quinta-feira, 22 de janeiro de 2015
Ó LINDA FORTALEZA
por Marcus Vinicius
" Ó linda Fortaleza", marcha em homenagem ao pré-carnaval e à cidade.
Autores Mateus Perdigão e Marcus Dias.
Ó
linda Fortaleza
Am
Ó linda Fortaleza
Dm
Vem pra rua conhecer
B7
Os blocos e as bandinhas
E7
Que acabaram de nascer
Em7(b5) A7
Nasceram sob as bênçãos
Dm
De Terrais e Longarinas
B7
Juntaram multidões
E7
De Pierrots e Colombinas
Em(b5) A7
Fizeram e refizeram
Dm
Até que um dia aconteceu:
Bm7(5b) E7 Am
O carnaval de rua renasceu.
Am
Seguindo a trajetória
Dm
Dos antigos foliões
B7
Que honraram nossas ruas
E7
Com seus blocos e cordões
Em7(b5) A7
As Bruxas e as Baianas
Dm
Que hoje não existem mais,
B7
Resistem na memória
E7
Dos eternos carnavais
Em7(b5) A7
Ó linda Fortaleza
Dm
Vem pra rua admirar
Bm7(5b) E7 A E7
Teus filhos que acabaram de chegar:
A
Unidos da Cachorra
Bm
Num Ispaia, Doido é Tu
E7
Camaleões da Vila
A E7
Taberneiros e Urubu
C#m7 Cº
Baqueta, Som da Lira
Bm7
Bons Amigos, Jeguerê
E7
Pery, Matou a Pauta,
A E7
Muriçocas e Dendê
A
A trupe, Arrasta Tudo,
Bm7
O Bode, A turma do mamão
G#m7(5b) C#7
Marmotas, Girassol
F#m7 A7
Cachorra Magra e Almeidão
D Dm7
O Luxo, o Sanatório,
C#m7 F#7
As Gata Pira, Agora Vai
Bm7 E7
Amantes de Iracema
A
E o Concentra mas não Sai
Bm7 E7 A E7
Em7(5b) A7
Ó linda Fortaleza
Dm7
Vem pra rua conhecer
Bm7(5b)
Teus
filhos que não param de crescer...
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sexta-feira, 16 de janeiro de 2015
A CIDADE, O CARNAVAL E SEUS ESPAÇOS
Por Érico Firmo
A ida do Concentra para a Praça do Ferreira não deixou de ser uma pena – como agora ocorre com o Luxo em relação ao Benfica. Muitos foliões se desgarraram do Concentra, outros tantos se agregaram. Houve a reinvenção. O lugar no Carnaval não é só passarela – é parte constituinte do bloco de rua. Integra sua essência. Ao mesmo tempo, na esteira daquele sucesso, vários outros blocos surgiram. Criou-se o atual Pré-Carnaval, que transformou também o Carnaval.
O Luxo da Aldeia é um pedaço importante da tradição que começa a se construir nessa fase do Carnaval de Fortaleza. Ele se transforma e reencontra outra tradição. Da mesma forma como, antes, na década de 1990, o Quem É de Bem Fica fez história naquelas mesmas ruas. O bairro residencial festeja e sofre com os transtornos. Quem vem de fora e vai embora quando a festa acaba não vivencia as reclamações de moradores, para quem o impacto se prolonga durante um mês. Como com o antecessor no bairro e, também, com o Concentra, o sucesso do Luxo fez com que seu tradicional reduto se tornasse pequeno para ele. Assim, segue para transformar outros espaços.
http://www.opovo.com.br/app/colunas/politica/2015/01/16/noticiaspoliticacoluna,3377863/violencia-que-se-retroalimenta.shtml
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quarta-feira, 14 de janeiro de 2015
segunda-feira, 12 de janeiro de 2015
Se a gente grande soubesse
Se a gente grande soubesse (Billy Blanco)
Se a gente grande soubesse
o que consegue a voz mansa
como ela cai feito prece
e vira flor, num coração de criança.
A gente grande, que tira
o meu brinquedo da mão
tirou de um músico a lira
interrompeu a canção.
De tanto não que eu escuto
o não eu vivo a dizer
eu não sossego um minuto
é natural
eu não parei de viver.
A gente apenas repete
tudo que escuta e que vê
Pois gente grande eu queria
ser um dia todo igualzinho a você.
Se a gente grande soubesse (quanta paz,)
o que consegue a voz mansa, (o bem que faz,)
como ela cai feito prece
e vira flor,
num coração de criança.
A gente grande, que tira (sem pensar,)
o meu brinquedo da mão, (me faz chorar)
tirou de um músico a lira, (sem saber,)
interrompeu a canção.
De tanto não que eu escuto (Não e não,)
o não eu vivo a dizer, (que confusão,)
eu não sossego um minuto
é natural
eu não parei de viver.
A gente apenas repete (tal e qual,)
tudo que escuta e que vê, (não leve a mal,)
Pois gente grande eu queria
ser um dia
todo igualzinho a você.
Sendo estrangeira, não sou estranha
por Débora Dias
“A terra que piso é outra e outra é a compleição do comum das gentes que a habitam, as quais me sugerem que, sendo forasteiro, não sou estranho, porque se me tornou afetivamente fluida a fronteira do portuguesismo e da brasilidade”. Joaquim de Carvalho, historiador da cultura e da filosofia portuguesa, durante conferência apresentada em sua primeira viagem ao Brasil, 1953.
Viajar é diferente de morar. E para se viver em um lugar outro, penso eu, o esforço e a vontade de saber do outro, mantendo o próprio eixo, talvez nunca prescindam. Estrangeira em uma terra onde a língua que falo é a mesma, há três anos habito Portugal. A cada dia tento saber mais da sua complexidade, por vezes me irrito quando não alcanço os porquês, mas na maior parte do tempo é sentir, e aprender pelo sentimento. Agora em Lisboa, vivo em coletivo na cidade mulher luminosa e simpática. De sorriso largo, se abre fácil para os tantos forasteiros que por aqui aportam. É de muitos e não é de hoje que esse ponto privilegiado entre mundos mistura partida, chegada e passagem. Mas altera também fácil o humor, tem seus dias de chuva, e faz pensar na humidade (umidade, no uso do português brasileiro) e aquilo termina. Quando volta radiante e ilumina, é de um céu que desaba contentamento.
Dias atrás, em um café, uma pesquisadora indagava sobre o fenômeno dos brasileiros no País em anos de tanta crise. Às levas de trabalhadores, chegam agora os estudantes. Defendi que o argumento da língua é forte, mas não chega perto de explicar, nem de ser o motivo mais importante. Muitos são os caminhos que trazem as pessoas para cá ou que as fazem ficar. Se tiver que escolher, digo que foi porque amava a ideia e, como acontece frequentemente aos amores, idealizava Portugal antes de o conhecer, de aqui alguma vez ter estado. Depois desses poucos anos de convivência, conceitos foram se formando nos prazeres, nas dificuldades e nos aprendizados, e o amor se transformou. De Fortaleza para Lisboa, conheci a solidariedade imigrante, e com ela fui guiada para a estação de comboios, chegando em Coimbra. Na cidade do rio Mondego, era começar o doutoramento, preparar a chegada da filha então com dez anos, tentar uma bolsa que me permitisse ficar mais tempo a viver nesse outro tempo, diferente do que tive. O horizonte era imenso e o agora ainda tão distante. A crise era o futuro que hoje se realiza dramaticamente. E o futuro chegou rápido. A cada ano, as promessas de piora se cumpriam e muito do que o país conquistou após o abril de 1974, com o fim da mais longa ditadura da Europa ocidental, foi reduzido, extinto ou ameaçado. Pessoalmente, após quase um ano de incertezas, chegou do Brasil a tão esperada bolsa de estudos, e com ela a possibilidade institucionalizada de ficar mais. A filha foi se adaptando a um outro jeito de viver e de sentir, mergulhando no que chamamos cultura portuguesa, às vezes parecida, às vezes tão diferente da nossa. Aqui nos descobrimos brasileiras, afirmamos identidades na diferença. Conhecemos mais da África e da Índia, na mistura das gentes. Hoje, aos 13 anos, o aqui é mais dela do que meu.
Nesse tempo, viajamos, acompanhamos as estações, terminei minhas lições na universidade, pesquisei em arquivos, me emocionei até com papel, tinta e o pó. Fui para o estrangeiro desse estrangeiro, e voltei. Conheci gente, firmei laços, soltei outros, e aconteceu de doer. Em outros dias foi a saudade nesse Portugal já tão saudoso em si. De Coimbra mudei para Lisboa e casei com quem já era companheiro de vida e veio para perto. Mudamos de casa em três. Foi muito e ainda não foi o bastante. Vendo os que chegam a cada temporada, revendo os encantos e estranhamentos de chegada, é como se reatualizasse minha condição de imigrante, um pouco mais acomodada a cada ano, mas sabendo que esse tempo está suspenso, à espera de desfecho. Desenlace que talvez nem queira ainda. E o que fica? Muito dos versos de Ricardo Reis, aquele outro do Pessoa.
“Lídia, ignoramos. Somos estrangeiros Onde que quer que estejamos. Lídia, ignoramos. Somos estrangeiros Onde quer que moremos. Tudo é alheio Nem fala língua nossa. Façamos de nós mesmos o retiro Onde esconder-nos, tímidos do insulto Do tumulto do mundo. Que quer o amor mais que não ser dos outros? Como um segredo dito nos mistérios, Seja sacro por nosso”.9/6/1932
Odes de Ricardo Reis. Fernando Pessoa. (Notas de João Gaspar Simões e Luiz de Montalvor) Lisboa: Ática, 1946 (imp.1994).
http://apulga.com/sendo-estrangeira-nao-sou-estranha/
“A terra que piso é outra e outra é a compleição do comum das gentes que a habitam, as quais me sugerem que, sendo forasteiro, não sou estranho, porque se me tornou afetivamente fluida a fronteira do portuguesismo e da brasilidade”. Joaquim de Carvalho, historiador da cultura e da filosofia portuguesa, durante conferência apresentada em sua primeira viagem ao Brasil, 1953.
Viajar é diferente de morar. E para se viver em um lugar outro, penso eu, o esforço e a vontade de saber do outro, mantendo o próprio eixo, talvez nunca prescindam. Estrangeira em uma terra onde a língua que falo é a mesma, há três anos habito Portugal. A cada dia tento saber mais da sua complexidade, por vezes me irrito quando não alcanço os porquês, mas na maior parte do tempo é sentir, e aprender pelo sentimento. Agora em Lisboa, vivo em coletivo na cidade mulher luminosa e simpática. De sorriso largo, se abre fácil para os tantos forasteiros que por aqui aportam. É de muitos e não é de hoje que esse ponto privilegiado entre mundos mistura partida, chegada e passagem. Mas altera também fácil o humor, tem seus dias de chuva, e faz pensar na humidade (umidade, no uso do português brasileiro) e aquilo termina. Quando volta radiante e ilumina, é de um céu que desaba contentamento.
Dias atrás, em um café, uma pesquisadora indagava sobre o fenômeno dos brasileiros no País em anos de tanta crise. Às levas de trabalhadores, chegam agora os estudantes. Defendi que o argumento da língua é forte, mas não chega perto de explicar, nem de ser o motivo mais importante. Muitos são os caminhos que trazem as pessoas para cá ou que as fazem ficar. Se tiver que escolher, digo que foi porque amava a ideia e, como acontece frequentemente aos amores, idealizava Portugal antes de o conhecer, de aqui alguma vez ter estado. Depois desses poucos anos de convivência, conceitos foram se formando nos prazeres, nas dificuldades e nos aprendizados, e o amor se transformou. De Fortaleza para Lisboa, conheci a solidariedade imigrante, e com ela fui guiada para a estação de comboios, chegando em Coimbra. Na cidade do rio Mondego, era começar o doutoramento, preparar a chegada da filha então com dez anos, tentar uma bolsa que me permitisse ficar mais tempo a viver nesse outro tempo, diferente do que tive. O horizonte era imenso e o agora ainda tão distante. A crise era o futuro que hoje se realiza dramaticamente. E o futuro chegou rápido. A cada ano, as promessas de piora se cumpriam e muito do que o país conquistou após o abril de 1974, com o fim da mais longa ditadura da Europa ocidental, foi reduzido, extinto ou ameaçado. Pessoalmente, após quase um ano de incertezas, chegou do Brasil a tão esperada bolsa de estudos, e com ela a possibilidade institucionalizada de ficar mais. A filha foi se adaptando a um outro jeito de viver e de sentir, mergulhando no que chamamos cultura portuguesa, às vezes parecida, às vezes tão diferente da nossa. Aqui nos descobrimos brasileiras, afirmamos identidades na diferença. Conhecemos mais da África e da Índia, na mistura das gentes. Hoje, aos 13 anos, o aqui é mais dela do que meu.
Nesse tempo, viajamos, acompanhamos as estações, terminei minhas lições na universidade, pesquisei em arquivos, me emocionei até com papel, tinta e o pó. Fui para o estrangeiro desse estrangeiro, e voltei. Conheci gente, firmei laços, soltei outros, e aconteceu de doer. Em outros dias foi a saudade nesse Portugal já tão saudoso em si. De Coimbra mudei para Lisboa e casei com quem já era companheiro de vida e veio para perto. Mudamos de casa em três. Foi muito e ainda não foi o bastante. Vendo os que chegam a cada temporada, revendo os encantos e estranhamentos de chegada, é como se reatualizasse minha condição de imigrante, um pouco mais acomodada a cada ano, mas sabendo que esse tempo está suspenso, à espera de desfecho. Desenlace que talvez nem queira ainda. E o que fica? Muito dos versos de Ricardo Reis, aquele outro do Pessoa.
“Lídia, ignoramos. Somos estrangeiros Onde que quer que estejamos. Lídia, ignoramos. Somos estrangeiros Onde quer que moremos. Tudo é alheio Nem fala língua nossa. Façamos de nós mesmos o retiro Onde esconder-nos, tímidos do insulto Do tumulto do mundo. Que quer o amor mais que não ser dos outros? Como um segredo dito nos mistérios, Seja sacro por nosso”.9/6/1932
Odes de Ricardo Reis. Fernando Pessoa. (Notas de João Gaspar Simões e Luiz de Montalvor) Lisboa: Ática, 1946 (imp.1994).
http://apulga.com/sendo-estrangeira-nao-sou-estranha/
Para hoje, amanhã e depois
Por Iana Soares
Observar o espreguiçar de uma borboleta (ou de uma lagarta). Desenhar um calendário no qual, em vez de dias, marque frutas. Acompanhar o caminho de uma gota sobre a pele, enquanto esta se arrepia. Plantar árvores para colher sombras. Saber diferenciar um flamboyant de um ipê e um ipê de uma acácia. Aprender nomes de plantas como se sabe os dos amigos.
Colecionar sorrisos desconhecidos. Estudar para me descobrir e lá encontrar o mundo. Fazer mais bolhas de sabão do que edifícios de cimento. Ter flores na varanda para que venham os pásssaros. Enviar cartas com perfume e postais com carimbos. Olhar o mundo para me encontrar, meio Wally. Revelar fotos e dar de presente com recados no verso.
Ter mais esperança do que medo. Aprender com o medo e a raiva. Inventar um movimento novo, sempre que me sentir paralisada. Abraçar quem acha esperança uma besteira. Apreciar as ilusões não para enganar-se, e sim para encantar o mundo. Usar o dia como matéria-prima. Em um segundo, experimentar mil revoluções. Em um passo, uma vida inteira. Não ter pressa, nem preguiça. Apreciar as “horinhas de descuido”. Fazer arte de artista, mas principalmente de menina danada que faz arte.
Fotografar o tempo que escorre. Deixar o tempo ir embora em mais uma imagem. Reciclar qualquer mágoa. Nadar no inverno para que o corpo se mantenha tropical. Aprender com o outro e a vida que inventou para si. Contar boas notícias. Não acreditar que é normal cortar árvore para dar espaço ao asfalto. Indignar-se com as tragédias cotidianas. Espalhar que nenhuma vida vale mais do que outra e que uma vida vale muito, e isso não se mede em dinheiro.
Não beber coca-cola. Estar perto das minhas fofurinhas, da minha mãe e do meu pai para amá-los, mesmo quando longe. Ter um barco imaginado em que caibam os amigos dos dois lados do Atlântico. Lembrar que “apesar de tudo existe uma fonte de água pura e quem beber daquela água não terá mais amargura”. Procurá-la e compartilhar as coordenadas. Olhar nos olhos de quem passa. Rasgar todas as listas que não sejam feitas de liberdade, amor e sentimentos de mundo. Para que, no final, possa dizer do 2015 que tive: “que não seja imortal, posto que é chama. Mas que seja infinito enquanto dure”?
http://www.opovo.com.br/app/opovo/opiniao/2015/01/05/noticiasjornalopiniao,3371751/para-hoje-amanha-e-depois.shtml
Observar o espreguiçar de uma borboleta (ou de uma lagarta). Desenhar um calendário no qual, em vez de dias, marque frutas. Acompanhar o caminho de uma gota sobre a pele, enquanto esta se arrepia. Plantar árvores para colher sombras. Saber diferenciar um flamboyant de um ipê e um ipê de uma acácia. Aprender nomes de plantas como se sabe os dos amigos.
Colecionar sorrisos desconhecidos. Estudar para me descobrir e lá encontrar o mundo. Fazer mais bolhas de sabão do que edifícios de cimento. Ter flores na varanda para que venham os pásssaros. Enviar cartas com perfume e postais com carimbos. Olhar o mundo para me encontrar, meio Wally. Revelar fotos e dar de presente com recados no verso.
Ter mais esperança do que medo. Aprender com o medo e a raiva. Inventar um movimento novo, sempre que me sentir paralisada. Abraçar quem acha esperança uma besteira. Apreciar as ilusões não para enganar-se, e sim para encantar o mundo. Usar o dia como matéria-prima. Em um segundo, experimentar mil revoluções. Em um passo, uma vida inteira. Não ter pressa, nem preguiça. Apreciar as “horinhas de descuido”. Fazer arte de artista, mas principalmente de menina danada que faz arte.
Fotografar o tempo que escorre. Deixar o tempo ir embora em mais uma imagem. Reciclar qualquer mágoa. Nadar no inverno para que o corpo se mantenha tropical. Aprender com o outro e a vida que inventou para si. Contar boas notícias. Não acreditar que é normal cortar árvore para dar espaço ao asfalto. Indignar-se com as tragédias cotidianas. Espalhar que nenhuma vida vale mais do que outra e que uma vida vale muito, e isso não se mede em dinheiro.
Não beber coca-cola. Estar perto das minhas fofurinhas, da minha mãe e do meu pai para amá-los, mesmo quando longe. Ter um barco imaginado em que caibam os amigos dos dois lados do Atlântico. Lembrar que “apesar de tudo existe uma fonte de água pura e quem beber daquela água não terá mais amargura”. Procurá-la e compartilhar as coordenadas. Olhar nos olhos de quem passa. Rasgar todas as listas que não sejam feitas de liberdade, amor e sentimentos de mundo. Para que, no final, possa dizer do 2015 que tive: “que não seja imortal, posto que é chama. Mas que seja infinito enquanto dure”?
http://www.opovo.com.br/app/opovo/opiniao/2015/01/05/noticiasjornalopiniao,3371751/para-hoje-amanha-e-depois.shtml
terça-feira, 6 de janeiro de 2015
Menino da Silva
por Marcus Vinicius
O cara é Lenine e Guarani, é filho do Taiguara. Grava um disco. Dá o nome do CD "Menino da Silva", uma música do pai. Grava a música. E, modifica a letra. Troca as palavras "exploração" e "acumulação". Aqui a letra original:
O cara é Lenine e Guarani, é filho do Taiguara. Grava um disco. Dá o nome do CD "Menino da Silva", uma música do pai. Grava a música. E, modifica a letra. Troca as palavras "exploração" e "acumulação". Aqui a letra original:
Tia Dodô
NOTA OFICIAL
Um clima de profunda tristeza toma conta da quadra e do barracão da Portela nesta terça-feira , 6, quando perdemos uma das maiores referências da história da escola e uma figura importante na história do Carnaval carioca. Tia Dodô foi um exemplo de dedicação para todos os portelenses. Figura que frequentou a quadra até poucos dias antes de ser internada, Dodô irradiava energia, apesar da idade, e sempre foi uma grande conselheira de toda a Família Portelense.
Estamos profundamente consternados e orando pela alma de nossa querida madrinha, que, ao nos deixar, abriu uma profunda lacuna no seio portelense.
Monarco – Presidente de Honra
Sérgio Procópio – Presidente
Marcos Falcon – Vice-presidente
Foto: Ricardo Almeida
sexta-feira, 2 de janeiro de 2015
Ano novo... Carnaval.
Via Bruno Perdigão
Por Luiz Antonio Simas
Ao longo dos tempos e das diversas civilizações, a data de celebração de um novo ciclo é diversa. Câmara Cascudo, para variar, estudou o babado.
Os babilônicos costumavam comemorar o novo ano no equinócio da primavera; os assírios e egípcios realizavam os festejos em setembro; os gregos celebravam o furdunço em finais de dezembro; os velhos persas escolheram março. Chineses, japoneses, judeus e muçulmanos ainda têm datas próprias e motivos diferentes para comemorar a virada; como os quechuas de Twianacu, que comemoram o novo ano no inicio do ciclo agrícola, em junho.
Os hindus da Índia pegam pesado. Dependendo da região do país, onde prevalece o calendário lunar, há os que datam os meses pela lua cheia e os que fazem isso pela lua nova. Breve esclarecimento: na tradição hindu o ano começa com o retorno de Lakshmi, a deusa da prosperidade, que em certo momento do ciclo se empirulitou. Para que a deusa encontre o caminho de volta, as casas e ruas são iluminadas e fogos de artifício são utilizados. A data da volta da deusa, todavia, muda de acordo com a região do país.
Entre os povos ocidentais, a data de primeiro de janeiro tem origem entre os romanos (Júlio César a estabeleceu em 46 A.C.). Só em 1582, com a adoção do calendário gregoriano, a igreja católica oficializou o primeiro dia de janeiro como o início do novo ano no calendário ocidental.
Como, portanto, cada cultura estabelece marcos e datas diferentes para a mudança de ciclo, acho que continuarei dando pouca pelota para o primeiro de janeiro. A verdade é que escrevi essa presepada toda apenas para dizer que no meu imaginário o novo ciclo começa sempre na quarta-feira de cinzas e o meu rito de virada, esquecimento, memória e renovação, é o Carnaval.
Mário Gomes
Por Henrique Araújo
Quando se punha em pé, o corpo de Mário Gomes envergava.
Aos 67 de anos, a carcaça, como o poeta tinha se acostumado a se referir à própria carne, formava um arco, com a coluna dobrando-se quase numa meia-lua.
Era o modo de Mário equilibrar-se nas ruas de Fortaleza: maleável, deslizante, anguloso. Com o tempo, habitou-se a desviar de quinas e arestas, numa reengenharia social que impunha ao corpo uma lição tortuosa.
O poeta não foi pedinte. Foi pedestre.
Dispunha das pernas e dos versos.
Lírico à deriva pela cidade, fez da Praça do Ferreira e do Centro Dragão do Mar os entrepostos de uma romaria cotidiana em cujo altar repousava o gozo, única musa.
Celebrou a errância e aceitou a miséria. Dispensou conforto e lar, sem os quais a maioria de nós dificilmente admitiria viver. Andou ao passo do desatino.
Por conta própria, desorientou-se.
Na paranoia da metrópole, arremetia aos solavancos, amigo de muros, calçadas, árvores e bancos. Um Patativa em movimento, confundia-se com a paisagem.
Era cartão-postal ambulante, e nisso assustava sensibilidades, que viam nele apenas um trapo humano metido em farrapos. Poucos souberam conhecer o poeta Mário Gomes.
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| Foto - Francisco Fontenele |
Aos 67 de anos, a carcaça, como o poeta tinha se acostumado a se referir à própria carne, formava um arco, com a coluna dobrando-se quase numa meia-lua.
Era o modo de Mário equilibrar-se nas ruas de Fortaleza: maleável, deslizante, anguloso. Com o tempo, habitou-se a desviar de quinas e arestas, numa reengenharia social que impunha ao corpo uma lição tortuosa.
O poeta não foi pedinte. Foi pedestre.
Dispunha das pernas e dos versos.
Lírico à deriva pela cidade, fez da Praça do Ferreira e do Centro Dragão do Mar os entrepostos de uma romaria cotidiana em cujo altar repousava o gozo, única musa.
Celebrou a errância e aceitou a miséria. Dispensou conforto e lar, sem os quais a maioria de nós dificilmente admitiria viver. Andou ao passo do desatino.
Por conta própria, desorientou-se.
Na paranoia da metrópole, arremetia aos solavancos, amigo de muros, calçadas, árvores e bancos. Um Patativa em movimento, confundia-se com a paisagem.
Era cartão-postal ambulante, e nisso assustava sensibilidades, que viam nele apenas um trapo humano metido em farrapos. Poucos souberam conhecer o poeta Mário Gomes.
WandNews - 71ª edição #Retrospectiva2014
Por Jornalismo Wando
E vamos chegando pra anunciar a primeira WandNews de 2015, que vem recheada com os destaques da nossa coluninha em 2014.
Para lobões e schwerys, 2014 foi o ano do Golpe Comunista. Ele foi sacramentado pela reeleição de Dilma e traz Kassab, Katia Abreu e Igreja Universal na sua linha de frente.
Como se vê, teve muito chorume pra pouca WandNews!
Confira agora os melhores momentos da nossa coluninha no ano que passou:
CHORUMINHO
A abundância chorumêra segue jorrando nas redes sociais. Como todos já sabem, o vale-tudo eleitoral é um ambiente propício para a propagação do nosso querido choruminho. Época de eleição está para o chorume, assim como a água parada está para a dengue.
Eu poderia falar do Van Hattem, o candidato do PP gaúcho que disse ter sofrido racismo nas redes sociais. Até um boletim de ocorrência foi aberto depois que ele foi xingado de “gurizote mimado”, “fascista” e “branquelo de merda” no Facebook. Realmente não tá fácil a vida pro loiro brasileiro.
Eu também poderia falar do Dr Rey, o candidato da família brasileira, que apareceu de regata nas redes sociais dizendo que irá lutar pra que as cirurgias cosméticas sejam cobertas pelo SUS, “incluindo o reparo de orelhas para atletas de judô, luta greco-romano e jiu jitsu!”.
Outro choruminho-destaque da semana veio da Associação Comercial e Industrial de Ponta Grossa (PR), que publicou uma cartilha para orientar politicamente os candidatos da região. Entre várias recomendações, duas se destacaram: a redução dos direitos trabalhistas e a extinção do direito a voto dos beneficiários de programas sociais. Que pessoal sensível e democrático, né?
Mas os eleitos pra brilhar na seção mais nobre dessa coluna são os profetas do Golpe Comunista. Fazia tempo que não falávamos desses nossos coleguinhas, então vamos matar a saudade. Com a proximidade das eleições, eles voltaram com uma sede de justiça sherazadeana. Confira o comunicado aterrorizante que circulou nas redes sociais um dia antes do 7 de setembro:
Apesar do terrorismo, o anúncio pondera que são “informações ainda não 100% confirmadas” devido a uma “dificuldade de comunicação no extremo sul do Brasil”. Numa era em que moradores de Gaza transmitem ao vivo o bombardeamento de Israel para o mundo, eu fico aqui tentando imaginar quais dificuldades nossos contrarrevolucionários encontraram pra se comunicar.
A Paloma faz um adendo e incrementa a conspiração dizendo que o “ATAQUE PARTIRÁ DO ABC PAULISTA, DO GRUPO RADICAL DO PT”. Tudo em apocalípticas letras maiúsculas para dar aquela força pra conspiração.
Na sequência, essa guardiã da democracia mostra o que está verdadeiramente por trás desse medo:
O curioso é que não é a primeira vez que essa querida anuncia o golpe comunista que nunca chega. Veja essa publicação de maio:
Ou seja, o Golpe Comunista que iria ser dado em julho foi transferido pro dia 7 de setembro. Estamos no dia 12 e até agora nada. Ainda não há novas datas para a concretização do evento, mas certamente a promoter Paloma fará novo anúncio. O importante mesmo é manter a chama do medo sempre acesa.
A conclusão a que chego é que os profetas do Golpe Comunista são muito parecidos com os do apocalipse: vivem remarcando a data da realização da profecia, mas seguem com muita fé.
BEIJO NO CORAÇÃO
O beijo no coração vai pra Ricardo Amorim, um dos integrantes do Manhattan Connection, o programa que é gravado em Nova Iorque, tem correspondente em Veneza e cuja especialidade é falar mal do Brasil e dos brasileiros.
Além do programa na GNT, Amorim costuma também fazer suas demonstrações de amor ao país nas redes sociais, onde costuma comparar Brasil e Chile de maneira livre, leve e solta:
Mas essa semana o jornalista fez uma livre associação tão inacreditável, que quase tive que encaixar na seção “Choruminho”. O grande Chile apareceu novamente num tweet de Rica, dando lições ao Brasil:
A mensagem teve quase 1000 compartilhamentos. Até o comediante Danilo Gentili a reproduziu.
Para a moçada esperta do Manhattan Connection, o Chile é um país diferenciado na América do Sul. Enquanto seus habitantes estão preocupados com o futuro do país, os brasileiros estão preocupados com coisas menores, como a legalização da maconha. Mas a realidade dos fatos, essa danada, sempre aparece pra roubar a magia do viralatismo nacional. Vejamos essa notícia de maio do ano passado:
Sim, nossos irmãos sulamericanos reúnem muito, mas muito mais manifestantes pró-legalização que o Brasil. Nesse ano, as Marchas da Maconha em São Paulo e no Rio não juntaram, somadas, 15 mil pessoas.
Enquanto o Chile reunia 30 mil pessoas na Marcha da Maconha, o Brasil se preparava para uma onda de protestos intermináveis pela educação, saúde e contra tudo-o-que-está-aí. Qual povo é o mais consciente e politizado agora, Ricardinho?
Se pudéssemos dar nomes aos tweets, eu batizaria esse de "BRAZIL CRIME OCORRE NADA ACONTECE FEIJOADA"
IMAGEM WANDALIZADA
Reportagens descontraídas sempre são bem-vindas. Mas o Jornal Nacional abusou da boa vontade do telespectador na última segunda-feira. Numa tentativa de esquentar o clima para a Copa, a jornalista da Rede Globo foi aos bares e levou “uma fonoaudióloga e alguns equipamentos para medir” o grito de gol dos brasileiros. A reportagem não explica exatamente qual seria o objetivo da medição, mas a fonoaudióloga estava lá para ensinar como gritar gol corretamente.
Jornal Nacional: Torcedor também pode e deve treinar para dar um grito daqueles. Prestar atenção na voz é um cuidado que a gente deve ter sempre. E com conhecimento, com informação fica mais fácil. Sabiam que tem uns segredinhos, uns truques e até o jeito certo de gritar?
A figura do especialista sempre está presente pra dar aquela legitimada científica na matéria. Acompanhe os edificantes conselhos da fonoaudióloga para a hora de soltar aquele grito de gol:
- “Puxa o ar, bastante ar, e aí você solta empurrando a barriga para dentro e abrindo bem a boca. Gritou? Bebe um golinho de água, economiza a voz. E se ficar rouco, observar a duração dessa rouquidão. Até três dias é normal. Mais do que isso tem que procurar um médico”
Com esses conselhos em mente, uma entrevistada soltou seu grito de gol. Foi aí então que a repórter perguntou:
- Repórter: Que tal gritar direitinho?
- Entrevistada: É bem melhor, né? Do que gritar erradinho.
E pra fechar com chave de ouro esse case de Jornalismo Wando, a última entrevistada finaliza:
- "E vai ficar ‘mega chic’ o grito!"
WANDO RESPONDE
No post "Gente do bem x Gente diferenciada", dois nobilíssimos porta-vozes da alta sociedade apareceram pra jogar umas verdade na cara dessa sociedade hipócrita:
https://br.noticias.yahoo.com/blogs/jornalismo-wando/wandnews-71-edicao-retrospectiva2014-012358905.html
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