7(b13)  
A dolência que possuis na estrutura, é uma sedução 
Db7/9                  F#7(13)         
Vai alegrar o coração daquela criatura 
F#m7       
                              C7             B7                                
Que, com certeza, está sofrendo de paixão 
E7+/9                                         Eº
Samba, soprado por muitos ares 
     F#m7   B7/9       Abm5-/7 Db7/9-
Atravessaste os sete mares, com evolução 
Abm5-/7        Db7/9-             F#m7             Am6  
O teu ritmo quente torna ainda mais ardente 
E7+/9                      Am6                 E7+/9   B7/9-
Quando vem da alma de nossa gente 
     E7+/9                    Db7/9-         F#7(13) F#7(b13)   
Eu quero que sejas sempre meu amigo leal 
F#m7    B7/9 E7+/9 Eb7/9+ Eb7/9- G#mG#m7+G#m7G#m6 
Não me abandones, não.            Vejo em ti o lenitivo ideal 
       F#7(13)         F#7(b13)        F#m7  E7/9  
    
Em todos os momentos de aflição 
A7+               D7/9            G#m7              Dbm7
És meu companheiro inseparável de tradição 
A7                     D7  Db7 
Devo-lhe toda gratidão 
Bbm5-/7(F#m7)  Am6(Gº) G#m7    Db7/9-
Samba eu confesso, és a minha alegria 
       F#7(13)              B7/9           E7+/9
Eu canto pra esquecer a nostalgia 

Plano de Trabalho

Por Antonio Orlando Rodriguez

Segunda-feira,
cortar as unhas
dos duendes;

Terça-feira,
levar o dinossauro
para aula de música;


Quarta-feira,
escrever três histórias alegres
e uma muito triste;

Quinta e Sexta,
deixar em todas as praias,
rios
e lagoas do mundo
garrafas com mensagens assim:
'te amo',
'me dá um presente-surpresa'
'vivam as lagartixas!'

Sábado,
dar um passeio
de tapete mágico
com os(as) meninos(as) do bairro;

E Domingo
dar alpiste
muito alpiste
pros sonhos.


Antonio Orlando Rodriguez,  nasceu em Cuba e é escritor. Publicou numerosas obras para crianças e jovens, entre elas  El rock de la momia, Mi bicicleta es un hada y otros secretos por el estilo, La isla viajera, ¡Qué extraños son los terrícolas! y La maravillosa cámara de Lai-Lai.

Tradução de Luiz Raul Machado

A bênção do pai

por Ronaldo Correia de Brito


Era lei na nossa casa que os filhos homens não podiam chorar. No dia em que fui embora para o Recife senti um aperto no coração, a garganta travou, os olhos encheram-se de lágrimas. Sobravam razões para isso. Ia morar numa cidade grande e desconhecida, não tinha endereço certo e nem havia feito matrícula no colégio. Tudo nebuloso no futuro do menino de dezessete anos que deixava a casa paterna, o paraíso verdejante do Cariri cearense e sua gente acolhedora. Como na canção de Caetano Veloso, minha mãe e meus sete irmãos me acompanharam até a porta. Apertei suas mãos sem dizer uma única palavra, os dentes cerrados. Se deixasse escapar um singelo adeus, o açude represado de lágrimas romperia. Meu pai me olhava firme, vigilante. Com ele planejara largar a vidinha feliz, conhecer outro mundo, tentar a sorte. Traçamos um projeto que eu deveria seguir à risca: me formaria em medicina, levaria os irmãos mais novos ao Recife e ajudaria a educá-los. Árduo compromisso.

Desde o ciclo migratório da década de cinquenta, quando as fazendas sertanejas se esvaziaram dos seus moradores, meus pais compreenderam não existir mais futuro no campo. Largaram o plantio de algodão, os criatórios de gado, as lavouras, e tomaram para si a tarefa de iniciar os filhos numa outra vida. No que dependesse deles, todos nós frequentaríamos a universidade. Sábia escolha do nosso pai, um homem que aprendeu a ler sozinho e atravessou noites brigando com os enigmas do português e da aritmética. Por algum mistério que nunca desvendei, os livros eram objetos de fetiche na família, prestando-se verdadeiro culto aos tios letrados, homens sábios e faladores.

Foi meu pai quem me acompanhou até a garagem do ônibus, pois não existia rodoviária no Crato. Caminhava ao meu lado, solene e silencioso. Um carregador transportava na cabeça minha parca mudança: uma mala de couro e uma caixa de papelão amarrada com cordas de barbante. A mais franciscana pobreza. Eu não enxergava nada à minha frente, os olhos cegos de lágrimas. Lembrei uma história que minha avó me contava, a de três irmãos que abandonam o lar em busca de fortuna. A todos eles o pai perguntou na hora da despedida: – Você prefere muito dinheiro e minha maldição ou pouco dinheiro e minha bênção? Apenas o mais novo escolheu a bênção e pouco dinheiro, alcançando sucesso.

Eu não podia me despedir de meu pai sem um adeus e sem pedir a bênção. Precisava ouvir de seus lábios a fórmula protetora do “Deus te abençoe”. Atravessava a cidade a pé, com a sensação de que me empurravam para o desterro. Nunca um trajeto me pareceu tão longo. Chegamos. O carregador instalou as bagagens no ônibus, recebeu o pagamento e deixou-nos sozinhos com meia hora de espera e constrangimento. Foi uma eternidade. Meu pai apertou minha mão, o máximo de afeto permitido entre nós, não me olhou, de modo que nunca soube o que sentiu naquela tarde. Na família, não existiam trocas de afagos e confidências, apesar dos fortes vínculos que nos uniam. Apertei a mão dele, e consegui pedir a bênção sem chorar. Ele me abençoou e parti sozinho. Sozinho, chorei horas seguidas e tive a primeira de muitas consciências, a de que eu era senhor do meu pranto.

As velhas fórmulas caíram em desuso, já não se pede a bênção a ninguém. Ah! O poder mágico dessa invocação! Toda noite, antes de dormir, escutava os irmãos gritarem dos seus quartos, para o quarto dos pais: A bênção! Só calavam depois que ouviam o “Deus te abençoe”. As três palavras pareciam o pano que nossa mãe estendia sobre as redes, nos protegendo dos respingos da chuva, na casa de telha vã. A fórmula não se referia ao Deus de nenhuma instituição religiosa, era apenas uma graça pacificadora, um sonífero sem droga.

Chegaram os dias em que desprezei os costumes da família, virei o rosto para os velhos que cobravam o pedido de bênção, senti nojo das mãos descarnadas das tias, estendidas para que eu as beijasse. Morreu a geração de bisavôs, depois caíram os avôs e já começaram as baixas nos tios paternos. Quando não restarem vivos na fileira dos pais, assumirei a linha de frente. Todos estarão depois de mim, ninguém mais antes de mim para abençoar-me. Serei eu a abençoar.

Por esses dias, meu filho mais novo viajou para estudar na Inglaterra. Achei que minha história se repetia em condições diferentes e por uma estrada bem mais comprida. Conversei com ele sobre seus projetos para o futuro. Ajudei-o a comprar as passagens, o curso, o seguro saúde, a arrumar a mala. Levei-o ao aeroporto na companhia festiva dos amigos, da namorada, e dos irmãos. Minha mulher e eu éramos as únicas pessoas graves na comitiva.

Meu filho transpôs o portão de embarque, tudo estava certo, não faltava nada. De repente, ele voltou até junto de mim, me estendeu a mão e pediu: A bênção, pai! Pronunciei o “Deus te abençoe” e a ordem do mundo se refez, uma ordem em que se recompõem os elos com o passado, sem nenhuma culpa pelas formas que o presente assume. Não sei o que meu filho sentia, nem em que pensava quando me pediu a bênção. Talvez tenha lembrado a história dos três irmãos, a que minha avó me contava e contei para ele. Todas as experiências do homem são de algum modo análogas, está escrito no Eclesiastes, o livro em que aprendi a ler, ajudado por meu pai.

Ronaldo Correia de Brito é autor de Galiléia, publicado pela Alfaguara

domingo, 1 de maio de 2011

Convite a Roberto Carlos


Via Teresa Cristina
Convite a Roberto Carlos (Chico da Silva)
Eu quero me encontrar um dia desses com Roberto Carlos
O amigo inseparável de Erasmo Carlos
Bater papo e conhecer o seu imenso pa
Eu sei que ele é o grande rei da nossa juventude
É um cara bem famoso, mas também humilde.
Eu muito admiro e me torneio seu fã
Mas isso não é tudo que desejo nesse meu encontro
O meu objetivo é convidar o bicho
Pra subir até o morro e na viola pegar, o samba incrementar.
Eu sei que ele é um cara quente e não vai dar o fora
Recebendo meu convite virá sem demora
Pra mandar aquela brasa que o consagrou
Esse Roberto é terrível não gosta de menina que só fala mal
Só gosta de garota de papo legal
Que usa mini saia e vai ao litoral
Você moro doutor?
Ele já foi negro gato,
Namorou a namorada de um amigo seu
Mandou tudo pro inferno, mas ninguém morreu.
E assistiu a um duelo de um homem mal
O guarda apito porque o seu carro em contra mão estacionou
Roberto essa onda foi muito bacana
Agora eu lhe convido pra subir até o morro você vai adorar
Mas deixe o seu carambeque, sua guitarra venha devagar.
Pra não cansar
Espero lá de cima com a turma da pesada agente amigo irmã
Só quero ver você no samba
Porem já saiba que eu sou seu fã
Esse Roberto é terrível não gosta de menina que só fala mal
Só gosta de garota de papo legal
Que usa mini saia e vai ao litoral
Você moro doutor?
Ele já foi negro gato,
Namorou a namorada de um amigo seu
Mandou tudo pro inferno, mas ninguém morreu.
E assistiu a um duelo de um homem mal