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terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Não quero jogar água no chope de ninguém

Via Tiago Porto
por Luiz Antonio Simas

"Não quero jogar água no chope de ninguém, não pretendo reprimir quem quer que seja e acho que no Carnaval vale até bloco de peregrinos do Santo Sepulcro. 
Tudo se legitima. 
Confesso, porém, certo desconforto com um tipo que, nos últimos tempos, se transformou em figura fácil no furdunço carioca: o jovem universitário descolado, carioca maneiro, antenado com a cena contemporânea, inquieto, renovador, artista pop, multimídia, que transita do maracatu rural ao rock pós-punk, curte samba-funk e funda, com a rapaziada mais chegada, um bloco eclético que arrasta multidões e toca de tudo – menos as músicas que a cidade do Rio de Janeiro inventou ao longo de décadas, em belíssima aventura civilizatória, para bordar de sonoridades nossas a libação do Carnaval. Eu quero samba, marchinha e marcha-rancho nos fuzuês de Momo."
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Em Fortaleza, Luiz Antonio, no pré-carnaval tem "samba, marchinha e marcha-rancho". É no Concentra mas não sai, na praça do ferreira. (Marvioli)

A cultura do relativismo

Por Felipe Araújo

Na falta de uma expressão melhor, chamarei, precariamente, de relativismo na cultura - para não criar qualquer constrangimento entre os seguidores de Franz Boas e seu “relativismo cultural”. Refiro-me a um tipo de postura diante das questões da arte e da cultura que, em vez de um ponto fora da curva (como se julgam seus defensores), é a curva ela mesma. Um problema que se julga sua própria solução.

O que chamo de relativismo na cultura é um pensamento que legitima toda e qualquer expressão artística e que, independente dos méritos estéticos ou humanistas dessa arte, ganha status de modelo civilizatório, de parâmetro de construção de identidades e afirmação de diferenças. Tudo em nome de uma suposta dimensão democrática da produção simbólica.



Por mais que me considere um defensor da democracia e da liberdade de expressão, tenho grande desconfiança em relação a esse estado de coisas. Parece-me sempre algo oportunista e cínico - sobretudo no âmbito do poder público, zeloso que deveria ser contra os excessos do vale-tudo estético (e moral).

Oportunista porque se aproveita de um contexto em que há um esvaziamento das instâncias de crítica, com desdobramentos políticos evidentes. Cínico porque, em nome de uma falsa tolerância ou de um suposto “gosto popular”, exerce um poder discricionário em relação ao que é efetivamente diferente. Visibilidade, sabe-se, é moeda em disputa.

Denunciar e questionar esse relativismo não se trata de “moralismo”. Também não se trata de “patrulhamento”. Acontece que, nessa economia da visibilidade – infelizmente tão definidora de “identidades” – não é possível abrir mão da felicidade da beleza, do que nos engrandece. Mais ainda se considerarmos o poder público como instância indutora da cultura em nosso País.

Sinto que precisamos voltar a compreender a cultura como dimensão mais ampla de formação de cidadãos conscientes, críticos e alertas. É preciso entender a arte como expressão de um processo psíquico, histórico e social que efetivamente forma (ou deforma) a cidadania. Todo o resto é relativo.

Receita para elitização de uma festa popular

Por Américo Souza

Organizado sob a égide da democracia moderna, o Estado brasileiro, em suas três dimensões – federal, estadual e municipal –, tem como princípio básico de atuação a igualdade de todos perante a lei. Este é um princípio elementar, sem o qual não pode haver justiça.

A compreensão da importância desta premissa, contudo, não parece ser algo que mereça consideração na atual gestão da Prefeitura Municipal de Fortaleza – PMF. Senão, vejamos: a PMF pagou aos artistas que se apresentaram na festa oficial de réveillon cachês que variaram entre R$ 15 mil e R$ 600 mil, perfazendo um total de R$ 2,42 milhões em gastos. Em tempo, minha intensão não é discutir os valores gastos, nem se aqueles que os receberam têm qualidade artística para tanto, muito embora considere este uma debate válido e tenha declarada objeção à atávica verdade que diz que “gosto não se discute”.

Meu foco está nas exigências feitas pela PMF para que os artistas recebessem seus polpudos honorários, nada mais que um recibo emitido pelo empresário ou empresa que representava cada um deles.

Onde está a quebra de equidade? Ela surge quando examinamos o edital para o Pré-Carnaval de Fortaleza. Muito embora dure mais que uma noite e atinja um público superior a um milhão de pessoas, a verba destinada a este evento é bem inferior: R$ 384 mil.

Não bastasse isto, o edital da PMF faz inúmeras exigências aos blocos que queiram se candidatar, tais como planilha detalhada de gastos, certidão de nada consta da Justiça do Trabalho, entre outras mais, estabelecendo uma burocracia complexa e intrincada, para quem vai receber valores em torno de R$ 8 mil.

Para além de representar uma quebra de equidade perante o Estado, as muitas exigências feitas pelo edital do Pré-Carnaval tornam difícil ou mesmo inviabilizam que blocos pequenos dos bairros da periferia, organizados de forma amadora por membros das comunidades, possam se habilitar, dando a receita para a elitização da festa popular, posto que os blocos maiores, que já contam com patrocínio de empresas privadas e possuem uma organização mais profissional – notadamente os que cumprem o circuito da Praia de Iracema – têm melhores condições de atender às muitas exigências do edital.

Como cidadãos que pagamos impostos, o mínimo que podemos exigir é que a PMF venha a público esclarecer os diferentes níveis de exigência por ela praticados.

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Não derrubem o Rio!

por Edgard Catoira

Duvido que alguém que se atreva a ler este texto não tenha tomado conhecimento do que foi mais uma festa de réveillon nas areias de Copacabana. Como sempre, a partir de meia noite, toneladas de fogos de artifício foram detonados, num esplendor que fez explodir a alegria de mais de dois milhões de pessoas que se abraçavam e beijavam, como acontece todos os anos, neste mesmo cenário – único.

No modorrento início do dia primeiro, o noticiário local chamava a atenção para a bagunça da cidade: sujeira nas praias, dificuldade para voltar para casa, tiroteio com direito a balas perdidas, assaltos.

Mas, espera um pouco: houve sim, antes da festa, um tiroteio. Aconteceu de um casal se desentender na rua e o marido partir para a mão grande contra a mulher. Um PM tentou ajudar e, durante a troca de tapas, o marido arrancou a arma do guarda e começou a atirar. Ou seja, um caso corriqueiro de polícia que nada tinha a ver com a festa de fim de ano. Portanto, nada a ver com o réveillon.

De resto, como em qualquer aglomeração, em Copacabana ou Paris, sempre haverá batedor de carteira. Eu mesmo – apesar de ter cara de imã de assalto, como diz meu filho – já tive que escapar de batedores de carteira em locais turísticos. Isso, em lugares tidos como tranquilos, como Madri, Florença ou Lisboa – onde, inclusive, levaram minha carteira.

Como se vê, até agora, nada de anormal na nossa festa carioca. E, repito, éramos mais de dois milhões de espectadores na praia. Claro que, acabado o espetáculo dos fogos, essa gente toda tinha que caminhar pelas ruas. Com dificuldade, claro. É deslocamento de multidão, num mesmo momento! Com calma, porém, todos saímos. Sem maiores transtornos, apesar de eu, particularmente, me sentir parte de uma boiada. Mas boiada feliz, sabe como é.

Mas as reclamações do dia primeiro continuam. A praia ficou suja.

Claro que ficou imunda. Todo mundo que estava lá levou champagne – ou cidra, ou cerveja e até cachaça. E garrafas, copos, restos, ficaram pelo caminho por onde passou a turba bovina. E, com um pouco de boa vontade dá para entender que nem todo mundo consegue chegar a uma lixeira no meio de tanta gente.

A verdade é que logo cedo, a praia estava limpa. A Comlurb, responsável pela coleta de lixo no Rio, é eficiente. E centenas de garis deixaram, até o fim da manhã, Copacabana em ordem.

Mas, o negócio é derrubar a grandiosidade desta cidade. Reclama-se do tempo – cerca de quatro horas – que se leva numa fila para tomar uma condução que leve ao Corcovado. Digo eu, espera aí. Em Paris, mesmo sem ser dia de festa, leva-se esse tempo para conseguir subir na Torre Eiffel. As filas são confusas também, e as figuras que ficam circulando entre a turistada têm semblantes pouco amigáveis.

Quanto ao Pão de Açúcar, a reclamação fica por conta dos horários disponíveis nos bondinhos. Muitos que chegaram cedo só conseguiriam subir na parte da tarde. Daí, me lembro de Santillana Del Mar, cidade medieval do Cantábrico, norte da Espanha, que tem cerca de quatro mil habitantes. Pois bem, nessa cidade ficam as famosas cavernas de Altamira, com pinturas rupestres que mostram a arte pré-histórica do homem. São desenhos de animais gravados nas pedras entre 35 mil e 11 mil antes de Cristo. Uma verdadeira Capela Sistina da arte paleolítica.

Tudo bonito, organizado, guiado. Mas, para visitar as cavernas, temos que comprar as entradas com antecedência porque os grupos se fecham com antecedência. Quem passar por lá desavisado, com certeza, não vai conseguir ver essa maravilha. E, lembro, a pequena cidade não oferece disponibilidade hoteleira para muita gente.

Sou de criticar o Rio, principalmente como me refiro a seus governantes. Mas o réveillon aqui é realmente algo imperdível. Estão até inventando que iria haver um “beijaço”. Houve. Aliás, como sempre há. É hora de beleza, espírito desarmado, quando todos estão felizes e cheios de esperanças.

Este mar abençoa, tira as energias negativas do ano que se acaba. Revitaliza a alma, faz a vida recomeçar. E ela sempre recomeça melhor quando se está em Copacabana. Este lugar é mágico, maravilhoso.

Violência, desorganização, tudo passa ao largo da festa popular da praia mais querida – e bonita – deste planeta. Então, chega de reclamação e de mal falar!

Prefiro parodiar a musiquinha da Caixa: “Vem pra Copa você também. Vem”. No réveillon ou em qualquer época do ano.

http://www.cartacapital.com.br/blogs/blog-do-edgard/nao-derrubem-o-rio-9477.html

Adeus Praia de Iracema

Novo edital gera polêmica entre blocos

Por Paulo Renato Abreu

Mudanças no edital de pré-carnaval da Prefeitura cria novas condições para que os blocos acessem os recursos e façam a prestação de contas

O período carnavalesco se aproxima e a Secretaria de Cultura de Fortaleza (Secultfor) lançou os editais do Ciclo Carnavalesco 2014. Em relação a 2013, os editais apresentam alteração como a mudança na forma de pagamento dos blocos selecionados. O recurso financeiro não será mais destinado aos blocos por meio de premiação e, sim, por seleção de apoio aos projetos, implicando em maior acompanhamento dos recursos por parte da Prefeitura.

“A burocracia aumentou e muito. Do ponto de vista legal, a Secultfor está correta, mas aumentou muito as exigências para os blocos e, principalmente, os menores terão muita dificuldade”, afirma Marcus Vinícius Oliveira do bloco Concentra, Mas Não Sai. Para Marcus, a alteração do pagamento, que deixa de ser premiação – em que o dinheiro era entregue para os carnavalescos – para o novo modelo traz complicações.

Com o novo formato de seleção de apoio a projetos, aumenta o rigor em relação ao cumprimento da lei 8666/93, que determina a obrigatoriedade da licitação para as aquisições de bens e contratações de serviços com dinheiro público. “Muitos blocos vão ter dificuldade de fazer a prestação de contas. Temos agora que tirar várias certidões, além de uma série de licenças da Prefeitura e de termos que enfrentar muitos órgãos que tem dificuldade em facilitar a vida dos blocos”, diz Marcus Vinícius.

Transparência

“O objetivo da mudança é dar maior visibilidade e transparência. O formato é diferente, mas a seleção é a mesma tanto no modelo de premiação como no de seleção de apoio aos projetos”, afirma Alênio Carlos, coordenador de Patrimônio Histórico e Cultural da Secultfor, setor responsável pelo ciclo carnavalesco. Alênio diz que o formato de premiação logo após o evento muitas vezes gerava problemas, como o pagamento antes da premiação e consequente falta do cumprimento do edital.

“Agora é por convênio. Tem que pagar tudo em cheque ou por transferência bancária, não pode mais sacar o dinheiro. Isso no dia a dia do músico, por exemplo, é difícil, ele trabalha para gente e quer receber na mesma hora”, argumenta Marcus. “Agora tem que apresentar nota fiscal, passar pelo Sefin e principalmente as pessoas sem instrução, mais humildes não vão poder viabilizar o projeto”.

Entre as mudanças, o Edital de Pré-Carnaval selecionará 60 projetos de blocos em modalidades diferentes de apresentação. Serão 10 blocos estreantes com uma saída cada, 10 veteranos para duas saídas e 40 blocos veteranos com quatro saídas.

O valor total destinado ao Edital de Pré-Carnaval é de R$ 384.000,00

Benfica sem Luxo da Aldeia?

Por Alan Santiago
A rua Padre Francisco Pinto, no bairro Benfica, não será mais abrigo para as folias do já tradicional bloco Luxo da Aldeia, que anima as sextas-feiras do pré-carnaval fortalezense há sete anos – seis dos quais nessa mesma rua.
Um desvio de trânsito, feito pela AMC em novembro do ano passado, obriga os motoristas que quiserem chegar à avenida Eduardo Girão a passar pela Padre Francisco Pinto e dobrar, em seguida, na rua Júlio César, o que inviabiliza a intensa movimentação de pessoas nos dias de festa. A alteração do tráfego se deve à construção de um viaduto que integra obras da Linha Sul do Metrô de Fortaleza. A expectativa da Prefeitura é que tudo esteja pronto até junho. Oficialmente, a AMC diz que não há possibilidade de alteração desse desvio em função do pré-carnaval.

Foto |Ethi Arcanjo
Até agora, segundo o guitarrista e violonista do bloco, Mateus Perdigão, não foi encontrada uma saída para o problema. As inscrições para os editais da Prefeitura que financiam projetos do ciclo carnavalesco se encerram na próxima segunda-feira, 6. Caso queira participar, o bloco precisa mandar uma proposta à Prefeitura já com lugar onde pretende fazer sua apresentação. Segundo Mateus, as mudanças no trânsito pouco tempo antes do lançamento do edital dificultaram a articulação do bloco. 
Alternativas
Em conversa informal com representantes da Secultfor, o bloco propôs levar o show a lugares tradicionais do bairro. Mas há dificuldades por conta dos cortejos de outros blocos e de outros eventos no mesmo horário. Outro espaço cogitado para receber o bloco foi o Estoril, na Praia de Iracema. A Regional II, responsável pelo bairro negou a proposta alegando não ter condição logística de coordenar dois grandes eventos de carnaval em dias seguidos, uma vez que já há programação prevista para o sábado.

Diante desse cenário, o grupo está estudando duas alternativas. A primeira nas ruas que margeiam o prédio da antiga Cobal, perto à avenida Eduardo Girão. E a segunda no Centro. Segundo Alênio Carlos, da Secultfor, um comitê gestor que reúne órgãos ligados à organização do carnaval – como AMC, Seuma e Regionais – tem se reunido para discutir questões sobre o tema. Hoje, às 9 horas, um encontro deve acontecer para discutir o caso. “A ideia é que o quanto antes o Luxo tenha sinalização (do comitê) para que quando for se inscrever tenha orientação”, pontua ele.
Através da assessoria, a Secultfor afirma que ainda espera receber todas as propostas dos blocos para emitir parecer sobre a localização deles. A programação definitiva deve ser divulgada no próximo dia 15 de janeiro.

http://www.opovo.com.br/app/opovo/vidaearte/2014/01/03/noticiasjornalvidaearte,3185085/benfica-sem-luxo-da-aldeia.shtml

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

ICE - El hielo com La Santa Cecilia


Ice - El hielo (La Santa Cecilia)

Eva pasando el trapo sobre la mesa, ahi esta
Cuidando que todo brille como una perla
Cuando llegue la patrona que no se vuelva a quejar
No sea cosa que la acuse de ilegal
José atiende los jardines, parecen de Disneyland
Maneja una troca vieja sin la licencia
No importa si fue taxista alla en su tierra natal
Eso no cuenta para el Tio Sam

Coro:
El hielo handa suelto por esas calles
Nunca se sabe cuando nos va a tocar
Lloran, los niños lloran a la salida
Lloran al ver que no llegará mamá
Uno se queda aquí
Otro se queda alla
Eso pasa por salir a tabajar

Martha llego de niña y sueña con estudiar
Pero se le hace dificil sin los papeles
Se quedan con los laureles los que nacieron aca
Pero ella nunca dejar de luchar

Coro:
El hielo handa suelto por esas calles
Nunca se sabe cuando nos va a tocar
Lloran, los niños lloran a la salida
Lloran al ver que no llegará mamá
Uno se queda aquí
Otro se queda alla
Eso pasa por salir a tabajar

LUXO DA ALDEIA - Lançamento camisa 2014


ARTE - RAMON CAVALCANTE

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Lugares curiosos

por Márcio Cotrim














Rio das Velhas (MG)

O leitor amigo João Carlos Teixeira da Costa, de Belo Horizonte (MG), traz uma boa curiosidade. Na cidade de Santa Luzia, nas proximidades da capital mineira, corre o rio das Velhas. Num dado ponto dele, era comum aparecerem enxames de abelhas. Os muitos portugueses que por ali passavam frequentemente chamavam o rio, no típico sotaque lusitano, de "rio das avelhas", forma comum de dizer "abelhas" em Portugal. Para chegar a "velhas" foi um pulo, e lá estão elas, as velhas, dando nome ao rio.

Viaduto dos Cabritos (RJ)
Já no Rio de Janeiro, há um logradouro oficializado pela prefeitura com a denominação de viaduto dos Cabritos. Construído na Via Dutra, sobre a avenida Brasil, nas proximidades da fábrica da Ambev em Campo Grande, recebeu o nome de viaduto Engenheiro Oscar Brito, só que o povo logo o abreviou para Viaduto Oscar Brito - que acabou virando "viaduto dos cabritos".

Vila Valqueire (RJ)
Também no Rio, há um bairro chamado Vila Valqueire. Seu nome, originalmente, designava a quinta parte, em alqueires, de um grande loteamento, e como "cinco" em algarismos romanos é V, acabou dando nome a um aprazível recanto da Cidade Maravilhosa...

Ilha de Guaratiba (RJ)
Os cariocas apreciam um lugar chamado Ilha de Guaratiba - que, na verdade, não é ilha. A culpa da confusão é de um gringo que morou lá chamado William e era uma espécie de cocada preta do pedaço, dono de propriedades na região. Mandava em tudo. Como pronunciar o nome do sujeito ficava meio complicado, William virou ilha e as terras dali passaram a pertencer ao "seu" Ilha de Guaratiba, que tal?

Haddock Lobo (SP/RJ)
Você sabe quem foi Haddock Lobo, nome de uma importante rua tanto no bairro da Tijuca, no Rio, como numa travessa da avenida Paulista, em São Paulo? Foi simplesmente o homem que aplicou a primeira anestesia no Brasil.

Sua excelência, o leitor

Por Cristovão Tezza

"Os livros vivem fechados, capa contra capa, esmagados na estante, às vezes durante décadas - é preciso arrancá-los de lá e abri-los  para ver o que têm dentro. [...]
Já o jornal são folhas escancaradas ao mundo , que gritam para ser lidas desde a primeira página. As mãos do texto puxam o leitor pelo colarinho  em cada linha, porque tudo é feito diretamente para ele. O jornal do dia sabe que tem vida curta e ofegante e depende desse arisco, indócil , que segura as páginas amassando-as, dobrando-as, às vezes indiferente, passando adiante, largando no chão cadernos inteiros, às vezes recortando com a tesoura alguma coisa que o agrada ou o anúncio classificado. Súbito diz em voz alta, ao ler uma notícia grave, "Que absurdo!", como quem conversa. O jornal se retalha entre dois, três, quatro leitores, cada um com um caderno, já de olho no outro, enquanto bebem café. Nas salas de espera, o jornal é cruelmente dilacerado. Ao contrário do escritor, que se esconde, o cronista vive numa agitada reunião social entre textos - todos falam em voz alta ao mesmo tempo, disputam ávidos o olhar do leitor, que logo vira a página, e silenciamos no papel. Renascemos amanhã".

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

PRAZER - DIUMTUDO 2013


100 Memoráveis Canções Brasileiras

Via Fulano e Sicrano

Lauro Lisboa Garcia, uma super-hiper-gigantesca autoridade em crítica musical, achou de preparar e publicar no Facebook uma lista pessoal com 100 memoráveis canções brasileiras, mencionando as interpretações que mais agradam a ele, tendo o cuidado de escolher apenas uma canção por autor, uma custosa tarefa vez que temos tantos magistrais autores.

Como adorei a lista, e estou saindo uns dias pra descansar levando na minha bagagem o meu iPod, eu a inclui na mochila e resolvi compartilhá-la com vocês, ressalvando a possibilidade de algum engano já que posso ter inadvertidamente escolhido uma versão diferente daquela imaginada por ele.


Uma única exceção: a canção 73 “Noite Sem Luar”, com Eugénia Melo e Castro, gravada em estúdio, que está no CD “Lisboa Dentro de Mim” e que não houve meio de obter, mas que prometo adicionar assim que tiver sucesso. E não há mais exceção, já que a faixa faltante já nos foi encaminhada pela Eugénia, a quem agradecemos honrados e de joelhos.

O link está abaixo (a canção da Eugénia em separado) e a lista de canções, autores e intérpretes está detalhada no espaço de comentários. Abraço e obrigado ao Lauro pela gentileza.

magnet link
magnet link da canção 73


Olha aí:

“Melodia Sentimental” (Heitor Villa-Lobos/Dora Vasconcellos) – Zizi Possi
“Eu Sei Que Vou Te Amar” (Antonio Carlos Jobim/Vinicius Moraes) – Maysa
“Três Apitos” (Noel Rosa) – Aracy de Almeida
“Saudade da Bahia” (Dorival Caymmi) – Dorival Caymmi
“Domingo no Parque” (Gilberto Gil) – Gilberto Gil (original)
“Manhã de Carnaval” (Luiz Bonfá/Antônio Maria) – João Gilberto
“Tocando em Frente” (Renato Teixeira/Almir Sater) – Almir Sater ou Maria Bethânia
“Chula no Terreiro” (Elomar) – Elomar
“Valsa Brasileira (Edu Lobo/Chico Buarque) – Zizi Possi
“Que Maravilha” (Jorge Ben/Toquinho) – Jorge Ben e Toquinho
“Assum Preto” (Luiz Gonzaga/Humberto Teixeira) – Gal Costa
“A Triste Partida” (Patativa do Assaré) – Luiz Gonzaga
“A Palo Seco” (Belchior) – Belchior
“Sem Destino” (Luiz Tatit) – Luiz Tatit
“Porto Alegre” (Péricles Cavalcanti) – Adriana Calcanhotto
“Terral” (Ednardo) – Pessoal do Ceará
“Asa Partida” (Fagner/Abel Silva) – Fagner
“Namorinho de Portão” (Tom Zé) – Gal Costa
“Três da Madrugada” (Torquato Neto/Carlos Pinto) – Gal Costa
“San Vicente” (Milton Nascimento/Fernando Brant) – Milton Nascimento
“Meu Silêncio” (Luiz Fernando Gonçalves/Cláudio Nucci) – Nana Caymmi
“Resposta ao Tempo” (Cristóvão Bastos/Aldir Blanc) – Nana Caymmi
“De Amor Eu Morrerei” (Dominguinhos/Anastácia) – Gal Costa
“Preciso Me Encontrar” (Candeia) – Cartola
“Acontece” (Cartola) – Cartola
“Canto do Povo de Um Lugar” (Caetano Veloso) – Caetano Veloso
“Modinha” (Rita Lee) – Ná Ozzetti
“Flor da Noite” (Celso Fonseca/Ronaldo Bastos) – Nana Caymmi
“Saga da Amazônia” (Vital Farias) – Vital Farias (original)
“Loucos de Cara” (Vitor Ramil) – Vitor Ramil (songbook “Foi no Mês Que Vem”)
“Azul da Cor do Mar” (Tim Maia) – Tim Maia
“Guia” (Pierre Aderne/Márcio Faraco) – António Zambujo
“Salve Linda Canção Sem Esperança” (Luiz Melodia) – Luiz Melodia (original)
“Canto em Qualquer Canto” (Itamar Assumpção/Ná Ozzetti) – Ná Ozzetti
“Sinal Fechado” (Paulinho da Viola) – Paulinho da Viola (original)
“O Meu Sim” (Marina Lima/Antonio Cícero) – Marina Lima
“Onde Está Você?” (Oscar Castro-Neves/Luvercy Florini) – Alaíde Costa (original)
“Cadê Meu Carnaval” (Geraldo Azevedo) – Geraldo Azevedo
“Vapor Barato” (Jards Macalé/Waly Salomão) – Gal Costa
“É d’Oxum” (Gerônimo/Vevé Calazans) – Gerônimo ou Gal Costa
“Chuvas de Cajus” (Alceu Valença) – Alceu Valença
“Pressentimento” (Elton Medeiros/Hermínio Bello de Carvalho) – Elton Medeiros
“Debaixo d’Água” (Arnaldo Antunes) – Maria Bethânia
“Coisa da Antiga” (Wilson Moreira/Nei Lopes) – Clara Nunes
“Duas Contas” (Garoto) – Wilson Simonal
“Estrela Miúda” (João do Vale) – Maria Bethânia ou Elba Ramalho
“Londrina” (Arrigo Barnabé) – Carlos Careqa
“Alegria” (Assis Valente) – Orlando Silva
“Nós” (Tião Carvalho) – Ná Ozzetti ou Cássia Eller
“Mangue e Fogo” (Rodrigo Campos) – Rodrigo Campos e Luísa Maita
“Meu Drama” (Silas de Oliveira/Joaquim Ilarindo) – Fabiana Cozza
“Sonhei Que Estava em Portugal” (Moraes Moreira) – Maria Bethânia
“Lágrimas Negras” (Jorge Mautner/Nelson Jacobina) – Gal Costa ou Caetano Veloso
“Poema” (Frejat/Cazuza) – Ney Matogrosso (original)
“Resposta” (Maysa) – Maysa
“Capoeira do Arnaldo” (Paulo Vanzolini) – Luiz Carlos Paraná
“Essa Mulher” (Joyce/Ana Terra) – Elis Regina
“Até Eu” (Baden Powell/Paulo César Pinheiro) – Baden Powell (original)
“Folia no Matagal” (Eduardo Dusek/Luiz Carlos Góes) – Eduardo Dusek ou Ney Matogrosso
“Isso é para a Dor” (Ângela Ro Ro) – Ângela Ro Ro
“Terra e Lua” (Luli e Lucina) – Luli e Lucina
“Me Faça Um Favor” (Luiz Carlos Sá/Gutemberg Guarabyra) – Sá, Rodrix & Guarabyra
“Reunião de Tristeza” (Sivuca) – Sivuca e Rosinha de Valença
“Sangue Latino” (João Ricardo/Paulo Mendonça) – Secos & Molhados
“Simplesmente” (Paulinho Nogueira) – Paulinho Nogueira
“Sua Estupidez” (Roberto Carlos/Erasmo Carlos) – Gal Costa ou Ná Ozzetti
“Cadeira Vazia” (Lupicínio Rodrigues) – Elis Regina
“Pra Machucar Meu Coração” (Ary Barroso) – Márcia
“Nada Além” (Custódio Mesquita/Mario Lago) – Orlando Silva
“Antonico” (Ismael Silva) – Gal Costa
“Sonora Garoa” (Passoca) – Eliete Negreiros
“Ilusão à Toa” (Johnny Alf) – Johnny Alf
“Noite Sem Luar” (Godofredo Guedes) – Eugénia Melo e Castro
“Yayá Massemba” (Roberto Mendes/Capinam) – Roberto Mendes ou Maria Bethânia
“Esta Melodia” (Bubu da Portela e Jamelão) – Marisa Monte e Velha Guarda da Portela
“Acreditar” (Dona Ivone Lara/Délcio Carvalho) – Dona Ivone Lara
“Faltando Um Pedaço” (Djavan) – Gal Costa
“Coração Ateu” (Sueli Costa) – Maria Bethânia
“O Último Pôr do Sol” (Lenine/Lula Queiroga) – Lenine e Marcos Suzano
“Castigo” (Dolores Duran) – Lúcio Alves
“Iracema” (Adoniran Barbosa) – Clara Nunes
“Pensar em Você” (Chico César) – Rita Ribeiro
“Pernambucobucolismo” (Marisa Monte/Rodrigo Campelo) – Marisa Monte
“Disparada” (Geraldo Vandré/Theo de Barros) – Jair Rodrigues
“Coco Verde” (Teca Calazans/Ricardo Vilas) – Teca Calazans
“Fazenda” (Nelson Ângelo) – Milton Nascimento
“Pelo Vinho e Pelo Pão” (Zé Ramalho) – Amelinha
“Mais Clara, Mais Crua” (“Palhaço”) (Egberto Gismonti/Geraldo Carneiro) – Olivia Byington
“Razão de Viver” (Eumir Deodato/Paulo Sérgio Valle) – Elizeth Cardoso
“Chuvas de Verão” (Fernando Lobo) – Caetano Veloso
“Chove lá Fora” (Tito Madi) – Tito Madi
“Toalha da Saudade” (Batatinha/J. Luna) – Batatinha ou Caetano Veloso
“A Flor e o Espinho” (Nelson Cavaquinho/Guilherme de Brito/Alcides Caminha) – Nora Ney
“Que Loucura” (Sérgio Sampaio) – Luiz Melodia
“Me Deixa em Paz” (Monsueto/Aírton Amorim) – Milton Nascimento e Alaíde Costa
“Cocada” (Antônio Vieira) – Rita Ribeiro
“Quem Me Quiser” (Antônio Adolfo/Jésus Rocha) – Ângela Ro Ro
“Pois é, pra Quê? (Sidney Miller) – MPB-4
“Enquanto a Tristeza Não Vem” (Sérgio Ricardo) – Sérgio Ricardo
“Flor de Ir Embora” (Fátima Guedes) – Fátima Guedes

Para Pepe Mujica



América do Sul
(Paulo Machado)

Deus salve a América do Sul
Desperta, ó claro e amado sol

Deixa correr
Qualquer rio que alegre esse sertão
Essa terra morena, esse calor
Esse campo, essa força tropical

Desperta América do Sul
Deus salve essa América Central

Deixa viver esses campos molhados de suor
Esse orgulho latino em cada olhar
Esse canto e essa aurora tropical

Deus salve a América do Sul
Desperta, ó claro e amado sol

Deixa correr
Qualquer rio que alegre esse sertão
Essa terra morena, esse calor
Esse campo, essa força tropical

Desperta América do Sul
Deus salve essa América Central

Deixa viver esses campos molhados de suor
Esse orgulho latino em cada olhar
Esse canto e essa aurora tropical

Personalidade - Diumtudo 2013


José Alberto Mujica Cordano, conhecido popularmente como Pepe Mujica - presidente da República Oriental do Uruguai.

OS MELHORES DE 2013

Por Felipe Araújo

Hora de passar 2013 a limpo. Ao longo do ano, alguns encontros boêmios em Fortaleza – em botecos ou restaurantes - cativaram este hebdomadário balcão. Seja pela qualidade da cerveja, seja pela qualidade da música (e também da comida, do ambiente, dos interlocutores, entre outros critérios pessoais e intransferíveis). Para a coluna, os prazeres de uma boa mesa e de um bom papo de botequim são imensuráveis e, portanto, sempre imprecisos. No inefável da boemia, já dizia o poeta, a alegria é a prova dos nove. Vejamos então o que de melhor tivemos no ano.

1.Clube dos Gatos / Cantinho do Frango (Aldeota)

Ao longo de 2013, o Cantinho do Frango (Torres Câmara, 71) promoveu três projetos extremamente preciosos aos olhos (e ouvidos) deste colunista. O primeiro, os encontros dominicais reunindo a fina flor da música cearense. O segundo, o happy hour musicado pelos vinis do DJ Alan Morais. E o terceiro, as serestas quinzenais das quintas-feiras capitaneadas pelo Clube dos Gatos e pelo violão insuperável de Zivaldo Maia. Nessas noitadas, Fausto Nilo, Luizinho Calixto, Tarcísio Sardinha e Nonato Luis, entre outros, já deram canjas memoráveis.

2. Corredor etílico-cultural do Benfica (Benfica)

Falar da relação do Benfica com a boemia é chover no molhado. Mas apesar da escalada da violência e das grosserias do poder público (que recentemente amputou mais algumas árvores – e sombras - na rua Padre Francisco Pinto), ir aos bares do Benfica é sempre um reencontro com uma outra possibilidade de cidade, mais leve, mais fraterna e mais musical – vide as violas do Buraco da Lúcia, os sambas do Chaguinha, os ensaios dos blocos Sanatório Geral e Luxo da Aldeia, etc.

3. Raimundo dos Queijos(Centro)

Um fenômeno das manhãs de domingo. Música ao vivo, comida regional e personagens típicos da molecagem cearense. Quem ainda pensa que o Centro precisa ser “revitalizado” precisa urgentemente conhecer o Raimundo dos Queijos (Travessa Crato s/n) para perceber que aquela área está mais viva que nunca. Falta-lhe apenas carinho e cuidado efetivo da parte do poder público.

4. Tardes de sábado no Alpendre (Aldeota)

Uma das melhores cozinhas regionais de Fortaleza (vide o carneiro guisado e a carne de sol ao leite) e uma cerveja extremamente digna. Aos sábados, mesmo sem música, o clima de gozação entre as mesas do Alpendre (Torres Câmara, 172) torna a tarde leve e fraterna por conta da espirituosidade dos convivas.

5. Bodega do Seu Roberto (Monte Castelo)

No bairro do Monte Castelo (R. José Cândido, 299, esquina com Henrique Autran), uma tradicionalíssima esquina boêmia que desde os anos 1960 reúne uma clientela fiel em torno de muita cerveja gelada, petiscos generosos e boa música. Nas manhãs de domingo, por exemplo, há uma roda de samba e choro que reúne alguns bambas da Cidade. (http://bit.ly/1c7G8Dj)

http://www.opovo.com.br/app/colunas/papodebotequim/2013/12/20/notpapodobotequim,3177751/encontros-boemios.shtml

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Nu, de botas - Antonio Prata

Por Marcus Vinicius

Recomendação - pra quem tem de 25 a 40 anos ou é pai ou mãe de "jovens" de 25 a 40 anos. Um bom livro de Antonio Prata.