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quarta-feira, 28 de março de 2012

Ademilde Fonseca * 1921 - 2012

Lula

Via Tiago Porto

Millôr Fernandes

Por Millôr Fernandes



Fábulas Fabulosas
O Rei está salvo

No salão Grená, a pequena multidão de nobres espera nervosamente a entrada de Sua Majestade. É dia do aniversário do Supremo Mandatário e Ele vai dirigir a palavra a seus cidadãos, concitando-os a mais um esforço pelo desenvolvimento do país.
Alguns radicais exigem a reforma dos feudos, mas as rédeas estão seguras nas mãos fortes que cuidam da Pátria. De repente há um frêmito entre as pessoas, o Mestre de Cerimônias bate com o bastão no chão e anuncia Sua Majestade, pepino, o Longo.
Sua Majestade entra e vai desfilando lentamente por entre os nobres, se encaminhando para o elevado do trono. Quando, porém, coloca o pé no degrau do trono, um menininho, que estava perto, arregala os olhos e fala, alto bastante para que a sala toda, mergulhada em emocionado silêncio, ouvisse: "Mamãe, mamãe, o Rei está nu!"
Imediatamente, enquanto o tumulto toma conta do ambiente, o serviço de segurança de Sua Majestade agarra o menino e a mãe e os arrasta para fora da sala.
E, sem perda de tempo, um arauto sobe ao palanque do trono e, com voz pausada, lê uma comunicação: "Cidadãos, pela presente o departamento de pesquisas químicas de Sua Majestade avisa que conseguiu fabricar um tecido, com o qual Sua Majestade está vestido nesse momento, tecido esse de beleza e resistência excepcionais, mas que é completamente invisível para qualquer subversivo."
MORAL: OLHE BEM PARA O DESENHO. VOCÊ ACHA QUE O REI ESTÁ NU OU ESTÁ VESTIDO?

Millôr Fernandes


CORDEL - AS ARMADILHAS DAS CISTERNAS DE PLÁSTICO

Rogaciano Oliveira
Por Rogaciano Oliveira
rogacianoo@gmail.com


AS ARMADILHAS DAS CISTERNAS DE PLÁSTICO

Conviver no semi-árido
Com paz e dignidade,
Água, terra e alimento
Uma vida de verdade
Sem pobreza e sem miséria
Uma outra realidade.

Durante quase dez anos
Tem sido essa a missão
Da ASA que demonstrou
Que a articulação
Por uma vida mais digna
Transformou a região.

A Articulação no
Semi-Árido brasileiro
ASA, como é conhecida
Com um programa pioneiro
Conviver no semi-árido
Objetivo primeiro.

A construção de cisternas
De placas, uma novidade
Que permite acumular
Uma água de qualidade
Para que cada família
Tenha mais dignidade.

Uma importante estratégia
Pra conviver no sertão
Da água que vem da chuva
Fazer a captação
Numa cisterna de placas
Guardar para outra estação.

Tornou-se política pública
Pelo governo, adotada
Essa tecnologia
Foi logo disseminada
Meio milhão de cisternas
Com água acumulada.

E a cisterna calçadão
Outra tecnologia
Que permite a população
De uma forma mais sadia
Segurança alimentar
Respeito e autonomia.

A Asa vem construindo
Quase quatrocentos mil
Cisternas de placas que
Vem transformando o perfil
E revolucionando o
Semi-Árido do Brasil.

Com a cisterna em casa
Mulheres têm atitude
Bebendo água potável
E as crianças com saúde
Sem andar quase uma légua
Prá pegar água em açude.

A estratégia da ASA
Não é só a construção
Das cisternas, mas também
Um Programa de Formação
E Mobilização Social
Prá conviver no sertão.

As famílias no processo
Tem todo envolvimento
Pedreiros, capacitados
Ganhando conhecimento
E toda a comunidade
Com seu empoderamento. 

Sem esquecer a gestão
E o controle social
Dos recursos hídricos, que
É coisa essencial
Lembrando que a água é
Um recurso natural.

Esse trabalho da ASA
Teve reconhecimento
Do ex-presidente Lula
Que com seu desprendimento
Premiou este programa
Pelo seu merecimento. 

Porém, esta experiência
Está hoje ameaçada
Pela cisterna de plástico
De PVC fabricada
Por uma empresa privada
Que não quer saber de nada.

O programa água para todos
Que Dilma quer implantar
Define que as cisternas
Vai se universalizar
Porém, o processo é outro
Sem o povo participar.

Cisternas serão de plástico
De PVC construída
Fabricada por empresas
De forma não sugerida
A empresa é quem faz tudo
A população excluída.

As técnicas de construção
Uma empresa é quem domina
A família só recebe
Sem participar da sina,
Com os princípios democráticos
Essa prática não combina.

A cisterna de PVC
Sai por um custo elevado
Custa o dobro que o de placas
Além de deixar de lado
Pedreiros, pois o recurso
Para a empresa é repassado.

A experiência comprova:
Essa cisterna é inconstante
Muitas delas derreteram
Duma forma extravagante
Não suportaram o calor
Do nosso sol causticante.

Por isso nós somos contra
As cisternas de PVC
Cujo processo é fechado
Exclui ela, eu e você
Das decisões de empresários
A gente fica à mercê.

O povo sem participar
Famílias sem autonomia
Dependendo das empresas
Pois a tecnologia
Dessas cisternas de plástico
Nega a soberania.

Vamos lutar pra que Dilma
Que é nossa presidenta
Não apóie esse projeto
Que exclui e que concentra
Cisterna antiecológica.
O povo não aguenta.

É lamentável o governo
Descartar a ASA agora
Rompendo essa parceria
Todo processo ignora
Negando uma caminhada
De quase dez anos à fora.

Assim pode se apagar
Da noite para o dia
Exitosa experiência
Que tanta coisa irradia
Participação social,
Respeito e cidadania.

Lutamos pela defesa
De mais participação
As famílias envolvidas
Discutindo a gestão
Dos nossos recursos hídricos
Numa nova dimensão.

Por isso nós somos contra
E devemos protestar
Porque o capitalismo
Só quer é nos explorar
Essas cisternas de plástico
Precisamos rejeitar.

Queremos é construir
Um semi-árido mais justo
Com paz e solidariedade
Para vivermos sem susto
Sem a idéia mesquinha
Do lucro a qualquer custo.

Lutar por água e por vida 
É nossa principal ação 
Que o tema semi-árido 
Esteja na educação 
Difundir as experiências 
De conviver no sertão. 

Se quiser ser sustentável 
Qualquer proposta ativa 
Promove a cidadania 
Com ação educativa, 
Atitude democrática, 
Gestão participativa. 

Conviver no semi-árido 
É possível e é viável 
Com água de qualidade 
E alimento saudável 
Construindo dia-a-dia 
Um planeta sustentável. 

Seguiremos nessa luta
Contra a opressão terrível
Conquistar nossos direitos
É nosso sonho plausível;
Uma nova sociedade,
De justiça e igualdade:
Um outro mundo é possível.

terça-feira, 27 de março de 2012

Elis Regina - Mosaicos parte 2

Ivan Lessa: A volta do vinil



Um grande jornalista. Foi da turma do Pasquim. Vive em Londres há anos. O texto é de 2005. 

Para Alan Morais


Por Ivan Lessa

Era um ritual simples e gostoso. Você tirava o bichinho da capa, punha no prato da vitrola, pegava a pequena alavanca do braço (ou pick-up), virava para o lado que queria (78 ou 33 e 45) e, com cuidado, deixava pousar no sulco do disco.

Daí ficava curtindo o som gordo e amigo. E, às vezes tinha uns estalinhos ou chiado. Igualzinho à vida. E tome polca, com ou sem Adelaide Chiozzo. Ou valsa, samba, chorinho, fox-trot, Bach, Beethoven, Mozart.

Nessa desordem que chamam de progresso, se fué o vinil. Digitalizamo-nos. Viramos vítimas das “armas espertas” daqueles que manobram a tecnologia das indústrias.

Fomos invadidos como um Iraque e nos deram até o relativíssimo poder de decidir nossa constituição. Contanto, é lógico, que não fosse analógica e em vinil.

Não satisfeitos, tacaram o MP3. Nome que bem define o torpedo arrasador que nos acabou com a vida. Nem vou falar das capas dos LPs. Uma arte que também acabou.

Capinhas dos 45 rotações, agora chamados de singles, como corretores safados registrados com nome falso em motel, também dava para virar arte. Bastaria imaginação e engenho.

Tudo acabado, como cantava Dalva de Oliveira. Mas acabado mesmo?

Não é o que informa a BPI, ou seja, a Indústria Fonográfica Britânica (eles morrem de vergonha desse “fonográfica”). O vinil está voltando. Feito Madonna, para ficar numa comparação desagradável porém inteligível ao grande público.

Dizem os números que as vendas dos singles aumentaram em 87,3%. E mencionam o cidadão Paul Weller que vendeu 55,44% em CD e 38,56% em vinil. Que bom para o vinil. Tanto se me dá o tal de Weller.

Por fim, a HMV, a maior rede de lojas de discos do Reino Unido, vem se gabando de que nunca vendeu tanto vinil quanto neste ano, agora, neste século que nos põe para rodar na vitrola. Ou fonógrafo. Ou toca-discos. Ou aparelho de som. Qualquer coisa. Contanto que seja em vinil.

Um dia, ainda chegaremos a Artie Shaw, Charlie Parker, Sarah Vaughan, por aí. Tudo em vinil.

http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2005/11/051130_ivanlessa.shtml

sábado, 24 de março de 2012

Thais Gulin - Show em Fortaleza

Por Marcus Vinicius

Thais Gulin esteve em Fortaleza em fevereiro de 2012. No dia 5, um domingo, numa programação de-Férias da Prefeitura de Fortaleza. Fez um belo show no anfiteatro da beira-mar. O registro em fotos. 























Alexandre Nero -

Por Marcus Vinicius

Alexandre Nero canta "Não aprendi dizer adeus" de Leandro e Leonardo





Não aprendi dizer adeus (Leandro e Leonardo)

Não aprendi dizer adeus
Não sei se vou me acostumar
Olhando assim nos olhos teus
Sei que vai ficar nos meus
A marca desse olhar

Não tenho nada pra dizer
Só o silêncio vai falar por mim
Eu sei guardar a minha dor
Apesar de tanto amor vai ser
Melhor assim
Não aprendi dizer adeus mas
Tenho que aceitar que amores
Vem e vão são aves de Verão
Se tens que me deixar que seja
Então feliz
Não aprendi dizer adeus
Mas deixo você ir sem lágrimas
No olhar, se adeus me machucar
O inverno vai passar, e apaga a cicatriz.(bis)

A pressão continua

Por Júlia Lopes

A ministra da Cultura voltou a ser tema do noticiário essa semana – não que estivesse se ausentado permanentemente. Pelo contrário: a gestão tem sido fartamente questionada. Essa semana, porém, algo bastante raro se deu: foi possível ouvir a Ana de Hollanda. Poucas vezes ela aparece para conversas mais demoradas, e tem negado entrevistas sistematicamente (salvo quanto tem a certeza de que não será questionada).

No último dia 21, a ministra se reuniu com os parlamentares da Comissão de Educação e Cultura para apresentar os projetos do MinC para 2012. Durante a audiência, ela falou por quase uma hora. Na pauta, projetos como o PAC das cidades históricas e a reforma do Teatro Brasileiro de Comédia. Sobre cultura digital e reforma da lei dos direitos autorais, Ana foi bem econômica. E enfática: “O MinC tem que ter uma preocupação com a preservação e com a condição de se produzir culturalmente sem que isso seja copiado como se não tivesse trabalho investido. Isso vai matar a produção cultural brasileira”.

As redes sociais vieram abaixo. Na Internet, ganhou ainda mais força o manifesto assinado por Marilena Chauí e Eduardo Viveiros de Castro, entre outros – em que o grupo pede a saída da ministra. Estamos, diz o texto, a “constatar a decadência do protagonismo do Governo Federal na área da política cultural, com a trágica perda de capacidade para gerar consensos mínimos e coordenar o desenho de horizontes para os inúmeros segmentos que estavam sendo reconhecidos pelo governo Lula”. (Aqui: http://migre.me/8oAL5 )

O quadro se agrava já que desde o começo do mês são veiculadas notícias sobre fraudes e abusos do Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad).
No site Farofafá, o jornalista Jotabê Medeiros publicou documentos do MinC em que há uma clara defesa do órgão, (http://migre.me/8ozEY) imune de fiscalização pública desde o governo Collor. Algo sempre negado pela Ministra.
http://www.opovo.com.br/app/opovo/opiniao/2012/03/24/noticiasjornalopiniao,2807845/a-pressao-continua.shtml

quinta-feira, 22 de março de 2012

Zé Celso questiona decisão de Chico de vetar encenação de 'Roda Viva'

Pedro Alexandre Sanches/ESPECIAL PARA O ESTADO

Escrito pelo compositor Chico Buarque e levado aos palcos em janeiro de 1968 pelo encenador José Celso Martinez Corrêa, o musical Roda Viva é visto como um dos mitos fundadores da cultura brasileira contemporânea. Ainda assim, pouquíssimos brasileiros tiveram a oportunidade de conhecer o texto da peça e presenciar uma montagem sua. Chico tem vetado qualquer reencarnação de Roda Viva. Lançado em 1968 pela (extinta) Editora Sabiá, dos escritores Fernando Sabino e Rubem Braga, o texto também está fora de catálogo há décadas.

"Há um tabu social por trás disso, uma coisa que precisa ser mexida", provoca Zé Celso. "É um resquício da ditadura, uma sequela, uma doença. O fato de Chico não publicar e não deixar montar é muito estranho."



O que parece ser uma autocensura de Chico com relação a Roda Viva soa desconcertante porque se trata de um herói pop da resistência à ditadura militar, ele próprio censurado repetidas vezes pelo regime. O autor de Sabiá (1968), Apesar de Você (1970) e Cálice (1973) não dá detalhes sobre o que motiva a interdição, mas reconhece o veto falando por intermédio de seu assessor de imprensa, Mario Canivello. "A justificativa do Chico é simples: ele considera que as deficiências do texto ficam ainda mais evidentes à medida que o tempo passa. Houve um caso em que, se a memória não me trai, alunos da universidade UniRio tentaram colocar em cartaz uma montagem acadêmica da peça. Só esqueceram o pequeno detalhe de que precisavam antes do consentimento do autor", afirma Canivello.

"Falei com Marieta Severo, ela diz que Chico acha a peça horrível, fraca", conta Zé Celso, referindo-se à ex-mulher do artista, que interpretou a protagonista feminina de Roda Viva no Teatro Princesa Isabel, no Rio. "Não é suficiente, não se proíbe uma peça porque ela é fraca ou horrível. O artista não pode proibir a própria obra. Quer dizer, pode, se quiser, mas Chico, um sujeito ligado ao lado libertário, não pode."

Dirigida por Patrícia Zambiroli, a peça da UniRio a que Canivello se refere estrearia no Teatro Glória, em 2005, mas o autor não liberou. Outro que emperrou em Roda Viva foi Heron Coelho, que já havia reencenado os musicais buarquianos Gota d’Água (1975), em 2006, e Calabar - O Elogio da Traição (1973), em 2008. "Por critérios particulares do querido Chico, atendi ao pedido de não levar adiante o projeto, que estava avançado", admite Heron, cuidadoso. "Cancelei a montagem e passei adiante o patrocínio que tinha."

Roda Viva ficou eternizada como uma montagem de alto teor político, principalmente por causa dos episódios que marcaram duas encenações em 1968. Em 17 de julho, numa ação batizada "Quadrado Morto", o Comando de Caça aos Comunistas (CCC) invadiu o Teatro Galpão, de Ruth Escobar, onde ocorria a montagem paulistana da peça. Depredaram o espaço, despiram e espancaram o elenco, que incluía Rodrigo Santiago, Marília Pêra (no papel que fora de Marieta), Antônio Pedro e Paulo César Pereio. A agressão se repetiu em 3 de outubro, em Porto Alegre, dessa vez por ação direta do Exército brasileiro, segundo Zé Celso. Roda Viva morreu ali, dois meses antes do AI-5

"Hoje, eu voltaria a fazer Roda Viva, de birra. Deveria ser remontada, porque fez uma revolução no teatro brasileiro", diz Zé Celso. "Chico vinha de uma formação muito tradicionalista, os Buarque de Holanda eram muito religiosos. A peça não tinha nu, mas ainda assim ele pediu: ‘Olha, Marieta não pode ficar nua’. Voltar a Roda Viva talvez fosse libertador, porque deve ter um trauma. Diziam na época que a peça era minha, que era alienada. Ele acreditou nisso", afirma. Zé Celso também questiona a suposição de que a indisposição atual do autor com a face "política" de sua obra explica sua guerra pessoal contra a peça, estreada quando ele tinha 23 anos.

"Roda Viva é constantemente supervalorizada na obra do Chico", opina o historiador Gustavo Alonso, autor do livro ensaístico Simonal - Quem Não Tem Swing Morre com a Boca Cheia de Formiga" (Record, 2011), em que tece considerações sobre a construção da imagem pública de Chico como herói da resistência esquerdista. "Não é um texto político, é uma crítica à jovem guarda", Alonso afirma.

A preocupação central de Chico à época era criticar as engrenagens da produção de ídolos pop - podia estar se referindo a Roberto Carlos ou mesmo a si próprio. "Ele trata das metamorfoses a que a máquina de marketing obriga Benedito da Silva, que se transforma em Ben Silver, um ídolo de iê-iê-iê", evoca Zé Celso. "Mas o personagem fica ultrapassado porque vem a linha da música brasileira, é quando canta Roda Viva. Em seguida, surge a turma de Geraldo Vandré, da militância, da música ideológica. E depois é comido pela máquina. É obrigado a se suicidar, e a mulher dele, Marieta, toma seu lugar, vira uma coisa parecida com Caetano Veloso, mas mais pro hippie."

Zé Celso credita ao coro de Roda Viva grande parte do sucesso da peça em 1968. "Era toda uma fauna inédita, tinha negro, gay, mulher, gente feia, gente bonita, cientista, ambientalista. De repente, caíam em cima daquele público supercareta do início de 1968. Era um estupro, um estupro com exaltação." Entre os atores do coro, estavam Pedro Paulo Rangel, Zezé Motta e André Valli. "Nós começamos isso no Brasil. Foi um ano antes de Hair, que não é nada diante de Roda Viva. O Brasil nesse sentido foi vanguarda, porque tudo começou a explodir aqui em 1967. No resto do mundo explodiu em 1968."

http://m.estadao.com.br/noticias/arteelazer,ze-celso-questiona-decisao-de-chico-de-vetar-encenacao-de-roda-viva,830606.htm

Música na fita cassete

Por Marcus Vinicius



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terça-feira, 20 de março de 2012

Essas lésbicas são terríveis! (Uma breve crônica sobre o Apocalipse)


Via Walber Nogueira
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por Marco Aurélio Weissheimer

É notável a quantidade de falácias e preconceitos que vêm sendo esgrimidos em público contra a decisão de retirar os crucifixos das salas do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul. Olhando para alguns dos artigos publicados recentemente, especialmente no jornal Zero Hora, fica difícil saber o que está incomodando mais o conservadorismo católico gaúcho e seus porta-vozes mais ou menos envergonhados: se a decisão pela retirada dos crucifixos ou o fato dela ter resultado de uma iniciativa da Liga Brasileira das Lésbicas e de outras entidades de defesa dos direitos de homossexuais.

O ex-senador Paulo Brossard não escondeu seu, digamos, desconforto. Em artigo intitulado Tempos Apocalípticos (ZH – 12/03/2012), Brossard critica a decisão “atendendo postulação de ONG representante de opção sexual minoritária”. No artigo, isso é dito logo após o ex-senador revelar que a filha, Magda, advertiu-o de que “estamos a viver tempos do Apocalipse sem nos darmos conta”. A única associação feita no artigo ao Apocalipse é com a iniciativa desta “opção sexual minoritária”. No final, Brossard “confessa” surpresa com “a circunstância de ter sido uma ONG de lésbicas que tenha obtido a escarninha medida em causa” e pergunta se a mesma entidade vai propor “a demolição do Cristo que domina os céus do Rio de Janeiro”.

Como jurista, Brossard deveria saber que o princípio da separação entre Estado e Igreja não implica, absolutamente, “a demolição do Cristo que domina os céus do Rio de Janeiro”. Aqui, o preconceito e a falácia andam de mãos dadas (como aliás, costuma acontecer). O que mais essas lésbicas vão querer agora? Demolir o Cristo Redentor? Acabar com o Natal?

A mesma dobradinha entre falácia e preconceito é exibida no artigo O crucificado, do jornalista Flávio Tavares (ZH – 18/03/2012), que também questiona a motivação das lésbicas e mesmo a legitimidade de sua organização, advertindo para perigos futuros. Tavares sugere que pode ser tudo ressentimento: “Desejarão as lésbicas repetir a intolerância de que foram vítimas?” – escreve, questionando se a liga que as representa não “é mero papel timbrado, como tantas no Brasil?” E adverte para os riscos de acabarem com o Natal e os feriados religiosos.

“Dizer que somos um Estado laico que não admite símbolos religiosos é falso e inadmissível. A ser assim, teríamos de terminar com o Natal e os feriados religiosos que pululam pelo calendário”.

Ao contrário de Brossard, o jornalista ainda poderia merecer o desconto de seu evidente desconhecimento a respeito do teor do princípio de separação entre Estado e Igreja, que não proíbe o uso de símbolos religiosos ou a prática de manifestações religiosas pelas pessoas. Ao contrário do que o jornalista e o jurista dizem, a proibição de símbolos religiosos em repartições públicas não é uma medida intolerante que desrespeita a liberdade de culto. É exatamente o contrário. No caso brasileiro, como a Igreja católica não é a religião oficial do Estado (como nenhuma outra o é, aliás), como existem outras religiões no país, e como vale aqui o princípio da liberdade de culto, o Estado e suas instituições, como o Judiciário, deve se manter equidistante das preferências religiosas particulares de seus cidadãos e cidadãs.

O Estado laico ou secular foi inventado, entre outras coisas, para garantir e proteger a liberdade religiosa de cada cidadão, inclusive a liberdade de não ter religião. A ideia é evitar que alguma religião em particular exerça controle ou interfira em questões políticas.

Todos os doutos juristas que vêm se manifestando a respeito do tema sabem disso, obviamente, ou deveriam saber, ao menos. A invenção do Estado laico foi regada com muito sangue e injustiça. Muito sangue, aliás, derramado pela própria Igreja Católica, que torturou e queimou milhares de pessoas na fogueira. Se há juristas interessados em ostentar em suas salas um símbolo de injustiça, poderiam, por exemplo, colocar na parede um retrato de Giordano Bruno, submetido a um “julgamento ultrajante”, brutalmente torturado e mutilado antes de ser queimado na fogueira.

A religião do Estado republicano é a Constituição. É para isso, entre outras coisas, que foi criada essa coisa chamada República. Nem sempre foi assim. Chegou-se a isso após muito sangue, injustiça e intolerância. A República é tolerante e generosa com a diferença. Ela não exige, por exemplo, que os templos religiosos coloquem uma Constituição na parede.

Mas tem gente com medo do iminente apocalipse que se aproxima. Esses dias terríveis onde as lésbicas – essa “opção sexual minoritária”, como diz Brossard – têm o poder de influir no que ocorre no interior dos tribunais. Como bom católico que é, Brossard foi pedir ajuda ao guardião da fé Dom Dadeus Grings, um ferrenho crítico dos direitos dos homossexuais e um revisionista do Holocausto. O diálogo pode ter sido mais ou menos assim: “Antigamente não se falava em homossexual”, reclamou, saudoso, Dom Dadeus a Brossard. “Minha filha Magda disse que é o Apocalipse”, respondeu o ex-ministro do STF…Pausa para um sinal da cruz.

Essas lésbicas são terríveis. Só falta elas pedirem agora o fim da isenção de impostos para as igrejas. É o fim dos tempos…

http://www.cartamaior.com.br/templates/colunaMostrar.cfm?coluna_id=5521

Manifesto pede saída de Ana de Holanda




Na última década, o Ministério da Cultura transformou-se em uma área especialmente dinâmica do governo federal. Ao reconhecer a importância primária das práticas de sentido para a vida social, o Estado deu-se finalmente conta de que tem responsabilidades incontornáveis no que toca ao estímulo, apoio e defesa das manifestações criativas que emergem do povo, ou melhor, dos povos brasileiros como expressão de sua vitalidade e de sua personalidade.
À medida que o país foi ganhando projeção internacional, maior foi se tornando a necessidade de definirmos e consolidarmos a contribuição distintiva que o Brasil espera estar em condições de dar à civilização mundial. Com este objetivo, a abertura da esfera pública a uma multiplicidade de agentes e ações, oriundos de todas as regiões do Brasil, ligados à criação de cultura, isto é, de valor existencial - artistas, ativistas digitais, produtores culturais, editoras independentes, coletivos experimentais, criadores da moda e do design, intelectuais, povos indígenas, comunidades tradicionais, quilombolas, movimentos contra a discriminação de gênero e de orientação sexual, ambientalistas, grupos culturais dos mais variados matizes e propósitos - constituiu-se em uma das experiências institucionais mais inovadoras que o Estado brasileiro jamais promoveu.
Sob a liderança das gestões da cultura durante os 8 anos do governo Lula, o acolhimento entusiástico de uma vasta gama de manifestações antropológicas, tradicionais como modernas, regionais como nacionais, locais como globais, deu direito de cidadania e densidade politica a vários conceitos novos, doravante parte de nosso vocabulário de política pública: "cultura digital", "pontos de cultura", "cultura viva", "patrimônio imaterial", "cidades criativas", "economia da cultura", "diversidade cultural", "creative commons", "compartilhamento", "cultura e pensamento", "cidadania colaborativa", "participação setorial" e tantos outros. Um Plano Nacional de Cultura foi redigido pelo MinC com ampla participação dos setores interessados, e foi aprovado pelo Congresso Nacional. Tratou-se de um esforço consistentemente democrático de transformação da agitação social em meio de conquista de uma voz pública, de expressão da força viva dos povos de nosso país nos termos de um discurso de dimensões propriamente políticas, no sentido mais nobre da palavra.
Como herdeiro legítimo deste legado, o governo Dilma tem um grande desafio pela frente. É enorme a expectativa dos inúmeros grupos envolvidos no processo de emancipação cultural iniciado nas gestões passadas. Os que acompanham, como cidadãos, essa histórica reviravolta inquietam-se sobre a orientação que irá prevalecer uma vez encerrado o primeiro ano de uma gestão federal de cultura marcado por hesitações, conflitos e por mudanças de rumo que nos têm parecido infelizes.
É inevitável constatar que houve inúmeras perdas de visibilidade e de nitidez no horizonte da política cultural, comprometendo a imagem de um país que avança para o futuro sem perder a relação com seu passado, e que se moderniza sem destruir suas tradições. Depois de inúmeras notícias desalentadoras ao longo do ano que passou, a opinião pública constata que a presente gestão de nossa política cultural vem se mostrando descomprometida com o legado das conquistas recentes neste âmbito, como o atestam as inúmeras iniciativas de grande impacto dentro e fora do País. É digno de nota, em particular, o que parece ser o total desconhecimento, por parte da atual gestão do MinC, do debate internacional sobre os desafios que o novo regime capitalista globalizado coloca para os criadores em todos os âmbitos da cultura, nesta época em que a criação de valores existenciais se viu capturada e sujeitada pela produção de valor econômico.
O despreparo para a prática do diálogo e do embate crítico por parte dos atuais responsáveis pelo MinC é dolorosamente evidente. É assustador, por exemplo, que em recente entrevista a ministra afirme que tem vivido uma "guerra de nervos" e que todo o seu universo de preocupação esteja reduzido à sensação de que os que discordam de sua gestão estejam apenas querendo derrubá-la de seu posto, deixando de lado o sentido maior da vida democrática que é a possibilidade do diálogo e da reconciliação em benefício de algo público e de grandeza comum.
A criação cultural é indissociável da construção inovadora de horizontes para o País, é a cultura que forma as realidades que nos condicionam e projetam os destinos da vida em comum. Não faz mais sentido pensar nos quadros anacrônicos que tinham a chamada "infraestrutura", ou economia, como elemento primacial da vida humana, ao passo que a cultura, ou "superestrutura", era vista como artigo de luxo. Pois não é possível, justamente, entrarmos em pleno século 21 equipados com uma "superestrutura" mental que data do século 19. É um engano gravíssimo um Estado contemporâneo não dar a devida importância à agenda das políticas culturais, pois a economia sem a cultura não pode mais do que propagar a desvalorização de uma sociedade, colocando-a a mercê de interesses estritamente econômicos.
Desde que a crise global se abateu sobre o ocidente capitalista em 2008, a agenda cultural se tornou um tema ainda mais importante para nós e as disputas de sentido vão direcionando os possíveis caminhos a seguir. Ora, foi precisamente neste momento crítico que passamos a constatar a decadência do protagonismo do governo federal na área da política cultural, com a trágica perda de capacidade para gerar consensos mínimos e coordenar o desenho de horizontes para os inúmeros segmentos que estavam sendo reconhecidos pelo governo Lula. Esse perigoso isolamento do MinC pode nos fazer retroceder mais e mais nos próximos anos, ainda que a prosperidade econômica se mantenha. A mera celebração de uma "cultura" concebida como excedente simbólico entregue a profissionais consagrados da indústria de entretenimento certamente não pode substituir a consciência ativa do papel central que a força de trabalho criativa passou a desempenhar no cenário do novo regime capitalista. O MinC de hoje desconhece os sistemas de acumulação financeira, de ganho unilateral de corporações com os direitos autorais e de imagens. Ao tornar-se refém de um modelo institucional arcaico, o governo federal vai aceitando que as forças mais reativas do modelo neoliberal passem a conduzir as subjetividades, tornando-se um instrumento para sustentar apenas desejos sociais compulsivos de consumo, como se estes fossem o meio de produção de sociabilidade.
Neste sentido, a escolha do(a) ministro(a) que a Presidenta tem em suas mãos é um dos trunfos fundamentais na consolidação do projeto de país que se começou a implantar desde o fim da ditadura militar. Esta é uma responsabilidade crucial do governo federal e da sociedade civil, não podendo ser deixada ao sabor da Realpolitik e seus jogos de acomodação partidária. Esperamos que Dilma Rousseff, que tem mostrado grande competência na condução do País em outros setores, confirmada pelos altos índices de aceitação popular, tenha sensibilidade e coragem para indicar um ministro da cultura à altura do que requer este cargo, em vista da importância do Brasil no cenário mundial contemporâneo. Um(a) ministro(a) que alie uma escuta fina para a diversidade cultural, no acompanhamento das complexas demandas culturais internas e na articulação ousada com o cenário internacional, sobretudo em torno dos problemas deste novo estatuto da cultura.
A experiência acumulada por este nome escolhido é algo essencial neste momento. Quer em termos profissionais, quer em familiaridade com a política da criação contemporânea e a rica variedade a de suas manifestações, uma liderança suprapartidária e democrática é o que pode garantir um pulso firme e uma capacidade de gestão dinâmica, de verdadeira liderança nesta direção que o presente nos aponta. Nós signatários, como todos os produtores de cultura neste País, temos nossa parcela de responsabilidade nesta tarefa: cabe a nós o apoio ao futuro portador desta inteligência de qualidade cultural e a exigência de uma escolha acertada para os próximos anos da atual gestão federal neste importante âmbito da vida nacional.
POR MARILENA CHAUÍ, EDUARDO VIVEIROS DE CASTRO, SUELY ROLNIK, LAYMERT GARCIA DOS SANTOS, GABRIEL COHN, MANUELA CARNEIRO DA CUNHA, MOACIR DOS ANJOS

Jeito de Corpo - Caetano Veloso

Por Alfredo Pessoa

Registro: Disco Outras Palavras (1981), 31 anos desse trabalho de Caetano que inclui excelentes músicas como Rapte-me Camaleoa, Lua e Estrela, Outras Palavras, Gema, Sim/Não, Tem que Ser Você e a francesa Dans Mon île. Caetano era acompanhado a época por Perinho Santana, Tomás Improta, Arnaldo Brandão e Vinícius Cantuária (A Outra Banda da Terra). O disco também contou com a participação de Perinho Albuquerque, Jane Duboc e Jussara Silveira. Saindo dos stúdios de gravação desse trabalho, Cae soube da morte de John Lennon em 8 de dezembro de 1980.

Jeito de Corpo (Caetano Veloso)

Em7(b5) A7       Em7(b5)
Eu tô fazendo saber
A7            Gm7          C7(9)       F7M
Vou saber fazer tudo de que eu sou a fins
Em7(b5) A7       Em7(b5)           A7
Logo eu cri que não crer era o vero crer
Gm7    C7(9)   F7M   Fm7         Bb7        Eb7M
Hoje oro sobre patins. Sampa na Boca do Rio
Dm7(b5) G7(b13) Cm7 Em7(b5) A7       Em7(b5)
O meu projeto Brasil.    Perigas perder você
A7          Gm7          C7(9)       F7M
Mas mesmo na deprê. Chama-se um Gilberto Gil
Em7(b5) A7       Em7(b5)                   A7
Bode não dá pra entender. Torna a repetir
Gm7          C7(9)          F7M
Transcende o marco dois mil
Fm7         Bb7       Eb7M Dm7(b5) G7(b13) Cm7
Barco desvela esse mar. Delta desvenda esse ar
Bbm7         Eb7(9)            Ab7M  Abm7     Db7(9)      
Não me digam que eu estou louco. É só um jeito de
Gm7               C7(9)      Fm7        Bb7     Eb7M
corpo. Não precisa ninguém me acompanhar

Em7(b5) A7       Em7(b5)     A7
Eu sou Renato Aragão, santo trapalhão
Gm7          C7(9)       F7M
Eu sou Muçum, sou Dedé
Em7(b5) A7       Em7(b5)
Sou Zacarias, carinho
A7
Pássaro no ninho
Gm7        C7(9)  F7M Fm7         Bb7      Eb7M
Qual tu me vê na tevê. Falta aprender a mentir
Dm7(b5) G7(b13) Cm7
Entro até numas por ti
Em7(b5) A7       Em7(b5)     A7
Minha identificação, registro geral
Gm7 C7(9)  F7M Em7(b5) A7       Em7(b5)
Carece de revisão. Cara, careta, dedão
A7       Gm7    C7(9)   F7M
Isso não é legal em frase de transição
Fm7         Bb7  Eb7M Dm7(b5) G7(b13) Cm7
Sou celacanto do mar.  Adolesce-----ndo    solar
Bbm7            Eb7(9)          Ab7M  
Não pensem que é um pap o torto
Abm7    Db7(9)   Gm7 
É só um jeito de corpo
C7(9)      Fm7        Bb7     Eb7M
Não precisa ninguém me acompanhar

segunda-feira, 19 de março de 2012

Fortaleza a partir do mar

Por Marcus Vale

Assis Valente - 19 de março de 1911

Elis por César Camargo Mariano (2)

Por Cesar Camargo Mariano

Cesar Camargo Mariano
Eu não estava mais na TV Record e já tinha me separado da Marisa havia algum tempo quando a Rede Globo fez uma série de programas, chamada Som Livre Exportação, comandada por Ivan Lins, Elis e Simonal. O SOM 3 foi contratado para fazer quatro programas em diferentes estados, e dois deles com o Simonal, um no Rio e outro em Brasília. Já tínhamos praticamente nos separado do Simonal, mas continuávamos amigos, e, de acordo com o contrato entre o SOM 3 e ele, teríamos de fazer mais esses dois trabalhos. Antes do programa de Brasília, Simonal me ligou e, numa conversa breve, pediu para eu preparar duas músicas novas. Quando chegamos para ensaiar, apareceu uma novidade: tinham decidido mudar o repertório da apresentação do Simonal. Outras músicas e outros arranjos que não eram os meus já estavam prontos. E tinham decidido que tudo ia ser feito com orquestra, e o SOM 3 não participaria do programa.

Essas mudanças acontecem na produção de um programa de televisão ao vivo, e as razões nem sempre são muito definidas. Mas nós não fomos sequer comunicados. ó soubemos quando recebemos o roteiro do programa, no camarim, já trocando de roupa.

Simonal estava no palco, ensaiando com a orquestra, quando fui falar com ele, em particular, para saber o que tinha acontecido. Ele, em voz alta, na frente de todos e muito irritado, disse que não sabia de nada e que eu fosse me acertar com a produção do programa.

Fiquei ali parado, sem graça, muito triste e sem entender aquela atitude. Não quis ouvir nenhuma explicação de ninguém. Queria ouvir dele

Pegamos nossas coisas e voltamos para o hotel. Os meninos subiram para seus quartos, e eu fiquei sentado no saguão, sozinho, tentando entender, pensando...quando, horas depois chegou o Nelson Mota com a Elis, e ambos se sentaram ao meu lado, tentando me consolar e me dar justificativas. Não só eles, mas todos perceberam quanto a situação ficou incômoda.
Um mês depois, o Som Livre Exportação foi para Porto Alegre, e o SOM 3 foi escalado para tocar com o Ivan Lins. Seria o último da série. No avião, estava todo o elenco, os músicos da orquestra, os técnicos, só não estava a Elis. Aquilo me chamou a atenção. Fui falar com Chiquinho de Moraes, arranjador do programa e amigo particular da Elis, que me explicou que ela não viria por causa de um problema odontológico de última hora.

Fizemos o programa. Correu tudo bem, e, no final, fomos todos convidados para um churrasco, em algum lugar, e, não sei por quê, eu continuava preocupado com Elis.

Do livro:
SOLO memórias - de Cesar Camargo Mariano 
Editora LeYa