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Agrônomo, com interesses em música e política

domingo, 28 de agosto de 2011

Sou Eu (Ivan Lins / Chico Buarque)

Por Alfredo Pessoa

É a penúltima música cifrada do CD Chico (2011). Esta é a única música do disco que não é inédita. O filho do grande João Nogueira (Diogo) gravou 2 vezes (stúdio e ao vivo) com Ivan e Chico. Longe de ser uma mulher malvada, a dançarina do “Sou Eu” está fazendo o que a menina do “Deixa a Menina” não fez além de sambar, "por trás de um homem triste há sempre uma mulher feliz" mas, no final, "quem é que carrega a moça pra casa"?



Sou Eu (Ivan Lins / Chico Buarque)
[D7M/9(#4)  G7M/9(#4)]  G/A
    
D7M(9)                 F#7(#5) G7M(#11) E7/G#
Na minha mão o coração      balança
                  A6   Bbº    Bm7  B7(b9)
Quando ela se lança no salão
    G/E                 A7(9)          G/E                A7(9)
Pra esse ela bamboleia. Pra aquele ela roda a saia
    G/E                  A7(9)      Gm6  D7M(9)
Com outro ela se desfaz da sandália
                                  F#7(#5)  G7M(#11) E7/G#
Porém depois que essa mulher      espalha
                 A6   Bbº   Bm7 E7(9) 
Seu fogo de palha no salão
        G/E                           A7(9)           
Pra quem que ela arrasta a asa 
         G/E                      A7(9)
Quem vai lhe apagar a brasa
      G/E                        A7(9)    C#m7(b5)  F#7(b13)
Quem é que carrega a moça pra casa

F#m7  F#m6 B7(9) E7/9            
Sou eu                   
      A7(9)                   F#m7 F#m6 B7(9) E7/9 
Só quem sabe dela sou eu
            A7(9)              F#m7 F#m6 B7(9) E7/9  
Quem dá o baralho sou eu                 
             A7(9)       F#m7 F#m6 B7(9) E7/9  G/A D7M/9(#4)
Quem manda no samba sou eu
 
D7M(9)                    F#7(#5)  G7M(#11)     
	O coração na minha mão suspira. 
E7/G#               A6  Bbº Bm7     B7(b9)
Quando ela se atira no salão
       G/E                 A7(9)             G/E                 A7(9)
Pra esse ela pisca um olho. Pra aquele ela roda a saia
           G/E                  A7(9)   Gm6 D7M(9)
Com outro ela quase cai na gandaia.

Porém depois...

F#m7  F#m6 B7(9) E7/9 A7(9)   F#m7 F#m6 B7(9) E7/9  
Sou eu, só quem sabe dela sou eu, 
                      A7(9)              F#m7  F#m6 B7(9) E7/9     
Quem dá o baralho sou eu
                            A7(9)                F#m7 F#m6 B7(9) E7/9  
Quem dança com ela sou eu, 
                           A7(9)                   F#m7 F#m6 B7(9) E7/9
Quem leva este samba sou eu...


sábado, 27 de agosto de 2011

Carta às esquerdas

O Roberto Carlos já cantou. "...cartas já não adiantam mais, quero ouvir a sua voz.. Vou telefonar dizendo que estou quase morrendo de saudade de você... ". Tempos idos. 
Nos últimos tempos passei a colecionar epístolas. É que cada encontro temático ou setorial do campo popular termina com uma. São muitas as cartas. Talvez sejam enviadas a quem de "direito" a espera de respostas.
Abaixo uma cartinha escrita por Boaventura às esquerdas. Não trás novidades mas... é sempre bom saber que tem alguém lembrando  de nós e nos escrevendo.
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Por Boaventura de Sousa Santos

Não ponho em causa que haja um futuro para as esquerdas mas o seu futuro não vai ser uma continuação linear do seu passado. Definir o que têm em comum equivale a responder à pergunta: o que é a esquerda? A esquerda é um conjunto de posições políticas que partilham o ideal de que os humanos têm todos o mesmo valor, e são o valor mais alto. Esse ideal é posto em causa sempre que há relações sociais de poder desigual, isto é, de dominação. Neste caso, alguns indivíduos ou grupos satisfazem algumas das suas necessidades, transformando outros indivíduos ou grupos em meios para os seus fins. O capitalismo não é a única fonte de dominação mas é uma fonte importante.

Os diferentes entendimentos deste ideal levaram a diferentes clivagens. As principais resultaram de respostas opostas às seguintes perguntas. Poderá o capitalismo ser reformado de modo a melhorar a sorte dos dominados, ou tal só é possível para além do capitalismo? A luta social deve ser conduzida por uma classe (a classe operária) ou por diferentes classes ou grupos sociais? Deve ser conduzida dentro das instituições democráticas ou fora delas? O Estado é, ele próprio, uma relação de dominação, ou pode ser mobilizado para combater as relações de dominação?

As respostas opostas as estas perguntas estiveram na origem de violentas clivagens. Em nome da esquerda cometeram-se atrocidades contra a esquerda; mas, no seu conjunto, as esquerdas dominaram o século XX (apesar do nazismo, do fascismo e do colonialismo) e o mundo tornou-se mais livre e mais igual graças a elas. Este curto século de todas as esquerdas terminou com a queda do Muro de Berlim. Os últimos trinta anos foram, por um lado, uma gestão de ruínas e de inércias e, por outro, a emergência de novas lutas contra a dominação, com outros atores e linguagens que as esquerdas não puderam entender.

Entretanto, livre das esquerdas, o capitalismo voltou a mostrar a sua vocação anti-social. Voltou a ser urgente reconstruir as esquerdas para evitar a barbárie. Como recomeçar? Pela aceitação das seguintes ideias.

  • Primeiro, o mundo diversificou-se e a diversidade instalou-se no interior de cada país. A compreensão do mundo é muito mais ampla que a compreensão ocidental do mundo; não há internacionalismo sem interculturalismo. 
  • Segundo, o capitalismo concebe a democracia como um instrumento de acumulação; se for preciso, ele a reduz à irrelevância e, se encontrar outro instrumento mais eficiente, dispensa-a (o caso da China). A defesa da democracia de alta intensidade é a grande bandeira das esquerdas. 
  • Terceiro, o capitalismo é amoral e não entende o conceito de dignidade humana; a defesa desta é uma luta contra o capitalismo e nunca com o capitalismo (no capitalismo, mesmo as esmolas só existem como relações públicas). 
  • Quarto, a experiência do mundo mostra que há imensas realidades não capitalistas, guiadas pela reciprocidade e pelo cooperativismo, à espera de serem valorizadas como o futuro dentro do presente. 
  • Quinto, o século passado revelou que a relação dos humanos com a natureza é uma relação de dominação contra a qual há que lutar; o crescimento econômico não é infinito. 
  • Sexto, a propriedade privada só é um bem social se for uma entre várias formas de propriedade e se todas forem protegidas; há bens comuns da humanidade (como a água e o ar). 
  • Sétimo, o curto século das esquerdas foi suficiente para criar um espírito igualitário entre os humanos que sobressai em todos os inquéritos; este é um patrimônio das esquerdas que estas têm vindo a dilapidar. 
  • Oitavo, o capitalismo precisa de outras formas de dominação para florescer, do racismo ao sexismo e à guerra e todas devem ser combatidas.
  • Nono, o Estado é um animal estranho, meio anjo meio monstro, mas, sem ele, muitos outros monstros andariam à solta, insaciáveis à cata de anjos indefesos. Melhor Estado, sempre; menos Estado, nunca.
Com estas ideias, vão continuar a ser várias as esquerdas, mas já não é provável que se matem umas às outras e é possível que se unam para travar a barbárie que se aproxima.

Boaventura de Sousa Santos é sociólogo e professor catedrático da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra (Portugal).

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

do Talabarte - Atonais (1)

Do blog Talabarte -http://talabarte.blogspot.com - Muito bom.


Livros substituem publicitários.

http://talabarte.blogspot.com/2011/08/atonais-i.html

Deputado pede audiência pública sobre censura da Folha e convida Otavinho pra falar no Congresso

O deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS) propôs na Comissão de Legislação Participativa da Câmara dos Deputados (da qual faz parte) a realização de uma audiência pública para debater o que ele chamou de “silêncio da mídia no caso de censura imposta pelo Jornal Folha de São Paulo ao site Falha de S. Paulo”. Pimenta apresentou o requerimento aos demais deputados da comissão e aguarda agora sua avaliação para que, em caso de aprovação, se marque uma data e seja feito os convite para os debatedores. Do lado da Falha o deputado propõe convidar os dois irmãos criadores do site, Lino e Mario Ito Bocchini. Do lado da Folha, ele quer chamar para debater a censura em Brasília Otávio Frais Filho Otávio Frias Filho (dono da Folha ao lado de seu irmão Luís), Sérgio Dávila (diretor de redação do jornal), Taís Gasparian (advogada que criou e assina a peça de censura) e Vinicius Mota (Secretário de Redação da Folha. Confira abaixo a íntegra do requerimento, que também pode ser conferido aqui (uma vez na página, clique em “inteiro teor”):.
.
Requer a realização de audiência pública para debater o silêncio da mídia no caso de censura imposto pelo Jornal Folha de S. Paulo ao site www.falhadespaulo.com.br
“Senhor Presidente,

Chique esse requerimento da Falha com timbre né?
Requeiro, nos termos do Art. 24, Inciso III, combinado com o Art. 255, do Regimento Interno da Câmara dos Deputados, sejam convidados: Lino Boccchini; Mario Ito Bocchini, Otávio Frias Filho, proprietário do Jornal Folha de São Paulo; Sérgio Dávila, diretor de redação do Jornal Folha de São Paulo; Taís Gasparian, advogada do Jornal Folha de São Paulo; Vinicius Mota, secretário de redação da Folha de São Paulo.
JUSTIFICATIVA
Em setembro de 2010, os irmãos Mário e Lino Ito Bocchini criaram o blog Falha de S.Paulo, uma paródia ao maior jornal do Brasil, a Folha de São Paulo. O site fazia críticas ácidas ao noticiário da Folha. Após um mês no ar, o jornal entrou na Justiça para censurar o blog, e conseguiu. Além de cassar o endereço na web, a Folha abriu um processo contra os criadores do site, pedindo indenização em dinheiro por danos morais.
O jornal alega “uso indevido de marca”, por causa da semelhança entre os nomes Folha e Falha e porque o logotipo do site era inspirado no do jornal. A censura de um blog, ainda mais seguida de um pedido de indenização, é uma ação judicial inédita no Brasil. Por conta disso, os irmãos Bocchini estão recebendo muita solidariedade de blogueiros e ativistas em defesa da liberdade de expressão de todo país, figuras públicas como o ex-ministro Gilberto Gil gravaram depoimentos condenando a censura e o processo da Folha. No exterior, Julian Assange (criador do Wikileaks), e a organização Repórteres sem Fronteiras, entre outras, já condenaram publicamente a censura. Mesmo assim, no Brasil o assunto continua sendo boicotado por jornais, rádios, TVs e revistas. A própria Folha só noticiou o caso após 4 meses, e mesmo assim porque foi duramente cobrada por sua ombudsman, que por sua vez estava sendo duramente cobrada pela blogosfera há meses.
Portanto, propomos a realização deste debate para, em primeiro lugar, sendo o parlamento um ambiente de participação social e democrático, oportunizarmos que sejam colocados nessa discussão a versão dessas pessoas que não tem acesso à grande mídia, por imposição editoriais, pessoais e econômicas. Além disso, nossa intenção é avançar em direção à discussão de uma prática que vem se constituindo em meio recorrente de alguns grupos de comunicação no Brasil, que é a utilização de mecanismos, que outrora condenavam, de modelos de censura, hoje, praticados justamente pelas mãos de quem diz viver da liberdade de expressão.
Sala da Comissão, em___ de agosto de 2011.
Deputado Paulo Pimenta – PT/RS”

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Feito em Casa apresenta Show "Tempo de Amor"

Serviço:
Local - Mistura Cenários - Rua Barão de Aracati 1240 - Aldeota (Próx à Av. Santos Dumont)
Data - 25 de Agosto de 2011
Horário - 20,30 horas

AMY não usou drogas ilícitas antes de morrer

 e agora? 
Como ficam os juízos apressadinhos que foram feitos sobre a morte de Amy?
Testes revelaram que cantora bebeu álcool / Leon Neal/AFP
Da Redação entretenimento@band.com.br

Os testes toxicológicos realizados durante a autópsia do corpo Amy Winehouse revelaram que a cantora não usou drogas ilícitas antes de morrer, informaram agências de notícias internacionais nesta terça-feira, dia 23.
O resultado foi divulgado à imprensa por um representante da família da cantora. Segundo os familiares da estrela, os exames detectaram indícios de álcool, mas não se sabe se a bebida foi a causadora de sua morte.
Apesar dos resultados, o motivo da morte de Amy Winehouse, ocorrida no dia 23 de julho, ainda não foi estabelecido.
http://www.band.com.br/entretenimento/musica/noticia/?id=100000451340


Amy Winehouse Toxicology Test Results Reveal No Illegal Drugs In Singer's System At Death




LONDON — Amy Winehouse had no illegal drugs in her system when she died, and it is still unclear what killed the singer, her family said Tuesday. The family said in a statement that toxicology tests showed "alcohol was present," but it hasn't yet been determined if it contributed to her death.

The 27-year-old soul diva, who had battled drug and alcohol addiction for years, was found dead in her London home on July 23, and an initial post-mortem failed to determine the cause of death.

A statement released by spokesman Chris Goodman on the family's behalf said "toxicology results returned to the Winehouse family by authorities have confirmed that there were no illegal substances in Amy's system at the time of her death."

It said the family awaited the outcome of an inquest that is due to begin in October.

Winehouse's father, Mitch, has said his daughter had beaten her drug dependency three years before her death, but he admitted she was still struggling to control her drinking after several weeks of abstinence.

Mitch Winehouse told mourners at the singer's July 26 funeral that she had said to him, "`Dad I've had enough of drinking, I can't stand the look on your and the family's faces anymore.'"

The Winehouse family announced plans to establish a charitable foundation in the singer's name to help people struggling with addiction – although Mitch Winehouse has said the plans are on hold because someone else had registered the name Amy Winehouse Foundation.

http://www.huffingtonpost.com/2011/08/23/amy-winehouse-toxicology-report-revealed-no-drugs_n_934081.html?ref=tw

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

RUBATO - Jorge Helder e Chico Buarque

por Alfredo Pessoa


Rubato em Italiano quer dizer roubado. É a história de um compositor roubando a música do outro. Numa das histórias sobre samba, Heitor dos Prazeres acusou Sinhô de ter se apropriado da música "Gosto que me Enrosco". Sinhô respondeu que música é que nem passarinho, é de quem pegar primeiro. Rubato também refere-se a antecipação do andamento musical numa estrofe para compensar em outra. Enfim, mais uma que o baixista Jorge Helder emplaca com Chico Buarque. É uma marchinha com bom arranjo, muitas e muitas notas, difícil de cifrar e de executar.


Rubato (Jorge Helder/Chico Buarque)


Gm7(9) (A7M A7M/E)
Am7(b6) Am7 Bm7(b6)
Aurora, eu fiz agora
Bm7 Am7(b6)
Venha, Aurora, ouvir agora
Am7 Bm7(b6) Bm7
A nossa música
Cm7(b6) Cm7          Bbm6 Bº Fm7(9)
Depressa, antes que um outro compositor
G(b13)/F Cm7(9) Cm/Bb Am7(9/b5) D7(#9/b13)
Me roube e toque e troque as notas no songbook
G4(7) Fm6/Ab Abº C#7/G# F#m7(b6)
E estrague tudo e exponha na tele--------visão
F#m7 Am6/E
O nosso amor
B7(b9)/Eb Ab6/Eb Abm6/Eb Bm6/D Bb7(b9)/D
A nossa ín-----ti-----ma canção
F#7(9)/Db Am6(7M)/C
Os nossos segredos escancarados 
B7(b9) E7M(9) C#m/E Bb7(b5)
Nos trinados de um ladrão
Abº C#7/G# F#m7(b6) F#m7 Am6/E
Que vai canta----ndo sem pu---dor
B7(b9)/Eb Ab6/Eb Abm6/Eb Bm6/D Bb7(b9)/D
A minha úl---ti----ma canção
F#7(9)/Db             Am6(7M)/C
Venha, meu amor, venha ouvir, Aurora
G#7(b9)/E Bb7(b5)
A nossa mú----si----ca

Mas só se for agora
Venha ouvir sem mais demora a nossa música
Que estou roubando de outro compositor
E já retoco os versos com maior talento
Dou um polimento e exponho na televisão
O nosso amor
A nossa íntima canção
As nossas mais tórridas confidências
Para audiências mundo afora
E vai lançar seu nome, Amora
A minha última canção
Venha, meu amor, venha ouvir, Amora, a nossa música
O nosso amor
A nossa íntima canção
Com nossos segredos, os mais picantes
Nos rompantes de um tenor
Que vai cantando com tremor
A minha última canção
Venha, meu amor, venha ouvir, Teodora
G#7(b9)/E
A nossa mú----si----ca
B7(b9/6) E7M(9/4M)
A nossa música

Gm7(9) = 353335
A7M = X02120
A7M/E = 0X2120
Am7(b6) = X03010
Am7 = X02010
Bm7(b6) = X25232
Bm7 = X24232
Cm7(b6) = X36343
Cm7 = X35343
Bbm6 = 6X566X
Bº = 6X565X
Fm7(9) = 13X143
G(b13)/F = XX3443
Cm7(9) = X3133X
Cm/Bb = X1101X
Am7(9/b5) = 56550X
D7(#9/b13) = X54311
G4(7) = 3X353X
Fm6/Ab = 4X353X
Abº = 4X343X
C#7/G# = 4X342X
F#m7(b6) = 25222X
F#m7 = 24222X
Am6/E = 07757X
B7(b9)/Eb = X6757X
Ab6/Eb = X6656X
Abm6/Eb = X6646X
Bm6/D = X5647X
Bb7(b9)/D = X5646X
F#7(9)/Db = X4635X
Am6(7M)/C = X36252
B7(b9) = 7X754X
E7M(9) = 07687X
C#m/E = 0X665X
Bb7(b5) = 6X675X
G#7(b9)/E = 0X424X
B7(b9/6) = 7X7544
E7M(9/4M) = 076876

“A arquitetura ainda me convoca com toda a força”, diz Oscar Niemeyer

por Bruno Yataka Saito

Segundo relatos da história, Napoleão teria dito que, dentro da imponente catedral de Chartres, um dos principais exemplos da arquitetura medieval, até os ateus se sentiam desconfortáveis. Nascido em 15 de dezembro de 1907, Oscar Niemeyer não teve a chance de contradizer pessoalmente o imperador francês (1769-1821) sobre a atmosfera proporcionada por uma igreja.

Para este arquiteto ateu “desde muito cedo”, igrejas nunca o fizeram cogitar a possibilidade de existência de Deus. Suas convicções, no entanto, não o impedem de projetar várias construções ligadas ao sagrrado.

O livro “As Igrejas de Oscar Niemeyer”, que será lançado amanhã (dia 23), reúne imagens e desenhos dessas 16 obras (executadas de fato ou não), como a Catedral de Brasília, o templo da Igreja Adventista do Sétimo Dia (Paricatuba, PA) e a famosa Igreja da Pampulha (Belo Horizonte, MG).

Inaugurada em 1943, a construção em Minas Gerais causou certo desconforto local à época devido, entre outros fatores, às suas formas inovadoras. Em Pampulha, Niemeyer mostrou as diretrizes de seu trabalho posterior. Forma e estrutura são um elemento apenas, em que o concreto revela-se plasticamente flexível, resultando em uma construção ousada e sinuosa para a época. Durante anos os cultos foram proibidos na Igreja da Pampulha.

Aos 103 anos, Niemeyer é uma das principais referências de Brasil para o mundo, admirado não apenas por arquitetos e não apenas pela idade. Este carioca é de uma época anterior a iPhone, internet e televisão, de um tempo em que o homem ainda não tinha chegado à Lua e que duas guerras mundiais encontraram espaço para explodir. Viu as turbulências do Brasil, Getulio Vargas, Juscelino Kubitschek, ditaduras e Fernando Collor, mas continuou firme na sua crença no PT.

“Vivemos um momento importante. Não posso avaliar se este seria o mais promissor de nossa história... Tenho a certeza de que houve avanços sociais relevantes graças ao empenho do presidente Lula”, afirma Niemeyer.

Se levarmos em conta o benefício da aposentadoria por idade, aos 65 anos para os homens, faz 38 anos que Niemeyer trabalha a mais, já que descarta a possibilidade de parar. As ideias e os pensamentos seguem contínuos, como mostra nesta entrevista exclusiva ao Valor.

Valor: Nunca cogitou a possibilidade de acreditar em Deus?

Oscar Niemeyer: Eu defini essa minha posição em relação à religião desde muito cedo, apesar das minhas origens familiares católicas. Na introdução que escrevi para o livro “As Igrejas de Oscar Niemeyer”, procurei lembrar que na casa dos meus avós maternos em Laranjeiras minha avó organizava missas todos os domingos, a que muita gente assistia. Eram pessoas de muito boa índole, solidárias e generosas, acima de tudo tementes a Deus.

Valor: Qual a diferença entre projetar uma igreja e outros tipos de construções? O fato de a igreja ser um lugar sagrado para seus frequentadores interfere no modo como o sr. idealiza o projeto?

Niemeyer: Sempre apreciei esse tema, procurando responder, com a minha fantasia de arquiteto, a tal identificação que muitos fazem desses templos religiosos como lugares do sagrado. Isso tudo sem que eu tenha alguma crença dessa ordem.

Valor: A sua fé no comunismo nunca se abalou? O sr. acredita que os modelos de esquerda vigentes na Venezuela, em Cuba e na China são eficazes? Niemeyer: Continuo a defender a mensagem básica que é possível reconhecer nos escritos de Marx – a sua confiança no advento de uma sociedade mais justa e mais fraterna. Aprecio muito a coragem política e a capacidade de resistência ao imperialismo dos EUA de líderes como Fidel – em primeiro lugar – e Chávez... Não sou cientista político; portanto, não posso avaliar “tecnicamente” o grau de eficácia do modelo político adotado na Venezuela e na China.

Valor: O sr. está gostando do governo de Dilma Rousseff ou preferia o governo do Lula? Por quê?

Niemeyer: Estou gostando bastante do governo da presidente Dilma. Acho prematuro fazermos comparações entre este e a gestão de Lula – um líder inconteste do povo brasileiro a quem admiro profundamente.

Valor: Os casos de corrupção que acontecem atualmente e aconteceram no governo abalaram a sua confiança no PT?

Niemeyer: Atenção, há outros partidos ou integrantes de partidos diversos do PT envolvidos em esquemas de corrupção que vêm sendo desmascarados...

Valor: O Brasil está preparado para receber uma Copa do Mundo e uma Olimpíada?

Niemeyer: Acho que sim. É bem verdade que caberá a nossos dirigentes políticos assegurar as condições de realização dos grandes eventos desportivos a terem lugar.

Valor: O sr. pensa em aposentadoria? O que o motiva a continuar trabalhando?

Niemeyer: Que é isso? A arquitetura ainda me convoca, com toda a força, e permanece este meu entusiasmo em prosseguir, realizando esta arquitetura diferente, tão pessoal, que tenho defendido desde o projeto da igrejinha de São Francisco de Assis na Pampulha. Projeto que, aliás, se encontra bem destacado no meu novo livro sobre as igrejas.

Valor: Como o sr. avalia o governo Barack Obama? Acredita que a atual crise econômica nos EUA indica a falência de um modelo?

Niemeyer: Os Estados Unidos enfrentam nova crise – recorrente – que tem marcado a história do capitalismo. É evidente que todo o quadro presente me preocupa... até porque o aprofundamento de tal crise deverá afetar os países emergentes, a exemplo do Brasil.

Valor: Como o ideal comunista do sr. se traduz nos seus projetos?

Niemeyer: Considero que não existe essa conexão de que vocês falam. Mas é evidente que os meus projetos têm por objetivo garantir a todos que visitam as minhas obras – independentemente de sua classe ou status social – um momento de surpresa, que é possível associarem a minha busca permanente da beleza e da invenção. Valores que podem ser apreciados por todo mundo.

http://www.valor.com.br/cultura/982458/%E2%80%9C-arquitetura-ainda-me-convoca-com-toda-forca%E2%80%9D-diz-oscar-niemeyer

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Porque Hoje é Sexta - Nora Ney



De Cigarro em Cigarro (Luiz Bonfá)

Arranjo e Orquestra - Maestro Nicolino Cópia

Vivo só sem você
Que não posso esquecer
Um momento sequer
Vivo pobre de amor
À espera de alguém
E esse alguém não me quer
Vejo o tempo passar
O inverno chegar
Só não vejo você
Se outro amor em meu quarto bater
Eu não vou atender
Outra noite sem fim
Aumentou meu sofrer
De cigarro em cigarro
Olhando a fumaça no ar se perder
Vivo só sem você
Que não posso esquecer
Um momento sequer
Vivo pobre de amor
À espera de alguém
E esse alguém não me quer
Vejo o tempo passar
O inverno chegar
Só não vejo você
Se outro amor em meu quarto bater
Eu não vou atender
Vivo só sem você


Baqueta convida Luxo da Aldeia


Olá, pessoal! A convite do pessoal do Baqueta Clube de Ritmistas, o  Bloco Luxo da Aldeia fará uma apresentação na Festa Azul e Lilás, que acontecerá no dia 27 de agosto, sábado, na própria sede do bloco Baqueta. Os ingressos para esta festa você pode comprar antecipadamente nas lojas Taco Benfica e Aldeota. Quem não pôde ir à festa do Luxo da Aldeia no Vila Camaleão terá uma nova chance de curtir um pouquinho mais até chegar o (pré)carnaval.



Serviço:
Local - Rua Dragão do Mar, 286
Data - 27 de Agosto de 2011
Horário - das 19 as 22 horas
Vendas antecipadas - Lojas Taco - Benfica e Aldeota

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

O PINTINHO CEGO

Lembrança da Nova Seleta, poemas lidos na infância que a www faz reviver.


O Pintinho cego
de Olegário Mariano


É ridículo, não nego:
Mas como me comovia
Aquele pintinho cego
Que eu criava e não me via.

O meu cuidado primeiro,
Quando cansado chegava,
Era indagar do caseiro
Meu ceguinho como estava.

E ele que vivia a sós,
Num momento aparecia.
Certamente conhecia
O timbre
 da minha voz.

Vinha vinda e tateando
Pela grama do jardim.
Abaixava-se piando
A esperar com alegria
A festa que eu lhe fazia
Quando o tinha junto a mim.

Uma vez... (se bem me lembro
Era o mês de dezembro)
Pus a criadagem tonta...
Ninguém dele dava conta.

Fiquei louco, furibundo
,
Pus em campo todo mundo,
Gente corria assustada
Pelo jardim, pela estrada,

Até que o acharam com frio,
Longe, num campo baldio,
Tonto, sem poder voltar.
O seu caminho de volta
Era escuro e misterioso
Como uma noite sem luar.

Então resolvi prende-lo:
Fiz-lhe uma casa de palha
E a todo instante ia vê-lo.
Desse modo procurava
Dar-lhe paciência e esperança
Enquanto ele era criança,
Para aguardar o futuro
Mais escuro que o esperava.

Mas o destino, na trama

Como a aranha o prendeu.

O caseiro resolveu
Soltá-lo um pouco na grama...
E ele desapareceu.

Quando no fim de semana
Voltei à minha choupana..
.
Vinha feliz! Mal sabia
Que ele não mais existia.

E me acreditem, não nego,
Chorei com pena e saudade
Daquele pintinho cego
Que não via a claridade
Do sol que ilumina o dia,
Que dá vida a todos nós,
E entanto me conhecia
E era feliz quando ouvia
O timbre da minha voz.


O bom humor de Fidel Castro




 Fidel Castro 



Saltillo é uma cidade do México capital do estado de Coahuila. Sua população é de 648.929 habitantes, e com de 725.259 na sua área metropolitana. Localizado na região sudeste, a 75 quilômetros a oeste de Monterrey, do estado de Nuevo León, e 400 km ao sul da fronteira com o Texas, do Estados Unidos.

Nesta cidade existe um jornal chamado Vanguardia (http://www.vanguardia.com.mx).  E no tal jornal 
existe um articulista chamado Jesus R. Cedillo.

"Escritor e jornalista, ele publicou nos principais jornais e revistas no México.  Já publicou vários livros de poemas, incluindo: Apresentação de um raio e Elogio da fruta."

"Atualmente está preparando o volume de ensaios: As formas do fogo e do livro de poemas, O Livro dos Reinos. É dedicado ao jornalismo e literatura tempo integral. Ele estudou teologia."


Pois não é que indigitado escreveu um artigo chamado "Rumor Verdadeiro" desancando Fidel e Chavez e desejando-lhes as mortes, quicá imediata.

Mas "last but nor least", o comandante Fidel "tuíta" o tal artigo para os seus 31.500 seguidores. Resultado: me fez saber que existe um jornalista reacionário numa cidade mexicana chamada Saltillo. 
Nenhuma novidade pois articulistas reacionários também os temos na terrinha.

A novidade? O bom humor do comandante. 



 Fidel Castro