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Agrônomo, com interesses em música e política

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Do Cocó ao Concentra Mas não sai, passando pelo Alpendre































É massa, mas é paia

Por Henrique Araújo

O cearense é um bicho massa e paia ao mesmo tempo. Vaia o sol num dia de chuva. É massa. Ri de tudo e na hora errada. É paia. Faz da gambiarra um passaporte para a felicidade. É massa. Prefere o remendo à solução. É paia. Adora história de menino pobre que passou no vestibular mais difícil da cidade. É massa. Gosta de se ufanar dos gênios que produz em escala industrial nos colégios particulares. É paia. Divide a sombra do poste com outra pessoa. É massa. Corta as árvores. É paia. Segura a porta do elevador pra quem está chegando. É massa. Estaciona na vaga do idoso. Paia. É banhado (a) e cheiroso (a). Massa. Joga lixo pelo vidro do carro. Paia. Faz chuva de gliter no Carnaval. Massa. Atira um punhado de maisena no olho. Paia.


O cearense vive orbitando nesse universo binário do massa/paia. A gente é massa porque é vocacionado à galhofa. Mas é paia porque odeia quando tem de segurar o riso, que, entre nós, é uma espécie de frieira atávica passada de geração para geração e perpetuada nos genes. Numa geografia adversa, é massa a predisposição à pilhéria, que acaba salvando muita gente de endoidecer. Ocorre que o excesso pode ter efeito contrário, e o que era massa fica paia.


Uma ida ao teatro ou ao cinema exemplifica. Se é pra chorar, rimos. Se é pra rir, rimos mais ainda. Se o instante impõe silêncio, risinhos se espalham pelas beiradas da plateia. É mais forte que a gente, e isso é paia. É como se a realidade imediata fosse roteirizada por Rossicleia ou Tom Cavalcante. Nosso diretor de elenco é Tiririca. Nosso editor de som, Victor Hannover. E há um Sinfrônio contracenando no interior de cada um dos nascidos nas terrasde Alencar.



Tudo porque o caráter do gentio é dúbio, híbrido e pendular. Hospitaleiros – massa. Mas linchadores de assaltante – paia. Receptivos, massa. Mas pródigos em desrespeitar regras mínimas de convivência. Paia. Rir da chuva caindo. Massa. Cortar a árvore onde os mendigos penduravam o colchão na praça. Paia.


É massa ter saída para quase todos os problemas. É paia quando todas as respostas são provisórias e precisam de outra demão de tinta pouco tempo depois. É massa ter orgulho da capacidade de invenção e da natureza obstinada do nativo. É paia quando a gente ilustra isso com o exemplo dos cearenses que ocupam mais da metade das vagas nos institutos de ensino de São Paulo e Rio.


É massa quando festejamos a vitória de um aluno de escola pública que ganhou bolsa para estudar numa das melhores instituições de outro país. É paia quando ficamos deslumbrados com a lógica VIP das turmas especiais de colégios particulares, a mesma que multiplica aprovados unicamente para estampar nas propagandas. É massa ver tantas bicicletas na cidade. É paia um estacionamento gigantesco à beira-mar.


É massa estar feliz e não querer ir embora do lugar onde se vive. Afinal, o Brasil passa férias aqui. Mas é paia não ir além do mero reconhecimento de uma beleza geográfica que se limita, quando muito, ao litoral. É massa sublimar dificuldades com o riso, transformando queda em passo de dança. É paia quando o riso é convocado para recalcar os problemas e escondê-los debaixo do tapete. Por tudo isso, o cearense é muito massa, mas também é muito paia.

http://www.opovo.com.br/app/colunas/henriquearaujo/2016/01/21/noticiashenriquearaujo,3564415/e-massa-mas-e-paia.shtml

Luxo da Aldeia - 1ra sexta 2016
































Todos os pedantes 3 - André Dahmer


Todos os pedantes 2 - André Dahmer


Todos os pedantes - André Dahmer

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Bandeira de Guerra com Paulinho da Viola


 
Bandeira de Guerra (Paulo Vanzolini)

Foi numa esquina da vida
Uma mulher em hora perdida
Um homem em ponto morto
Nessa base do tropeço e mal começo
Foi nascer contra a vontade este amor torto
Me admira ter vingado, quem diria
Que fosse loucura pra mais do que um dia
Na verdade, quem diria
Que enxergasse a luz do dia
(2x)

Mas vingou e é coisa feita
Torto sim eu ostento
E ninguém me endireita
Mulher já que Deus quer vamos em frente

Minha bandeira de guerra
Meu pé de briga na Terra
Meu direito de ser gente
(2x)

Foi numa esquina da vida (...)

Mas vingou e é coisa feita
Torto sim eu ostento
E ningém me endireita

Mulher já que Deus quer vamos em frente

Minha bandeira de guerra (...)
(2x)

Tempo e Espaço - Paulo Vanzolini



 
Tempo e espaço ( Paulo Vanzolini)

Tempo e espaço eu confundo,
E a linha de mundo é uma reta fechada.
Périplo, cíclo, jornada de luz consumida
E reencontrada.
Não sei de quem visse o começo
E sequer reconheço
O que é meio o que é fim
Prá viver no teu tempo é que eu faço
Viagens no espaço,
De dentro de mim.

Das conjunções improváveis
De órbitas instáveis
É que eu me mantenho
E venho arrimado nuns versos,
Tropeçando universos,
Prá achar-te no fim
Deste tempo cansado de dentro de mim.


segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Diumtudo - Os dez discos de 2015 (10)

A pedido de Rogério Ribeiro selecionei meus 10 discos de 2015. Ressalto que são discos dos que comprei durante o ano e não dos que foram lançados no ano. Cheguei a 26 discos, mas o amigo só queria dez. Ficaram muitos bons discos de fora da relação.

10. Adriana Calcanhoto - Loucura



Diumtudo - Os dez discos de 2015 (9)

A pedido de Rogério Ribeiro selecionei meus 10 discos de 2015. Ressalto que são discos dos que comprei durante o ano e não dos que foram lançados no ano. Cheguei a 26 discos, mas o amigo só queria dez. Ficaram muitos bons discos de fora da relação.
 
9 - BOB DYLAN - Shadows in the night
 
 

Diumtudo - Os dez discos de 2015 (8)

A pedido de Rogério Ribeiro selecionei meus 10 discos de 2015. Ressalto que são discos dos que comprei durante o ano e não dos que foram lançados no ano. Cheguei a 26 discos, mas o amigo só queria dez. Ficaram muitos bons discos de fora da relação.

8. SUSANNA STIVALI - caro Chico






 

Diumtudo - Os dez discos de 2015 (7)

A pedido de Rogério Ribeiro selecionei meus 10 discos de 2015. Ressalto que são discos dos que comprei durante o ano e não dos que foram lançados no ano. Cheguei a 26 discos, mas o amigo só queria dez. Ficaram muitos bons discos de fora da relação.

7. CÉLIA - Aquilo que a gente diz

 

Diumtudo - Os dez discos de 2015 (6)


A pedido de Rogério Ribeiro selecionei meus 10 discos de 2015. Ressalto que são discos dos que comprei durante o ano e não dos que foram lançados no ano. Cheguei a 26 discos, mas o amigo só queria dez. Ficaram muitos bons discos de fora da relação.

6 - GUINGA - Porto de Madama





Diumtudo - Os dez discos de 2015 (5)

A pedido de Rogério Ribeiro selecionei meus 10 discos de 2015. Ressalto que são discos dos que comprei durante o ano e não dos que foram lançados no ano. Cheguei a 26 discos, mas o amigo só queria dez. Ficaram muitos bons discos de fora da relação.

5. MARIANA AYDAR - Pedaço duma asa 






Diumtudo - Os dez discos de 2015 (4)

A pedido de Rogério Ribeiro selecionei meus 10 discos de 2015. Ressalto que são discos dos que comprei durante o ano e não dos que foram lançados no ano. Cheguei a 26 discos, mas o amigo só queria dez. Ficaram muitos bons discos de fora da relação.

4.  SIMONE MAZZER - Férias em videotape



Diumtudo - Os dez discos de 2015 (3)

A pedido de Rogério Ribeiro selecionei meus 10 discos de 2015. Ressalto que são discos dos que comprei durante o ano e não dos que foram lançados no ano. Cheguei a 26 discos, mas o amigo só queria dez. Ficaram muitos bons discos de fora da relação.

3. FABIANA COZZA - Partir





 

Diumtudo - Os dez discos de 2015 (2)

A pedido de Rogério Ribeiro selecionei meus 10 discos de 2015. Ressalto que são discos dos que comprei durante o ano e não dos que foram lançados no ano. Cheguei a 26 discos, mas o amigo só queria dez. Ficaram muitos bons discos de fora da relação.
 
2. VALÉRIA LOBÃO - Noel Rosa, preto e branco












Diumtudo - Os dez discos de 2015

A pedido de Rogério Ribeiro selecionei meus 10 discos de 2015. Ressalto que são discos dos que comprei durante o ano e não dos que foram lançados no ano. Cheguei a 26 discos, mas o amigo só queria dez. Ficaram muitos bons discos de fora da relação.

  1.  ELZA SOARES - A mulher do fim do mundo.