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terça-feira, 26 de julho de 2011

Uma Skol no Lions

Por Marcus Vinicius


Uma tarde no centro de Fortaleza. Um bar,o lions. Praça dos Leões. Um dos melhores lugares pra se tomar uma cervejinha. 


As fotos abaixo são cenas da praça captadas durante a degustação de uma Skol. Vale salientar que as fotos foram "tiradas" da mesa e da cadeira em que eu estava sentado.













































Bar Lions - Praça dos Leões, na rua General Bizerril por trás do Museu do Ceará.

Carregando os bares nos peitos (3)


segunda-feira, 25 de julho de 2011

Barafunda (Chico Buarque)

Por Alfredo Pessoa



Barafunda é a penúltima do cd Chico (2011). A letra descreve um personagem tentando remontar nomes e fatos abrigados no "Largo da Memória" (que era o título original), também lembra o velho do início do livro "Leite Derramado" (Companhia das Letras, 2009). Aliás, o sentimento de envelhecimento está rondando a cabeça do autor. Em vários momentos do documentário de Bruno Natal (www.chicobastidores.com.br) Chico se reporta ao tema. O importante é que Chico está "De Volta ao Samba". A música também pode ser lembrada assim..."aquela do Cazaquistão" como definiu a jornalista Ana Javes Luz.


Barafunda (Chico Buarque)

C7M G7/B Am6         E/G# Am6         G7                   E7/G#  A7
Era Aurora. Não, era Aurélia. Ou era Ariela. Não me lembro agora.
Dm7        A7/E    F7M        B7 E7M(9)          A7       Dm7 G7
É a saia amarela daquele verão. Que roda até hoje na recordação
C7M G7/B    Am6           E7/G# Am6               G7              E7/G# A7
Foi na Penha. Não, foi na Glória. Gravei na memória. Mas perdi a senha
Dm7                  A7/E      F7M E7 E7/B   Am7        C7(9)     F7M         Fm6
Misturam-se os fatos. As fotos são velhas. Cabelos pretos. Bandeiras vermelhas
C7M     C#º    Dm7                D#º
Foi Garrincha. Não, foi de bicicleta
Gm7      C7(9)                F7M F6 Em7 Em6 Ebm7 Ebm6 Dm7 Dm6
Juro que vi aquela bola entrar na gaveta.                            Tiro de meta
C7M G7/B    Am6    E7/G# Am6            G7                   E7/G# A7
Foi na guerra. É, noite alta. Gritou o astronauta. Que era azul a Terra
Dm7                    A7/E F7M      B7 E7M(9)          A7             Dm7 G7
Quando a verde-e-rosa saiu campeã. Cantando Cartola ao romper da manhã
C7M G7/B Am6            E/G# Am6            G7             E7/G# A7
Salve o dia azul. Salve a festa. E salve a floresta, salve a poesia.
Dm7              A7/E                    F7M E7 E7/B Am7 C7(9)
E salve este samba antes que o esquecimento. Baixe seu manto.
F7M               Fm6 C7M   C#º       Dm7          D#º
Seu manto cinzento. Foi Glorinha. Não, era Maristela
Gm7          C7(9)            F7M F6 Em7 Em6 Ebm7 Ebm6 Dm7 Dm6
Juro que eu ia até casar na Penha com ela.               A vida é bela
C7M G7/B    Am6         E/G#              Am6             G7              E7/G# A7
É, não é. Era Zizinho era Pelé. Aliás, Soraia era Anabela. Era amarela a saia
Dm7              A7/E          F7M        B7 E7M(9)         A7              Dm7 G7
Foi quando a verde-e-rosa saiu campeã, cantando Cartola ao romper da manhã
C7M         G7/B Am6    E/G# Am6           G7             E7/G# A7
Salve o dia azul. Salve a festa. E salve a floresta, salve a poesia
Dm7              A7/E                      F7M           E7 E7/B   Am7          C7(9)
E salve este samba antes que o whisky, o esquecimento, baixe seu manto.
       F7M       Fm6   C7M C#º     Dm7             D#º
Seu manto cinzento. Era Aurora. Não, era Barbarela
Gm7         C7(9)             F7M F6 Em7 Em6 Ebm7 Ebm6 Dm7 Dm6
Juro que eu ia até o Cazaquistão atrás dela.                  A vida é bela
C7M              G7/B     Am6 G7(b13) C7M
É Garrincha, é Cartola e é Mande----la

domingo, 24 de julho de 2011

As oito Amys

Por um desses acasos com os quais o destino eventualmente se compraz, Amy Winehouse morreu aos 27 anos de idade e empolgou a fantasia da mídia naquele instrutivo fenômeno de tentar ligar lé com cré. Impossível imaginar reações diferentes: a mídia é inflexivelmente determinista.
Já se papagueiam, aqui e ali, vívidas projeções, cativantemente mentirosas: porque carameladas, de última hora, das teorias que cada um encontrou para fugir de seu desamparo cultural. É necessário, portanto, tecer uma taxonomia, um dicionário de probabilidades, nos quais você possa tecer a sua tese personalíssima sobre a morte da pop star.
Lembre-se que você pode sancionar moralmente o seu artigo embrulhando a sua teoria com bandagens intrinsecamente inúteis, mas que podem te conferir um ar de respeitabilidade. Seguem-se oito teorias em que você pode enquadrar a vida e a morte de Amy Winehouse, nascida a 14 de setembro – dia mundial do frevo, dia mundial do jiu-jitsu, e feriado na cidade de Tabuleiro, Minas Gerais, porque é o dia do padroeiro Bom Jesus da Cana Verde.
Clube dos 27
Vá até o Google e digite “famous pop stars who died at 27”. A resposta vai ser uma Wikipedia chamada “O Clube dos 27”. De posse dela, você pode dar de barato que dispõe de uma cultura pop invejável e pode fugir do chavão que é dizer, aliás como todo mundo tem dito, que Amy morreu com a mesma idade de Jimi Hendrix, Brian Jones, etc.
http://en.wikipedia.org/wiki/27_Club
Teoria do decandentismo
Uma maneira bem esperta de justificar teoricamente a morte de Amy depositando-lhe uma couronne de perles bastante válida é conectá-la a uma das mais altas eminências que a cultura inglesa produziu, e que até hoje nos intriga vagamente: o decandentismo. Você pode dizer o seguinte: Amy Winehouse é caudatária de um artigo publicado por Arthur Symons, no Harper’s, intitulado “O movimento decadentista”, a que, aliás, Oscar Wilde, aderiu à ferro e à fogo. Wilde, afinal, em 1880, havia fundado um clube a que chamou “Os hedonistas cansados”, que usavam rosas murchas em suas botoeiras, preferiam os cravos tingidos de verde aos naturais, zombavam da moral e dos costumes e cultuavam aquilo que Wilde chamava de “o mandrião” (uma criatura que passa a noite cometendo excessos, só aparece nas ruas depois das cinco da tarde e que costuma se definir como “lagarto preguiçoso”). Você terá aí elementos suficientes para construir uma tese bem papo-cabeça aliando Amy Winehouse às “Flores do Mal”, de Baudelaire, à obre de Paul Verlaine, ao romance “À rebours”, de Huysmans, e à “Stephen Hero”, de James Joyce, para quem o esteticismo começa bem mas termina nas piores abominações. Cai bem a teoria aliando a vida de Amy ao decadentismo e suas artimanhas e credulidades tão vibrantes de entusiasmo com o qual tanto se comprazem os hedonistas. Diga que ela viveu e morreu por e pelo estilo.
Uma Amy só sua
Tentando fugir do academicismo, você pode bolar um selinho só seu para colá-lo à descrição da figura de Amy. Uma dica é: leia o “Livro dos seres imaginários”, lançado em 1957 pelo bruxo da calle Maipú, Jorge Luis Borges sob o nome de “Manual de zoologia fantástica”. Dê uma olhadinha nos 120 seres míticos criados por Borges e dali depreenda uma Amy Frankenstein – construída ao teu bel-prazer. Vale lembrar que demorou anos para que as pessoas entendessem que a obra do Borges era um desbunde, uma tiração de sarro da capacidade humana de criar catalogações. Mas a obra pode te servir de guia para uma Amy Winehouse corta-e-cola. Esculpa livremente uma Amy para chamar de sua: o leitor aplaudirá.
A teoria octagenária
No “Jornal Nacional”, desse sábado, o octagenário nato Nelson Motta desfiou um rosário a envolver uma espécie de afronta à inteligência. Motta estabeleceu uma credulidade estranhamente distorcida na idéia de que Amy Winehouse, premeditadamente, teria querido entrar para “o clube dos imortais” (sic) ao ter, pusilânime, tartufista (e talvez cheia de risadinhas abafadas), se matado justamente aos 27 anos. Essa teoria retira Amy, automaticamente, da teoria anterior, a do decadentismo, e dá a ela uma incivilizada militância em algo a que podemos chamar de “niilismo de resultados”. Escreve algo como “ela se matou para poder viver”.
Retorno de Saturno
Os astrólogos de plantão já começaram a vomitar aqui e ali, lenta e progressivamente, aquele ramerrão que desliza para o voduismo e trivialidades afins – como, por exemplo, o retorno de Saturno. A teoria vindica que Saturno leva 29,4 anos para tecer a sua órbita ao redor do Sol. E que, portanto, tal potência astral influenciaria a vida de cada um de nós mortais entre os 27 e 29 anos de idade, entre os 57 e 58 e entre os 86 e os 88 – a nos envolver na crença ilógica de que estamos passando por um renascimento, tutelado pelas inextricáveis gradações do cosmo, e demais comoventes belezas do Incognoscível. Você pode também tentar estabelecer elos a partir daquela que é tida e havida como a maior astróloga do mundo, Susan Miller. Veja o que ela escreveu para uma virginiana como Amy no seguinte endereço:
http://www.astrologyzone.com/forecasts/monthly/virgo_full.php
Freudismo básico
Outra teoria bem interessantinha é tentar conectar a morte de Amy às vulgatas freudianas. Comece lendo “O mundo como vontade e representação”, de Schopenhauer. Depreenda dali, o que aliás é comumente mitigado por aí, que o Freud como o conhecemos nasceu dessa obra. A saber: Schopenhauer referia que somos comandados por uma vontade, segundo ele um querer cego e racional. Só conseguiríamos nos desviar dessa vontade por meio da contemplação artística, sobretudo a partir da música – de resto, a mais pura das artes a nos fazer desviar do eterno sofrer que é a vida. Nosso nirvana está na música e ponto final. Abrevie essa escalada, e, de chofre (numa atitude grave), postule que a vontade de Schopenhauer virou a pulsão de Freud. Coloque que temos duas pulsões litigantes, e Eros e Tanatos. Teça considerações de que há de se travar uma luta armagedônica contra as pulsões de morte. Cozinhe Schopenhauer e Freud ao ponto, coloque pitadas de Lacan e oferte um delicioso cozido vindicando que Tanatos venceu a pobre Amy, que ela tentou obter o seu nirvana na arte e nas drogas, etc – mas acabou encontrando mesmo a sua paz na supressão do viver.
A teoria midiática
Para confeccionar a teoria midiática é necessário atribuir-se à pobre Amy uma altamente desfavorável fixidez em sua imagem pública. Você pode citar vastamente a teoria da produção de consenso, que Noam Chomsky atribui à mídia; pode enveredar pela teoria da ação comunicativa, de Habermas – ou ainda fazer uma releitura de “História e consciência de classe”, publicado em 1923 pelo húngaro Gyorgy Lukacs Ah, já ia me esquecendo: poderá também citar pedacinhos de “The brass check”, de Upton Sinclair, tida e havida como a mais demolidora crítica de mídia de todos os tempos. O cozido desses ingredientes deve ser feito assim: escreva que a pobre Amy começou a copiar a imagem que a imprensa fez dela. Depois, sustente que o fato dela morrer aos 27 era mais do que esperado, graças à consciência, sabidamente auto-destrutiva, que é a de uma roqueira braquicéfala, bretã, e que se nutre dos adjetivos que a imprensa lhe atribui. Deixe claro que Amy foi uma vítima do sistema e que a máquina midiática lhe sugou a alma pela carótida.
O Duplo
Essa tradição de ver duplos é antiga: o duplo foi lançado em 1796 por Jean-Paul Richter, sob a designação alemã de doppelganger, que pode ser traduzido como "aquele que tenho de lado" ou ainda "companheiro de estrada". Virou moda, em literatura: mas já estava no Plauto de Os menecmas (206 A.C.), no Shakespeare de Comédia de erros (1592), e veio para o Retrato de Dorian Gray, de Wilde (1891), e para o conto O outro, de Jorge Luís Borges (1975). A saber: vindique, conectado à teoria midiática, que a pobre Amy passou a viver seu “duplo”, ou melhor: que ela assumiu ao osso a imagem que a mídia fez dela, e que essa imagem a venceu.

Maíra e Nonato anunciam casamento no Fortal 2011

Via Tânia Saboya

O rapaz é o Nonato a moça a Maíra. A mãe da noiva é a minha amiga "cumade" Tânia Saboya.



sexta-feira, 22 de julho de 2011

Anuário do Ceará (3) - 2011



UMA IMAGEM DIZ MAIS QUE MIL E UMA PALAVRAS.

O laço e o abraço - Maria Beatriz Marinho dos Anjos

Via Levi Costa


O Laço e o Abraço

de Maria Beatriz Marinho dos Anjos

Meu Deus!!! Como é engraçado!...
Eu nunca tinha reparado como é curioso um laço...
Uma fita dando voltas? Se enrosca...
Mas não se embola, vira, revira, circula e pronto: está dado o abraço.
É assim que é o abraço: coração com coração, tudo isso cercado de braço.
É assim que é o laço: um abraço no presente, no cabelo, no vestido, em qualquer coisa onde o faço.
E quando puxo uma ponta, o que é que acontece?
Vai escorregando devagarinho, desmancha, desfaz o abraço.
Solta o presente, o cabelo, fica solto no vestido.
E na fita que curioso, não faltou nem um pedaço.
Ah! Então é assim o amor, a amizade. Tudo que é sentimento?
Como um pedaço de fita?
Enrosca, segura um pouquinho, mas pode se desfazer a qualquer hora,
deixando livre as duas bandas do laço.
Por isso é que se diz: laço afetivo, laço de amizade.
E quando alguém briga, então se diz - romperam-se os laços.-
E saem as duas partes, igual meus pedaços de fita, sem perder nenhum pedaço.
Então o amor é isso...
Não prende, não escraviza, não aperta, não sufoca.
Porque quando vira nó, já deixou de ser um laço.

É luxo, sim

Por Domitila Andrade


Nem adianta negar, quem ouve os versos de Maresia do Ednardo “Ó meu amor que fazes aí parada se tu tens toda a calçada e o mundo pra correr”, pensa logo que o Pré-Carnaval chegou e que o Luxo da Aldeia ganhou a rua. Para os que não aguentam mais esperar a folia, o bloco faz hoje (22) a festa Porque nunca é fora de época pra matar a saudade”, no Vila Camaleão, na Praia de Iracema, a partir das 21 horas.


Do Benfica para a Praia de Iracema, o bloco promete muita música cearense e alegria de sempre (RAFAEL CAVALCANTE)
Foto Rafael Cavalcante

“A ideia é dar uma alternativa ao público que não quer ir pro Fortal e quer curti o clima de Carnaval sem ter de esperar até o próximo Pré”, explica João Paulo Martins, integrante da bloco.

A festa é aguardada pelo universitário Bruno Aguiar que este ano bateu o ponto em todos os dias do Luxo. “Um evento como esse é saudável para a Cidade respirar, ouvir outros sons em julho, principalmente porque nesse período de férias a gente é quase obrigado a conviver com a parte ruim da música baiana”, justifica.

O repertório do bloco, que desde 2007 anima Fortaleza, homenageia a cultura musical do Ceará, com canções carnavalescas de compositores e músicos cearenses de nascimento ou de coração, como Fausto Nilo, Ednardo e Lauro Maia.“Pelo movimento nas redes sociais, a festa vai ser muito boa, com a presença do público que tem bem a cara do Luxo”, garante João Paulo.

SERVIÇO

LUXO DA ALDEIA
Quando: hoje (22), a partir das 21h
Onde: Vila Camaleão (av. Monsenhor Tabosa, 381)
Quanto: R$5 (até às 21h)/ R$10 (depois das 21h)
Outras info.: 3219 3519

Domitila Andrade
domitilaandrade@opovo.com.br
http://www.opovo.com.br/app/opovo/vidaearte/2011/07/22/noticiavidaeartejornal,2270015/e-luxo-sim.shtml

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Cilada.com

por Mark dropped the coin Olive

Ontem estive num "shopping center" para assistir um filme. Para quem nunca visitou um, identifica-se  rapidamente pois ao adentrarmos no recinto encontramos placas de SALE, OFF e, principalmente pelos nomes das lojas, quase todas num idioma que você não conhece. Agora, longe de mim querer proibir este idioma de Shopping. Já teve um deputado que quis proibir por lei, não conseguiu, nem vai conseguir pois, a língua é dinâmica,  aberta e.... triste sina, hoje ele anda em companhias ruralistas defendendo mudanças no código florestal.
Eu gosto de Shopping porque parece um navio. Desses de cruzeiro, imenso, com lojas, restaurantes, cinemas, bares. É uma viagem. E como nunca fiz um cruzeiro ir ao shopping sublima meu desejo.

Mas vamos ao que interessa que é o filme.

Férias, filas imensas nas bilheterias. Meninos e meninas de montão. Além do mais nas terças e quartas o preço é só US$ 7,74. As opções eram (Harry Potter and the Deathly Hallows: Part 2), (Transformers: Dark of The Moon), (Winnie the Pooh), (Cars 2), (Kung Fu Panda: The Kaboom of the Doom) e tinha um chamado Cilada.com (http://www.ciladaofilme.com.br/) achei que era o mais moderno pois tinha a ver com internet, e este foi o meu escolhido.  Devo informar que não comprei aquele balde cheio de pipoca mas muitos(as) o fizeram.

Logo no início do filme, um susto. Era um filme em uma lingua estranha, e o pior, sem legenda. Recuperado vi que a língua era o português e que eu entendia tudo o que os(as) artistas diziam. Melhor ainda, mesmo sendo em português o filme em nada ficava a dever aos legendados. E convenhamos, estes são 90-95% do que se mostra nos cinemas.

Aí começou a cair a ficha (sou deste tempo). Quando a ficha cai é doloroso. Comecei a ver coisas que não via antes. E óbvio que o cilada.com parecia um filme estrangeiro, pois me parece que 95% dos filmes que se vê nos cinemas vem de uma unica fábrica - Hollywood, um único país e uma única lingua, o inglês. E o pior, o povo "não diferenciado" que frequenta os shoppings e que deveria saber inglês, lê as legendas. ha ha ha.

Inicio aqui uma campanha "Em Shopping Center ( onde sale e off tudo) os filmes deveriam ser originais, nada de intermediários(as legendas).


Vá ver o Cilada.com, é uma boa comédia romântica. Boa trilha sonora, boa fotografia, bons atores e boas atrizes. Muito melhor que a imensa maioria que vem da indústria monopolista da costa oeste.
E tem mais, algumas cenas lembram os legendados - a do protagonista com um amigo conversando no "teto sacada" de um edifício, o bar excessivamente americano, a televisão no bar com o protagonista vendo uma notícia a seu respeito.
Mas nada é perfeito. E num mar de legendados é sempre bom ver um filme brasileiro.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Luxo da Aldeia na festa do Concentra 2011

Vídeo de Roberto Félix - Bloco Luxo da Aldeia na festa de outro bloco - O concentra mas não sai no pré-carnaval de Fortaleza 2011 - Praça do Ferreira - Fortaleza - Ceará.



Agora a festa do Luxo da Aldeia na próxima sexta dia 22 de julho no Vila Camaleão.


A respeito do sono - Ronei Jorge


A respeito do sono (Ronei Jorge)
Enquanto você fica deitada eu sigo pela casa, sem dormir
Você é quem sabe de tudo e faz deles útil, um sonho bom
Mas esse sonho bom insiste em me levar pra cama
Ela tem a vida atribulada e eu sigo pela casa, sem dormir
Você é quem cuida do nosso sonho enquanto eu levo a insônia madrugada fora
Mas esse sonho bom insiste em me levar pra cama
Mas esse sonho bom insiste em me levar pra cama

Charlie Chaplin em O grande Ditador

terça-feira, 19 de julho de 2011

Nina (Chico Buarque)

Por Alfredo Pessoa









Nina, outra valsa. Essa fala de um romance Brasil-Moscou via internet. O disco pra quem comprou na pré-venda já chegou na sexta, dia 15.
                                                                                                                           

Nina (Chico Buarque)

Db7(#5)/A          G7/A Am7 G7/A
Nina diz que tem a pele cor de neve
C                     G/B               E7/G# C7/G
E dois olhos negros como o breu
F6                                  A7
Nina diz que, embora nova
Fm6/Ab               G7                 Dm(7M) Dm/Db D7M(9)/Db
Por amores já chorou que nem viúva
F7/C       E7/B
Mas acabou, esqueceu
Db7(#5)/A  G7/A      Am7    G7/A
Nina adora viajar, mas não se atreve
C                G/B                   E7/G# C7/G
Num país distante como o meu
F6                                   A7
Nina diz que fez meu mapa
Fm6/Ab                  F#º   F6
E no céu o meu destino rapta
E7(b13) Am7(9) Am6/9(b5)
O s---e----u
Dm6                    G7(9)                    G7/B C7M
Nina diz que se quiser eu posso ver na tela
C#7(b5)                   Dm6(11)             B7(b9)/D# G/E
A cidade, o bairro, a chaminé da casa de------la
F6                            G7(9)
Posso imaginar por dentro a casa
C7M                       Ebº
A roupa que ela usa, as mechas, a tiara
G9/F                       G7/E
Posso até adivinhar a cara que ela faz
F#m7(b5) G7(b9)
Quando me escre-----------ve
Db7(#5)/A            G7/A Am7       G7/A
Nina anseia por me conhe--cer em breve
C                          G/B          E7/G# C7/G
Me levar para a noite de moscou
F6                                    A7
Sempre que esta valsa toca
Fm6/Ab                            F#º    F6
Fecho os olhos, bebo alguma vodca
E7(b13)  Am7/9(#5)
E v----o----u

Db7(#5)/A = X0745X
G7/A = X0343X
Am7 =X0555X
C =X32010
G/B =X2X033
E7/G# = 4X243X
C7/G = 3X231X
F6 = 1X021X
A7 = X02020
Fm6/Ab = 4X353X
G7 = 3X343X
Dm(7M) = XX0221
Dm/Db = X4076X
D7M(9)/Db = X4065X
F7/C = X3324X
E7/B = X2X130
F#º = 2X121X
E7(b13) = 0X011X
Am7(9) = X05557
Am6/9(b5) = X04547
Dm6 = X5320X
G7(9) = 3X320X
G7/B = X2303X
C7M = X3200X
C#7(b5) = X4300X
Dm6(11) = X5300X
B7(b9)/D# = X6750X
G/E = X7000X
Ebº = XX1212
G9/F = XX3435
G7/E = 07X767
F#m7(b5) = 2X221X
G7(b9) = 3X310X
Am7/9(#5) = X05567

Chico Buarque de Hollanda era Aurora era Amélio era Aurélia…

Por Pedro Alexandre Sanches

O narrador perdido no tempo-espaço dos livros Estorvo(1991), Benjamim (1995), Budapeste (2003) e Leite Derramado (2009) invadiu de vez a música popular brasileira. E não parece ser mais um personagem de ficção, pois o primeiro disco de canções inéditas de Chico Buarque em cinco anos se chama, simples e explicitamente, Chico.

Aos 67 anos, o maior herói da politizada geração 1960 da MPB parece estar morto, ou no mínimo hibernante atrás dos sonhos, delírios e pesadelos existenciais enfileirados em sua fase literário-jobiniana, burilada desde no mínimo o disco As Cidades, de 1998. De “Vai Passar” (1984) para cá, foi desaparecendo aos poucos o Chico engajado e combativo de Construção(1971).

O lugar vago vai sendo ocupado por uma versão desencantada e nada ingênua do Chico de “A Banda” (1966), o qual em público o Chico de Chicoparadoxalmente demonstra desgostar e desacreditar. No novo CD, parece ser alguém que vê a banda passar pela janela o narrador de, por exemplo, “Rubato”, “Barafunda”, “Querido Diário” ou “Tipo um Baião”.

Chico segue conciso em dez composições curtas e pouco mais de 30 minutos de duração, na seguinte sequência:

“Querido Diário” – Mirando à distância “Construção” ou “Cotidiano” (ambas de 1971), o narrador anda pelas ruas, recolhe um cão, alucina “amar uma mulher sem orifício”, pensa em religião, cogita em negativo violentar uma mulher (“não bato nela nem com uma flor”) e constata, ambíguo: “Trouxe um porrete a mó de me quebrar/ mas eu não quebro porque sou macio”.

“Rubato” (parceria com Jorge Helder) – Os jogos de espelhos dos romances viram canção, numa levada marcial que deixa um perfume de “A Banda” no ar. O narrador-compositor canta seu amor por uma Aurora, é surrupiado por um segundo compositor que passa a cantar para uma Amora, e, “Rubato” (“roubado”, em italiano), termina em poder de um terceiro que canta para uma Teodora. Se os três se chamarem Chico, a impressão é de que Crise de Identidade é o nome real da musa inspiradora.

“Essa Pequena” – O tema é o amor de um homem maduro por uma mulher jovem: “Meu tempo é curto, o tempo dela sobra/ meu cabelo é cinza, o dela é cor de abóbora”. Vão longe os tempos nacionalistas, emepebistas, anti-iê-iê-iê e antitropicalistas, como denota a matreira citação em inglês, “fique à vontade, eu digo, take your time”. “Sinto que ainda vou penar com essa pequena”, declama o narrador, não se sabe se realista ou pessimista.

“Tipo um Baião” – Homenagem enviesada ao “rei do baião” Luiz Gonzaga, destronado no final dos anos 50 pela bossa nova dos pais buarquianos Tom Jobim e João Gilberto. A amada “infla” e “esmaga” o coração do narrador, “igual que nem fole de acordeão/ tipo assim num baião do Gonzaga”. Há 50 anos, a bossa nova exilou a sanfona gonzaguiana da música popular brasileira; o “baião-canção” (segundo o autor) “Tipo um Baião” é levado ao piano.

“Se Eu Soubesse” – É interpretada em dueto com a jovem cantora paranaenseThaís Gulin, que os tabloides de fofoca dizem ser namorada do autor. A parte não-falada do arranjo diz, ensolarada, o que as palavras do resto todo do CD elegem não afirmar: em “lararás” e “liriris” bem-humorados, arejados, felizes, Thaís e Chico quase fazem esquecer os versos palavrosos da chanson.

“Sem Você 2” – O título estabelece conexão com “Sem Você”, de Tom Jobim eVinicius de Moraes, lançada em 1959 em interpretações de Lenita Bruno e deSylvia Telles. À época, a vertente barquinho-violão-praia, sal-sol-(zona)sul, da bossa nova ainda não era hegemônica, e “Sem Você” dialogava com a canção de fossa dos anos 50, entre termos como “sofrimento”, “desespero” e “solidão”. “Sem você é o fim do show”, suaviza (mas não muito) o narrador. “Sem você o tempo é todo meu/ posso até ver o futebol”, graceja, beliscando algum otimismo.

“Sou Eu” (parceria com Ivan Lins) – A voz à antiga do sambista Wilson das Neves compartilha com Chico a historieta algo feminista, algo misógina, sobre uma namorada que pinta e borda nos bailes da vida. “Quem é que carrega a moça para casa?/ sou eu”, constatam, uníssonos, Chico e Wilson.

“Nina” – Em referência “noir” à Ninotchka de Greta Garbo, a protagonista da canção vaga pelos sonhos do narrador-sonhador-delirador. “Nina adora viajar, mas não se atreve/ num país distante como o meu”, diz o narrador, sem explicitar se seu país é o Brasil ou um país de sonhos (e pesadelos) como os do desterrado romance Budapeste.

“Barafunda” – A penúltima faixa inicia se espelhando à segunda: “Era Aurora/ não, era Aurélia/ ou era Ariela/ não me lembro agora”. Nomes, pessoas e lugares se embaralham na mente confusa do narrador, mas não a ponto de chegar à Amélia do samba de Ataulfo Alves, ou à Maria Amélia mãe do autor, morta no ano passado, aos 100 anos. “Salve este samba antes que o esquecimento baixe seu manto/ seu manto cinzento”, canta o autor, nublado, no instante do CD em que o Chico-compositor mais se aproxima do Chico-escritor.

“Sinhá” (parceria e dueto com João Bosco) – Adotando tom de afro-samba mais à maneira do parceiro João Bosco que do bossa-novista Baden Powell, Chico termina o disco em seu ápice, na canção mais intensa e confessional, irmã do romance Leite Derramado. O narrador é um escravo no tronco, açoitado por ter espichado os olhos para sinhá – o que ele nega (“por que talhar meu corpo?/ eu não olhei sinhá”), mas ao final confirma.

A última estrofe da canção “Sinhá” (e do disco Chico) embaralha de vez a ficção e a vida real do artista de olhos claros, herdeiro obediente dos Buarque de Hollanda e da tradição nacional-emepebista, que se tornou sogro de Carlinhos Brown e avô de netos sarará: “E assim vai se encerrar/ o conto de um cantor/ com voz de pelourinho/ e ares de senhor/ cantor atormentado/ herdeiro sarará/ do nome e do renome/ de um feroz senhor de engenho/ e das mandingas de um escravo/ que no engenho enfeitiçou sinhá”.

(Texto publicado originalmente no iG Cultura.)