Quem sou eu

Minha foto
Agrônomo, com interesses em música e política

sexta-feira, 9 de maio de 2014

Gabi na Falso Amor Sincero

Tal qual o Salgueiro "Nem melhor nem pior, apenas a Roda de samba Falso Amor Sincero". Aos sábados no Kukukaya. das 16 as 20 horas.

Olho de Peixe - LenineSuzano

2013 - Vinte anos de "Olho de Peixe" - disco de Lenine e Marcos Suzano




Lenine - Amor é pra quem ama.

Um disco minimalista, simples e bom do Lenine. Chão é seu nome.



Amor é pra quem ama.

Qualquer amor já é
Um pouquinho de saúde
Um montão de claridade
Contribuição
Pra cura dos problemas da cidade

Qualquer amor que vem
Desse vagabundo e bobo
Coração atrapalhado
Procurando o endereço
De outro coração fechado
Amor é pra quem ama
Amor matéria-prima
A chama
O sumo
A soma
O tema

Amor é pra quem vive
Amor que não prescreve
Eterno
Terno
Pleno
Insano

Luz do sol da noite escura 
"Qualquer amor já é
Um pouquinho de saúde
Um descanso na loucura"

Deixa isso pra lá - Jair Rodrigues



Deixa isso pra lá - Alberto Paz e Edson Menezes

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Jair Rodrigues

Falso Amor Sincero

Projeto faz homenagem a ícones do samba de Fortaleza

Carlos Alberto Vieira, o Carlão do Zé Bezerra, é o primeiro homenageado do projeto Falso Amor Sincero, roda de samba semanal do Kukukaya. Coletivo começou suas atividades sob as "bênçãos" de Paulo da Portela e, todos os sábados, celebra a tradição de grandes compositores do samba brasileiro, além de homenagear nomes que ajudaram (e ajudam) a fazer o samba em Fortaleza.

Uma roda musical que divulga e celebra a rica tradição de compositores ligados aos terreiros das escolas de samba do Rio de Janeiro e que também presta homenagem a nomes que ajudaram e/ou ajudam o samba a seguir sua trajetória em Fortaleza. Assim é o projeto Falso Amor Sincero, que acontece todos os sábados, de 16h às 20h, no Kukukaya Casa de Show. O primeiro homenageado local do projeto é Carlos Alberto Vieira, o Carlão do Zé Bezerra, cantor e cavaquinista que há mais de 40 anos mobiliza músicos e desbrava espaços para defender a bandeira do samba na Cidade. Carlão será homenageado nesse sábado, dia 10.
Foto de Amperico Souza

Mensalmente, além do homenageado local, esse coletivo de músicos e entusiastas de um dos mais tradicionais gêneros musicais do País também celebra a memória de um grande autor. O projeto, que realizou seu primeiro encontro no fim de abril, começou sob as "bênçãos" de Paulo da Portela, fundador da tradicional escola de samba de Madureira e um dos grandes protagonistas da história do samba nos anos 30 e 40 do século passado. São dele composições como "Cantar par não chorar" (parceria com Heitor dos Prazeres), "Quitandeiro" (gravada por nomes como Roberto Ribeiro e Beth Carvalho), "O meu nome já caiu no esquecimento" (gravada por Cristina Buarque) e "Linda borboleta" (registrada pela Velha Guarda da Portela), entre outros sambas que o coletivo Falso Amor Sincero apresenta durante os encontros no Kukukaya.

Além de Paulo, nomes como Cartola, Chico Santana, Nelson Cavaquinho, Manacéa, Walter Rosa, Silas de Oliveira, Ismael Silva, Alberto Lonato, Herivelto Martins, entre outros mestres, também estão presentes no repertório da roda de samba, que procura manter a sonoridade, a cadência e o instrumental dos antigos sambas de terreiro (ou sambas de quadra), uma vertente mais tradicional do samba.

O grupo é formado por Felipe Araújo (percussão e voz), Gabriela Nunes (voz), Mateus Perdigão (violão e voz), Emanuel Furtado (voz), Gugu do Cavaco (cavaco), Paulinho (pandeiro), Thales Catunda (percussão) e George Anderson (violão de 7 cordas), além de músicos convidados. O pesquisador Marcus Vinícius Oliveira - um dos diretores do bloco carnavalesco Concentra Mais Não Sai - e o professor e historiador Américo Souza também participam do projeto na condição de coordenadores.

Serviço:
Falso Amor Sincero
Todos os sábados, no Kukukaya Casa de Show (avenida Pontes Vieira, 55, Joaquim Távora)
Horário: 16h às 20h
Ingressos: R$ 10,00 (inteira) e R$ 5,00 (meia)
Obs: o projeto realiza sorteio de ingressos em sua página no Facebook
Informações: 3227.5661 (ou na página do projeto Falso Amor Sincero no Facebook)






terça-feira, 6 de maio de 2014

O samba é mágico

Por Felipe Araújo

“O samba é mágico. O samba modifica a vida da gente. A felicidade que eu sinto quando estou numa roda de samba é incomparável”.

É assim que Carlos Alberto Vieira tenta resumir seu sentimento pelo mais brasileiro dos gêneros musicais. Carlão, como é mais conhecido – ou ainda Carlão do Zé Bezerra, pela sua relação umbilical com o tradicional bar do Parque Araxá, que ele ajudou a transformar num dos principais redutos de sambistas de Fortaleza – vem espalhando essa alegria pela Cidade há pelo menos 40 anos, mobilizando músicos e desbravando novos espaços para defender a bandeira do samba. 

Nascido há 61 anos na comunidade do Morro do Ouro, no bairro Monte Castelo, Carlão se aproximou do samba no fim dos anos 60, através dos regionais que movimentavam as festas do bairro. Entre eles, os grupos de seu Antônio Relojoeiro e de seu João de Moura.

Foto Américo ´Souza
Nos anos 70, Carlão se juntou a outros bambas do bairro – como o Raimundo “Coleguinha” – e circulou por bares e restaurantes como Pilão, St. Tropez e, já nos anos 80, Barril, que começavam a se dedicar ao samba em Fortaleza. Dos primeiros compassos na percussão, mudou-se para as cordas e abraçou em definitivo o cavaquinho – com que liderava os encontros musicais que se davam também nas mercearias do Monte Castelo.

“A gente tocava em tudo que era mercearia. E não tinha cadeira não. A gente tocava em pé, nas janelas. Era uma turma da pesada. Lambreta, Coleguinha, até o Carlinhos Patriolino, que era muito novo na época, tinha uns 14 anos, acompanhava a gente. 
“Quando a gente tocava em algum restaurante ou casa mais especializada, eles penduravam um microfone no meio da mesa. Era tudo assim meio acústico. E era ali que os bons músicos apareciam”. 

No começo dos anos 80, Carlão morava perto de onde hoje é o Bar do Zé Bezerra, na época uma farta mercearia. Depois de fazer amizade com o dono, propôs ao mesmo uns encontros musicais no local, que aconteciam nas manhãs de sábado. 

“A gente começava às vezes 8 da manhã. E os meninos foram aparecendo, se juntando por lá e a coisa foi crescendo. Como roda de samba, o Zé Bezerra é mais antigo que a Mocinha”, lembra, fazendo referência a outro templo do samba cearense, que também ajudou a consolidar as musicais tardes de domingo. 

Carlão foi sindicalista, bancário e hoje é técnico de radiologia. “Eu toquei pouco profissionalmente. Eu toco mais porque gosto mesmo”, afirma. Entre as incursões profissionais na música, participou de alguns dos mais importantes grupos de samba da cidade: como Harmonia, Rosas de Bamba e Etiqueta do Samba, formações em que dividiu palcos e mesas com referências importantes da música cearense.

Em 40 anos de trajetória musical, Carlão não só levou a batucada para o Zé Bezerra e "para além" da Dom Manoel. Fez mais: ajudou o ritmo a se espalhar por toda a Cidade. 

Neste sábado, 10 de maio, o projeto Falso Amor Sincero, numa humilde homenagem, agradecerá ao Carlão pela sua ,  militância e pelo seu compromisso com o samba.

Serviço:
Roda de Samba - Falso Amor Sincerro

Quando - todo sábado 
Hora - 16 as 20 horas
Quanto - Inteira R$10,00
               Meia e idosos(as) - R$ 5,00
Onde: Kukukaya - av Pontes Vieira , 55 A
Tel - 32275661

sábado, 3 de maio de 2014

Operação Banqueiro

Por Marcus Vinicius

Um longa metragem do andar de cima.
São desembargadores, desembargadoras, juízes supremos e singulares, jornalistas, donos da voz e da escrita, procuradores, procuradoras, ex-presidentes, ex-candidatos, banqueiros, publicitários, arapongas, partidos, advogados, advogadas, executivas e executivos de grandes bancos e empresas.
Estes os atores e atrizes de um drama chamado "Operação Banqueiro" do Jornalista RUBENS VALENTE. Ed. Geração Editorial.



terça-feira, 29 de abril de 2014

Yes, nós temos banana

LULA, JOAQUIM E CHACRINHA

por Paulo Moreira Leite

A irritação do STF com as declarações de Lula sobre a AP 470 é compreensível. Ninguém gosta de ser criticado, muito menos por um político – o mais popular do país -- que falou palavras claras e duras sobre o julgamento.

Palavras que devem ser compreendidas como uma opinião política, direito fundamental assegurado pela Constituição.

Imaginar que uma decisão do STF não pode ser criticada e deve ser sacralizada contraria o comportamento do próprio tribunal, a começar pelo presidente do STF.

Não custa lembrar.

No fim de fevereiro, quando o STF absolveu os réus pelo crime de formação de quadrilha, Joaquim Barbosa julgou-se no direito de fazer um pronunciamento, em pleno tribunal, onde empregou termos muito mais graves – alguns podem até ser considerados ofensivos – para se referir a decisão do plenário.

Ele definiu os juízes que tomaram a decisão como “maioria de circunstância”.

Falta de respeito?

Joaquim classificou os próprios embargos que permitiram a revisão -- aprovados com apoio do decano Celso de Mello -- como um “recurso à margem da lei.”

Disse que os ministros empregaram "argumentos pífios".

Acusou os colegas de serem tomados por uma “sanha reformadora”. Sabe o que é sanha? “Rancor, desejo de vingança”, diz o Houaiss.

Joaquim não dava uma entrevista nem respondia a pergunta de jornalistas. Definiu sua fala como um “alerta a nação.”

Usou termos rudes para se referir a um trabalho tão legítimo como o dele.

A menos que queria instituir um regime político no qual a judicializaçao inclui o direito de censura a uns e a liberdade a outros, a única reação coerente é aceitar que juízes, políticos, jornalistas, trabalhadores e 200 milhões de brasileiros possam dar sua opinião.

O resto é puxa-saquismo e submissão, incompatíveis com a democracia.

É por isso que Eduardo Campos e Aécio Neves cometeram um erro feio quando saíram em publico para criticar Lula, mesmo de forma velada. Nem vamos falar que é uma postura interesseira, de quem quer ajuda de Joaquim para ganhar Ibope junto a determinados eleitores e fazer pinta de amigo da ordem. Não vamos ser deselegantes.

Nem vamos dizer que é uma forma de gentileza por parte de quem teve aliados -- como o ex-ministro tucano Pimenta da Veiga -- que receberam dinheiro de Marcos Valério e ficaram de fora da AP 470. Pimenta, como se sabe, embolsou 300 000 reais -- e isso a Polícia Federal apontou logo no começo da investigação. O que aconteceu? Nada lhe aconteceu durante anos. Mais tarde, entrou no mensalão mineiro, tardiamente, de fininho...candidato certo a prescrição por idade. E claro, com direito a duplo grau de jurisdição, se for necessário.

Não é disso que estou falando. Vamos a substância.

Para quem afirma que as decisões do Supremo não podem ser discutidas, devem ser 100% cumpridas, eu pergunto: se pensam mesmo assim, quando é que eles vão pedir ao Supremo que cumpra a decisão que garantiu a José Dirceu o direito ao regime semi aberto? Tá demorando, vamos combinar.

A coragem para criticar Lula não é mesma para cobrar Joaquim?

Olha só: Dirceu nunca recebeu uma sentença que, transitada em julgado, o impedisse de sair do presídio para trabalhar. Nunca. Ou seja: nunca recebeu regime fechado como pena. No entanto, está lá, trancafiado na Papuda, desde 15 de novembro de 2013.

Já deu para perceber quem está “discutindo” a decisão do Supremo. Quem está "questionando", não apenas com palavras, mas atos. Imagine quem está descumprindo, Eduardo Campos.

Lula? Eu?

Ou o próprio presidente, inconformado com a derrota do rancor da maioria de circunstancia que aplicou um recurso a margem da lei.

Há outro aspecto. Um tribunal que não gosta de ver suas sentenças debatidas deveria ter outro comportamento. Deveria ser mais discreto, mais circunspecto e reservado. Repito que as decisões do STF e de qualquer outra corte podem e devem ser debatidas. Sem isso, a Justiça não avança. Se a população americana jamais discutisse decisões sobre o aborto ele jamais teria sido legalizado, certo?

O problema é outro, também. Nosso Supremo decidiu ser pop.

Nosso STF faz questão de televisionar os julgamentos ao vivo. Os juízes foram vistos, na AP 470, fazendo até piadinhas e comentários irônicos sobre os petistas. Pudemos assistir, várias vezes, o mesmo Joaquim Barbosa tendo modos grosseiros e furiosos contra seus colegas. E assim por diante.

Não adianta negar.

Não saíram máscaras de carnaval de Joaquim? Não teve gente que se achou no direito de chamar Ricardo Lewandovski de Livrandovwski? Ele não foi tratado com grosseria quando foi votar?

E então?

Estamos no mundo pop, gente. Pode ser vulgar, grosseiro, interesseiro, comercial.

Se queria ser tratado com a reverência de uma Suprema Corte americana, por exemplo, o STF deveria comportar-se de outra maneira, estabelecer outros códigos.

Jamais poderia tentar proibir o cidadão comum de comentar, criticar ou elogiar suas decisões. Isso, repito até cansar, Voltaire, é direito democrático.

Imagine: em 1964 o STF disse que a presidência estava vaga, dando base legal ao golpe. Não era correto dar opinião?

Imagine se todo mundo, agora, tivesse de concordar com a absolvição total de Fernando Collor e achar que não há nada de errado com a condenação completa do PT de Lula?

O STF em sua fase atual poderia aprender uma nova versão da lição do velho Abelardo Chacrinha, o patrono da moderna comunicação brasileira.

Chacrinha dizia que quem não comunica se estrumbica. Faltou entender a segunda lição; quem comunica também se estrumbica – quando passa a mensagem errada.

http://www.istoe.com.br/colunas-e-blogs/colunista/48_PAULO+MOREIRA+LEITE

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Falso Amor Sincero - Convite

O Falso Amor Sincero nasceu da inquietação de um grupo de amigos - Felipe Araújo, Mateus Perdigão de Oliveira, Gabriela Nunes , Marcus Vinicius Oliveira, Américo Souza, Emanuel Furtado e Fernando Bustamante - que compartilham o desejo de construir um novo espaço para o samba na cidade de Fortaleza. Samba que queremos dividir, cantar e celebrar com vocês.
O Kukukaya Casa de Show acolheu generosamente nossa proposta e, no próximo dia 26 de abril, daremos o primeiro passo no que, esperamos, seja uma longa e prazerosa jornada. Axé!!


quarta-feira, 23 de abril de 2014

Pixinguinha - 23 de abril de 1897

Mundo Melhor (Pixinguinha e Vinicius de Moraes) com Beth de Carvalho.



Mundo Melhor (Pixinguinha e Vinicius de Moraes)

Você que está me escutando
É mesmo com você que estou falando agora
Você que pensa que é bem
Não pensar em ninguém
E que o amor tem hora
Preste atenção, meu ouvinte
O negócio é o seguinte
A coisa não demora
E se você se retrai
Você vai entrar bem, ora se vai

Conto com você, um mais um é sempre dois
E depois, mesmo, bom mesmo, é amar e cantar junto
Você deve ter muito amor pra oferecer
Então pra que não dar o que é melhor em você?
Venha e me dê sua mão
Porque sou seu irmão na vida e na poesia
Deixa a reserva de lado
Eu não estou interessado em sua guerra fria
Nós ainda havemos de ver
Uma aurora nascer
Um mundo em harmonia
Onde é que está a sua fé
Com amor é melhor, ora se é

terça-feira, 22 de abril de 2014

Não apenas a voz

Por Vladimir Safatle

Há algumas edições, eu havia apresentado a ideia de que a esquerda precisa pensar um novo paradigma de governo. Boa parte dos impasses da administração atual pode ser colocada na conta da ausência completa de criatividade política e de experiências de governo mais próximas da afirmação da soberania popular. Experiências trocadas por um tom canhestro de gestão, mistura de cálculo partidário e fetiche por PowerPoint.

Por um lado, de nada adianta tentar escapar do problema relativo ao significado de governar, pois a população não quer apenas nossa revolta. Ela quer a garantia de sabermos como transformar demandas em resultados. A pior coisa a fazer aqui é, no entanto, acreditar que as decisões “técnicas” do Estado pedem um corpo de tecnocratas e burocratas que, por algum milagre gerado no momento da criação, teriam mais condições para decidir do que aqueles realmente envolvidos nos processos.

Essa mentalidade técnico-dirigista é uma das maiores fontes de catástrofes políticas e, nesse ponto, tanto petistas (em especial este último governo capitaneado pela “gerente” Dilma Rousseff) quanto tucanos são indiscerníveis. Tanto a esquerda quanto a direita foram bastante pródigas em dirigismos das mais variadas formas.

Por isso, gostaria de explorar um pouco mais a ideia de governar não ser “dirigir”, mas “garantir as condições para que os cidadãos dirijam a si mesmos, governem a si mesmos”. Isso pode parecer mais um desses slogans vazios com cheiro de state mission de ONG. Podemos, porém, dar mais clareza e concretude a tal ideia.

Um dos pressupostos mais absurdos da política atual é a crença de que os diretamente envolvidos em processos não são capazes de ter as melhores respostas para os problemas gerados no interior desses mesmos processos. Por exemplo, apesar de um infindável número de reformas educacionais decididas por burocratas que há décadas não pisam em uma sala de aula e “ideias geniais e revolucionárias” saídas da cabeça de consultores internacionais pagos a preço de ouro, a educação nacional apresenta níveis de qualidade deploráveis. Há um ritual bizarro de expiação periódica quando os dados do Pisa são apresentados e os brasileiros lutam para ocupar a última posição.

Por que acreditar que ministérios e secretarias da Educação deveriam impor planos? Por que não modificar radicalmente o processo decisório e dar aos realmente envolvidos, ou seja, os professores e profissionais da educação, a condição de discutir e decidir o que deve ser feito? Ninguém melhor do que um professor que passa horas todos os dias em sala de aula para saber o que funciona e o que não funciona, o que significa educar e suas dificuldades. É absurdo crer, por exemplo, que algum consultor ou funcionário teria mais conhecimento técnico sobre educação do que os próprios professores. Eis uma arrogância gerencial que esconde apenas um desejo mal disfarçado de controle e poder.

Sendo assim, o processo decisório poderia ser feito por meio da implementação de conselhos de professores com poder deliberativo (e não apenas com poder consultivo e meramente decorativo). Caberia ao Estado simplesmente garantir o bom funcionamento de tais conselhos, bloqueando aqueles que tentam se servir de lobbies econômicos e outros fatores de dominação, e implementar suas decisões. Ou seja, a verdadeira democracia é aquela cujas decisões técnicas do Estado são tomadas por quem será afetado por tais decisões.

Tal princípio poderia ser implementado em toda e qualquer área da gestão pública. Isso significa que, em uma democracia direta, os poderes Executivo e Legislativo paulatinamente abrem mão de seu monopólio administrativo para funcionarem, cada vez mais, como aparelhos de implementação de decisões tomadas diretamente pela soberania popular. Essa transformação política, que implica uma normalização cotidiana dos mecanismos de manifestação da soberania popular, assim como a pulverização das instâncias decisórias, é a condição prévia para toda e qualquer renovação.

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Conceição Lemes, 33 anos de estrada: Resposta em público a O Globo

Por Conceição Lemes
Via Bruno Perdigão

Nessa segunda-feira 13, uma repórter de O Globo enviou-nos um e-mail:

“Estou fazendo uma matéria sobre a entrevista que o ex-presidente Lula concedeu a blogueiros na semana passada. Gostaria de conversar contigo por telefone”.

Pedi que enviasse as perguntas por e-mail. Hoje, às 12h27 elas foram encaminhadas:



Nada contra a repórter. Embora não a conheça, respeito-a profissionalmente como colega.

Já a empresa para a qual trabalha, não merece a nossa consideração.

Com essas perguntas aos blogueiros, O Globo parece estar com saudades da ditadura, quando apresentava como verdadeira a versão dos órgãos de repressão. Exemplo disso foi a da prisão, tortura e assassinato de Raul Amaro Nin Ferreira, em 1971, no Rio de Janeiro.

Com essas perguntas, O Globo parece querer promover uma caça aos blogueiros progressistas. Um macartismo à brasileira.

O marcartismo, como todos sabem, consistiu num movimento que vigorou nos EUA do final da década de 1940 até meados da década de 1950. Caracterizou-se por intensa patrulha anticomunista, perseguição política e dersrespeito aos direitos civis.

O interrogatório emblemático daqueles tempos nos EUA:

Mr. Willis: Well, are you now, or have you ever been, a member of the Communist Party? (Bem, você é agora ou já foi membro do Partido Comunista?)

A sensação com as perguntas de O Globo é que voltamos à ditadura. Agora, a ditadura midiática das Organizações Globo. É como estivéssemos sendo colocados numa sala de interrogatório.

Afinal, qual o objetivo de saber se pertencemos a algum partido político?

Será que O Globo faria essa pergunta aos jornalistas de direita, travestidos de neutros, que rezam pela sua cartilha?

E se fossemos nós, blogueiros progressistas, que fizessemos essas perguntas aos jornalistas de O Globo?

Imediatamente, seríamos tachados de antidemocratas, cerceadores da liberdade de expressão, chavistas e outros mantras do gênero.

Como um grupo empresarial que cresceu graças aos bons serviços prestados à ditadura civil-militar tem moral de questionar ideologicamente os blogueiros que participaram da entrevista coletiva?

Liberdade de imprensa e de expressão vale só para direita e para a esquerda, não?

Como uma empresa que tem no seu histórico o colaboracionismo com a ditadura, o caso pró-Consult, o debate editado do Collor vs Lula, ter sido contra a campanha Pelas Diretas, pode se arvorar em ditar normas de bom Jornalismo e ética?

Como uma empresa que deve R$ 900 milhões ao fisco tem moral para questionar outros brasileiros?

Como um grupo empresarial que recebe, disparadamente, a maior fatia da publicidade do governo federal pode criticar os poucos blogs que recebem alguma propaganda governamental?

O Viomundo, repetimos, não aceita propaganda dos governos federal, estaduais e municipais. É uma opção nossa. Mas respeitamos quem recebe. É um direito.

No Viomundo, não temos nada a esconder. Só não admitimos que as Organizações Globo, incluindo O Globo, com todo o seu histórico, se arvorem no direito de fiscalizar a blogosfera.

Por isso, eu Conceição Lemes, que representei o Viomundo na coletiva, não respondi a O Globo. Preferi responder aos nossos milhares de leitores. Diretamente. E em público.

Seguem as perguntas de O Globo e as minhas respostas.

Qual a sua formação acadêmica?

Formada em Jornalismo pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP).

Qual a sua atuação profissional antes do blog? Já cobriu política por outros veículos?

Sou editora do Viomundo, onde faço política, direitos humanos, movimentos sociais. Toco ainda o nosso Blog da Saúde.

No início da carreira, fiz um pouco de tudo: economia, política, revistas femininas, rádio…

Há 33 anos atuo principalmente como jornalista especializada em saúde, tendo ganho mais de 20 prêmios por reportagens nessa área. Entre eles, o Esso de Informação Científica, o José Reis de Jornalismo Científico, concedido pelo Conselho Nacional de Pesquisa (CNPq), e o Sheila Cortopassi de Direitos Humanos na área de Comunicação, outorgado pela Associação para Prevenção e Tratamento da Aids e Saúde Preventiva (APTA) com apoio do Unicef.

Conquistei também vários prêmios Abril de Jornalismo, a maioria por matérias publicadas na revista Saúde!, da qual foi repórter, editora-assistente, editora e redatora-chefe.

Em 1995, fui premiada pela reportagem “Aids — A Distância entre Intenção e Gesto”, publicada pela revista Playboy. O projeto que desenvolvi para essa matéria foi selecionado para apresentação oral na 10ª Conferência Internacional de Aids, realizada em 1994 no Japão.

Pela primeira vez um jornalista brasileiro teve o seu trabalho aprovado para esse congresso. Concorri com cerca de 5 mil trabalhos enviados por pesquisadores de todo o mundo. Aproximadamente 300 foram escolhidos para apresentação oral, sendo apenas dez de investigadores brasileiros. Entre eles, o meu. Em consequência, fui ao Japão como consultora da Organização Mundial da Saúde.

Tenho oito livros publicados na área.

O mais recente, lançado em 2010, é Saúde – A hora é agora, em parceria com o professor Mílton de Arruda Martins, titular de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da USP, e o médico Mario Ferreira Júnior, coordenador de Centro de Promoção de Saúde do Hospital das Clínicas de São Paulo.

Em 2003/2004, foi a vez da coleção Urologia Sem Segredos, da Sociedade Brasileira de Urologia, destinada ao público em geral.

Os primeiros livros foram em 1995. Um deles, o Olha a pressão!, em parceira com o médico Artur Beltrame Ribeiro.

O outro foi a adaptação e texto da edição brasileira do livro Tratamento Clínico da Infecção pelo HIV, do professor John G. Bartlett, da Universidade Johns Hopkins, nos EUA. A tradução e supervisão científica são do médico Drauzio Varella.

Você é filiada a algum partido político?

Não sou nem nunca fui filiada a qualquer partido político.

Mas me estranha muito uma empresa que apoiou a ditadura, cresceu devido a benesses do regime e hoje se alinhe com todos os espectros da direita brasileira, questione a a filiação partidária de um jornalista.

Quer dizer de direita, tudo bem, e de esquerda, não?

Como você definiria os “blogueiros progressistas”? Existe uma linha política?

Somos de esquerda.

Defendemos:

Melhor distribuição da renda no país.

Reforma agrária.

Os movimentos sociais por melhores condições de moradia, trabalho, defesa do meio ambiente, saúde e educação.

Regulamentação dos meios de comunicação.

Valorização do salário mínimo.

Política de cotas raciais nas universidades.

Direitos reprodutivos e sexuais das mulheres brasileiras.

Combate à discriminação e promoção dos direitos de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais

Imposto sobre grandes fortunas.

Financiamento público de campanha.

Reforma política.

Fortalecimento da Petrobras.

Sistema Único de Saúde.

Como você foi chamada para a entrevista? Recebeu alguma ajuda de custo do instituto?

Por e-mail. Nenhuma ajuda.

O que você achou da seleção de blogueiros para a entrevista? Incluiria, por exemplo, representantes da mídia ninja ou blogueiros “de oposição”, como Reinaldo Azevedo?

O Instituto Lula tem o direito de chamar para entrevistar o ex-presidente quem ele quiser.

Engraçado O Globo perguntar isso. De manhã à madrugada, de domingo a domingo, todos os veículos das Organizações Globo privilegiam, ostensivamente, sem o menor pundonor, vozes do conservadorismo brasileiro e internacional. Pior é que travestido de uma falsa neutralidade.

Por que O Globo pode chamar quem quiser e o ex-presidente Lula, não?

Por que as Organizações Globo não dão espaços iguais à esquerda e à direita, garantindo a pluralidade de opiniões?

No dia em que as Organizações Globo garantirem efetivamente a pluralidade de opiniões, respeitando a verdade factual, aí, sim, seus profissionais poderão questionar os nomes escolhidos por Lula.

Qual foi o ponto mais relevante da entrevista para você?

Ter falado três horas e meia com os blogueiros. Uma conversa em que nenhum assunto foi proibido. Tivemos liberdade plena de perguntar o que queríamos. Uma lição de democracia.

O instituto arcou com os seus custos de deslocamento?

Não. Fui de táxi. Paguei do meu próprio bolso.

Por que você acredita ter sido escolhida para a entrevista?

Quantos jornalistas brasileiros têm o meu currículo profissional? Quantos repórteres da mídia tradicional e da blogosfera produziram tantos furos jornalísticos quanto nós no Viomundo nos últimos cinco anos?

Por isso, deixo essa pergunta para você e os leitores do Viomundo responder.

O que você acha do movimento “Volta Lula”?

Quem tem de achar é a população e os militantes dos partidos da base de apoio do governo.

Sou apenas repórter. Cabe a mim, portanto, retratar o que presencio.

Qual nota você daria ao governo Dilma? Por quê?

O Globo tem fetiche por nota. Quem tem de dar a nota é o eleitorado. Sou repórter e minha opinião neste caso é irrelevante. A não ser que O Globo pretenda usá-la para fazer o que costuma fazer: manipular informação com objetivos políticos, em defesa de interesses da direita brasileira.

PS do Viomundo: Todas as nossas batalhas são financiadas exclusivamente pela contribuição de assinantes, a quem agradecemos por compartilhar conteúdo exclusivo generosamente com outros internautas. Torne-se um deles!

terça-feira, 15 de abril de 2014

Depois da Vida (Nelson Cavaquinho)

“Paulinho da Viola realizou,... Inovações... mais radicais como o arranjo para o samba “Depois da Vida” de Nelson Cavaquinho. A introdução do samba, na versão de Paulinho da Viola, foi baseada nas primeiras notas de uma faixa de Bitches Brew, LP de Miles Davis. Enquanto o baterista inverte os tempos da marcação, cavaquinho, flauta e violão improvisam até a entrada da vocalização. O contrabaixo elétrico, o cavaquinho e a flauta, atacam as notas, semitonando para reforçar o clima de lamentação da música”
Eduardo Granja Coutinho – em Velhas histórias, memórias futuras – Editora UERJ



Depois da Vida (Nelson Cavaquinho)

Passei a mocidade esperando dar-te um beijo
Sei que agora é tarde, mas matei o meu desejo
É pena que os lábios gelados como os teus
Nao sintam o calor que eu conservei nos lábios meus

No teu funeral estás tão fria assim
Ai de mim, e dos beijos meus
Eu te esperei, minha querida
Mas só te beijei depois da vida

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Gigante Gentil - Erasmo Carlos

Pro Alan Morais - O novo disco de inéditas do Erasmo Carlos



Sou do CEM 03 de Tabatinga

por Gabriel Guilherme
Via Socialista Morena
UPDATE: Olhem abaixo o texto de um aluno de Kubitschek que está circulando no Facebook e julguem vocês mesmos o nível de educação que ele está transmitindo. E como sua incitação ao pensamento FUNCIONOU. Faço questão de colocar na íntegra:
“Olá pessoal. Sou um dos alunos do CEM 03 de Taguatinga, onde a prova foi aplicada. E queria dizer que é extremamente divertido ver a reação do público controlado pela mídia. Pessoas abaixo dizendo que ele é um cretino, babaca, só tem o diploma na parede… Que “esse é o motivo da educação estar tão ruim”.

Acontece que esta foi uma das 12 questões da prova bimestral de filosofia, onde o professor colocou esta questão (nº 11) por motivos que ele mesmo explicou na entrevista.

Mas não é aí onde quero chegar, e sim no fato de que o público, controlado pela mídia, tende a ver somente o que é exposto e julgar indiscriminadamente sem antes avaliar a situação como um todo. Isso entra em um dos assuntos que nos foram explicados pelo professor recentemente, sobre Kohlberg. A matéria dada pelo professor Antônio tratava a respeito da Teoria do Desenvolvimento Moral. Eu não vou explicar isso aqui, pois se acham-se no direito de julgarem um professor de filosofia, creio eu que devem ter conhecimento a respeito do assunto. No entanto, um dos tópicos foi o dilema de Heinz, proposto por Kohlberg. Ele diz que Heinz estava com a esposa doente, e o remédio que a salvaria custava mil dólares. Como não podia comprá-lo do farmacêutico que detinha a fórmula, após esgotadas as tentativas de obtê-lo de modo honesto, roubou-o. Kohlberg pergunta se o marido fez bem ou não em ter roubado, e analisa as respostas dadas, identificando o nível moral do entrevistado através destas. (texto retirado do livro Filosofando, ARRUDA, Maria Lúcia de; e MARTINS, Maria Helena Pires, com adaptações). O que acontece nesta situação é o mesmo. É possível “analisar” as diversas respostas do público em relação à questão da prova e identificar seus níveis morais. “Não devia ter colocado a questão na prova pois é um professor e isso é errado.” (nível convencional, terceiro estágio – pertencimento ao grupo). Quando suas respostas a isso, como adultos, deveriam estar no nível pós-convencional, destacando o conflito entre a ética profissional e o direito que cada pessoa tem de exercer a própria vida, ou no sexto estágio do nível pós-convencional. Mas, infelizmente, como diz Kohlberg, nem todos os adultos atingem este nível, devido à educação e vida que recebem, em condições diferentes.

Se chegou a ler até aqui, gostaria de ressaltar apenas algumas informações importantes sobre o conteúdo da prova. As demais 9 questões da prova tratavam de ética, moral, valores, e níveis de moralidade. Caso tenham alguma dúvida, podem pedir à direção da escola para liberar o resto do conteúdo da prova. Estes conteúdos que citei acima, foram todos tratados e explicados em sala pelo professor, conteúdos que também estão presentes no livro que nos foi dado pela escola e no componente curricular da terceira série do Ensino Médio. Então, para aqueles que gostam de dizer que o professor é incompetente por causa de uma única questão e que não estamos aprendendo nada em sala, saibam que estamos sim aprendendo, e não somente um ou dois alunos, mas a grande maioria.

E, para finalizar, posso dizer que apenas me sinto mal por vocês adultos que ainda se encontram no Estágio Intuitivo ou Simbólico de Piaget. Esse é aquele estágio em que a criança possui uma inteligência egocêntrica, sendo assim ela sente, pensa e age a partir de si mesma e não se coloca no lugar do outro. Digo isso porque, ao invés de avaliarem a situação corretamente, baseado em todo o contexto do ocorrido, simplesmente julgam o professor por sua questão sem avaliar o contexto todo, como se fossem perfeitos ou pudessem fazer melhor. Acontece que, olha só para o que estão fazendo: criticando, atrás de uma tela de computador, usando de argumentos incoerentes, palavras ofensivas e tudo o mais. Acham mesmo que pessoas nesse nível são capacitadas pra julgar a ética e moral dos outros?

Obrigado pela atenção, e BEIJINHO NO OMBRO PRO RECALQUE PASSAR LONGE.
Gabriel Guilherme, 3º G #39 CEM 03 de Taguatinga.
http://socialistamorena.cartacapital.com.br/