terça-feira, 11 de julho de 2017
Jombrega, Detefon e Carnaval
A foto encontrei num vídeo do You Tube postado por Luciano Hortêncio. No detalhe uma placa com os dizeres "Detefon para Jombrega". Devia ser alguém que torcia pelo Kanal.
Francisco José Róseo de Oliveira, mais conhecido como Jombrega (19 de março de 1918), é um ex jogador de futebol. Jogou nas décadas de 1930 e 1940 como ponta direita do Fortaleza Esporte Cube.
Ao longo da carreira, jogou no Maguari , Fortaleza ,Peñarol, Ferroviário , Ceará.
Foi campeão da Copa Cidade de Natal de 1946, e cearense em 1936, 1937, 1938, 1941, 1943, 1944, 1946 e 1947.
segunda-feira, 10 de julho de 2017
Saber Mentir (Antonio Bruno)
por Nina Wirtti
Rolando Boldrin recebe a cantora Nina Wirtti (Santa Maria - RS) que canta "Saber Mentir" (Antônio Bruno). Músicos acompanhantes: Guto Wirtti (contrabaixo), Luis Barcelos (bandolim), Rafael Mallmith (violão 7 cordas) e Ruy Quaresma (violão).
Rolando Boldrin recebe a cantora Nina Wirtti (Santa Maria - RS) que canta "Saber Mentir" (Antônio Bruno). Músicos acompanhantes: Guto Wirtti (contrabaixo), Luis Barcelos (bandolim), Rafael Mallmith (violão 7 cordas) e Ruy Quaresma (violão).
A NOITE DE SÃO JANUÁRIO
Por Luiz Antonio Simas
Não é apenas sobre futebol. É sobre a cidade. A tragédia de ontem em São Januário é derivada de inúmeros fatores, tais como o despreparo da PM, a crise política do Vasco, a cultura da violência como elemento de sociabilidade entre membros de torcida, a construção de pertencimento a um grupo a partir do ódio ao outro (elemento marcante da relação entre Vasco e Flamengo nas últimas décadas), o esfacelamento da autoridade pública no Rio de Janeiro, etc.
Ela tem como pano de fundo, todavia, o assassinato do Maracanã. Morte matada, cruel, pensada nos gabinetes mais sórdidos do poder. Como um sujeito que tenta participar minimamente do debate público sobre a cidade, escrevi sobre isso em O Globo (Santuário Profanado, 26/12/2011) e em O Dia (A cidade era o Maracanã, 27/04/2016). Retomo aqui algumas ideias daqueles artigos.
O Maracanã talvez tenha sido a maior encarnação, ao lado das praias, de certo mito de convívio cordial, ao mesmo tempo sórdido e afetuoso, da cidade do Rio de Janeiro. O estádio foi pensado, em 1950, para ser frequentado por torcedores de todas as classes sociais, mas não de forma igualitária. Ele foi espacialmente dividido, como se cada torcedor tivesse que saber qual é a sua posição na sociedade: os mais pobres na geral, a classe média nas arquibancadas, os mais remediados nas cadeiras azuis e os mais remediados ainda em suas cadeiras cativas.
Esta fabulação de espaço democrático que era o antigo Maracanã, todavia, ainda permitia duas coisas que nos faziam acreditar em uma cidade menos injusta: a crença num modelo de coesão cordato, em que as diferenças se evidenciavam no espaço, mas se diluíam em certo imaginário de amor pelo futebol; e a possibilidade de invenção de afetos e sociabilidades dentro do que havia de mais precário. A geral – o precário provisório – acabava sendo o local em que as soluções mais inusitadas e originais sobre como torcer surgiam.
A geral era, em suma, a fresta pela qual a festa do jogo se potencializava da forma mais vigorosa: como catarse, espírito criativo, performance dramática e sociabilização no perrengue.O fim da geral, a rigor, poderia ser defensável, considerando-se a precariedade do espaço. O problema é que ele veio acompanhado de um projeto muito mais perverso: não era a geral que precisava sumir; eram os geraldinos. Na arena multiuso, interessa um público restrito, selecionado pelo potencial de consumo dentro dos estádios e pelos programas de sócios torcedores. Facilita-se assim a massificação das transmissões televisivas por canais a cabo.
O fim da geral foi, simbolicamente, o esfacelamento de um pacto de cordialidade que usou o manto do consenso para desenhar simulacros de democracia na cidade. Mas até isso já era. Prevalece agora a lógica da exclusão explícita.
Noves fora isso, a destruição do Maracanã fez parte do projeto mais amplo de assalto ao Rio de Janeiro promovido pela organização criminosa de Sérgio Cabral / Pezão e comparsas.
Eu não acredito em qualquer pacto ou em qualquer reconstrução da cidade do Rio de Janeiro - esfacelada, aniquilada, assaltada , extorquida, mediocrizada - que não passe pela devolução do Maracanã aos cariocas.
Um efeito perverso, dentre vários, que vai ser gerado pela noite triste em São Januário é o reforço do discurso dos que acham que o futebol tem que ser mesmo elitizado. Outro efeito deletério é a desqualificação de São Januário, um templo da cultura carioca e um patrimônio do Brasil que, todavia, não pode comportar clássicos.
Desculpem-me os que acham que estamos discutindo futebol ao debater o que aconteceu em São Januário e o crime cometido contra o Maracanã. Não é isso. Nós estamos discutindo a cidade e o Brasil como mínimas possibilidades de convívio digno, fraterno e inventivo entre nossas gentes.
quinta-feira, 6 de julho de 2017
A SOCIEDADE DO CANSAÇO ( 5)
POR hAN, BYUNG-CHUL
"O próprio afirma-se na outro, negando a negatividade do outro. Também a profilaxia imunológica, portanto a vacinação, segue a dialética da negatividade. Introduz-se no próprio apenas fragmentos do outro para provocar a imunorreação.
Nesse caso a negação ocorre sem perigo de vida, visto que a defesa imunológica não é confrontada com o outro, ele mesmo. Deliberadamente, faz-se um pouco de autoviolência para proteger-se de uma violência ainda maior, que seria mortal. O desaparecimento da alteridade significa que vivemos numa época pobre de negatividades. É bem verdade que os adoecimentos neuronais do século XXI seguem, por seu turno, sua dialética, não a dialética da negatividade, mas a da positividade. São estados patológicos devido a um exagero de positividade.
A violência não provém apenas da negatividade,mas também da positividade, não apenas do outro ou do estranho, mas também do igual.
Num sistema onde domina o igual só se pode falar de força de defesa em sentido figurado. A defesa imunológica volta-se sempre contra o outro ou o estranho em sentido enfático. O igual não leva à formação de anticorpos. Num sistema dominado pelo igual não faz sentido fortalecer os mecanismos de defesa.
IN SOCIEDADE DO CANSAÇO - DE BYUNG-CHUL HAN
EDITORA VOZES
"O próprio afirma-se na outro, negando a negatividade do outro. Também a profilaxia imunológica, portanto a vacinação, segue a dialética da negatividade. Introduz-se no próprio apenas fragmentos do outro para provocar a imunorreação.
Nesse caso a negação ocorre sem perigo de vida, visto que a defesa imunológica não é confrontada com o outro, ele mesmo. Deliberadamente, faz-se um pouco de autoviolência para proteger-se de uma violência ainda maior, que seria mortal. O desaparecimento da alteridade significa que vivemos numa época pobre de negatividades. É bem verdade que os adoecimentos neuronais do século XXI seguem, por seu turno, sua dialética, não a dialética da negatividade, mas a da positividade. São estados patológicos devido a um exagero de positividade.
A violência não provém apenas da negatividade,mas também da positividade, não apenas do outro ou do estranho, mas também do igual.
Num sistema onde domina o igual só se pode falar de força de defesa em sentido figurado. A defesa imunológica volta-se sempre contra o outro ou o estranho em sentido enfático. O igual não leva à formação de anticorpos. Num sistema dominado pelo igual não faz sentido fortalecer os mecanismos de defesa.
IN SOCIEDADE DO CANSAÇO - DE BYUNG-CHUL HAN
EDITORA VOZES
quarta-feira, 5 de julho de 2017
A SOCIEDADE DO CANSAÇO (4)
Por Han, Byung-Chul
"O paradigma imunológico não se coaduna com o processo de globalização. A alteridade, que provocaria uma imunorreação atuaria contrapondo-s ao processo de suspensão de barreiras. O mundo organizado imunologicamente possui uma tipologia específica.
É marcado por barreiras, passagens e soleiras, por cercas, trincheiras e muros. Essas impedem o processo de troca e intercâmbio. A promiscuidade geral que hoje em dia toma conta de todos os âmbitos da vida, e a falta da alteridade imunologicamente ativa, condicionam-se mutuamente.
Também a hibridização, que domina não apenas o atual discurso teorético-cultural mas também o sentimento que se tem hoje em dia da vida, é diametralmente contrária precisamente à imunização. A hiperestesia não admite qualquer hibridização.
A dialética da negatividade é o traço fundamental da imunidade. O imunologicamente outro é o negativo, que penetra no próprio e procura negá-lo. Nessa negatividade do outro o próprio sucumbe, quando não consegue, de seu lado, negar àquele. A autoafirmação imunológica do próprio, portanto se realiza como negação da negação."
IN a SOCIEDADE DO CANSAÇO -
BYUNG-CHUL HAN
EDITORA VOZES
"O paradigma imunológico não se coaduna com o processo de globalização. A alteridade, que provocaria uma imunorreação atuaria contrapondo-s ao processo de suspensão de barreiras. O mundo organizado imunologicamente possui uma tipologia específica.
É marcado por barreiras, passagens e soleiras, por cercas, trincheiras e muros. Essas impedem o processo de troca e intercâmbio. A promiscuidade geral que hoje em dia toma conta de todos os âmbitos da vida, e a falta da alteridade imunologicamente ativa, condicionam-se mutuamente.
Também a hibridização, que domina não apenas o atual discurso teorético-cultural mas também o sentimento que se tem hoje em dia da vida, é diametralmente contrária precisamente à imunização. A hiperestesia não admite qualquer hibridização.
A dialética da negatividade é o traço fundamental da imunidade. O imunologicamente outro é o negativo, que penetra no próprio e procura negá-lo. Nessa negatividade do outro o próprio sucumbe, quando não consegue, de seu lado, negar àquele. A autoafirmação imunológica do próprio, portanto se realiza como negação da negação."
IN a SOCIEDADE DO CANSAÇO -
BYUNG-CHUL HAN
EDITORA VOZES
terça-feira, 4 de julho de 2017
SOCIEDADE DO CANSAÇO (3)
por Han, Byung-Chul
"Hoje a sociedade está entrando cada vez mais numa constelação que se afasta totalmente do esquema de organização e de defesa imunológicas.
Caracteriza-se pelo desaparecimento da alteridade e da estranheza. A alteridade é a categoria fundamental da imunologia. Toda e qualquer reação imunológica é uma reação à alteridade. Mas hoje em dia, em lugar da alteridade entra em cena a diferença, que não provoca nenhuma reação imunológica. A diferença pós-imunológica, sim, a diferença pós-moderna já não faz adoecer. Em nível imunológico, ela é o mesmo.
Falta à diferença, de certo modo, o aguilhão da estranheza, que provocaria uma violenta reação imunológica. Também a estranheza se neutraliza numa fórmula de consumo.
O estranho cede lugar ao exótico. O tourist viaja para visitá-lo. O turista e o consumidor já não é um sujeito imunológico.
in O sociedade do cansaço, Byung-Chul Han - editora Vozes
"Hoje a sociedade está entrando cada vez mais numa constelação que se afasta totalmente do esquema de organização e de defesa imunológicas.
Caracteriza-se pelo desaparecimento da alteridade e da estranheza. A alteridade é a categoria fundamental da imunologia. Toda e qualquer reação imunológica é uma reação à alteridade. Mas hoje em dia, em lugar da alteridade entra em cena a diferença, que não provoca nenhuma reação imunológica. A diferença pós-imunológica, sim, a diferença pós-moderna já não faz adoecer. Em nível imunológico, ela é o mesmo.
Falta à diferença, de certo modo, o aguilhão da estranheza, que provocaria uma violenta reação imunológica. Também a estranheza se neutraliza numa fórmula de consumo.
O estranho cede lugar ao exótico. O tourist viaja para visitá-lo. O turista e o consumidor já não é um sujeito imunológico.
in O sociedade do cansaço, Byung-Chul Han - editora Vozes
Risque - Alcione
Por Biscoito Fino
“Alcione Boleros”, conforme explicita o título, é um espetáculo que premia o gênero romântico em uma de suas expressões mais emblemáticas.
Apesar de ser geralmente rotulada como sambista, a Marrom sempre exibiu, orgulhosamente, sua veia romântica.
Boa parte de seus maiores hits, uma lista imensa de sucessos, pertence ao gênero romântico e fala sobre amores e desamores, encontros e desencontros.
Mas, quase sempre, com uma narrativa que valoriza a força da mulher e uma eterna disposição para dar a volta por cima. Afinal, como ela mesma diz, "não é uma qualquer".
A SOCIEDADE DO CANSAÇO (2)
por Han, Byung-Chul
"O século passado foi uma época imunológica. Trata-se de uma época na qual se estabeleceu uma divisão nítida entre dentro e fora, amigo e inimigo ou entre próprio e estranho. Mesmo na guerra fria seguia esse esquema imunológico. O próprio paradigma imunológico do século passado foi integralmente dominado pelo vocabulário dessa guerra, por dispositivo francamente militar. A ação imunológica é definida como ataque e defesa. Nesse dispositivo imunológico, que ultrapassou o campo biológico adentrando no campo e em todo o âmbito social, ali foi inscrita uma cegueira: Pela defesa, afasta-se tudo que é estranho.
O objeto da defesa imunológica é a estranheza como tal. Mesmo que o estranho não tenha nenhuma intenção hostil, mesmo que ele não represente nenhum perigo, é eliminado em virtude de sua alteridade."
In A sociedade do Cansaço, de Byung-Chul Han - editora Vozes.
"O século passado foi uma época imunológica. Trata-se de uma época na qual se estabeleceu uma divisão nítida entre dentro e fora, amigo e inimigo ou entre próprio e estranho. Mesmo na guerra fria seguia esse esquema imunológico. O próprio paradigma imunológico do século passado foi integralmente dominado pelo vocabulário dessa guerra, por dispositivo francamente militar. A ação imunológica é definida como ataque e defesa. Nesse dispositivo imunológico, que ultrapassou o campo biológico adentrando no campo e em todo o âmbito social, ali foi inscrita uma cegueira: Pela defesa, afasta-se tudo que é estranho.
O objeto da defesa imunológica é a estranheza como tal. Mesmo que o estranho não tenha nenhuma intenção hostil, mesmo que ele não represente nenhum perigo, é eliminado em virtude de sua alteridade."
In A sociedade do Cansaço, de Byung-Chul Han - editora Vozes.
segunda-feira, 3 de julho de 2017
A sociedade do cansaço (1)
por Han, Byung-Chul
" Visto a partir da perspectiva patológica, o começo do século XXI não é definido como bacteriológico nem viral, mas neuronal.
Doenças neuronais como a depressão, transtorno de déficit de atenção com síndrome de hiperatividade (Tdah), transtorno de personalidade limítrofe (TPL) ou a síndrome de Burnout (SB) determinam a paisagem patológica do começo do século XXI. Não são infecções, mas infartos, provocados não pela negatividade de algo imunologicamente diverso, mas pelo excesso de positividade.
Assim, eles escapam a qualquer técnica imunológica, que tem a função de afastar a negatividade daquilo que é estranho."
in Sociedade do cansaço, Byung-Chul Han, editora Vozes
" Visto a partir da perspectiva patológica, o começo do século XXI não é definido como bacteriológico nem viral, mas neuronal.
Doenças neuronais como a depressão, transtorno de déficit de atenção com síndrome de hiperatividade (Tdah), transtorno de personalidade limítrofe (TPL) ou a síndrome de Burnout (SB) determinam a paisagem patológica do começo do século XXI. Não são infecções, mas infartos, provocados não pela negatividade de algo imunologicamente diverso, mas pelo excesso de positividade.
Assim, eles escapam a qualquer técnica imunológica, que tem a função de afastar a negatividade daquilo que é estranho."
in Sociedade do cansaço, Byung-Chul Han, editora Vozes
quinta-feira, 29 de junho de 2017
Paulo Tapajós - u Poeta du Sertão
Para Fabricio, Urico e Thadeu
u Poeta du Sertão
Catulo da Paixão Cearense
Si chora o pinho
Im desafio gemedô
Não hai poeta cumo os fio
Du sertão sem sê doutô
Us óio quente
Da caboca faz a gente
Sê poeta di repente
Que a puisia vem do amor
Não há poeta, não há
Cumo os fio do Ceará!
Dotô fromado, home aletrado
Lá da Côrte
Se quisé mexê comigo
Muito intoncê tem qui vê
Us livro da intiligença
I dá sabença
Mas porém u mato virge
Tem puisia como quê!
Poeta eu sô sem sê dotô
Sou sertanejo
Eu sô fio lá dus brejo
Du sertão do Aracati
As minha trova
Nasce d'arma sem trabaio
Cumo nasce na coresma
Nu seu gaio a frô de Abri
u Poeta du Sertão
Catulo da Paixão Cearense
Si chora o pinho
Im desafio gemedô
Não hai poeta cumo os fio
Du sertão sem sê doutô
Us óio quente
Da caboca faz a gente
Sê poeta di repente
Que a puisia vem do amor
Não há poeta, não há
Cumo os fio do Ceará!
Dotô fromado, home aletrado
Lá da Côrte
Se quisé mexê comigo
Muito intoncê tem qui vê
Us livro da intiligença
I dá sabença
Mas porém u mato virge
Tem puisia como quê!
Poeta eu sô sem sê dotô
Sou sertanejo
Eu sô fio lá dus brejo
Du sertão do Aracati
As minha trova
Nasce d'arma sem trabaio
Cumo nasce na coresma
Nu seu gaio a frô de Abri
quarta-feira, 28 de junho de 2017
Jessé Souza: “A classe média é feita de imbecil pela elite”
Por Sergio Lirio
Em agosto, o sociólogo Jessé Souza lança novo livro, A Elite
do Atraso – da Escravidão à Lava Jato. De certa forma, a obra compõe uma
trilogia, ao lado de A Tolice da Inteligência Brasileira, de 2015,
e de A Ralé Brasileira, de 2009, um esforço de repensar
a formação do País.
Neste novo estudo, o ex-presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada aprofunda
sua crítica à tese do patrimonialismo como origem de nossas mazelas e localiza
na escravidão os genes de uma sociedade “sem
culpa e remorso, que humilha e mata os pobres”. A mídia, a Justiça e a
intelectualidade, de maneira quase unânime, afirma Souza na entrevista a
seguir, estão a serviço dos donos do poder e se irmanam no objetivo de manter o
povo em um estado permanente de letargia. A classe média, acrescenta, não
percebe como é usada. “É feita de imbecil” pela elite.
CartaCapital: O impeachment de Dilma Rousseff, afirma o
senhor, foi mais uma prova do pacto antipopular histórico que vigora no Brasil.
Pode explicar?
Jessé Souza: A construção desse pacto se dá logo a partir da libertação dos escravos, em 1888. A uma ínfima elite econômica se une uma classe, que podemos chamar de média, detentora do conhecimento tido como legítimo e prestigioso. Ela também compõe a casta de privilegiados. São juízes, jornalistas, professores universitários. O capital econômico e o cultural serão as forças de reprodução do sistema no Brasil.
Jessé Souza: A construção desse pacto se dá logo a partir da libertação dos escravos, em 1888. A uma ínfima elite econômica se une uma classe, que podemos chamar de média, detentora do conhecimento tido como legítimo e prestigioso. Ela também compõe a casta de privilegiados. São juízes, jornalistas, professores universitários. O capital econômico e o cultural serão as forças de reprodução do sistema no Brasil.
Em outra ponta, temos uma classe trabalhadora precarizada, próxima dos
herdeiros da escravidão, secularmente abandonados. Eles se reproduzem aos
trancos e barrancos, formam uma espécie de família desestruturada, sem acesso à
educação formal. É majoritariamente negra, mas não só. Aos negros libertos
juntaram-se, mais tarde, os migrantes nordestinos. Essa classe desprotegida
herda o ódio e o desprezo antes destinados aos escravos. E pode ser
identificada pela carência de acesso a serviços e direitos. Sua função na
sociedade é vender a energia muscular, como animais. É ao mesmo tempo explorada
e odiada.
CC: A sociedade brasileira foi forjada à sombra da escravidão, é isso?
JS: Exatamente. Muito se fala sobre a escravidão e pouco se reflete a
respeito. A escravidão é tratada como um “nome” e não como um “conceito
científico” que cria relações sociais muito específicas. Atribuiu-se muitas de
nossas características à dita herança portuguesa, mas não havia escravidão em Portugal. Somos, nós brasileiros, filhos de um
ambiente escravocrata, que cria um tipo de família específico, uma Justiça
específica, uma economia específica. Aqui valia tomar a terra dos outros à
força, para acumular capital, como acontece até hoje, e humilhar e
condenar os mais frágeis ao abandono e à humilhação cotidiana.
CC: Um modelo que se perpetua, anota o senhor no novo livro.
JS: Sim. Como essa herança nunca foi refletida e criticada, continua sob outras máscaras. O ódio aos pobres é tão intenso que qualquer melhora na miséria gera reação violenta, apoiada pela mídia. E o tipo de rapina econômica de curto prazo que também reflete o mesmo padrão do escravismo.
JS: Sim. Como essa herança nunca foi refletida e criticada, continua sob outras máscaras. O ódio aos pobres é tão intenso que qualquer melhora na miséria gera reação violenta, apoiada pela mídia. E o tipo de rapina econômica de curto prazo que também reflete o mesmo padrão do escravismo.
CC: Como isso influencia a interpretação do Brasil?
JS: A recusa em confrontar o passado escravista gera uma incompreensão sobre o Brasil moderno. Incluo no problema de interpretação da realidade a tese do patrimonialismo, que tanto a direita quanto a esquerda, colonizada intelectualmente pela direita, adoram. O conceito de patrimonialismo serve para encobrir os interesses organizados no chamado mercado. Estigmatiza a política e o Estado, os “corruptos”, e estimula em contraponto a ideia de que o mercado é um poço de virtudes.
JS: A recusa em confrontar o passado escravista gera uma incompreensão sobre o Brasil moderno. Incluo no problema de interpretação da realidade a tese do patrimonialismo, que tanto a direita quanto a esquerda, colonizada intelectualmente pela direita, adoram. O conceito de patrimonialismo serve para encobrir os interesses organizados no chamado mercado. Estigmatiza a política e o Estado, os “corruptos”, e estimula em contraponto a ideia de que o mercado é um poço de virtudes.
"O ódio aos
pobres é intenso"
CC: O moralismo seletivo de certos setores não exprime mais um ódio de
classe do que a aversão à corrupção?
JS: Sim. Uma parte privilegiada da sociedade passou a se sentir ameaçada pela pequena ascensão econômica desses grupos historicamente abandonados. Esse sentimento se expressava na irritação com a presença de pobres em shopping centers e nos aeroportos, que, segundo essa elite, tinham se tornado rodoviárias.
JS: Sim. Uma parte privilegiada da sociedade passou a se sentir ameaçada pela pequena ascensão econômica desses grupos historicamente abandonados. Esse sentimento se expressava na irritação com a presença de pobres em shopping centers e nos aeroportos, que, segundo essa elite, tinham se tornado rodoviárias.
A irritação aumentou quando os pobres passaram a frequentar as
universidades. Por quê? A partir desse momento, investiu-se contra uma das
bases do poder de uma das alas que compõem o pacto antipopular, o acesso
privilegiado, quase exclusivo, ao conhecimento formal considerado legítimo.
Esse incômodo, até pouco tempo atrás, só podia ser compartilhado em uma roda de
amigos. Não era de bom tom criticar a melhora de vida dos mais pobres.
CC: Como o moralismo entra em cena?
JS: O moralismo seletivo tem servido para atingir os principais agentes dessa pequena ascensão social, Lula e o PT. São o alvo da ira em um sistema político montado para ser corrompido, não por indivíduos, mas pelo mercado. São os grandes oligopólios e o sistema financeiro que mandam no País e que promovem a verdadeira corrupção, quantitativamente muito maior do que essa merreca exposta pela Lava Jato. O procurador-geral, Rodrigo Janot, comemora a devolução de 1 bilhão de reais aos cofres públicos com a operação. Só em juros e isenções fiscais o Brasil perde mil vezes mais.
JS: O moralismo seletivo tem servido para atingir os principais agentes dessa pequena ascensão social, Lula e o PT. São o alvo da ira em um sistema político montado para ser corrompido, não por indivíduos, mas pelo mercado. São os grandes oligopólios e o sistema financeiro que mandam no País e que promovem a verdadeira corrupção, quantitativamente muito maior do que essa merreca exposta pela Lava Jato. O procurador-geral, Rodrigo Janot, comemora a devolução de 1 bilhão de reais aos cofres públicos com a operação. Só em juros e isenções fiscais o Brasil perde mil vezes mais.
CC: Esse pacto antipopular pode ser rompido? O fato de os antigos
representantes políticos dessa elite terem se tornado alvo da Lava Jato não fragiliza essa relação, ao
menos neste momento?
JS: Sem um pensamento articulado e novo, não. A única saída seria explicitar o papel da elite, que prospera no saque, na rapina. A classe média é feita de imbecil. Existe uma elite que a explora. Basta se pensar no custo da saúde pública. Por que é tão cara? Porque o sistema financeiro se apropriou dela. O custo da escola privada, da alimentação. A classe média está com a corda no pescoço, pois sustenta uma ínfima minoria de privilegiados, que enforca todo o resto da sociedade. A base da corrupção é uma elite econômica que compra a mídia, a Justiça, a política, e mantém o povo em um estado permanente de imbecilidade.
JS: Sem um pensamento articulado e novo, não. A única saída seria explicitar o papel da elite, que prospera no saque, na rapina. A classe média é feita de imbecil. Existe uma elite que a explora. Basta se pensar no custo da saúde pública. Por que é tão cara? Porque o sistema financeiro se apropriou dela. O custo da escola privada, da alimentação. A classe média está com a corda no pescoço, pois sustenta uma ínfima minoria de privilegiados, que enforca todo o resto da sociedade. A base da corrupção é uma elite econômica que compra a mídia, a Justiça, a política, e mantém o povo em um estado permanente de imbecilidade.
CC: Qual a diferença entre a escravidão no Brasil e nos Estados
Unidos?
JS: Não há tanta diferença. Nos Estados Unidos, a parte não escravocrata dominou a porção escravocrata. No Brasil, isso jamais aconteceu. Ou seja, aqui é ainda pior. Os Estados Unidos não são, porém, exemplares. Por conta da escravidão, são extremamente desiguais e violentos. Em países de passado escravocrata, não se vê a prática da cidadania. Um pensador importante, Norbert Elias, explica a civilização europeia a partir da ruptura com a escravidão. É simples. Sem que se considere o outro humano, não se carrega culpa ou remorso. No Brasil atual prospera uma sociedade sem culpa e sem remorso, que humilha e mata os pobres.
JS: Não há tanta diferença. Nos Estados Unidos, a parte não escravocrata dominou a porção escravocrata. No Brasil, isso jamais aconteceu. Ou seja, aqui é ainda pior. Os Estados Unidos não são, porém, exemplares. Por conta da escravidão, são extremamente desiguais e violentos. Em países de passado escravocrata, não se vê a prática da cidadania. Um pensador importante, Norbert Elias, explica a civilização europeia a partir da ruptura com a escravidão. É simples. Sem que se considere o outro humano, não se carrega culpa ou remorso. No Brasil atual prospera uma sociedade sem culpa e sem remorso, que humilha e mata os pobres.
CC: Algum dia a sociedade brasileira terá consciência das profundas
desigualdades e suas consequências?
JS: Acho difícil. Com a mídia que temos, desregulada e a serviço do dinheiro, e a falta de um padrão de comparação para quem recebe as notícias, fica muito complicado. É ridícula a nossa televisão. Aqui você tem programas de debates com convidados que falam a mesma coisa. Isso não existe em nenhum país minimamente civilizado. É difícil criar um processo de aprendizado.
JS: Acho difícil. Com a mídia que temos, desregulada e a serviço do dinheiro, e a falta de um padrão de comparação para quem recebe as notícias, fica muito complicado. É ridícula a nossa televisão. Aqui você tem programas de debates com convidados que falam a mesma coisa. Isso não existe em nenhum país minimamente civilizado. É difícil criar um processo de aprendizado.
CC: O senhor acredita em eleições em 2018?
JS: Com a nossa elite, a nossa mídia, a nossa Justiça, tudo é possível. O principal fator de coesão da elite é o ódio aos pobres. Os políticos, por sua vez, viraram símbolo da rapinagem. Eles roubam mesmo, ao menos em grande parte, mas, em analogia com o narcotráfico, não passam de “aviõezinhos”. Os donos da boca de fumo são o sistema financeiro e os oligopólios. São estes que assaltam o País em grandes proporções. E somos cegos em relação a esse aspecto. A privatização do Estado é montada por esses grandes grupos. Não conseguimos perceber a atuação do chamado mercado. Fomos imbecilizados por essa mídia, que é paga pelos agentes desse mercado. Somos induzidos a acreditar que o poder público só se contrapõe aos indivíduos e não a esses interesses corporativos organizados. O poder real consegue ficar invisível no País.
JS: Com a nossa elite, a nossa mídia, a nossa Justiça, tudo é possível. O principal fator de coesão da elite é o ódio aos pobres. Os políticos, por sua vez, viraram símbolo da rapinagem. Eles roubam mesmo, ao menos em grande parte, mas, em analogia com o narcotráfico, não passam de “aviõezinhos”. Os donos da boca de fumo são o sistema financeiro e os oligopólios. São estes que assaltam o País em grandes proporções. E somos cegos em relação a esse aspecto. A privatização do Estado é montada por esses grandes grupos. Não conseguimos perceber a atuação do chamado mercado. Fomos imbecilizados por essa mídia, que é paga pelos agentes desse mercado. Somos induzidos a acreditar que o poder público só se contrapõe aos indivíduos e não a esses interesses corporativos organizados. O poder real consegue ficar invisível no País.
CC: O quanto as manifestações de junho de 2013, iniciadas com os
protestos contra o reajuste das tarifas de ônibus em São Paulo, criaram o
ambiente para a atual crise política?
JS: Desde o início aquelas manifestações me pareceram suspeitas. Quem estava nas ruas não era o povo, era gente que sistematicamente votava contra o projeto do PT, contra a inclusão social. Comandada pela Rede Globo, a mídia logrou construir uma espécie de soberania virtual. Não existe alternativa à soberania popular. Só ela serve como base de qualquer poder legítimo. Essa mídia venal, que nunca foi emancipadora, montou um teatro, uma farsa de proporções gigantescas, em torno dessa soberania virtual.
JS: Desde o início aquelas manifestações me pareceram suspeitas. Quem estava nas ruas não era o povo, era gente que sistematicamente votava contra o projeto do PT, contra a inclusão social. Comandada pela Rede Globo, a mídia logrou construir uma espécie de soberania virtual. Não existe alternativa à soberania popular. Só ela serve como base de qualquer poder legítimo. Essa mídia venal, que nunca foi emancipadora, montou um teatro, uma farsa de proporções gigantescas, em torno dessa soberania virtual.
CC: Mas aquelas manifestações foram iniciadas por um grupo
supostamente ligado a ideias progressistas...
JS: Só no início. A mídia, especialmente a Rede Globo, se sentiu ameaçada no começo daqueles protestos. E qual foi a reação? Os meios de comunicação chamaram o seu povo para as ruas. Assistimos ao retorno da família, propriedade e tradição. Os mesmos “valores” que justificaram as passeatas a favor do golpe nos anos 60, empunhados pelos mesmos grupos que antes hostilizavam Getúlio Vargas. Esse pacto antipopular sempre buscou tornar suspeito qualquer representante das classes populares que pudesse ser levado pelo voto ao comando do Estado. Não por acaso, todos os líderes populares que chegaram ao poder foram destituídos por meio de golpes.
JS: Só no início. A mídia, especialmente a Rede Globo, se sentiu ameaçada no começo daqueles protestos. E qual foi a reação? Os meios de comunicação chamaram o seu povo para as ruas. Assistimos ao retorno da família, propriedade e tradição. Os mesmos “valores” que justificaram as passeatas a favor do golpe nos anos 60, empunhados pelos mesmos grupos que antes hostilizavam Getúlio Vargas. Esse pacto antipopular sempre buscou tornar suspeito qualquer representante das classes populares que pudesse ser levado pelo voto ao comando do Estado. Não por acaso, todos os líderes populares que chegaram ao poder foram destituídos por meio de golpes.
terça-feira, 20 de junho de 2017
Chico da minha vida inteira...
Por Ana Costa
Não sei qual foi a primeira música que ouvi.
Talvez, tenha sido Cálice (1978).
Talvez, tenha sido Cálice (1978).
Só lembro que os discos de Chico Buarque tocavam, na vitrola de meu irmão Marcus Vinicius todo fim de semana, todo dia.
Era a senha para entoar a política, em tempos proibidos.
Fui entender isto só muito mais tarde.
Fui entender isto só muito mais tarde.
Cantava A Banda e João e Maria como alegorias infantis.
Lembro, também, da preferida de meu pai, a Feijoada Completa.
Lembro, também, da preferida de meu pai, a Feijoada Completa.
E do Trocando em Miúdos que minha prima Cordélia Costa ouviu e cantou aqui em casa, sem perceber que reavivava as feridas da primeira tia recém divorciada.
Morena de Angola era o jeito tímido de falar de nossas origens africanas, escondidas pelo preconceito da família.
Os Saltimbancos era nossa performance com meus sobrinhos, Mateus, Bruno, Leonardo, Levi , Helder e Mari ensaiada para a escola.. (Eu se pudesse seria sempre a gata)
No início da militância política o Apesar de Você virou o hino da luta pela conquista de eleições e movimentos.
Angélica acompanhava a minha leitura de Brasil Nunca Mais.
O Vai Passar era a música tocada nas festas de fim de ano.
Minha tinha Nair adorava. Tenho esse registro claro comigo.
Minha tinha Nair adorava. Tenho esse registro claro comigo.
Na descoberta dos amores e nas dores de amadurecimento, as músicas do Chico estavam sempre lá.
Eu te amo; A Mais Bonita; Olhos nos Olhos; Futuros Amantes...
Eu te amo; A Mais Bonita; Olhos nos Olhos; Futuros Amantes...
Na minha vida, há inspirações do Deus lhe Pague e Roda-Viva,
O álbum Paratodos, uma homenagem ao povo brasileiro, foi um bálsamo de autoestima, em tempos turvos do neoliberalismo, em que se esquartejava o projeto de país.
Mas, hoje, a música que mais me encanta é Maninha que fala de sonhos pretéritos e esperança de futuro.
É triste e terna, desenhada na paisagem densa da ditadura. Mas, é também uma melodia de aposta no vir a ser.
Acho que é do que estamos precisando.
"Um dia ele vai embora, maninha, pra nunca mais voltar..."
terça-feira, 13 de junho de 2017
Eliane e Beatriz
Dois bons discos.
O "Três no samba" - André Mehmari, Eliane Faria & Gordinho do Surdo. Selo SESC.
E o "Bloco do Amor" - Beatriz Rabello.
No primeiro, uma idealização e produção de J.C. Botteselli (Pelão). Uma mistura inusitada de Piano, Voz e Surdo. Um repertório excelente, com destaque para Água do rio (só resta a saudade) de Anescar Pereira Filho/Noel Rosa de Oliveira e Doce Veneno de Valzinho/Carlos Lentine/M. Goulart.
No "Bloco do Amor" um disco mais chegado ao carnaval, bom repertório, tem direção musical de João Callado. Destaque para a inédita Bloco do Amor de Paulinho da Viola.
Para além do samba, Eliane e Beatriz, tem em comum serem netas se César Faria e filhas de Paulinho da Viola.
Eliane Faria também é sobrinha de Anescarzinho do Salgueiro.
Um descuido no disco "Bloco do Amor", a sétima música do disco é "Nem eu, nem você" e a oitava é "Solidão"e não como aparece na lista de músicas ca contra capa.
O "Três no samba" - André Mehmari, Eliane Faria & Gordinho do Surdo. Selo SESC.
E o "Bloco do Amor" - Beatriz Rabello.
No primeiro, uma idealização e produção de J.C. Botteselli (Pelão). Uma mistura inusitada de Piano, Voz e Surdo. Um repertório excelente, com destaque para Água do rio (só resta a saudade) de Anescar Pereira Filho/Noel Rosa de Oliveira e Doce Veneno de Valzinho/Carlos Lentine/M. Goulart.
No "Bloco do Amor" um disco mais chegado ao carnaval, bom repertório, tem direção musical de João Callado. Destaque para a inédita Bloco do Amor de Paulinho da Viola.
Para além do samba, Eliane e Beatriz, tem em comum serem netas se César Faria e filhas de Paulinho da Viola.
Eliane Faria também é sobrinha de Anescarzinho do Salgueiro.
Um descuido no disco "Bloco do Amor", a sétima música do disco é "Nem eu, nem você" e a oitava é "Solidão"e não como aparece na lista de músicas ca contra capa.
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segunda-feira, 12 de junho de 2017
Dia dos Namorados
Por um Beijo
(Anacleto atulo da Paixão Cearrese)
Ó ri, meu doce amor,
Sorri lágrimas da flor
Teu sorriso inspira
A lira que afinei por teu falar
E quer de amor vibrar
Ao sol de teu olhar
Ri meu doce amor
Sorri, pérola da flor
Abre em teu lábio um sorriso
Onde um coração diviso,
De algum anjo que desceu do azul.
Num teu sorriso
Luz de poesia
Vem dar a melodia
E musicar os versos meus
Que eu mostrarei a Deus,
Como eu te amo,
Alma dileta
E sem eu ser poeta
Irei fazer o eterno
Te aclamar nos céus.
Irei estrelas lá no céu roubar
Trarei da lua, um raio de luar
Depois dos céus eu descerei ao mar
E a pérola mais bela irei buscar
Sem recear as iras do Senhor, irei,
Roubar os cofres do Senhor
Trarei a essência do divino amor
Se tu, velada no mais vasto véu,
Concederes-me a vitória
A suprema gloria,
De um só beijo teu!
quinta-feira, 8 de junho de 2017
Soledade solo-ao vivo na casa de Francisca
Discaço de Cida Moreira - Soledade solo-ao vivo na casa de Francisca
"Falar sobre cantar canções... e gravar canções... e viver canções... tarefa de responsabilidade difusa, no meio de tudo que um artista pode realizar como seu. Num dia de 2015, em plena fase de gravação de SOLEDADE, a soledade brasileira que estava entranhada em mim, fiz um show descompromissado na nossa linda Casa de Francisca.
Este show foi gravado e filmado por Murilo Alvesso e Césinha. Passou o tempo... SOLEDADE estreou, embelezou, justificou meu espanto brasileiro, ampliou meu amor por este país.
E a outra Soledade ficou guardada, até vir à tona numa manhã de domingo, quando eu e Zé Pedro Selistre ouvimos... ficamos perplexos e encantados com tudo que ali estava cantado... um estado poético e musical, um sentimento de soledade pessoal, referenciado em canções que não entraram no SOLEDADE; e outros muitos sentidos vindos da memória, da poesia, de uma viagem antiga pelas cidades, pelos amores, pelas grandes referências a um estado de alma feminino, de uma artista que em tudo canta um Brasil profundo, e suas experiências estéticas e gostos pelo contundente, pelo estranho, pelo radical, pela palavra rasgada no piano solitário e na voz de uma mulher que acredita que cantar canções traz pra dentro de sua vida um sentido, um fio precioso, capaz de costurar qualquer tecido; esburacados tecidos que somos nós, com nossas lembranças, nossas ideologias e sonhos, cumpridos ou não debaixo deste céu, através dos ventos que levam tudo; só nos deixando a poesia, dona de mim."
"Falar sobre cantar canções... e gravar canções... e viver canções... tarefa de responsabilidade difusa, no meio de tudo que um artista pode realizar como seu. Num dia de 2015, em plena fase de gravação de SOLEDADE, a soledade brasileira que estava entranhada em mim, fiz um show descompromissado na nossa linda Casa de Francisca.
Este show foi gravado e filmado por Murilo Alvesso e Césinha. Passou o tempo... SOLEDADE estreou, embelezou, justificou meu espanto brasileiro, ampliou meu amor por este país.
E a outra Soledade ficou guardada, até vir à tona numa manhã de domingo, quando eu e Zé Pedro Selistre ouvimos... ficamos perplexos e encantados com tudo que ali estava cantado... um estado poético e musical, um sentimento de soledade pessoal, referenciado em canções que não entraram no SOLEDADE; e outros muitos sentidos vindos da memória, da poesia, de uma viagem antiga pelas cidades, pelos amores, pelas grandes referências a um estado de alma feminino, de uma artista que em tudo canta um Brasil profundo, e suas experiências estéticas e gostos pelo contundente, pelo estranho, pelo radical, pela palavra rasgada no piano solitário e na voz de uma mulher que acredita que cantar canções traz pra dentro de sua vida um sentido, um fio precioso, capaz de costurar qualquer tecido; esburacados tecidos que somos nós, com nossas lembranças, nossas ideologias e sonhos, cumpridos ou não debaixo deste céu, através dos ventos que levam tudo; só nos deixando a poesia, dona de mim."
Cida Moreira
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